sexta-feira, 23 de maio de 2008

«Sobre a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia»


Esta a frase, retirada d'«A Relíquia», que inspirou Teixeira Lopes na concepção da estátua sita no Largo do Quintela, em Lisboa.
Aquando da inauguração do monumento, oferecido à cidade pelos amigos e admiradores de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, tomou da palavra para dizer: " Não é um retrato literário do insigne escritor que me proponho traçar- o meu fim é unicamente fazer notar a Lisboa que Eça é, como romancista, o mais fundamental e genuinamente lisboeta de todos os escritores nacionais(...).
Lisboa foi o seu laboratório de arte, o seu material de estudo, a sua preocupação de crítico, o seu mundo de escritor(...)e, a pouco e pouco, se tornou ele próprio enraizadamente lisboeta. Os seus contos e as suas novelas são o espelho desse consórcio do seu espírito com o espírito da vida lisbonense(...). E nesse vasto cenário toda uma densa população pulula, ama, pensa, estuda, combate, intriga, devora ou boceja...; contemplando o enigmático vulto de mulher olímpica, agora aqui colocado, junto do vulto do meu saudoso amigo, eu concluo perguntando-me se essa gloriosa figura, em vez de personificar uma pura e etérea abstracção estética, não é antes a estátua mesma de Lisboa".

9 comentários:

O Réprobo disse...

Pena que o vandalismo cortador de braços tenha obrigado à sucstituição por réplica de bronze. E não é de agora, já António Arroyo se queixava do mesmo, relativamente a esta escultura, em 1919!

Interessante foi a reacção de um velho criado da família da Mulher de Eça. Levado a ver a estátua, o idoso Sr. Manuel exclamou: "Lá o Patrão, está bem! Agora nunca pensei que a Sr.ª D. Emília se prestasse a estas coisas...".
Beijo, Querida Cristina

Nuno Castelo-Branco disse...

ehehehe, Réprobo, é a voz da sabedoria, se calhar a Dª Emília prestava-se bem, mas em privado (passe a brejeirice).
Já agora e o que dizer daquele conhecido militar americano que ao passar diante do Coliseu em 1944, comentou..."Uau, nunca pensei que os nossos bombardeamentos tivessem causado tantos estragos"... ?!

cristina ribeiro disse...

Bem apanhado, Paulo :)


Pois então não havia de prestar, Nuno? :)

Beijos

José M. Barbosa disse...

Texto de Ramalho mto bem escolhido.
A obra de Teixeira Lopes é de facto belíssima.

cristina ribeiro disse...

José, ainda há bocado me dizia o Nuno que é a estátua de que mais gosta em Lisboa; não conhecendo tão bem a cidade, acho que o escultor foi muitíssimo feliz nesta criação.

Júlia Moura Lopes disse...

há tempos, andei feita louco a procurar esta estátua na web e não encontrei!!.

cristina ribeiro disse...

Tirei-a de um livro, Júlia.
Muito bonita...

Nuno Castelo-Branco disse...

É a melhor estátua de Lisboa, a seguir à do Terreiro do Paço que bem merecia ser restaurada e dourada como originalmente.

Anônimo disse...

Atenção que na estátua está escrito: "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diaphano da phantasia".