sábado, 17 de maio de 2008

Cenas do Moçambique colonial



Hoje é Sábado e parece-me acertado fazer uma pausa nas nossas preocupações com o devir da nação, com fumos de tabacos alheios ou com a transcendência das malandragens de Bin Ladens, Chávez e outras personagens que preenchem alegremente o nosso dia a dia.
Assim, decidi apresentar-vos uma parte importante do trabalho executado pela minha mãe ao longo de décadas. Considero estes testemunhos pictóricos, uma fonte de informação única no âmbito da compreensão daquilo que foi e representou a derradeira fase da presença portuguesa além-mar. Na linha daquilo que Jean-Baptiste Debret fizera no Brasil durante a permanência da Corte no Rio de Janeiro, a minha mãe começou desde cedo, a recolher aspectos característicos da vida na antiga colónia de Moçambique. Interessaram-lhe sobretudo, as incontornáveis cerimónias públicas, as actividades dos quadros administrativos locais, os sectores da economia, a vida familiar e sobretudo, a sua grande paixão pelos usos e costumes daquela boa gente que forma aquilo que hoje reconhecemos como povo moçambicano. As cantinas onde um pouco de tudo se vendia e onde ao fim da tarde o pessoal da administração bebericava o muito anglófilo whisky, a consulta ao feiticeiro capaz de curar maleitas e de afastar os maus espíritos, as ruas onde se aglomeravam gentes oriundas do então Indostão britânico, as mesquitas, a comunidade macaense ou goesa e muitos outros temas que compunham com veracidade, a realidade moçambicana daquele tempo. Como é evidente, não se trata de uma obra decorativa, mas sim documental e considero inédita, num país que aprendeu há apenas umas décadas, a esquecer os caminhos trilhados durante séculos. São mais de cem pequenos quadros de uma riqueza documental incomparável e que ainda não mereceram a curiosidade ou interesse de quem devia zelar pela preservação de um património que é a nossa razão de ser como nação.
Infelizmente não consegui fazer o scanner de forma correcta, porque as imagens colocadas sobre o vidro ficaram inevitavelmente afastadas do mesmo, devido às dimensões de cada cartão pintado. Os desenhos parecem desfocados e pouco nítidos, devido a esta deficiente cópia. De qualquer forma e como curiosidade, aqui vos apresento como prenda de fim de semana, três cenas de um outro Portugal que morreu.

10 comentários:

Luísa disse...

Uma belíssima prenda, Nuno! Obrigada.

Nuno Castelo-Branco disse...

Ainda bem que gostou, Luísa. O acervo documental tem mais de cem quadros, todos diferentes e como dizia, desde cerimónias como o içar da bandeira, até momentos de afazeres caseiros, como a cozinha, etc. Continuarei a mostrar aos poucos, para não abusar.

José M. Barbosa disse...

O Nuno é um especialista em prendas de fim-de-semana. Obrigado.

Z.

Anônimo disse...

Boa noite Nuno (espero poder tratá-lo assim, sem grandes formalidades... coisas que a Internet nos propicia)!
É já com grande admiração que lhe escrevo a estas horas... Inicialmente lia todos os Post's do Samuel, meu amigo e colega de Faculdade, mas agora o tempo ou mesmo a preguiça tem vindo a reduzir as visitas aqui ao cantinho. Mas sempre que posso (normalmente quando as notícias do mundinho nacional ou internacional "esquentam"...) passo por aqui para ler as vossas sábias e por vezes cómicas opiniões e comentários.
Com cada vez mais colaboradores e admiradores, do mundo dos leigos e não só,é de incentivar e congratular o vosso blog.
Cá ficam então os parabéns desta vossa leitora, não "muitoooo" assídua mas bastante deliciada com o que vocês trazem aqui a debate.


Vera Matos.


P.S- Se algum de vocês quiser trazer a baila assuntos como "O ex-campeão do mundo de xadrez Garry Kasparov, opositor do Kremlin, apresentou este sábado em Moscovo um parlamento alternativo que reúne opositores de todos os campos políticos" ficaria contente... A política na Rússia, para mim, humilde leiga, ou mesmo para o mais
sapiente politólogo é sempre algo interessante e "misterioso" de analisar e desvendar.

*

cristina ribeiro disse...

Pois, Nuno, aqui estão mais algumas razões para ter dito,há dias, que o talento familiar já é uma tradição...

João Borges disse...

caro Nuno

As imagens em apreço são deveras apelativas e descritivas. Se me permite a ousadia gostava de lhe dar uma opinião. Face à originalidade autoral e temática destas ilustrações devia salvaguardar a exposição das mesmas para um futuro propóstito. Estou certo que as ilustrações/pinturas devidamente enquadradas textualmente poderão formar um reportório editável e até com considerável contexto. A edição de um "album" que exponha a autora e tema(s) será o mais indicado. Digo isto porque a publicação "avulsa" das ilustrações/pinturas no seu "blogge" pode retirar a oportunidade de uma futura publicação de originais contextualizados, etc....
Perdoe-me se "interferi" com o seu voluntarismo mas temo que o seu o seu orgulho latente possa precipitar uma ideia maior sobre a questão.
Sei que é artista-plástico (li-o também no blogge "Combustões"). Um artista de combate com coração. O seu "blogge" (sem ofensa para os outros colaboradores) tem a matéria que carece na maioria dos outros: autenticidade e afectividade.


cumprimentos,
João Borges

Nuno Castelo-Branco disse...

Para o João Borges: obrigado pela recomendação, na verdade está certíssimo no que disse. Contacte-me por e-mail que responderei. Abraço,
Nuno

Para a Vera: venha visitar-nos mais vezes e deixe o seu comentário. Este blog está aberto a todos e podem nele participar livremente, pois aqui não há censura. Beijo,
Nuno

Esta prenda é para todos e espero que nos enviem algumas para publicarmos. Ok?

Isabel Metello disse...

Nuno, já tinha visto uma das obras da Senhora Sua Mãe no Jansenista- a da cantina e adorei- sou uma filha de Moçambique, cansei-me de tanto correr descalça sobre aquela terra vermelha. Vivi a maior parte do tempo em que lá estive no mato- o meu Pai era administrador do concelho- a minha alma é esencialmente mestiça- as minhas influências estéticas são primordialmente africanas e indianas (os filmes de Bollywood iniciaram-me na 7ª Arte).
Tenho saudades do som do batuque ouvido de noite, depois de às 11h se desligar o gerador, tenho saudades do me babá que nunca mais vi nem sei onde está (uma das fontes de tanto Amor e atenção que me devotou), tenho saudades dos cheiros intensos e miscigenados e das cores fortes, tenho saudades do meu berço que me embalou numa terra fascinante, que nos deixa profundas marca na pele e na alma.
As obras da sua Mãe transportam-nos de forma esplendorosa para essas vivências. Deveria fazer uma exposição e publicar um livro- era também uma forma de se quebrarem estereótipos simplistas sobre a vivência colonial.

Um forte abraço, com admiração,

Isabel Metello

Anônimo disse...

Vejam o que apanhei no blog do Pedro Rolo Duarte- um qui pro quo entre o Carlis Pinto Coelho e uma abelha sobre o tão famoso episódio dos brancos pintalgados de pretos que gritavam palavras de ódio contra os "colonos":


"De abelha mestra a 30 de Maio de 2008 às 19:45
Carlos Pinto coelho, muito obrigado pelo esclarecimento quanto à entrevista com Samora Machel- ponha-a no YouTube- faria um sucesso.
Mas, pergfunto-lho nova e pausadamente- e quanto ao mito urbano alegadamente ocorrido em Lourenço Marques? Lembra-se, sabe alguma coisa sobre o acontecimento?
Ficaremos muito gratos se nos esclarecer- é que há testemunhos tão concretos sobre o movimento branco mascarado de negro que entoava oalavras de ódio contra a população branca...É do seu tempo?


responder a comentário | discussão


De Carlos Pinto Coelho a 31 de Maio de 2008 às 10:41
Deixei Lourenço Marques em 1963 para, como todos os jovens de então, vir para Portugal tirar um curso superior. Não havia universidades nas colónias. Claro que voltei a Moçambique muitas e muitas vezes, mas sempre de passagem. Ora, nem antes nem depois de 1963 fui testemunha dos acontecimentos que refere. Poderão ter ocorrido em 1974 nas convulsões do Rádio Clube de Moçambique e no golpe fracassado do grupo de brancos ligados ao eng. Jorge Jardim? É pouco provável. Como nunca li ou ouvi nada sobre o assunto, estou em crer que se trate de mais uma das múltiplas histórias fantasiosas que se criaram na época. Mas, repito, não sei.


responder a comentário | início da discussão


De abelha mestra a 31 de Maio de 2008 às 14:09
As mesmas histórias fantasiosas que davam Samora Machel como um grande democrata e a FRELIMO como um "movimento de libertação", talvez? As mesmas histórias fantasiosas que permitiram alguns delatar outros à FRELIMO e muitos terem ido parar aos campos de concentração deste movimento "libertador" com um líder tão "carismático" e "pacífico"? Talvez, a História e não as historizinhas de opereta de 3ª categoria com narradores de categoria inferior o dirá.
A derrocada já começou e os mitos urbanos vão cair ou vão revelar-se. Salve-se quem puder que o jogo já está fora de controlo e os velhos que mantinham fechado o Livro Sagrado dos Grandes Mitos Urbanos estão a morrer, já senis, de velhice.
Cumprimentos e até lá"


A coisa promete...

日月神教-向左使 disse...

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