terça-feira, 6 de maio de 2008

Sai mais uma bolonhesa...

O Governo aprovou hoje medidas de simplificação do acesso ao ensino superior, criando o regime legal de estudante a tempo parcial e permitindo que estudantes e não estudantes frequentem disciplinas avulsas nas diversas instituições.

O diploma hoje aprovado em Conselho de Ministros pretende aprofundar o Processo de Bolonha ao criar "o regime legal de estudante a tempo parcial, permitindo a frequência de disciplinas avulsas por estudantes e não estudantes, apoiando os diplomados estagiários e simplificando no processo de comprovação da titularidade dos graus e diplomas".

Sendo ainda de ressalvar que também os não estudantes podem frequentar disciplinas avulsas em instituições superiores, com a garantia de que lhe serão creditadas caso ingressem num curso superior com essas cadeiras e "em caso de aprovação, de certificação, e ainda de creditação".

O ensino superior deveria ser elitista. Elitista no sentido de criar uma elite culta, informada, estudiosa, que se dedique à academia, pelo menos durante uma pequena parte da sua vida. Os que preferem a profissionalização também têm os politécnicos. A partir de agora vai ser como ir à mercearia: Ora dê-me aí uma cadeira de introdução à gestão de campos de golfe, junte-lhe uma cadeira de introdução à prática desportiva de kayak, ah e já agora introdução a violino, que eu para o ano venho cá fazer a continuação. Se não maçar muito, qualquer coisa sobre direito também seria interessante. E também gosto muito de genética, se houver por aí qualquer coisinha. E inglês técnico que isto hoje em dia quem não sabe inglês é analfabeto. Já agora, qualquer coisa sobre criminalidade forense e também sobre expressão dramática que eu gostava muito de entrar no CSI. E tenho que pagar propinas ou coisa assim? Ah e não tenho faltas pois não? É que essa coisa de assistir a aulas é muito chato. Quando é que me passa o tal do diploma mesmo? É que eu quero muito que me chamem "sôtor" e que os meus cheques do banco tenham o "Dr." antes do nome.

Já agora, nota à parte, estou para ver como é que se pagam propinas fazendo disciplinas avulsas sem se ser estudante. Será que se pode fazer disciplinas avulsas das mais variadas áreas, desde que perfaçam os X créditos necessários para a obtenção do diploma? Nem será necessário alguém matricular-se, basta comprovar, junto de uma qualquer universidade, que já fez os X créditos para lhe passarem o diploma, não sei bem em quê? Espero estar enganado.

Ah como eu gosto de pagar novecentos e tal euros de propinas anualmente e queimar pestanas....

3 comentários:

Joana Dalila Santos disse...

eu também espero que estejas enganado, mas não sei não...

Nuno Castelo-Branco disse...

O ensino superior deveria ser elitista. Elitista no sentido de criar uma elite culta, informada, estudiosa, que se dedique à academia, pelo menos durante uma pequena parte da sua vida. Os que preferem a profissionalização também têm os politécnicos.
Assino por baixo, mas vai a correr dizer isso aos gajinhos...

Samuel de Paiva Pires disse...

Pois Joana, com a quantidade de aberrações que vai pairando no nosso ensino superior, já nada deveria surpreender. Mas este Ministro esmera-se...

Pois Nuno, é o que falta a muito português, passar uns tempinhos fora do país e ver como as coisas funcionam lá fora, para perceber o quão provincianos e mesquinhos somos, até na forma como estruturamos o ensino superior, o tal que deveria ser o centro de conhecimento por excelência...