sábado, 31 de maio de 2008

Exposição de Mina Anguelova


O Mundo de Mina Angelova: Desenhos das Carnes





É daquelas imediatas certezas. Havemos de ouvir falar desta miúda búlgara que vive em Portugal há 15 anos. Talento indiscutível, evidente perfeccionismo e destemor perante as convenções de sempre e um trabalho que prima pela seriedade. Uma grande exposição de desenhos, aguarelas + pastéis de óleo. A revisitar.

No vistodasnuvens

Bordados de Guimarães

Cantarinha dos Namorados ou das Prendas

"A Cantarinha maior significa a abundância perene que se deseja ao futuro casal, semeada de esperanças rutilantes...
A Cantarinha menor, despida de enfeites, significa a vida real, as incertezas do amanhã.

Quando um rapaz escolhia aquela que deveria ser a sua companheira, e se dispunha a fazer o pedido oficial aos pais da " futura", oferecia à namorada uma Cantarinha das Prendas. Se esta era aceite, ficavam, a partir desse momento, comprometidos.
A Cantarinha seria, então, para guardar as " prendas" que o noivo e os pais da noiva ofereciam, em ouro, como cordões, tranceletes, corações, cruzes, borboletas, arrecadas..."
(«Oficina» da olaria, Guimarães)

Conhecem a música...?

Nem queria acreditar. Era este o hino da Prússia. Se alguém quer aborrecer amigos na Inglaterra, enviem-lhes este video do youtube Die deutesche Kaiserhymne.


Prenda de 6ª feira e ADIVINHA DE FIM DE SEMANA: quem é?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Piódão, outra Aldeia Histórica Beirã

É na Serra do Açor, que encontramos esta povoação que, devido ao seu isolamento, o qual lhe permitia fugir à justiça, foi durante muito tempo o couto do «Terror das Beiras», o salteador João Brandão.
Depois de ter integrado o concelho de Avô, esta aldeia onde se salientam as casas de xisto, dispostas em socalcos, com muitas das suas janelas e portas debruadas a azul, passou, já em finais do século XIX, a fazer parte do de Arganil.

O que ditou a sua classificação como Aldeia Histórica não terá sido, ao contrário de outras, o seu passado de lutas bélicas, mas antes a beleza natural das suas paisagens, a qual,porém, pelas dificuldades que opunham aos homens que nela habitavam não os isentou doutro tipo de guerra; seria esta aliás que iria encorajar os mais novos a emigrarem para as cidades, em busca de uma vida mais fácil.

Não estive lá na melhor das alturas, por certo, mas mesmo no Inverno Piódão fascina.

Pedaços do Minho

Lenço Dos Namorados- Vila Verde

"É tam certo eu amarte
Como branco o lenço ser
Só deixarei de te amar
Quando o lenço a cor perder"

Croniquetas Republicanas (7): Relvas estrumadas


Da leitura em diagonal das Memórias Políticas de José Relvas, decidimos retirar mais alguns valiosos contributos para o melhor conhecimento daquilo que foi o regime saído do golpe de 1910, assim como das questíunculas, ódios e irresponsabilidade política e moral dos seus principais dirigentes.

Sendo Relvas geralmente apontado pelos panegiristas do regime da Demagogia, como uma inatacável personalidade eivada de todo o tipo de qualidades políticas, morais e intelectuais, os seus escritos deverão ser encarados como honestos testemunhos da situação imposta pela violência a um país coagido pela coacção física e propagandista.

Já na fase pós-sidonista, Relvas parece esquecer-se da feroz luta contra a "ditadura" administrativa de Franco (1906-08) e assim, declara em 1919 ..."como pode o Governo com o actual Parlamento que já não representa a vontade nacional, visto que o País aceitou o meu Ministério, não só sem resistências, mas até com aplauso? Foi por isso que eu fiz na entrevista um apelo ao Parlamento para nobremente votar o princípio da dissolução e uma nova lei eleitoral, elaborada com o consenso dos partidos, deixando entrever que se a vida do executivo ainda fosse possível com as actuais Cortes iríamos até ao momento em que novas eleições constituíssem uma necessidade inevitável para a formação dos dois novos e grandes partidos, base duma tranquilidade, que não conhecemos há muito tempo".

Este parágrafo remete-nos de imediato à famosa entrevista dada pelo rei D. Carlos ao Temps, em que os pressupostos para a normalização da vida pública, tinham como ponto central a formação de dois partidos constitucionais verdadeiramente alternativos - o governo "à inglesa" - e à elaboração de um novo sistema eleitoral mais equilibrado. Mais de uma década decorrida e num cenário de indescritível desordem pública, miséria económica e clara, embora camuflada derrota militar na I Guerra Mundial, Relvas parece pretender ressuscitar o plano de João Franco, num momento em que a dissolução do regime já se tornara inevitável.

Continuando, o autor escreve que ..."acentua-se a campanha da dissolução em termos da maior violência. Hoje, na Câmara, quando se começava a discutir o projecto a que me referi na carta de ontem, o Francisco Fernandes afirmou que tal projecto, recordando o decreto de 31 de Janeiro, de João Franco, o excedia todavia nas autorizações arbitrárias que concedia ao poder executivo. Devo dizer-lhe que não é muito grande a correcção do dr. Fernandes e o seu espírito de transigência, não hesitando em aprovar o projecto desde que ele contivesse a restrição das autorizações concedidas apenas ao actual Governo". Por outras palavras, é a "ditadura!

A guerrilha entre os caciques republicanos, vai enrubescendo de fulgor e assim, ..."o Cunha Leal - comediante-tragediante sabendo que o Parlamento já não existia, resignou o seu mandato de deputado perante o comício. E acrescentou que, se o Governo não decretasse a dissolução, convocava desde já o povo para dissolver o Governo!" Foi esta a gente de alegados elevados princípios de rectidão moral que quis governar o país. Continuando, vai escrevendo que ..."esse farsante subiu as escadas do Ministério do Interior, acompanhado de populares, que a breve trecho entravam violentamente no meu gabinete, armados com pistolas e espingardas, invectivando-me e não me tendo morto, graças à oportuna e enérgica intervenção de Tito de Morais (...) entretanto, nas Ruas do Ouro e dos Capelistas continuava o tiroteio com a polícia, obrigada a defender-se dentro já da esquadra do banco de Portugal. Havia mortos e feridos. O primeiro polícia foi morto à porta do Ministério (...) durante a noite a Polícia, que se manifestara hostil ao Governo, teve de render-se, não sem ter manifestado num pátio da Parreirinha os seus afectos em vivas entusiásticos à Monarquia"...

De Machado Santos, a grande figura do 5 de Outubro da Rotunda, , dizia que ..."é um sincero em tudo o que faz. Há porém entre estes dois homens diferenças fundamentais. É honestíssimo. Mas é de uma mediocridade intelectual assustadora, o que o conduz, fora da Rotunda, a todos os desaires e a todos os desastres. Está sendo cúmplice inconsciente do Cunha Leal, que não tem escrúpulos de nenhuma espécie, que é superiormente inteligente, e ilimitadamente ambicioso".

Na sua 24ª carta, desabafa que ..."quando mataram o Sidónio - vilíssimo assassinato -, e quando o Teófilo Duarte passeava por Lisboa as suas loucas tropelias, dizia-lhe eu que tinha a impressão de presidir a um manicómio. Hoje tenho a impressão de habitar um covil de feras!" Estas palavras são absolutamente idênticas às de D. Manuel II logo após os acontecimentos de 1908-10, mas Relvas parece esquecer-se do constante recurso à violência física promovida pelos chefes do p.r.p. nos derradeiros anos da Monarquia Constitucional.

De Guerra Junqueiro, fazendo juz ao preconceito da época e aludindo ao desvario pela acumulação de riqueza que parecia obcecar o vate da república, dizia que ..."o fundo irresistível da sua origem semita procura conciliar, com a mais alta e nobre visão da Pátria, os interesses da sua ambição. O que o conduz por vezes a situações lamentáveis".

Voltando à dissolução do parlamento, Relvas escreve: "Outro acto de firmeza do governo que parece estar esquecido, e que todavia não podia ser de maior transcendência, foi a dissolução do parlamento. Por não estar incluída na Constituição a faculdade de dissolver o Parlamento, atravessámos épocas políticas agitadíssimas, e viemos a dar a uma revolução." Curiosa auto-condescendência do escriba-primeiro ministro, parecendo oportunamente esquecer-se da tremenda campanha de imprensa levantada pelos republicanos durante o governo de João Franco. Assim, para Relvas a ilegalidade justifica-se desde que seja a "sua ilegalidade".

Não nos alongando mais no demolidor contributo do antigo primeiro ministro da 1ª república, finalizamos, como epitáfio de uma situação insolúvel, com um pequeno parágrafo:
"Entretanto, todas as pessoas que passam pelo meu gabinete estão assombradas com o espectáculo duma política tão mesquinha. Realmente, este gabinete é agora um posto de observação, e até de estudo, para psicólogos. Nesta luta de pigmeus, a fingirem de grandes homens, é fácil distinguir os motivos que os fazem agir (...) é a indicação que leva ao Terreiro do Paço outro Governo, que não pode ser, senão em outros moldes e com outras pessoas, uma reprodução do que vai desaparecer sumido nessa terrível voragem de desorientação e desprestígio em que se somem, nos últimos anos, em Portugal, umas atrás das outras, todas as situações ministeriais?"

* Na imagem, manifestação popular de apoio a D. Manuel II, diante do Paço das Necessidades (1910).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pedro Batista, na Arqué Art Gallery


"Encontramos na pintura dos retratos um claro paradoxo formado, por um lado, pela expressão entre a apatia e a contemplação que é objectivamente apresentada na atitude dos corpos, e, por outro, pela permanência de um constante olhar directo das personagens orientado ao espectador, que impossibilita a fuga a um diálogo intencional entre os intervenientes, criando laços, unindo, confrontando o visto e o pensado, levando à afirmação de sensações subjectivas que impossibilitam a passagem indiferente de cada indivíduo diante do representado".

Manuel Sarmento Pizarro

Exposição presente  de 29 de Maio a 28 de Junho de 2008

Arqué Art Gallery
Av. Miguel Bombarda, 120A
1050-167 Lisboa
Tel. 217972886
arque.artgallery@gmail.com

Linhares da Beira

Tínhamos vários dias pela frente, e iríamos aproveitar para visitar as várias Aldeias Históricas do distrito da Guarda.
Linhares, no concelho de Celorico da Beira seria a primeira paragem.
Lera já que a sua fundação, atribuída aos Túrdulos, remontava, muito provavelmente, ao século VI A. C., mas que fora durante a Reconquista que sobressaíra, dada uma situação geográfica privilegiada, propícia à defesa de toda aquela região, e já no século XII o Castelo de Linhares é referido como uma significativa barreira face às forças de Leão, razão pela qual D. Afonso Henriques lhe veio a conceder foral.
Seria, porém, durante o reinado de D. Manuel I que Linhares viria a conhecer os seus tempos áureos, e disso são testemunho, além do Pelourinho encimado pela esfera armilar, as muitas casas onde são visíveis sinais da arquitectura que marcou esse período, como as muitas janelas manuelinas que pudemos admirar. Alguns desses solares encontravam-se em ruínas, como o belíssimo Palácio dos Corte-Real.
Uma construção que logo se impõe é o Castelo, no alto de um maciço granítico, esse sim, bem preservado.

Era, porém, gritante o pouquíssimo movimento que encontrámos nas ruas medievais, ladeadas de graciosas casa de granito, e calcetadas com a mesma pedra. Apenas alguns idosos, ávidos de companhia, a quem relatar as muitas histórias que envolvem Linhares da Beira, o que fizeram com notório orgulho.

A explicação dos acontecimentos na África do Sul, por Machado da Graça - Correio da Manhã (Moçambique)


Olá Sitoi

Em resposta à minha carta da semana passada falaste-me, como muitos outros têm falado, da grande ingratidão manifestada pelos sul-africanos em relação a um país, como o nosso, que acolheu os militantes do ANC, durante o tempo do apartheid e, por isso, sofreu todo o tipo de agressões e atropelos.

E, se olharmos para os aspectos morais e políticos, tens toda a razão, meu bom amigo.

Só que o fenómeno a que estamos a assistir tem, na minha opinião, mais que ver com a economia do que com a moral e a política.

Porque, em termos económicos, não há paralelo possivel.

Os sul-africanos que estiveram refugiados em Moçambique quantos terão sido? 1000? Provavelmente nem tantos, contando aqui a ala militar do Unkontho We Sizwe, que transitava frequentemente para dentro e para fora da África do Sul.

E este número, como podes perceber, não se pode comparar com a verdadeira invasão de zimbabueanos, com números na casa dos milhões. São realidades completamente diferentes.

Mais do que isso. Os sul-africanos que viveram entre nós, na sua maioria, não competiram no mercado de trabalho com os moçambicanos mais pobres. Ou eram autónomos, recebendo os seus abastecimentos da Direcção do ANC, ou eram quadros com formação elevada e até ajudaram a tapar buracos que tinhamos em muitos sectores, nomeadamente no ensino universitário.

Os mais velhos recordam que, muitas vezes, no tempo em que as nossas prateleiras estavam vazias, eram pessoas do ANC que ajudavam os seus amigos moçambicanos com uns ovos, umas batatas e, porque não, com uma ou outra garrafa de vinho ou de whisky.

O peso da presença deles foi em termos da nossa soberania agredida, dos mortos e feridos nas incursões do regime de Pretória, no apoio à guerra de desestabilização da Renamo, na destruição de infra-estruturas de todo o tipo.

Não foi a competição, ao nivel da subsistência, entre o pobre sul-africano e o pobre imigrante na África do Sul.

Essa é a realidade de hoje na África do Sul. E será a realidade em Moçambique se os zimbabuenos decidirem trocar a insegurança da terra do Rand pelo nosso hospitaleiro país.

Tu já pensaste no que significaria a entrada nem que fosse “apenas” de um milhão de zimbabueanos para as nossas principais cidades? O que isso provocaria? Pensa lá bem.

É por isso que eu tenho vindo a defender que é necessário travar a violência xenófoba na África do Sul mas, em paralelo, tratar de resolver a verdadeira causa do problema.

A xenofobia tem, em quase todo o mundo, uma base económica e, ou se resolvem os problemas económicos que estão na sua origem ou a xenofobia não desaparece por si só. Pode ser reprimida e controlada mas, quando a barriga apertar, novamente haberá multidões à procura do diferente, do estrangeiro, do outro que também luta pelo mesmo pedaço de pão.

Não, Sitoi. Não creio que os sul-africanos sejam ingratos. Estou convencido que aqueles que estiveram refugiados em Moçambique sentem estas agressões como nós próprios as sentimos. E as declarações dos principais dirigentes, desde Thabo Mbeki a Jacob Zuma têm sido claras sobre isso.

Os problemas estão na base, nos desempregados que vivem nas cidades, nos que sobrevivem na economia informal. Foi para esses que a chegada dos zimbabueanos se tornou uma agressão.

Esses, Sitoi, não são politizados, não avaliam as coisas em termos de correcção política.

E, mais grave do que isso, estão misturados com todo o tipo de marginais e delinquentes que, nestes momentos, facilmente viram as coisas a seu favor, isto é da roubalheira e do saque dos bens alheios.

Tudo isto é muito sensível. Tudo isto exige grande cautela, por um lado, e firmeza por outro.

Que os espíritos dos antepassados iluminem os dirigentes da região, que bem precisados estão eles disso neste momento.

Um abraço para ti do

Notas Soltas

Caro Pedro, estou demasiado cansado e sem qualquer capacidade de raciocínio! Irei estar ausente nos próximos 5 dias, pelo que mais tarde falaremos sobre o assunto, até porque deturpaste o que eu quis dizer, mas depois falamos sobre isso.

Amanhã estarei pelo Corta-fitas, a falar dos jovens e a política, com os devidos agradecimentos ao Pedro Correia e restante equipa!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Uma outra visão de Camilo

É de todos conhecido o mau feitio de Camilo, mas por muitos ignorada uma outra faceta do seu carácter, trazida até nós pelo camilianista, seu contemporâneo, António Cabral.
Tinha este acto abonatório de uma índole generosa vindo a público nas páginas d'«O Primeiro de Janeiro» de 3 de Junho de 1890, pouco tempo, portanto, após a morte do escritor.
"Foi há muitos anos, na Póvoa de Varzim.
Camilo achava-se naquela praia, para onde fora com os filhos, que iam fazer uso dos banhos do mar.
No mesmo hotel em que estava Camilo, achava-se um medíocre pintor espanhol, que perdera no jogo da roleta o dinheiro que levava.
Havia três semanas que o pintor não pagava a conta do hotel, e a dona, uma talo Ernestina, ex-actriz, pouco satisfeita com o procedimento do hóspede, escolheu um dia a hora do jantar para o despedir, explicando ali, sem nenhum género de reservas, o motivo que a obrigava a proceder assim.
Camilo ouviu o mandado de despejo, brutalmente dirigido ao pintor. Quando a inflexível hospedeira acabou de falar, levantou-se, no meio dos outros hóspedes, e disse: - a D. Ernestina é injusta. Eu trouxe do Porto cem mil réis que me mandaram entregar a esse senhor e ainda não o tinha feito por esquecimento. Desempenho-me agora da minha missão. E puxando por cem mil réis em notas entregou-as ao pintor. O Espanhol, surpreendido com aquela intervenção que estava longe de esperar, não achou uma palavra para responder. Duas lágrimas, porém, lhe deslizaram silenciosas pela faces, como única demonstração de reconhecimento".

Noções de História económica

Num post um pouco abaixo falo que para rebater os disparates que se dizem liberais que andam a crescer na opinião pública portuguesa bastava ter umas noções de história económica e assim é. Se algum desses senhores se der ao trabalho de ler Alfred D. Chandler (ou um dos continuadores do seu trabalho) que é o pai da história económica ficaria a saber que o domino de mercado se constrói a partir da segunda revolução industrial, especialmente com os caminhos de ferro e o telégrafo - o livro de referência é o "scale and scope" que é massivamente inclusivo e chato. E que as empresas tradicionais que se adaptaram a esse meio se encontram essencialmente nos EUA por algumas razões simples. Em primeiro lugar os Estados Unidos fizeram um uso mais intensivo das novas tecnologias porque além de terem um espaço geográfico gigante e uma população dispersa não tinham meios de comunicação que existiam noutras regiões (exemplo: estradas na Alemanha e canais no Reino Unido). Depois eram um país livre das oligarquias europeias o que permitia a emergência de novos actores.

Além de beneficiarem dessa vantagem de localização as empresas americanas ainda beneficiaram do facto de terem sido as primeiras a efectuar os investimentos críticos dessa era: produção industrial maximizada de acordo com o mercado. Distribuição controlada ou assegurada pela própria empresa e hierarquização dos diferentes níveis da empresa. Como Chandler demonstra quem quer que fizesse estes 3 investimentos chave dominaria o seu mercado interno e tornaria a emergência de qualquer competidor muito mas muito difícil – para produzir nesta escala é preciso ter um numero mínimo de unidades muito elevado o que significa que qualquer pessoa que entre no mercado corre o risco de ficar com as suas unidades no armazém –além de muitas vezes não ter acesso à tecnologia em questão que lhe permita criar um produto superior. Em resumo, a partir do momento que falamos de um certo nível de produção as noções clássicas de Adam Smtih são irrelevantes e as realidades do oligopólio e do monopólio impõem-se – juntamente com a plutocracia no campo político. O que se aplica dentro de um país também se aplica à competição mundial e mais uma vez os americanos, Ingleses e Alemães estão solidamente implantados desde 1880 enquanto as pequenas e médias nações que só se industrializaram depois sistematicamente falharam em levar a cabo projectos similares – para detalhes de um case study deve-se ler o trabalho do professor Franco Amatori sobre a industrialização italiana.

Carros em casa, boicote e petróleo a baixar


As últimas notícias da tarde, indicam os preços do barril de petróleo em forte queda. Poderão dar-se múltiplas explicações, mas os carros estacionados à porta de casa, os transportes públicos cheios e o generalizado apelo ao boicote aos lucros das petrolíferas, começam a surtir efeito. Devemos prosseguir e acirrar ainda mais a oposição à especulação desenfreada.

Convite para uma boa exposição

Já conhecia o trabalho do Pedro Baptista e esta é uma exposição a ser vista. Um novo olhar sobre o retrato de gente como nós. A não perder, na Arqué, avenida Miguel Bombarda, 120A, Lisboa.

O golfo do Sião à espera de um tufão




Desde que se sentou no poder que o actual Governo não consegue estabilidade quer interna quer externa. As lutas dentro da colicação e dentro do próprio partido dominante, têm enfraquecido extraordinariamente a sua produção. Para além disso os casos dentro do Governo são tantos e tão constantes que lhe enfraquecem a imagem e o poder de se afirmar. O próprio Primeiro Ministro não ajuda muito pois, sendo uma figura extremamente controversa, especialmente pela rudeza da sua linguagem, (o Pinheiro de Azevedo era um aprendiz ao pé deste), nunca consegue transmitir nada de positivo do que o Governo faz, e algumas coisas tem feito. e isto apesar de ter um talk-show todos os fins de semana na TV.

Como sempre na Tailândia logo se fala em mais um golpe militar e o CEMFA já veio, pela milionésima vez, desmentir que houvesse algum plano para tal. Pelo sim pelo não o PM sempre que sai para visitas ao estrangeiro leva-o consigo não lhe vá acontecer o mesmo que com Thaksin que aproveitaram ele estar em Nova Iorque para lhe enviarem a guia de marcha.

Notas sobre o tema anterior

Depois de ler as respostas aqui ao outro post (especialmente a do Samuel e a do Mike) acho que tenho a obrigação de especificar umas coisas e pôr os pontos nos is noutras.

Em primeiro lugar a medida sugerida não seria em nada radical dado o track record do sector conservador nesta área. Seria apenas justiça servida sobre a forma da pena de talião, olho por olho dente por dente. Nada mais justo.

Depois acho que posso comentar sobre o papel das elites porque escrevi uma tese sobre elites portuguesas. Em primeiro lugar convém especificar ao que nos referimos. Elites no sentido de ocupação de poder ou de vanguarda cultural? Não são grupos coincidentes no nosso país. As elites em termos de poder tendem a servir-se a elas mesmas e em Portugal sistematicamente recusaram as suas responsabilidades de liderança cultural e cívica o que levou uma e outra vez à sua queda e substituição quando o poder bruto lhes falha. A sua relação com as mentalidades tem sido tradicionalmente um papel de manutenção das coisas tal como elas estão por medo de perturbar o status quo que os mantém – uma exploração sem vergonha dos preconceitos de uma populaça semi-educada.

Agora vem o que me incomodou mais… o Samuel vem com uma conversa que eu já conheço de ginjeira… eu não tenho nada contra e tal e coisa mas… (só faltou dizer que tinha muitos amigos que eram para completar a intervenção estereotipada). A ideia que fica é que no fundo é tudo muito bonito quando é socialmente invisível. A partir do momento que a tal diferença é assumida e vivida passamos a ter “bichas”, ou seja, o que eu assumo aqui é que o ideal seria manter uma fachada hipócrita para não incomodar o “bom” povo português. É uma ideia que sobre a capa de uma suposta neutralidade é de uma agressividade enorme pela sua normalização não da aceitação pacífica do “outro” mas pela normalização dos costumes e supressão individual (pela reprovação colectiva).

Será que estes dois rapazes que trocam afectos em público já estão na categoria "bicha"?


Por fim a questão dos casamentos e adopções. É rídiculo adiar esta legislação por razões de igualdade de direitos legais (e não me venham com a treta as uniões de facto porque não são a mesma coisa nem de longe nem de perto) e pelas oportunidades de outros seres humanos (neste caso crianças) de terem um lar normal – no fundo é dizer que pelo preconceito infundado de uns devem pagar todos até que o grupo em falta resolva mudar de ideias. E pelos exemplos que temos de outros países parece-me seguro afirmar que a sociedade não vai entrar em colapso com a permissão de casamentos gay. Tal como não se desmoronou com a igualdade racial, de sexo, etc.

Por fim a questão da definição da nossa sociedade. Eu serei o primeiro a dizer que nem tudo o que vem de fora tem um valor intrinsecamente superior ao que nós fazemos – não tenho complexo de inferioridade por ser deste país – mas também serei o primeiro a apontar as falhas que temos. E caro Samuel é preciso admitir que a nossa sociedade é profundamente provinciana nos seus gostos, maneirismos, hábitos, etc. Trata-se simplesmente de aceitar factos. Nunca ouviram dizer que o primeiro passo para qualquer solução é admitir que existe um problema?

O absurdo ou o esquecimento conveniente


Os telejornais da hora de jantar da passada terça-feira, passaram várias entrevistas com comentadores que centraram as respectivas ladainhas nos estudos sociológicos do dr. Alfredo Bruto da Costa e no alarmante artigo de Mário Soares. O tema foi a inevitável e bem conhecida pobreza que nos últimos vinte anos tem sido habilidosamente escondida pelo biombo dos Fundos Estruturais, pelo chamado crédito fácil para todos e por uma inigualável propaganda de que não há memória desde os tempos do inefável Costa.

A interrogação sobre o porquê da persistência de uma situação que há muito devia ter sido colmatada pelo investimento feito no combate à exclusão e pobreza, não encontra respostas fáceis ou plausíveis. Aparentemente, os agentes da grande política nacional esgotaram os recursos oratórios e os argumentos tendentes à apresentação de razões e soluções, volatilizaram-se perante a realidade dos factos.

Gostaríamos apenas de deixar algumas questões, tanto aos poderes do Estado - órgãos de soberania -, como aos sempre reivindicadores e por vezes impertinentes privados.

1. Após a normalização de 1976, existiu algum plano concertado para o desenvolvimento e modernização da indústria portuguesa que oferecia tão positivas perspectivas apenas cinco anos antes?

2. Das grandes obras daquilo a que se chamava Fomento Nacional e entre as quais situamos a construção naval - Lisnave e Setenave -, quais as verdadeiras  razões para a sua inexorável liquidação? O argumento da concorrência dos mercados asiáticos não pode ser considerado, uma vez que esse tipo de indústria continua a produzir em pleno, em Espanha, na Alemanha, França ou Itália.

3. Existindo estudos sobejamente conhecidos e da autoria do arq. Telles e do seu grupo de trabalho, pode o regime apresentar-nos as razões do seu desinteresse relativo ao ordenamento territorial, aspecto vital do desenvolvimento equilibrado, da fixação de populações e de sectores económicos e da preservação da paisagem - esta nos seus múltiplos aspectos, desde a natural à monumental -, factor absolutamente imprescindível para um país de escassos recursos que tem no turismo uma potencial e prodigiosa fonte de receita?

4. Tendo Portugal recebido importantíssimas somas provenientes do Fundo de Coesão, quais foram os critérios seleccionados para a sua aplicação? Desde 1986 até aos nossos dias, não parece notório um salto qualitativo na diversificação da produção - apesar do inegável aumento da exportação de maquinaria - e principalmente, no ponto vital que é a formação profissional.
A pergunta deverá ser endereçada aos drs. Mário Soares e Cavaco Silva, os principais responsáveis pelas opções políticas e económicas dos seus governos.

5. Como foi possível o abandono total de uma política de controle sobre a especulação imobiliária desenfreada que o país vive já há mais de 25 anos? Como poderemos explicar o facto dos preços de casas em Lisboa, serem superiores aos de Berlim, ao mesmo tempo que se assiste à destruição devastas áreas em redor das grandes cidades, devido ao desvario de uma política de cedência diante do sector do betão?

6. O Estado administrou empresas nacionalizadas durante o PREC e o preço foi pago pelo contribuinte. Como se explica então que tendo sido algumas destas empresas colocadas sob a direcção competente de gestores altamente qualificados e pagos que conseguiram torná-las em valiosas entidades lucrativas, se verifica hoje um inaceitável propósito de alienação de património nacional que corre sérios riscos de fragmentação e desaparecimento em manobras especulativas?

7. Conhecendo as causas profundas dos males que minam a sociedade portuguesa, as entidades competentes decerto não desconhecem a necessidade imperiosa de proporcionar o exemplo a dar aos cidadãos. Desta forma, como é possível que se mantenham privilégios que raiam o simples saque, concedidos a detentores de cargos públicos? Como pode parecer normal o brutal gasto de entidades como o Palácio de Belém - e as dúzias de assessores que tornam a dispensável "presidência da república" num voraz Moloch esbanjador de recursos, gastando mais 30% do orçamento concedido pelo governo Zapatero à Casa Real -, os serviços adstritos aos ministérios e secretarias de Estado, Parlamento, E.P's e uma infindável lista de comissões de estudos, comissões instaladoras, etc? Como se justifica perante a população, a apresentação de contas exorbitantes de despesas de representação pouco credíveis e roçando a simples lambujem? 

8. Como é possível os detentores do Poder permitirem diante de uma opinião pública indignada e estupefacta, a entrega de zonas de interesse colectivo - como a frente ribeirinha ou vastos terrenos em pleno centro da capital -, a entidades ligadas a negócios controversos e de contornos indefinidos?

9. Como se explica o agravamento radical da situação de débito da generalidade das famílias portuguesas, ao mesmo tempo que os bancos publicam relatórios de contas onde os lucros fabulosos só encontram uma correspondência inversa no constante esbulhar dos depositantes, através de normas abusivas e de serviços desnecessários e não solicitados?

10. Pode o Estado explicar com clareza, a natureza das negociações celebradas entre Portugal e o regime venezuelano? Trata-se de um acordo que beneficia o país no seu todo, ou apenas abre  novas perspectivas de ingentes lucros a uma certa e timorata iniciativa privada que vive do mero financismo e especulação, acobertada por um poder que dela depende? Será o Estado o mero agente de interesses que sustentam o sistema?

São estas algumas questões que todos os portugueses colocam quotidianamente e para as quais não parece existir qualquer vontade ou garantia de resposta credível ou satisfatória. A imensa maioria da população está exausta por uma depressão que não sendo apenas económica, mina os próprios fundamentos da consciência nacional. Não pretendendo qualquer revolução tumultuosa e depredadora, logo suicidária, almeja contudo, a plena garantia de um progresso que baseado na educação e autoridade democrática, garanta o futuro. Este modelo de solução baseada na simples casuística que dá corpo ao regime, chegou ao fim. Urge pensar noutra democracia. Da nossa parte, conhecemos bem quais os caminhos a trilhar. O tempo urge.


O tipo de república que teimam em não instaurar em Portugal...

Do Brasil, uma petição


Amig@s, 

109 países estão agora mesmonegociando um tratado para banir as bombas cluster -- armas que matam e mutilam crianças e civis inocentes anos após o fim da guerra. Clique aqui para enviar uma mensagem para seu governante pedindo apoio ao tratado:

ACABE COM AS 
BOMBAS CLUSTER


Agora mesmo, em Dublin na Irlanda, vários países estão se reunindo para criar um acordo para banir a bomba cluster (ou bombas de fragmentação).Fabricantes de armas estão pressionando governos a firmarem um tratado cheio de exceções. O texto final do acordo será decidido nos próximos dias. 

Bombas cluster não matam só em tempos de guerra. Elas espalham pequenas “bombinhas” brilhantes que permanecem no solo por décadas depois de serem jogadas. Elas atraem a curiosidade de crianças que não raro, são mutiladas ou mortas. Alguns governos acreditam que essas bombas devem ser banidas, mas o Brasil continua a fabricar e exportar estas bombas. O tratado será assinado no final desta semana e alguns governos ainda estão pedindo exceções com “períodos de transição” e clausulas para amenizar a banimento. 

Temos uma forte chance de influenciar esse tratado. Se cada um de nós enviar uma mensagem para seu chefe de estado, poderemos convencer nossos governos de banir as bombas cluster de uma vez por todas. Clique abaixo para enviar uma mensagem (pré escrita) e encaminhar essa campanha para seus amigos e familiares: 

http://www.avaaz.org/po/ban_cluster_munitions/18.php?cl=93205005 

Demagogia e subsidiariedade

O ministro da Economia, Manuel Pinho, pediu à Comissão Europeia para intervir na subida do custo dos combustíveis, identificando «medidas de curto e médio prazo que possam minimizar o efeito negativo da escalada do preço do petróleo», refere um comunicado do ministério, citado pela RTP.

Isto, para além de demagogia sem quaisquer resultados que não sejam o iludir o povinho, é...vá lá...como diz o Ricardo Araújo Pereira..hmmm..é ESTÚPIDO!

É estúpido porque quando já aqui ao lado (vulgo, Espanha) se praticam os preços que se vêem, é lógico que o problema é apenas a nível interno. Certo é que há uma crise internacional generalizada, em relação à qual a UE poderá eventualmente tomar medidas. Mas quanto ao que realmente interessa neste momento, o escabroso aumento dos preços dos combustíveis em Portugal, o problema é interno, para ser resolvido tem que ser focado a nível das condicionantes e jogadores internos. Não sei se Manuel Pinho já ouviu falar daquele princípio que preside a grande parte do projecto de construção da integração europeia, aquele de que já Aristóteles, ou São Tomás de Aquino uns séculos mais tarde, andavam a falar, o princípio da subsidiariedade...Parece que não. Ou pelo menos finge que não.

O Dragão no seu melhor

O Dragão deixou-nos mais um daqueles seus posts tão característicos, onde encontrou possivelmente a denominação mais feliz para o regime vigente em Portugal: Narcisocracia. A ler aqui, está lá tudo. Tudinho mesmo.

A respeito do tal artigo de Mário Soares no DN

Ao ler:

Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é." Há que avançar rapidamente - e com acerto - na resolução destas questões essenciais, que tanto afectam a maioria dos portugueses. Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens.

Mais parece que estamos em 74/75/76 do que em 2008. Soares sabe bem do que fala. É o mesmo que levou norte-americanos a apoiar ditaduras na América Latina. A fome é o rastilho das revoluções. E o comunismo está sempre à espreita para aproveitar esses males do neoliberalismo.

De notar ainda, quer se goste ou não de Soares, que há uma distinção essencial a fazer entre a nomenclatura vigente no PS e a nomenclatura da sua fundação, de Soares, e é precisamente aquilo por que muita gente talvez me ache "obcecado": o sentido de Estado. Soares sabe bem o que é isso. E não tem muito a ver com a actuação do PS nos últimos anos...Mas quanto a sentido de Estado, iria até mais longe, dizendo que esse é coisa que não abunda na actuação de Portugal, vá lá, não digo nos últimos 30 anos, mas pelo menos desde a entrada nas Comunidades Europeias em 86.

E é também na linha do que Silva Lopes dizia hoje na TVI, em entrevista a Constança Cunha e Sá, quanto ao interesse nacional existem apenas visões dispersas, fragmentadas. É uma pena, falta-nos de facto um projecto de longo prazo, talvez a roçar o desenvolvimentismo latino-americano, que mobilize estes meros 10 milhões de pessoas.

Sem margem para qualquer dúvida

A um estranho que chegue a Portugal e tome contacto com os portugueses poderá parecer que se trata do povo com maior potencial revolucionário do mundo conhecido. Ninguém está satisfeito com nada, toda a gente se queixa de tudo, a crer nas conversas e nos desabafos vive-se à beira da revolta generalizada. Com algum conhecimento mais, chega-se à conclusão de que estamos na realidade perante um povo que em regra aceita tudo o que lhe fazem - esgotando a indignação e as energias contestatárias na verborreia maledicente.
Um povo comodista, conformado e abúlico, que só se incomoda mesmo com o que lhe chega à porta, ou se mexem com as suas pequenas rotinas, e ainda então fica a aguardar que alguém resolva o problema.
Uma terra extremamente conservadora e imobilista, em suma.

Manuel Azinhal in O Sexo dos Anjos (já agora, leiam o restante do post que vale bem a pena)

Corolários do grande pensamento socialista

Os países ricos são melhores que os pobres a combater a pobreza.

As políticas socialistas que não resultaram nos últimos quarenta anos vão dar um resultadão agora.

A crise está a ser causada pela queda do dólar, logo, a culpa é do Bush.

O que não conseguimos fazer na política social, com 50% do PIB, é da responsabilidade dos escandalosos vencimentos dos administradores da banca (cerca de 0,045% do PIB, antes de impostos).

A “globalização capitalista neoliberal” não serve porque os países emergentes estão a submergir-nos.

O facto da maior parte dos problemas humanitários acontecerem em países com regimes socialistas totalitários não interessa nada. Onde está o vosso internacionalismo humanista!?

Já mencionei que a culpa é do Bush? Pois. É.

Miguel Botelho Moniz in O Insurgente

A diplomacia tem destas coisas (4)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Provocações que não o deveriam ser


Resolvi meter para aqui uma mini provocação em termos de moralidade social porque acho o debate que actualmente se faz no main stream passa ao lado dos assuntos relevantes. A homossexualidade está relegada a causa fracturante – expressão profundamente cretina, no mesmo nível que a do politicamente correcto, que designa basicamente acções que são moralmente correctas mas que custariam votos, ou seja, vulgo calculismo eleitoral do governo (seja ele qual for) e moralismo de trazer por casa da oposição.

Hesitei em colocar uma imagem tão explicita como esta num espaço que não é apenas meu mas penso que vai directa ao assunto que um perspectiva puramente intelectualizada não iria. Estou farto de entrar em debates da treta em que se tem que defender a moralidade de qualquer relação entre pessoas do mesmo sexo – estão no mesmo nível da defesa da igualdade racial ou sexual – quando a questão passa por algo que não recorre a qualquer argumento. Já que não falamos de argumentação sinceramente proponho mais uma solução retributiva... que a maioria dos homofobicos deveria ser sodomizada regularmente por duas razões:

- Neutralizava os casos de armário que povoam os sectores conservadores.
- Dava uma razão real a esse grupo para ter um ódio tão visceral à coisa.

«Povo que lavas no rio» (2)

" Não dávamos ponto sem nó; vocês agora não sabem divertir-se", diz a minha mãe quando recorda o tempo em que, com as amigas, ia lavar roupa ao rio.
Era a ocasião sempre esperada, pois que era então que, já depois da roupa lavada, e estendida na erva para corar ao sol, os rapazes vinham ter com elas e aí namoravam até começar a escurecer...

Como começar mal o dia

Depois de 4 horas bem dormidas, saio de casa, tomo um garoto e um rim (risos) e alegremente compro o Diário Económico. Abro na página do suplemento universidades e leio: "Para o estudante de Relações Internacionais Manuel Paiva Pires, o Brasil é "um país com grande potencial, em que os portugueses deviam investir mais culturalmente e socialmente". Este estudante do Instituto de Ciências Sociais e Políticas esteve durante seis meses na Universidade de Brasília, cidade que é a capital da diplomacia da América Latina. Uma experiência dois em um. Para além das aulas estagiou na Embaixada de Portugal, o que lhe "abriu portas" e permitiu "aprender novos conceitos".

Nem com gravações conseguem acertar no nome de uma pessoa e no nome da Universidade que frequenta, tendo eu dito Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Ainda para mais até tiraram fotografias à minha placa, oferecida pelo Santander, que tem pelo menos o meu nome, julgo que não o da Universidade. Devem ter-se deixado abrasileirar, posto que passavam a vida a chamar-me Manuel, até porque os brasileiros acham que nós nos chamamos todos Manuel...É o Diário Económico, um jornal de referência pois... É o jornalismo estúpido!

Depois chego ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, e não tenho aula. A única aula que tenho de manhã...Isto hoje começou bem...

Do Caçador


Fazia parte da banda sonora de um dos filmes que me marcou para sempre: o Caçador (The Deer Hunter). Tinhamos chegado há pouco tempo de África e tudo aquilo parecia familiar.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

«Povo que lavas no rio» (1)

"Ainda que meu pai me bata
E minha mãe me tire a vida
Minha palavra está dada,
Minha mão está prometida"

Não seria muito diferente o cantar da roda de amigas, entre as quais se encontrava a minha mãe,que acompanhava o esfregar da roupa nas pedras do ribeiro que atravessa a aldeia, enquanto os moços as olhavam do cimo da pequena ponte.

É isto que andam a fazer aos desgraçados!




Vejam mais em Demokratia: Pois agora sou eu quem pergunta onde é que anda o SOS-Racismo quando é realmente preciso? Foi aqui onde "roubei" as fotos. Para que o mundo veja e reaja.

Passeios de fim-de-semana

Marialva foi, talvez, de entre as várias Aldeias Históricas visitadas, a mais impressiva.
Lembro que quando lá chegámos, depois de percorridos caminhos invadidos pelas silvas e ervas daninhas, termos tido a sensação de que chegáramos a um lugar encantado, que o tempo adormecera, mas sem lhe quebrar nunca o dom de enfeitiçar, e onde, a cada esquina, tropeçávamos com o passado.
Mas um lugar abandonado...
Tinha lido em «Aldeias Históricas», das Edições Inapa, que " andando por aqui D. Afonso II, se tomou de amores por uma linda senhora de nome Maria Alva. Como não lhe podia oferecer o coração, o rei doou-lhe a terra onde vivia, baptizando-a Marialva. Perpetuava, assim, o monarca enamorado o nome da sua amada".
Pode-se ficar indiferente a uma lenda tão bela?...

Do "Correio da Manhã" de Moçambique


Esta é uma carta que podia ter sido escrita por uma testemunha dos acontecimentos que ensanguentam a África do Sul. Foi escrita na coluna Marco do Correio e é da autoria do jornalista moçambicano Machado da Graça. Aqui a reproduzo, agradecendo o Estado Sentido, todas as informações que ajudem à compreensão do que se passa na África Austral.

Meu caro Sitoi

Sei que tens bastantre família na África do Sul e estás preocupado com os terriveis tumultos que lá estão a acontecer.

Na tua última carta preguntavas-me porque é que isto começou, assim de repente.

Ora a verdade, meu amigo, é que isto não começou assim a partir do nada.

Na minha opinião isto que está a acontecer na zona de Joanesburgo, e ameaça espalhar-se para outras zonas, é mais um resultado da desastrosa política dos governos da zona em relação aos acontecimentos trágicos do Zimbabwe.

Desde sempre a nossa zona foi palco de migrações de trabalhadores entre os vários países e a vizinha África do Sul, principal foco regional de desenvolvimento económico.

E, desde sempre, esse fluxo migratório foi sendo gerido com flexibilidade, mais ou menos a contento de todas as partes.

Só que isso agora foi completamente desiquilibrado, com e entrada, descontrolada, de zimbabueanos, fugindo da violência política, do desemprego e da fome, num país praticamente destruido pelo desgoverno de Robert Mugabe e da ZANU FP.

Segundo alguns cálculos oficiais o número de zimbabueanos actualmente na África do Sul é de mais de 3 milhões de pessoas. A maioria dos quais entrou naquele país nos últimos tempos.

Ora 3 milhões de pessoas é muita gente. É uma pressão enorme no mercado de trabalho. Principalmente se, como é o caso, chegam em grandes quantidades num curto espaço de tempo e, portanto, não conseguem ser naturalmente integradas.

Daí a esta explosão de violência foi só um passo. E, tragicamente, esse passo já foi dado.

Como te lembras, o Zimbabué foi um país com uma economia próspera onde os seus cidadãos tinham um bom padrão de vida, melhor do que a grande maioria dos países africanos.

De repente, em poucos anos, essa economia foi completamente destruida pelas políticas insanas de um dirigente senil apoiado por uma casta de polícias e militares cuja fidelidade foi mantendo à custa de privilégios.

E o resultado foi esta fuga em massa para a fronteira do sul, para um local onde a vida se aproximasse daquilo que tinha sido, anteriormente, no Zimbabué.

A África do Sul não conseguiu “digerir” esta invasão de mão de obra e o resultado está à vista.

Costuma dizer-se que, quando vemos as barbas do vizinho a arder, é bom colocarmos as nossas próprias barbas dentro de água.

E digo isto porque é muito possivel que os zimbabueanos, incapazes de viver no seu próprio país e, agora, ameaçados de enorme violência na África do Sul, se virem para a outra fronteira que têm mais próxima. Isto é, Moçambique.

Parece óbvio para toda a gente que a solução para este ptoblema, que cresce dia a dia, é forçar uma mudança no Zimbabué. É conseguir fazer sair Robert Mugabe, e os seus apoiantes, do poder em Harare para que possa ser feito um real esforço de restauração da economia. Porque só uma economia em franca recuperação e o fim da violência política podem atrair, de novo, os zimbabueanos para casa.

E isso é fundamental para voltarmos ao equilíbrio anterior nos fluxos migratórios da nossa região.

O mesmo é dizer, voltarmos à paz social.

Mas quem tem poder para o fazer finge estar cego e não ver a queimada descontrolada que já arde por cima das fronteiras dos nossos países.

Esperemos, meu caro Sitoi, que essa política irresponsavel não faça as coisas ainda muito piores do que aquilo que já estão.

Um abraço para ti do

Para a Comemoração do centenário 2010


No seguimento das boas novas acerca da total europeização do tipo de vida usufruído pelos titulares de cargos públicos, sugerimos que nesta época de pré-comemoração do centenário do regime republicano, sejam facultadas mais algumas regalias a suas excelências. Assim, às contas hollywoodescas de telemóveis, aos carrões topo de gama com chauffeur e às despesas de representação, sugerimos como símbolo máximo da república, a instalação deste tipo de cadeirões em cada um dos departamentos do Estado. Em acobreado, para os gestores das empresas públicas; em prateado para os membros do governo; e em dourado para o palácio de Belém. O período de despacho de assuntos pendentes será decerto um prazer para os sentidos e as sábias medidas não deixarão de beneficiar o contribuinte.

O ataque aos moçambicanos


As imagens que nos têm chegado da África do Sul, apontam para mais uma tragédia a que aquela parte do mundo nos tem habituado. Desta vez, as vítimas da brutalidade xenófoba são os emigrantes - muitos deles refugiados de países como o Zimbabué, ou os trabalhadores contratados, como aqueles oriundos de Moçambique - que no país de Mandela procuraram encontrar melhores condições de vida. Mortos à cacetada, cortados com catanas, alvos de armas de fogo ou queimados vivos, não têm beneficiado de uma protecção eficaz por parte das autoridades de Pretória e assim, amontoam-se em combóios e autocarros, numa desesperada fuga que lhes permita pelo menos salvar a vida. 
As notícias indiciam uma iminente catástrofe humanitária e aqui apelamos ao governo português para que tudo faça junto das autoridades sul-africanas, no sentido de ser proporcionada a protecção e a assistência às vítimas. A comunidade portuguesa e luso-descendente devia igualmente participar no esforço que é uma obrigação moral. Os moçambicanos têm sofrido enormemente com a situação e a CPLP terá decerto um vasto campo de actuação, desde a pressão diplomática, à assistência humanitária junto da população atingida. Esperamos que a reacção seja célere e eficaz.

* Na imagem, "A Fuga", ilustrando a debandada das populações devido a uma queimada. 

Começo a perceber....

...porque a legislação laboral é tão rígida em Portugal. E cada vez duvido mais de mim próprio. Qualquer dia estou a fazer como um conhecido Professor do ISCSP que todos os dias se olha ao espelho e diz "Tu não és de esquerda, tu não és de esquerda!". Ou então vou ser o primeiro sindicalista de direita. Tenho a impressão que tenho que voltar à minha burguesa condição de simples estudante universitário. Ter que levar com uma série de gente burra, ignorante e pedante todos o dias é coisa que não me apraz. E como diria o meu falecido tio-avô, "trabalhar para aquecer, mais vale ficar à chuva". Já falta pouco também, ou forças armadas, ou, mais provável, vou-me pôr a andar daqui para fora...

Já agora, esta semana estarei ausente das lides blogosféricas, por afazeres académicos e profissionais, que me impedem de ter a devida disponibilidade mental e temporal para tal. Desde já, as minhas desculpas ao Nuno, Cristina, Pedro, e aos nossos leitores. A casa fica bem entregue, a diferença não se fará notar.

Uma boa semana para todos

domingo, 25 de maio de 2008

Exageros comunistas


António Luís Vicente in Codfish Waters

Pedaços do Minho


Ó meu amor, se partires
Leva-me, podendo ser,
Que eu quero ir acabar
Onde tu fores morrer.

Vivo triste, pensativa,
Cuidadosa, dando ais,
Desejosa de saber,
Meu amor, por onde andaes.

Da minha janela reso
À Senhora das Areias,
Que me mande o meu amor
Que anda por terras alheias.

Saudades não vinhais juntas,
Vinde antes poucas e poucas,
Vinde mais compassadinhas,
Dae lugar umas às outras.

«O Minho Pittoresco»

Durante

anos a do Porto foi a única Feira do Livro que conheci. Quase sempre debaixo de chuva, que naqueles anos de criança as " casinhas" distribuíam-se pela encharcada Rotunda da Boavista.
Era uma alegria enorme quando, sempre ao Domingo à tarde, o meu pai dizia: "-vamos à Feira do Livro": que importava que chovesse a potes?
O primeiro livro que de lá trouxe, foi-me oferecido por um senhor de uma editora, que me deu a escolher entre dois livros, grandes e verdes- "Heidi" e "O Gnomo"; optei por este, mas lembro-me de ter chegado a casa a pensar que escolhera mal...
Seguiram-se, noutros anos, os livros da Condessa de Ségur. "Memórias de um Burro", para mim, "Os Desatres de Sofia", para a minha irmã...
Só muitos anos mais tarde iria conhecer a Feira do Parque Eduardo VII...

Depois daquela ironia da Eurovisão ali em baixo...

...uma observação a roçar alguma brejeirice: nunca percebi muito bem esta coisa de entregar as chaves de uma cidade a alguém. Faz-me lembrar cintos de castidade.É entregar o que é preciso para abrir e logo a seguir... Será que foi isso que aconteceu neste caso?

Existencialista, pois

É pelo menos o que sou, de acordo com um quiz que ficámos a conhecer pela Carla.







What philosophy do you follow? (v1.03)
created with QuizFarm.com
You scored as Existentialism

Your life is guided by the concept of Existentialism: You choose the meaning and purpose of your life.



“Man is condemned to be free; because once thrown into the world, he is responsible for everything he does.”

“It is up to you to give [life] a meaning.”

--Jean-Paul Sartre



“It is man's natural sickness to believe that he possesses the Truth.”

--Blaise Pascal



More info at Arocoun's Wikipedia User Page...


Existentialism



100%

Justice (Fairness)



80%

Strong Egoism



75%

Hedonism



70%

Utilitarianism



50%

Kantianism



45%

Divine Command



10%

Apathy



5%

Nihilism



5%


É um prazer...

...estar no terraço da Miss Pearls, com os sentidos agradecimentos em nome da equipa do Estado Sentido.

A isso chama-se autismo político

Sad, but true

Not only that. Since the people in Cath societies tend to be very orthodox, as they cannot live without an orthodoxy, imported ideologies tend to be practiced more orthodoxically in Cath societies than in its very countries of origin. Furthermore, as the cardinal sin in Cath societies is heresy, that is, for some people to think differently from the group, not only adherents of any political ideology (or party) tend to be very orthodox, but they also see adherents of any other political ideology (or party) as sinners and enemies of society.
.
The result is political warfare and the most ferocious political warfare of all as each party sees itself as being right and possessing absolute truth and all other parties as being a bunch of sinners and enemies of society. The end result is paralysis, if not destruction, of public institutions and the state and ultimately paralysis, if not destruction, of society itself.

Pedro Arroja in Portugal Contemporâneo

Ironias da Eurovisão

Vânia Fernandes está de parabéns, foi à final e trouxe um honroso 13.º lugar para Portugal...com 69 pontos...

O exército prussiano em parada

Os dramas dos Regeneradores (no Combustões)

sábado, 24 de maio de 2008

Para os nossos leitores, prenda de fim de semana



Como a Cristina mencionou o António Manuel Couto Viana, aqui vai esta recordação. Costumávamos almoçar às segundas-feiras na Sociedade de Geografia. Um homem excepcional, de grande classe e de uma incomparável bonomia. Durante anos, a SGL foi praticamente o quartel-general da NM.

Hoje, o chá é na outra casa

Nuno, Samuel, e demais amigos venham daí tomar chá (ou outras bebidas,"viu", Mike? :) ) e pôr a conversa em dia em www.vistodasnuvens.blogspot.com. Não há hora marcada: o chá estará sempre aquecido pelas palavras...

Usurpando,

descaradamente, um título a João Marchante, do blogue Saudades do Futuro, trouxe da livraria este "Livro para Hoje». A Agustina é uma escritora que aprecio, integrando-a na Escola de Camilo- o autor que elejo entre todos-, e que é também, afinal, a de outros que considero, como Tomaz de Figueiredo ou António Manuel Couto Viana...
Até na temática vejo essa proximidade, quando leio numa das badanas: "Maria Adelaide é uma mulher munida de uma alegria negra que é a de escapar ao amor da lei e às cumplicidades que a rodeiam"...

Em resposta ao Sr. Jaume Larrea: Espanha Unida!



No seguimento do post em que tecia algumas considerações relativas ao posicionamento lógico das potências perante uma improvável União Ibérica em pleno século XXI, recebi uma simpática carta e-mail da parte do senhor Jaume Larrea. Catalão e nacionalista - segundo reivindica -, parece não ter verdadeiramente compreendido a minha posição perante a ainda imponente construção histórica que é o Estado Espanhol. Contactando-me em inglês (...?) dissertou sobre os malefícios da permanência daquela região do antigo reino de Aragão que hoje reivindica a condição de nació catalá. O pressuposto relativo aos portugueses, é que o separatismo barcelonês deverá gozar de amplo suporte para cá da fronteira e que a generalidade da nação lusa - galegos incluídos! -, espera ansiosamente a fragmentação do reino vizinho.

O discurso claramente inspirado nas diatribes do senhor Carod-Rovira, chega ao ponto de inevitavelmente tecer um rol de comparações absolutamente inacreditáveis entre os castelhanos - os "maus, ladrões e opressores" - e os catalães -os "bons, honestos, industriosos, cultos e cosmopolitas" -, sem sequer se preocupar minimamente em justificar a razão pela qual me escreve numa espécie de sub-dialecto anglo-saxónico (?), em vez de utilizar a língua de cultura de primeira água que é o catalão. Já tinha identificado o preclaro Carod-Rovira como um perfeito exemplar daquilo que é mais desprezível num político, pois é o arauto cutuqueiro de ódios sem razão, acicatando preconceitos, cultivando a marginalização dos seus semelhantes - quantos castelhanófonos vivem na Catalunha?! -, promovendo também um sagrado egoísmo tendente a evitar distribuição da riqueza em benefício solidário dos mais pobres, entre muitas outras costumeiras pechas atribuídas a histéricos de turvas intenções. Tenho-o em baixíssima conta como ser humano, pois o político eclipsa-se perante aquilo que verdadeiramente importa: o respeito pelo outro.

O senhor Larrea enganou-se na pessoa a quem pretendeu dedicar o canto da sereia.  A Espanha vista como um todo, é um grande e respeitabilíssimo país na sua multiplicidade e habituou o mundo à sua indelével presença na História. Castelhano falam mais de 400 milhões de humanos e o reino é um dos pilares fundamentais daquilo que consideramos idealmente ser a Europa.

O facto de termos nascido portugueses e portugueses querermos descer à tumba - na feliz expressão do rei D. Luís -, não implica necessariamente qualquer desígnio revanchista sobre um passado de muitos conflitos e incompreensões mútuas, ditados pela férrea vontade portuguesa em construir o seu futuro autónomo, apesar de todos os escolhos consequentes da nossa exiguidade territorial, falta de recursos materiais e dependência de habilidosos e coerentes arranjos diplomáticos. A independência convém-nos e convém às potências e acredito verdadeiramente que também é conveniente a esta Espanha unida, moderna e próspera.

Para Portugal, a destruição do reino vizinho teria tremendas consequências, porque em vez de um parceiro estável e progressivo, conheceríamos uma realidade de conflitos inter-étnicos de uma provável e inaudita violência que nos remeteria para situações julgadas impossíveis na Europa do nosso tempo. Lisboa dialoga frutuosamente com Madrid, cujo imperialismo mitigado é bem conhecido e velho de séculos, fazendo até parte de um certo folclore revivalista além-fronteira. Sabemos quem são, como reagem e o que verdadeiramente pretendem muitos políticos espanhóis, ou castelhanos, como preferir. Uma independência catalã será um gravíssimo precedente na Europa ocidental e um colossal desastre na Península Ibérica, pela dissolução de vínculos entre populações, empresas, infra-estruturas e inevitáveis conflitos bélicos pelo traçado de novas fronteiras, numa febre nacionalista que incendiará aquilo que conhecemos por Espanha. Este não é um cenário interessante e minimamente desejável, porque em resposta a uma aventura catalã, teremos outras tantas sagas valencianas, bascas, galegas - um autêntico e indesejável perigo para a tranquilidade portuguesa - e, pasme--se, andaluzas, esta última com contornos vagamente islamitas. É um horrendo cenário em perspectiva e Portugal em nada beneficiará dessa fragmentação previsivelmente conflituosa e de contornos indefiníveis em termos temporais. É para Portugal mais coerente e sobretudo mais proveitoso, ter apenas um interlocutor na Ibéria, quando esse Estado vizinho se apresenta como um perfeito modelo de autonomias onde a livre expressão, circulação e decisão das populações é garantida pelo modelo adoptado em 1976

O argumento clássico dos "nacionalistas", consiste na apresentação dos exemplos bálticos ou ex-jugoslavos, como se fosse possível proceder a comparações completamente desfazadas  entre realidades tão diversas. Desta forma, posso até deixar algumas sucintas questões de fácil compreensão:
1. O que têm os idiomas baltas em comum com o russo e quais são as fundamentais diferenças de raíz entre o castelhano e o catalão?  E que tipo de contrato selou a união dos povos baltas com o império russo, czarista ou estalinista?
2. Qual o papel histórico desempenhado pelos baltas na construção da grande Rússia e qual aquele exercido ao longo de séculos pelo povo e pelas elites catalãs na construção da Espanha de aquém e além mar?
3- E uma simples mas delicada questão que respeita ás relações internacionais: qual o interesse das potências europeias, dos EUA e das antigas colónias espanholas da América do Sul e Central, na pulverização do reino?

A resposta a estas três questões é tão evidente quanto desnecessária, porque significa a redução ao nada absoluto, de quaisquer veleidades secessionistas. Quanto à viabilidade de um novo pequeno Estado na Europa, a lei do mercado decerto funcionaria contra ele, chame-se o neo-nato Catalunha ou Kosovo. Não pesa, não possui massa crítica populacional, não tem um poderoso suporte ultramarino que dê corpo visível no palco das relações internacionais.

Que o senhor Rovira, candidato a condottieri de ocasião pareça não compreender a realidade das coisas, podemos aceitar. Mas que as potenciais vítimas da loucura nacionalista queiram alegremente embarcar no combóio com destino ao inferno na Terra, isso ultrapassa a compreensão de todos.

Queremos e saberemos continuar a ser Portugal e decerto almejaremos sempre a ter como vizinho, a Espanha forte, próspera e feliz que nos tranquiliza.

Como nota final, desejo também comunicar-lhe que entendi muito bem o aparentemente inexplicável ódio ao señor Borbón. Ele é o maior óbice a certos projectos onde o maquiavelismo e a velhacaria  chã, surgem metamorfoseados em liberdade. Patético.

*Nota: da próxima vez pode escrever em catalão. Compreenderemos o fundamental da mensagem.

Em destaque

O novo blog que pretende suscitar um debate alargado acerca da Terceira Travessia sobre o Tejo.

APELO AO BOICOTE ÀS GRANDES COMPANHIAS!

Com a publicação de constantes e descomunais lucros, as gasolineiras não têm qualquer argumento plausível para os sistemáticos aumentos nos preços dos combustíveis, principalmente quando estes se encontram indexados a um dólar que está em queda. Desta forma, apelo aqui a que todos procedam ao boicote na compra de produtos petrolíferos às principais marcas estabelecidas no país. É fácil e se quiserem poupar dinheiro e lesar as grandes empresas, basta irem encher os depósitos nos Intermarché, onde o preço é 12 cts. mais barato que "no sítio do costume". Este boicote que corre pela net é um acto de civismo.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Ontem mesmo.

falei do dia da minha Primeira Comunhão, e não é que hoje, fazendo arrumações, encontrei esta fotografia? Acho que foi o último ano que fui uns centímetros mais alta do que a minha irmã...

(P.S. Nuno, isto responde ao seu desafio para postarmos fotografias com história? afinal de contas é a minha :) )

A Grande Farra...


Ontem não tive disposição para passar ao papel fosse o que fosse e desta forma, dediquei-me a espionar o que se passa no éter blogosférico. Como é evidente, interessam-me apenas aqueles recantos da web em que os autores oferecem uma perspectiva própria do nosso mundo, não se limitando a transcrever a derradeira reportagem deste ou daquele jornal internacional, ou pior ainda, a reescrever um ou outro dado estatístico habilmente cozinhado ao lume brando do interesse corporativo.

O desafio aqui lançado para que comentemos alguns dos alegados males da nossa sociedade arrivista e impenitente para com o próximo, veio mesmo a propósito, até porque tenho a oportunidade de chamar a atenção das nossas hostes para aquilo que se passa no imaginário campo contrário.

Blogs monárquicos existem às dezenas e alguns com uma actividade muito intermitente. Uns ocupam-se de tradicionais preocupações de estilo, como heráldica e toda a parafrenália simbólica que dá cor a sonhos de redenção. Podemos ler aqueles que o são pela simples opção do autor, sem que a reivindicação do posicionamento na res publica seja a obsessiva constante que tudo o resto esquece. E finalmente existem os combativos, agregadores de vontades e que na generalidade se encontram perfeitamente inseridos nos duelos amplamente proporcionados pela catadupa de notícias divulgadas por todos os veículos de informação. 

Após algumas horas de leitura, cheguei a uma primeira conclusão que decerto merecerá mais objectividade e procura factual. Os blogs monárquicos são na sua esmagadora maioria, escritos por gente perfeitamente capaz de obedecer ao primado da Lei sobre o arbítrio. É raríssimo encontrarmos um declarado insulto, uma insinuação soez, o desrespeito por este ou aquele titular de um órgão de soberania. Se lemos muitas páginas de críticas  - por vezes virulentas - ao estado de coisas, nunca vislumbrámos qualquer indício de enxovalho, de degradação da esfera pessoal deste ou daquele homem de Estado, por muito criticado que ele seja no plano da sua acção no campo político. Nunca. Nestas horas de incerteza, é consolador  pensar que tudo isto não advém do mero acaso, nem da cobardia ou acanhamento. Todos nós temos um princípio básico de violência latente, susceptível de explodir em momentos de pressão, exaspero pessoal ou colectivo e apesar disso, a contenção surge como magnífico princípio de controle do irracional que leva a todas as injustiças, julgamentos apriorísticos de outrem e situações que se tornam irresolúveis. Isto chama-se simplesmente, decência. 

Há algo nos monárquicos  que os impele para o respeito da legalidade e do direito do seu semelhante, especialmente naquilo que lhe é mais precioso, ou seja, a sua idoneidade profissional, a intimidade e credibilidade da intencionalidade sua acção na sociedade. É esta uma conclusão aparentemente surpreendente, pois seria lógico situarem-se os malhados  entre aqueles que tudo poderiam levar a cabo para a derrota de instituições consideradas odiosas e nefastas para o colectivo nacional. Poderiam os malhados ter todo o interesse no descrédito de uma classe política que mantém esta dúbia e mal contabilizada súmula de direitos e deveres desrespeitados pelos próprios legisladores. Neste campo, nesta trincheira, não existem Miquéques ou Lêndeas capazes de engendrar quaisquer "Marqueses da Bacalhoa". Não existe um único Almeida interessado em fabricar uma bomba para minar o Estado de Direito. Não existe um Costa que pretenda organizar bandos de caceteiros que intimidem imaginários opositores, enfim, não existe qualquer indício de pretensão de controle do semelhante. Poderiam ainda os malhados organizar facilmente campanhas de difamação, bastando para isso reeditar aquilo que os republicanos habilidosamente urdiram durante quatro décadas, até atingirem os seus muito contestáveis fins. O seu triunfo criou  terríveis precedentes na sociedade que os normalizou e é hoje, mais do que outrora, o ácido corrosivo que mina a confiança na livre expressão ou associação, confundindo-as com sórdidas manigâncias, prepotência ou veículo de interesses ocultos e lesivos do bem comum. Num povo sempre receptivo a teorias da conspiração e contador de histórias de aceitação à luz de candeias num qualquer cemitério dos arredores, o boato e a maledicência ofuscam o simples recurso da procura da verdade, ou melhor ainda, daquilo que verdadeiramente interessa.

Fiquei verdadeiramente confundido com o que se passa no alegado campo verde-rubro. Chovem os mais chãos insultos, atribuem-se as mais debochadas e desonestas intenções, destroem-se reputações desacreditam-se honorabilidades. Preto no branco, duvida-se da simples intenção, do mais ínfimo propósito, desta ou daquela frase e até de uma simples palavra. Em suma, desacredita-se o sistema no seu todo, como se este fosse um grande pasto onde gordas vacas  tudo devoram compulsivamente, ficando a imensa maioria condenada a permanecer fora do redil, lutando ferozmente por este ou aquele fio de palha. É a realidade que facilmente observamos em blogs que pertencem a autores muito próximos da República e a quem nada mais interessa que a satisfação de uma mesquinha vingança pessoal ou na preventiva destruição de um potencial adversário. Uma vergonha  que atinge as raias do ridículo, porque os prevaricadores ainda não compreenderam que a derrota dos seus é o seu próprio aviltamento e pressupõe o desaparecimento de tudo aquilo em que participa.

Neste aspecto, somos superiores, somos decentes e sendo-o, somos mais fortes.

Ódios pessoais

Ora bem respondendo ao Samuel ocorrem-me logo quatro coisas sem as coisas viveria de forma muito mais pacata e feliz.

- Cinzentismo. Todos devemos tentar apreciar um pouco mais o que temos e acalentar os nossos sonhos.
- Materialismo. Admito que me faz uma confusão profunda ver pessoas cujo horizonte passa apenas pela acumulação de objectos sem outro significado que não seja uma afirmação de status.
- Pedantes. Faz-me espumar de raiva ver pessoas que não conseguem fazer uma boa avaliação de carácter e que pensam que estão noutro nível que os restantes mortais só por questões irrelevantes. O respeito, quando deve existir, é merecido pela humanidade, sabedoria, empatia ou conhecimento das pessoas em questão e não por qualquer outro factor.
- Falta de capacidade de encaixe. Irrita que quando faço uma crítica a uma ideia haja muita gente que não perceba que é apenas à ideia e não à pessoa. Tal como irrita pessoas que não sabem deixar as suas tretas mundanas de lado quando existe algo importante a fazer.

Sinais dos tempos

Uma coisa que reparei e que não me acontecia com tanta frequência quando saí do país há cerca de 4 anos e tal é que cada vez que vou a um café ou um restaurante os empregados parecem estar piamente convencidos que eu não sei contar ou ler e que por isso não sei interpretar uma conta. Quer-me parecer que isto deve ser um efeito secundário da diminuição do poder de compra. As pessoas tentam sacar dinheiro de todas as formas possíveis e imagináveis não tendo qualquer pudor de entrar no bolso do vizinho. Escrevam o que eu vos digo, em pouco tempo o populismo político que se alimenta da miséria humana vai começar a ser ainda mais popular do que já é.

«Sobre a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia»


Esta a frase, retirada d'«A Relíquia», que inspirou Teixeira Lopes na concepção da estátua sita no Largo do Quintela, em Lisboa.
Aquando da inauguração do monumento, oferecido à cidade pelos amigos e admiradores de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, tomou da palavra para dizer: " Não é um retrato literário do insigne escritor que me proponho traçar- o meu fim é unicamente fazer notar a Lisboa que Eça é, como romancista, o mais fundamental e genuinamente lisboeta de todos os escritores nacionais(...).
Lisboa foi o seu laboratório de arte, o seu material de estudo, a sua preocupação de crítico, o seu mundo de escritor(...)e, a pouco e pouco, se tornou ele próprio enraizadamente lisboeta. Os seus contos e as suas novelas são o espelho desse consórcio do seu espírito com o espírito da vida lisbonense(...). E nesse vasto cenário toda uma densa população pulula, ama, pensa, estuda, combate, intriga, devora ou boceja...; contemplando o enigmático vulto de mulher olímpica, agora aqui colocado, junto do vulto do meu saudoso amigo, eu concluo perguntando-me se essa gloriosa figura, em vez de personificar uma pura e etérea abstracção estética, não é antes a estátua mesma de Lisboa".

Divertir

Depois de uma noite de loucos, onde para além da primeira actuação, me chamaram ainda para tocar mais por mais 2 vezes, tendo a noite acabado com uma menina a oferecer-me flores, isto no Baile de Finalistas ISCSP/ISA, que teve lugar num lindíssimo cenário, o Pavilhão de Exposições do ISA (para quem não conhece, é uma espécie de palacete antiquíssimo, todo envidraçado, com vista para o Tejo), e já depois de ter dormido até às 20h, esta noite foi bem mais calma e, humoristicamente falando, bem mais divertida, tendo em consideração a leitura dos blogs que mais me divertem actualmente, a quem presto aqui a devida homenagem, o Irmão Lúcia, o Lobi, o Sinusite Crónica e os Marretas. Ora ide lá ver pois então!

Dúvida existencial

Aqueles programas que passam de madrugada na SIC e TVI, que me parecem ser uma espécie de passatempos para as pessoas que ligam ganharem dinheiro, apresentados por umas meninas com ar de strippers baratas, chegam mesmo a ter alguma audiência? Bendita televisão por cabo...

Se para ser monárquico também é preciso gostar de touradas

Dizia-me há dias o Jorge, em brincadeira, que, para ser monárquico, também tinha que gostar de touradas e cavalos. Ora aqui fica a prova em como mesmo não nutrindo qualquer especial apreço pelas touradas, que me são bastante indiferentes, para representar Portugal no Parlamento Europeu, em Março de 2004, revesti-me de praticante dessa arte, no caso, de forcado. E eu que nem sou de Coruche, só fui para lá viver aos 14 anos, fui obrigado pela direcção da escola que frequentava a ir vestido de forcado em representação do Ribatejo e de Portugal, quando o meu Ribatejo das férias e de alguns fins-de-semana, é aquele de Ferreira do Zêzere, o que pouco tem a ver com touradas, bem mais influenciado pelas Beiras. Será uma tristeza se nem me humilhando desta forma conseguimos chegar aos 300 visitantes num dia!



Respondendo ao desafio da Cristina

Ora assim de repente, não gosto de:

- Levantar-me cedo;
- Que seja quem for opine seja o que for sobre a minha vida (afinal, o individualismo no liberalismo funciona nos dois sentidos, eu também não me meto na vida de ninguém);
- Falsos moralistas e falsos moralismos;
- Pseudo-elitistas, mais jet-7 ou 8 ou 9 do que outra coisa, que se julgam superiores, não se sabe bem porque razão;
- Gente que não é capaz de sair dos padrões e rótulos que utiliza para se catalogar a si e a todos os outros;
- Coscuvilhices e coscuvilheiros que não são capazes de ser frontais e que passam a vida a falar mal dos outros.

Passo o desafio, se a esse quiserem responder, ao nosso Pedro Fontela, ao Demokrata, à Joana, ao José Manuel Barbosa, ao Luís Bonifácio, ao Mike e ao João Pedro.

Completamente de acordo

Luís Bonifácio in Nova Floresta

Peço as palavras a Dom Dinis,

para dizer "Ai Flores do verde ramo", mas também do azul mar!

Num comentário, Luís Bonifácio, do blogue Nova Floresta, refere terem-lhe dito que é essa a mais bonita das nove lindas Ilhas dos Açores.
Também já mo tinham assegurado. Procurei informar-me nos livros que de lá trouxe, posto que, nas férias, tenciono continuar à descoberta do arquipélago: vi fotografias e li descrições de fazer resolver-se o mais indeciso, como esta, por exemplo...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Post Scriptum

E como o Nuno e o Samuel são cá de casa, fica também o desafio para outro blogue: Nocturno, da Luísa.

Claro, Carlos

Que aceito o desafio do autor do blogue Crónicas do rochedo, com a esperança de que os que podem minorar estes pequenos ódios me leiam: Hipocrisia/Falsidade; Falta de pontualidade ; Bajulação ; Conversas para as quais não há pachorra; Falta de consideração pelos outros; Má educação..
E passo agora a tarefa
- ao Miguel, do Combustões
- aos meus colega de blogue, Nuno (agora, que não tem de falar de si, não falhe :) ) e Samuel
- à Júlia do blogue O Privilégio dos Caminhos
- ao Paulo Cunha Porto d'As A finidades Efectivas
- à Ana do Porta do Vento

Acho que foi em Agosto...

Quando um sobrinho se prepara para fazer a Primeira Comunhão, vem-me à lembrança o dia em que, tinha sete anos, fiz a minha. Dele guardo dois ou três momentos, mas o que me faz sorrir hoje é aquele em que fiz uma grande "fita" porque a minha mãe se propôs rebentar, com a ajuda de uma agulha desinfectada, uma bolha que entretanto me surgira no pé: só assim poderia calçar os sapatos novos... :)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Pedaços do Minho

Perguntas o que significa
Um limão todo traçado,
Significa os martyrios
Que por ti tenho passado.

A laranja quando nasce
Pergunta ao limoeiro
Qual amor é o mais firme
Se o segundo, se o primeiro.

Se a oliveira fallasse
Ela diria o que viu.
Co'a sombra das suas folhas
Dois amantes encobriu.

O arado lavra a terra
A grade grada-a depois,
Quem vae guiando a rabiça
Sorri a quem guia os bois.

Ó José, lindo José,
Cabellinho aos aneis,
Por tua causa, José
Passo tormentos crueis.

«O Minho Pittoresco»

Pensamento do dia por António Maura

"los partidos aglomeraciones humanas y por ser aglomeraciones humanas en ellos entra de todo, hasta los malvados".

E no entanto, não podemos aqui estar quotidianamente, sem que isso não pressuponha a existência dos ditos cujos.

O que já me ri,


e continuo a rir, com estes dois homenzinhos, e demais figurantes saídos da imaginação de Goscinny e Uderzo...
Numa das vezes, a minha mãe bateu à porta do quarto: receava que me tivesse " passado" ; simplesmente acabara de ver um centurião " nomear voluntário" um legionário que tremia como vara verde, para combater aqueles " irredutíveis gauleses" :)

Croniquetas republicanas (6): o cortador Relvas...


"O Governo Provisório foi constituído à la diable e as ideias governativas da Revolução foram entregues ao arbítrio dos ministérios, donde resultou a obra desconexa do Governo provisório e a inconcebível situação dum Ministério acéfalo (...) com acção independente em cada pasta!.(...)Mas faltava a sequência de esforço, e os paladinos da república julgavam cumprir suficientemente a sua missão numa actividade de comícios e conferências (...) estéril para com ela se formar um corpo de doutrina, e dirigir um Estado. deste imenso erro veio a enfermar a vida da República....) Só muito mais tarde, passado o período revolucionário, começaram com o exemplo de Afonso Costa no Ministério da Justiça, os abusos a que ficaram tristemente ligados os nomes de alguns democráticos , e que foram a origem das terríveis campanhas no parlamento, e nos tribunais criminais, de João de Freitas e de Camilo Rodrigues".

As Memórias Políticas* de José Relvas, são uma inesgotável fonte de conhecimento para aquilo que foi a república de 1910-26. A sua implacável análise do carácter - palavra que aparentemente ainda algo significava à época - dos seus correligionários, denuncia afinal o seu próprio envolvimento em todas as manobras de tráfico de influências e de intrigas da agremiação dos Banhos de S. Paulo. O seu entusiasmo pela Revolução como fim único da acção, pode ler-se na paradoxal análise que faz do regime monárquico constitucional que pretendia abater. Assim e referindo-se à opinião que os estrangeiros tinham da suas relações com entidades lusas, Relvas declara que ..."nas suas relações comerciais com os estrangeiros, os portugueses encontram uma grande confiança, pela fiel execução de todos os seus compromissos, recordando-se com grande louvor a honesta pontualidade com que solveram as suas obrigações durante a crise de 1891"...
Numa nota publicada no l'Indépendence Belge, Relvas declara que ..."Et cependent le pays travaille; il veut avancer, il attend avec impatience l'avénement des institutions qui soient inspirées par des idées et des sentiments patriotiques (sic); il en a toutes les conditions pour se faire une nouvelle existence, ainsi qu'un bel avenir (sic). L'agriculture, sa principale force economique, est, malgré tout, en progrès:l'industrie prend un essor assez considèrable, confirmé par l'initiative d'entreprsies nouvelles et par l'augmentation progressive de l'importation des matières premières, son commerce crée tous les jours de nouveaux marchés, il en résultera le plus sérieux développements avec des nouveaux traités de commerce. On connait ses merveilleuses colonies en Afrique (...) assure auz interêts commerciaux, agricoles et industriels du portugal un marché exceptionnel"...
E Relvas prossegue, tecendo sem o querer, autênticos ditirambos à acção dos sucessivos governos da Monarquia. É que todo este ridente panorama de progresso ditado pela explosão dos mercados internacionais, pressagiava a adequação da realidade política em desenvolvimento na Belle Époque nacional - reforma do sistema durante o governo de Franco -, a uma sociedade civil preocupada com os seus negócios e projectos de expansão. Aliás, a viagem de D. Carlos ao Brasil inseria-se no âmbito do claro progresso material que não deixaria de se repercutir num reforço e reforma das instituições. Era este afinal, o grande e único medo dos republicanos. Torna-se para nós - criaturas onde a racionalidade se impõe pelo constante desejo de dar importância ao que verdadeiramente interessa à res publica - um enigma o descortinar do porquê dos ódios e a pura perda de energias para o derrube de um sistema que apesar dos escolhos erguidos pela luta partidária, permitia a chegada do país ao século XX das máquinas, da ciência e dos direitos sociais alargados de uma forma jamais vista na História.
Mesquinhez, inveja, maldade ou inconsciência? São estes alguns defeitos comuns a toda a raça humana e os republicanos do alvorecer de novecentos, ofereceram ao país uma grotesca amálgama de todos os pontos fracos de personalidade, juntando-se-lhes ainda, a simples estupidez.
Para terminar a nossa sexta croniqueta, mais umas considerações de Relvas sobre o gabarito moral dos seus pares:
"Em Bernardino Machado o interesse dominante foi a ambição da Presidência da República, garantida na submissão ao homem que lhe parecia ser o melhor fiador da realização do sonho que o acompanhara desde a hora em que alcançara situação de destaque entre os adversários da Monarquia. Para Afonso Costa era ele o penhor seguríssimo da sua omnipotência no governo da Nação desde que o elevasse à suprema magistratura política (...) Esse mau sentimento (B. Machado), e chamo-lhe mau sentimento porque se revestiu por vezes de aspectos odiosos na sua lamentável pequenez, fora-lhe sugerido principalmente pelas palavras de excepcional favor com que João Chagas me distinguira sempre, nos comícios públicos, nos seus artigos, e ainda em reuniões particulares (...) Bernardino Machado fizera uma das suas habituais intrigas para o investir (aqui, Relvas refere-se a Cunha e Costa) na representação das comissões paroquiais, certo de encontrar na sua subserviência, e na solidariedade do serventuário Ricardo Covões, espécie de factótum, e, pior ainda, de faca de mato de Bernardino Machado (...) para promover na reunião extraordinária do partido, e em actos subsequentes, situações que pusessem em cheque aqueles membros do Directório que ele queria a todo o transe expulsar"...

e continuaremos. O corta Relvas * no seu além-túmulo, prossegue na denúncia dos seus inimigos pessoais que foram afinal, os fautores do nosso miserável século XX. Esquece-se apenas dele próprio e da sua inacreditável vaidade e evidente sede de protagonismo. Misérias...

*Memórias Políticas, José Relvas, ed. Terra Livre, Lisboa, 1977

Post Scriptum

Paisagem lunar, não fora o mar, omnipresente naquelas paragens...

Por lugares nunca dantes frequentados...

A vista do Vulcão Dos Capelinhos, na freguesia do Capelo, Ilha do Faial, impressiona pela paisagem estéril, lunar mesmo, fruto das erupções vulcânicas verificadas ao longo de treze meses, entre os anos de 1957 e 1958.
Quando lá estive, o local fora invadido por turistas americanos, saídos do paquete de luxo que aportara de manhã na baía da Horta. À noite já lá não estava; talvez tivesse rumado a outra ilha do arquipélago de todos os encantos...

terça-feira, 20 de maio de 2008

São bólides da Carris?


Sabem o que quer dizer aquele sinal de trânsito? Quer dizer que não é possível estacionar e neste caso, nem sequer parar. Pois bem. Aqueles carrões que estão em fila e em transgressão - com os nossos chauffeurs à espera -, decerto pertencem ao Estado. São 22.28H de 20 de Maio e o horário de expediente terminou há muito e segundo sei, as reuniões dos órgãos de soberania não se fazem na sede do partido. Ou se trata de uma clara ilegalidade ou de um assomo de mesquinhez da minha parte. Existe ainda uma possível explicação. Como este local está reservado aos serviços proporcionados pela Carris, estes bólides very expensive indeed talvez façam parte de uma nova oferta da transportadora popular. Carros de alta cilindrada com chauffeurs engravatados e que cobram uma módica quantia de 1.30€ por viagem. Chama-se a isto, verdadeiro serviço social. Vamos todos experimentar?

São Martinho de Sande

Descendo as abas da serra da Falperra note ahi a situação dos quatro SANDES ( S. Clemente, S. Lourenço, S. Martinho e Santa Maria de Vila Nova) (...) à direita, no fundo de uma pittoresca bacia vegetal, S. Martinho(...) o mais importante., tanto sob o ponto de vista de população, como de recordações históricas. Era de fundação antiquíssima o seu mosteiro de benedictinos, pois existia já no século V, e foi pela família dos Sandes reedificado. Em 1596 o arcebispo de Braga, D, Agostinho de Castro doou-o aos eremitas de Santo Agostinho, do Populo, que dentro em pouco o reduziram a abbadia secular. Depois foi commenda da ordem de Christo.
Da moderna Sande o melhor edifício público é o da escola, no sítio das Gaias, offerecido ao governo por D. Maria Alexandrina Vieira Marques e custeado depois pela junta de parochia. As quatro Sandes figuram na industria vimaranense como productoras em larga escala de garfos - ponham-se de recato as canellas ao passar por lá- e nessa industria as acompanha Santa Christina de Longos, cuja situação, na encosta do Sameiro, perfeitamente se descobre d'esta elevação da Citania, assim como a de Balazar, já na serra da Falperra, rodeada de arvoredo e cortada por veios d'agua" «O Minho Pittoresco»

Foi assim que, em 1886, José Augusto Vieira retratou a freguesia onde, muitos anos depois,nasceram os meus pais, frequentei, tal como eles e todos os meus irmãos, aquela mesma escola, no Lugar das Gaias, e em cuja Igreja fiz a Primeira Comunhão...

Camilo visto por

3. Fialho de Almeida

Ele mesmo um exímio escritor, tanto na faceta de ficcionista («Contos», «A Cidade do Vício»...), como nas de cronista e polemista mordaz, o que se espelharia na sua Obra mais conhecida, «Os Gatos», onde não poupa a sociedade do seu tempo, nem a "republiqueta"então emergente, na linha, aliás das «Farpas» de Ramalho Ortigão, este pessimista disse do homem de Seide :
"A mais bela luz do génio de Camilo faísca na sua obra sarcástica. Nada pode dar ideia da veemência e pujança desta prosa de Vulcano, batida na forja dos coriscos e dos raios, onde co'as asperidões e rudezas da antiga linguagem se entrelaçam os nervosismos elásticos e as graças subtis do mais refinado poeta cortesão do penúltimo século. Eu não sei de ironia que tenha mais causticidade, nem de imaginação onde se insculpam mais finas rendas(...).
Na caquexia das letras actuais, quando todas as energias parecem finar-se, e todas as originalidades irem adormecendo, a pletora deste homem faz medo, como em país de anões os 'grandia ossa' da fama primitiva."

Está bem Pedro, estes são para ti



Parece que os nossos gostos coincidem - menos na Marianne - e assim aqui seguem duas más fotografias acabada de tirar com o telefone-móvel. São dois quadros da minha mãe, de um género completamente diferente: um deles é o Jardim do Éden e o outro, os Signos do Zodíaco. Foram executados há mais de vinte anos e tenho o prazer de os poder ver todos os dias aqui na sala. Partilho-os agora contigo e com os nossos leitores. Aproveito também para agradecer os numerosos e-mail recebidos por pessoas dispostas a ajudar na divulgação daquelas muitas dezenas de quadros documentais sobre o colonialismo português em Moçambique. Não me surpreendeu a reacção, porque tinha a certeza do seu valor e agora, talvez a autora possa ver recompensado todo o seu interesse e trabalho pela preservação da memória. A recompensa é o conhecimento da obra e nada mais. Chega-lhe.

Danse Macabre

Como falava no outro dia com o Nuno há certos pintores que nos ficam na memória e para mim da escola flamenga ficam dois na memória: Bosch e Bruegel. Não sei se é o detalhe das pinturas se a escolha de temas dramáticos mas há algo nas suas pinturas que me diz qualquer coisa, que me hipnotiza. Ainda me lembro de quando vivia em Madrid ir ao Prado para a sala com estes pintores (com o tríptico do jardim das delícias terrenas no centro) e passar muito tempo a analisar cada pintura.



De certa forma as ironias destes artistas fazem falta a uma cultura moderna que vive em permanente obsessão com as aparências.

A minha Escola Primária

Há dias cheguei ao local de trabalho e disse que me iria ausentar por um curto tempo. Já há muito que alimentava o desejo de rever aquela que tinha sido a minha Escola. Armada de máquina fotográfica, lá fui; é perto...
Durante o caminho, que percorri diariamente dos seis aos nove anos (inclusive nos fins-de- semana, porque a casa da minha avó materna ficava mesmo ao lado) ia contente, porque as mudanças não tinham sido muitas; mas, chegada junto do edifício que fora a extensão da casa familiar, doeu-me a alma: só lá estavam ruínas. Ainda fiz algumas fotografias, mas apaguei-as de seguida. O choque foi muito grande.
Só consegui guardar a tabuleta indicativa de que a minha Escola tinha sido ali...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Notas Soltas

Assim ao correr da pena, quero dar as boas vindas ao nosso mais recente colega, o Pedro Fontela numa altura em que se avizinha uma reestruturação na equipa e no blog. Por falar nisso, não sei se alguém de propósito terá registado o estadosentido.blogs.sapo.pt, talvez alguém que não gosta de nós e se apercebeu da iminência da nossa mudança para o Sapo. Se assim não é, peço a quem registou esse blog, se vir esta mensagem, que por favor entre em contacto connosco.

É sempre um prazer sermos considerados um blog em destaque, desta feita pela Carla Hilário de Almeida Quevedo, o que muito nos apraz, e a quem apresentamos os nossos sentidos agradecimentos pela referência, extensíveis ainda ao caríssimo Jansenista pela sua referência ao post do Nuno sobre Moçambique.

Peço desculpa pela ausência, mas afazeres académicos e profissionais levam-me a não ter neste momento muita disponibilidade mental para aqui escrever. Lá para quinta-feira já terei tempo e cabeça para tal.

Já agora, um pouco de publicidade institucional, mas também em nome pessoal, na próxima quarta-feira 21 de Maio, no Instituto Superior de Agronomia, terá lugar o Baile de finalistas ISCSP/ISA, no qual estarei na minha qualidade de pseudo-artista disc jockey, sob o pseudónimo de Dj SamuK. Eighties, oldies, rock n' roll e rock, é o que posso prometer da minha parte.

Ah e já agora, acabou por não ser uma época tão má quanto isso. 2.º lugar do campeonato e vitória na Taça plenamente justificada frente a um FCP pouco anímico...o mau perder é uma coisa muito feia!

«A Ronda da Noite»

O livro de Agustina Bessa-Luís tem sido uma leitura adiada, e, numa tentativa de me justificar a mim mesma por lhe antecipar outras que vão surgindo, digo a mim mesma: não perde pela demora porque quando me dedicar a ela, fá-lo-ei mais relaxadamente...
Mas olhando a capa, aquela pintura de Rembrandt, lembro-me da viagem que fiz a Amsterdão e arredores, há dois anos.
A visita ao Reiksmuseum era obrigatória, mas , tal como a minha irmã, temia a capacidade de "resistência" de uma sobrinha, que tinha apenas seis anos. Qual quê? Deliciou-se a olhar todas aquelas pinturas, na sua maioria do Século de Ouro holandês, o XVII, e até deu mostras de um ainda incipiente espírito crítico, o que nos fez pensar que talvez estivéssemos a contribuir para que nela florescesse a apreciadora de arte...

A soma das minhas opiniões sobre futebol

Admito que ao ver as andanças que andam pelo país com estas tretas dos problemas do futebol (problemas internos e externos de corrupção, apoios políticos desavergonhados, circo mediático patético, etc) que cada vez tenho mais vontade de lidar de forma radical com o assunto.

1) Começar por impor um plano de pagamento de dívidas fiscais canalizando todos os rendimentos dos clubes em dívida para o estado até estarem saldadas. Excluindo necessariamente os bens físicos que não possam ser vendidos (ex: estádios).
2) Em caso de incumprimento o clube passa a ser dissolvido e os bens liquidados em praça pública. Os dirigentes serão fiscalizados por uma comissão que vai avaliar a sua conduta fiscal e se necessários instaurar processos por intencionalmente defraudarem o fisco.
3) Publicar essas contas e os detalhes de cada fraude para apagar qualquer resquício de simpatia pública que esses senhores do futebol possam ter.
4) Os clubes que sobreviverem à purga passaram a ser considerados negócios e sujeitos a todas as taxas apropriadas sem a cobertura do “desporto” que actualmente utilizam.

Bem sei que não seria popular mas já estava na altura de algum governo de por estes empresários vendedores de banha na cobra no seu lugar e arrasar qualquer réstia de poder que ainda tenham ao impedir que dominem o espaço público com as suas balelas.

Embora o não queiram reconhecer os republicanos, o povo, ainda que não monárquico, identifica-se instintiva ou sentimentalmente, com a realeza, porque se identifica com as famílias e as instituições que fizeram a nação, Não foram ou não são todos os reis sábios, heróis ou santos? Pois não, mas o grande argumento monárquico é o de que a instituição vale mais do que o monarca".
João Bigotte Chorão

Tens razão Miguel, mas o P.M. não devia ter imposto esta Lei!

Sócrates subiu alguns pontos na minha consideração. Afinal, o seu acto pode ser interpretado como um desafio à lei verdadeiramente imbecil que pretende fazer crer não haver fumadores neste mundo.

O verdadeiro e único problema, reside no simples facto desta mania controleireira ter sido introduzida pelo governo. É claro que o eng. Sócrates tem todo o direito de fumar o seu cigarro, assim como eu tenho direito em não o fazer, simplesmente porque nunca fumei. Mas se à "luta anti-tabágica", acrescentarmos os excessos asaeanos e o descarado apelo à denúncia popular de suspeitos ao ministério das Finanças, concluímos que o governo criou o sarilho. Que dele se desembarace. O povo agradece.

domingo, 18 de maio de 2008

Alto, e pára o baile!

A Rainha de Copas determinou que ninguém toma chá antes dela chegar, sob pena de ficar sem a cabeça.

E esta?

Recebi esta foto enviada pelo meu amigo Paulo. A sua cadela adoptou dois gatos bebés que abandonados, estariam condenados à morte. Amamenta-os e juntou-os à sua ninhada de cachorros. E ainda há gente que despreza os animais. Esta foto vai direitinha para casa do Réprobo.

A Direita e a Esquerda da Monarquia


Numa visita à Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, em Lourenço Marques, os meus pais posam diante de D. Carlos I e de D. Manuel II. Simbolicamente, é a Monarquia da Direita PSD - a minha mãe - e a Monarquia da esquerda-radical socialista - o meu pai - que se apresentam diante dos dois injustiçados monarcas.
Recordo-me perfeitamente destes dois retratos, provavelmente da autoria de Malhoa (?) ou de Columbano (?). O que lhes terá acontecido? Estarão conservados no lugar onde há muitas décadas foram colocados? Ou desapareceram no turbilhão da descolonização exemplar? Quem souber do paradeiro das obras, informe o Estado Sentido. Agradecemos.

* E chegamos ao fim de Domingo. Para o próximo fim de semana, é a vossa vez de trazer testemunhos da vossa história. Interessa a todos.

Fotos com História: o exército português em Moçambique, década de 50


Aproveito estas fotos dos tempos de tropa do meu pai em Vila de Manica (Manica e Sofala) e em Boane, para mostrar certas "dualidades" da II república. Se repararem bem na foto em cima à esquerda, ele surge com o uniforme de combate que é uma cópia daquele usado pelos britânicos na campanha do norte de África  em 1940-43 (8th. Army). A espingarda também é inglesa, uma Lee-Enfield . Mais abaixo e também à esquerda, aparece uniformizado para uma cerimónia e o traje é desta vez... uma descarada e perfeita réplica do uniforme do Afrika Korps de Rommel durante a mesma campanha na Líbia. Interessante, não? Resta dizer que algumas unidades estavam equipadas com espingardas Mauser (alemã).
O serviço militar oferecia igualmente , muitas oportunidades para visitar Moçambique e nos momentos de lazer, lá ia o Vítor para um safari fotográfico, desta vez aos crocodilos e hipopótamos. Nunca houve qualquer tipo de arma de fogo em casa e as caçadas - imagem de marca do colonialismo -, sempre foram encaradas como simples barbaridade, sendo os meus pais eternos defensores dos animais.
Neste conjunto de fotografias, vemos uma imagem referente à visita do general Craveiro Lopes, então Chefe do Estado. O meu pai surge de capacete colonial, algures na guarda de honra. Um tempo que passou.

Mais uma adivinha para os Sentidos do Norte

Já que estamos em fim de semana - altura de troca de presentes -, já agora e para os nortenhos, digam lá se conhecem esta cadeira. Diga, Cristina?

Verde, que te quero verde :


...e branco, "viu, Paulo? :)

Alberto Sampaio

Quem foi?

"Mestre? Ah! Como estou longe dessa perfeição! Hei-de morrer simples estudante vendo sempre, a cada passo, no assunto mais simples novos horizontes ignorados. A questão, para mim, é aproveitar o pouco que tenho aprendido: talvez esse possa servir a alguém: e se servir compensar-me do tempo gasto"

Dizia este ilustre vimaranense, mas o certo é que foi um grande historiador e pensador "...acima de tudo um homem que amava a sua terra e que a ela se dedicou, estudando o seu passado, participando no presente, preparando o seu futuro!" (catálogo sobre a exposição bibliográfica a ele dedicada)

Adenda ao post anterior

..."grande quantidade de prata"...

De D. João I

e Como refere Fernão Lopes, depois da Batalha de Aljubarrota, D, João I veio a Guimarães agradecer à Senhora da Oliveira a vitória então alcançada, tendo-lhe oferecido uma importante quantidade, com que, posteriormente, fins do século XIV, Inícios do século XV, foi feito o "Tríptico da Natividade"


A peça de vestuário doado á mesma Santa, é o "Loudel" que o rei envergou na batalha.

Duas ofertas

Hoje sim,

é o "Dia Internacional dos Museus".
Um "cheirinho" do belíssimo claustro do Museu Alberto Sampaio".

"Nunca se perde tempo com aquilo que amamos. Que importa que nos pareça curto? Curto há-de ser sempre, porque a nossa imaginação jamais se satisfaz com a realidade."
Alberto Sampaio.

Disse


"Dia Nacional dos Museus" ? Estava errada. Foi a "Noite dos Museus".

Fantástico...

Ontem, dia Nacional dos Museus terminei o meu da melhor das maneiras: numa cidade profusamente iluminada, e no coração do Centro Histórico, fui rever o de Alberto Sampaio, um museu festivo já de si, mas mais radioso do que nunca. Uma longa conversa com a Directora, e uma percepção mais completa dos tesouros aí preservados, confirmaram as palavras elogiosas há tempos ouvidas ao Professor José Hermano Saraiva. Assim sim!

No Prosimetron

A oferta da Joana Pereira ao nosso blog

sábado, 17 de maio de 2008

Cenas do Moçambique colonial



Hoje é Sábado e parece-me acertado fazer uma pausa nas nossas preocupações com o devir da nação, com fumos de tabacos alheios ou com a transcendência das malandragens de Bin Ladens, Chávez e outras personagens que preenchem alegremente o nosso dia a dia.
Assim, decidi apresentar-vos uma parte importante do trabalho executado pela minha mãe ao longo de décadas. Considero estes testemunhos pictóricos, uma fonte de informação única no âmbito da compreensão daquilo que foi e representou a derradeira fase da presença portuguesa além-mar. Na linha daquilo que Jean-Baptiste Debret fizera no Brasil durante a permanência da Corte no Rio de Janeiro, a minha mãe começou desde cedo, a recolher aspectos característicos da vida na antiga colónia de Moçambique. Interessaram-lhe sobretudo, as incontornáveis cerimónias públicas, as actividades dos quadros administrativos locais, os sectores da economia, a vida familiar e sobretudo, a sua grande paixão pelos usos e costumes daquela boa gente que forma aquilo que hoje reconhecemos como povo moçambicano. As cantinas onde um pouco de tudo se vendia e onde ao fim da tarde o pessoal da administração bebericava o muito anglófilo whisky, a consulta ao feiticeiro capaz de curar maleitas e de afastar os maus espíritos, as ruas onde se aglomeravam gentes oriundas do então Indostão britânico, as mesquitas, a comunidade macaense ou goesa e muitos outros temas que compunham com veracidade, a realidade moçambicana daquele tempo. Como é evidente, não se trata de uma obra decorativa, mas sim documental e considero inédita, num país que aprendeu há apenas umas décadas, a esquecer os caminhos trilhados durante séculos. São mais de cem pequenos quadros de uma riqueza documental incomparável e que ainda não mereceram a curiosidade ou interesse de quem devia zelar pela preservação de um património que é a nossa razão de ser como nação.
Infelizmente não consegui fazer o scanner de forma correcta, porque as imagens colocadas sobre o vidro ficaram inevitavelmente afastadas do mesmo, devido às dimensões de cada cartão pintado. Os desenhos parecem desfocados e pouco nítidos, devido a esta deficiente cópia. De qualquer forma e como curiosidade, aqui vos apresento como prenda de fim de semana, três cenas de um outro Portugal que morreu.

Algures noutro tempo, em Lourenço Marques

Acabei de vir de casa deles, em Caxias. Um bom almoço, num dia solarengo e no jardim. Muito agradável, muito fim de semana. Ofereceram-me estas bonitas fotos como presente, eram os dois ainda muito novos e esperavam o meu nascimento. Os meus pais.

Já tinha saudade

"Na terra há tristeza dentro das coisa bonitas.
-Isso é por causa da saudade- disse o rapaz.
-Mas o que é a saudade?- perguntou a menina do Mar.
-A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora"
«A Menina do Mar», de Sophia de Mello Breyner Andresen


Sempre que possamos, lutemos contra essa predadora...

Um caminho assim,


de corda esperança, foi o que voltei a percorrer, passados vinte e cinco anos, com os amigos de então, e senti que, no essencial, as coisas não mudaram muito...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Fantasias iberistas e realidades atlânticas


Um dos assuntos recorrentes nas habituais crises existenciais portuguesas, é o tema da União Ibérica. Sem que na realidade se leve muito a sério esta falsa questão, surge sempre em momentos de grave crise económica e social. Os portugueses desde há muito interiorizaram uma franca e por vezes intempestiva repulsa perante tal cenário, mas há que afirmar que desde sempre existiu um muito minoritário, quiçá envergonhado sector, que aproveitou as ocasiões para fazer valer as suas alegadas razões. Quem tenha lido a Aliança Peninsular de Sardinha, poderá chegar ao fim desta obra plena de contradições, com um acentuado sentimento de perplexidade e de simultâneo conforto. Após inventariar exaustivamente as mútuas e bem conhecidas tentativas de unificação desde o alvorecer da nossa identidade nacional-soberana, Sardinha conclui pela inevitabilidade de uma estreita aliança peninsular, porque julga que os interesses de ambos os Estados, se nem sempre são os mesmos, podem complementar-se com o pleno contentamento de Madrid e de Lisboa. Horizonte idílico, mitómano e totalmente desajustado da própria realidade. Realidade essa que foi vivida nas décadas que medeiam o ocaso de oitocentos e o advento do século XX e que o autor integralista não quis compreender, na época da moda dos "ódios" ao John Bull. Sardinha chega atrasado a uma já passada época que vira a unificação da Alemanha e da Itália, nomes que tendo desde há séculos representado simples expressões geográficas, passaram a consubstanciar novas realidades sob a forma de dois novos e importantes Estados.

A construção do chamado Estado Espanhol é fruto de condicionalismos histórico-políticos e geográficos. De facto, a Espanha dos Reis Católicos possui à época, um maior peso territorial noutros pontos da Europa, que aquele a que nos habituámos a vislumbrar em qualquer mapa mais recente. A união com Aragão, pressupôs a administração dos territórios da Itália do sul que daquela coroa dependiam, facto que se tornou ainda mais complexo com a herança austríaca dos Habsburgos que com Carlos V (I), transformam a Espanha numa grande potência territorial europeia, no preciso momento em que inicia a conquista imperial nas Américas. Os seus interesses são múltiplos e abrangem o Mediterrâneo, os Países Baixos e o Mar do Norte, assim como as novas conquistas além-mar.

A União de 1580-1640 consistiu num evidente fracasso que já se tornava claramente previsível poucos anos decorridos após as Cortes de Tomar. O país foi desarmado, a ausência da corte fez estiolar o mecenato cultural - por exemplo, a pintura portuguesa ressentiu-se de forma irreparável - e a submissão dos interesses das oligarquias portuguesas dependentes do comércio ultramarino, aos desígnios imperialistas espanhóis na Europa, foram o cadinho e a bigorna onde se forjaram as armas que conduziram ao levantamento do 1º de Dezembro.

Após a sua unificação de 1492, a Espanha jamais conseguiu implementar como código de conduta, uma linha coerente, logo persistente, de uma política externa que fixasse os objectivos essenciais à prossecução daquilo a que normalmente se chama de interesse vital. Desde sempre oscilou entre uma decidida intervenção nos assuntos europeus e a necessidade em acorrer em defesa da fonte do seu sustento, ou seja, o império colonial americano. Adivinhava-se-lhe o primordial papel de grande potência marítima que afinal não conseguiu ser, por manifesta impossibilidade de conciliar interesses tão divergentes e de obter os recursos necessários para um imperialismo planetário. A estrutura social do país não permitiu um rápido arranque manufactureiro que aliás se via mitigado pelas ingentes remessas de metais preciosos e de outros bens provenientes do Novo Mundo.  O desbaratar de recursos na manutenção de múltiplas frentes de combate na Europa, frentes estas que se estendiam das margens do Canal da Mancha  (Flandres espanhola), à Alemanha, ao norte da Itália e às suas possessões napolitanas, impossibilitaram a consolidação de um efectivo poder militar naval que pudesse obstar à  insuperável ascensão das suas rivais setentrionais, a Holanda e a Inglaterra. Em 1640, talvez a data que marca o fim da condição de potência hegemónica até aí pertencente ao reino vizinho, Madrid vê fugir ao seu controle, não só uma das dependências que desde sempre considerara como parte intrínseca do seu corpo "nacional", como uma parte muito substancial do seu império colonial que volta a resumir-se às possessões americanas e às longínquas e secundárias  Filipinas. Seis décadas mais tarde e já consagrada e reconhecida a perda do reino português em 1668, é a própria Espanha que se transforma em campo de batalha das novas forças em luta pela hegemonia, situação que a conduziu irremediavelmente para a órbita francesa para o resto do século XVIII, confirmada também pela forçada e desastrosa aliança com Bonaparte.

O verdadeiro problema português, consistiu, consiste e consistirá, em pesar o real valor da vontade de independência e exercício da soberania nacional. É incontestável esse querer, pese as aparências que parecem avolumar-se subitamente em dados períodos difíceis, para logo se volatilizarem no éter das insignificâncias da História. Esta é a realidade, crua e dura, cimentada pela expansão ultramarina que deu uma contribuição decisiva para a formação daquilo a que poderemos chamar consciência nacional e onde os membros da CPLP têm uma palavra a dizer. Um cenário de puro desaparecimento de Portugal como entidade autónoma seria impensável e nem sequer dentro da União Europreia encontraria países que contemporizariam com a situação, porque desequilibraria a relação de forças existente e abriria um precedente com consequências gravosas para a própria existência da União. A constante de um desígnio histórico, demonstra que Portugal é o único país europeu, cujo território sempre foi reivindicado na totalidade pelo seu poderoso vizinho. No nosso tempo, tal bizarria política apenas encontra paralelo no caso israelita. Imaginemos o que aconteceria se a Alemanha promovesse campanhas mediáticas - à semelhança daquela que recentemente ocorreu na imprensa espanhola - questionando a sua população sobre a hipótese de um segundo Anschluss com a Áustria? Este país independente do sul da outrora expressão geográfica Alemanha, partilha a mesma língua e durante séculos, foi teóricamente o Estado cimeiro no conjunto imperial romano-germânico, deixando vivas reminiscências na população. O caso ibérico é muito diferente e não passa de uma nota de rodapé da História.

Não merecendo qualquer reflexão adjacente acerca de um inexistente debate interno acerca deste falso tema, podemos contudo imaginar um cenário, em que mercê de um absurdo imponderável, tal calamidade se pudesse voltar a colocar como opção aos portugueses. Assim, seria curioso estudar esta possibilidade no âmbito dos jogos de forças e de poderes na Europa e no espaço do Atlântico norte. Não querendo uma vez mais usar a frase do primeiro-ministro britânico que há 120 anos declarava que "Lisboa terá sempre que ser um porto amigo da Grã-Bretanha",  princípio este sempre seguido rigorosamente por Whitewall, mesmo durante as horas difíceis do Ultimatum, da I e da II Guerras Mundiais, resta-nos tentar adivinhar qual seria a reacção da principal potência marítima dos nossos tempos, os Estados Unidos da América.

Olhando para o mapa deste âmbito geográfico, deparamos  com uma massa territorial de certa importância na Europa que possui uma excrescência  insular nas Canárias, numa zona do atlântico que confina  com um Marrocos de imprevisível evolução política. Por sua vez, Portugal ocupa a principal fachada atlântica da Ibéria e conserva o tradicional património histórico insular adquirido na fase de arranque da epopeia dos Descobrimentos, ou seja, os arquipélagos dos Açores e da Madeira.  Desfeita a ilusão da perda de importância estratégica devido aos avanços tecnológicos, vivemos tempos difíceis e conturbados, onde a base das Lajes mantem intacta a sua categoria de posição privilegiada de sentinela neste segundo "Midway", neste caso, o caminho que conduz à América ou em sentido contrário, à Europa. Lisboa continua também a ser um potêncial porto de grande relevo nesta zona do mundo e em conjunto com os Açores, é Portugal uma vez mais, um peão de certa importância para os interesses da talassocracia norte-americana. Desde a fundação da NATO, os EUA têm sempre contado com a pronta colaboração e disponibilidade portuguesa na aliança ocidental e o nosso país jamais deixou de pertencer à estrutura militar concertada entre os europeus e os americanos. Durante a Guerra Fria, pese a clara ingerência americana em prejuízo dos nossos interesses em África, Portugal manteve-se firme durante todos os momentos de crise, desde a Guerra dos Seis Dias, à do Yom Kippur (1973), quando uma vez mais, as facilidades concedidas nos Açores, ditaram a vitória dos israelitas, que superaram a avalanche numérica e técnica apresentada pelos egípcios, sírios e seus satélites. Portugal tem sido um bom e fiel aliado e nem mesmo o breve PREC de 1974-75, causou qualquer dano irreversível a esta situação decorrente do final da II Guerra Mundial.

Aliado tradicional do Reino Unido, o nosso país sempre se mostrou disponível para colaborar - outorgando facilidades logísticas proporcionadas pela base das Lajes - com Londres e a própria Guerra das Falkland (1982) demonstrou a solidez dessa aliança. A estreita relação entre os EUA e o R.U., encontra em Portugal um ponto de apoio vital e de confiança, sabendo-se que a própria independência - e vontade para tal - do Estado português, depende da continuação de uma política distante das perigosas zonas de conflito geralmente ditas "continentais". A política da Grã-Bretanha é a nossa política e em consequência lógica, a política dos EUA, é também o principal fio condutor dos nossos governantes, não importando o partido, facção ou regime no poder em Lisboa. Para a esmagadora maioria dos portugueses, sempre assim foi, é e será. É um sentimento ou percepção instintiva ditada pela necessidade e vontade de sobrevivência e pelo indisfarçado orgulho - sempre demonstrado em momentos cruciais - de  um papel fundamental que desempenhou na história mundial.

Na óptica dos americanos, a Espanha, país de crescente relevância no concerto das nações, será talvez a permanente incógnita. Tendo-se modernizado rapidamente nas últimas cinco décadas, adquiriu um estatuto que não se lhe concedia há séculos e com uma economia pujante, construiu uma marinha moderna  e eficiente e um temível e bem equipado exército. O grande problema consiste no eterno retorno dos seus governantes aos quid pro quo da política quotidiana que satisfaça as várias opiniões públicas existentes dentro deste Estado plurinacional e simultaneamente, a pétrea indecisão quanto ao almejado papel a desempenhar pelo reino. A própria ameaça sempre latente, de fragmentação que conduziria à instabilidade nesta vital região do Atlântico norte, aconselha à manutenção do status quo. Muito sucintamente, colocar-se -á sempre a questão da confiança e fiabilidade de uma aliança espanhola que jamais deixou de sofrer oscilações. A retirada apressada, de contornos pouco marciais e até extemporânea do contingente espanhol no Iraque, indicou a Washington que ao contrário do seu aliado português, Madrid voga ao sabor dos interesses e pressupostos partidários de momento. Uma vez mais, confirma-se a velha história que para nossa segurança, é incontornável.

Tal como o primeiro-ministro da rainha Vitória, os presidentes norte-americanos quererão sempre ter em Lisboa e nos Açores, uma presença amiga e de inabalável lealdade. É o preço a pagar pela perenidade da obra de Afonso Henriques.

Para a Joana





La Californie, um filme de Jacques Fieschi

Na área bcbg de Cannes, algures num momento suspenso do tempo, Maguy passa os seus dias e gasta o seu dinheiro entre a luxuosa residência e os clubes nocturnos da Côte d'Azur. Na sua órbita gravita o seu pequeno mundo: o seu guarda-costas e amante Mirko, o seu companheiro de farras Stefan e Katia, a amiga que tudo suporta. Relacionamentos e jogos divertidos e cruéis que poderiam durar estação após estação, mas a inopinada chegada de Hélène, a filha que Maguy não soube educar, destruirá todas as aparências. O assassínio que ocorrerá naquela casa, poderá ter sido obra de qualquer um deles.
Um excelente filme de Jacques Fieschi, com Nathalie Baye, Roschdy Zem, Rasha Bukovic, Mylène Demongeof e Ludivine Sagnier.
*Não sei se existe legendado em Português.

Adivinha de sexta-feira

É uma fotografia pouco conhecida. Façam o favor de dizer quem é, enquanto escutam a música no post em baixo. Oferece algumas pistas.

Mais verde e vermelho (ou laranja?)

Ainda não me decidi a favor ou contra, mas sinceramente, parece-me não haver alternativa.

Camilo visto por

3. Silva Pinto

Ao mesmo tempo que dirigia os maiores encómios a confessos adversários de Camilo, como Teófilo Braga, este jornalista e escritor não desperdiçava uma oportunidade para tentar destruir a reputação daquele, tanto no plano literário como no da sua dignidade de homem.
Mas, após uma longa série de polémicas, iniciadas em 1874, em que nenhum dos dois foi parco no uso de uma linguagem virulenta, semeada de insultos e calúnias, a reconciliação viria cinco anos mais tarde, passando o que iniciara tamanha hostilidade,, de panfletário desbocado a admirador incondicional daquele a quem passou a considerar Mestre, e como tal se lhe dirigia, a ponto de escrever: "Era o mais completo e puro tipo de fidalgo, assim no aspecto como no trato, (...). O maior escritor de Portugal nunca me impôs, em convívio a sua opinião literária. Àquele vasto e poderosíssimo cérebro,,,"
Depois de ter começado a frequentar a casa de Seide, adquiriu na localidade habitação própria para melhor desfrutar "da sua genialidade".

O novo lema da T A P