quinta-feira, 3 de abril de 2008

Caravelas

Acordara bem cedo e , a cada minuto, urgia a mãe : era mister porem-se a caminho de Belém, pois que ouvira dizer que a largada seria bem cedo, e queria arranjar um lugar de onde abarcasse toda a movimentação dos homens que se faziam ao mar...
Chegaram ao Alto do Restelo quando já lá se encontrava muita gente, num bulício que denotava ansiedade. Lá em baixo, na Barra do Tejo, a azáfama era grande.
De repente, um velho que se encontrava ao seu lado começou a vociferar negros vaticínios para aquela empreitada. Assustada, apertou mais a mão da mãe, cruzou os dedos, e rezou para que ele não tivesse razão.

4 comentários:

O Réprobo disse...

Pois o Velho do Restelo é-me profundamente simpático: increpava a mania de não nos contentarmos com o que temos e de escancarar a porta aos inimigos próximos.
Se lhe têm dado ouvidos a tempo, não teria sido necessária a mobilização esgotante para Alcácer Quibir, com os resultados que se conhecem.
Beijo, Querida Cristina

cristina ribeiro disse...

Não acredito que um tão grande amante do desporto, como o Paulo, não seja apologista do "mais longe":)
Claro que tem de se bem calcular o passo a dar, para que ele não seja maior do que a perna...
Não teríamos, então, chegado à Índia;
"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena."
Beijo

Mike disse...

E então Cristina? Ele tinha ou não tinha razão? Bem sei que curiosity killed the cat, mas como não sou gato... (risos).

cristina ribeiro disse...

Mike, concordo com Fernando Pessoa-valeu a pena! O velho não tinha razão.A criança tinha-a :)