quinta-feira, 17 de abril de 2008

Duas visitas à casa de S. Miguel de Seide (2)

"Aqui está o seu Bernardino Ribeiro, o seu Bernardes, o seu António Ferreira...
É verdade- respondeu o conde-Todos amigos velhos e d'aquelles de quem se não receberam nem esperam senão bellos officios".
«Herança de Lágrimas», de Ana Plácido.

Voltei há alguns meses a casa de Camilo, mas agora marcara encontro com Ana Plácido.
Tinha adquirido, havia pouco tempo, os dois romances que publicara com o seu nome- por vezes terá recorrido a pseudónimos-, este e «Luz Cada por Ferros»- e fiquei curiosa por saber mais.
Foi assim que fiquei a saber, primeiro pela guia, depois procurando noutros lugares, tratar-se de uma senhora de razoável cultura literária, cimentada no conhecimento efectivo de autores clássicos, mas também românticos, que traduziu vários romances franceses, e manteve colaboração regular em vários jornais e revistas.
Terá, ainda, sido o braço direito de Camilo, ao prestar-lhe vários serviços na feitura dos seus livros, como a revisão dos textos. Isto para além de lhe ter emprestado os olhos, quando os do escritor começaram a ceder...

7 comentários:

av disse...

A perfeita mulher para um escritor, portanto: amante, interlocutora, revisora e guia!
Um beijinho

Nuno Castelo-Branco disse...

Pois sim, mas também uma autêntica governanta, sempre pronta para lhe aturar os constantes caprichos e mau génio. A minha mãe tem a quem sair... :)

cristina ribeiro disse...

Ana, penso que ela foi tudo isso, mas, como diz o Nuno, não terá tido uma vida nada fácil; bem pelo contrário.A «Herança de Lágrimas» não foi, receio eu, um título escolhido ao calhas...

O Réprobo disse...

Há um livro interessante que o Pai da Cristina tem de certeza, «A Paixão de Camilo»...
Beijo

cristina ribeiro disse...

Vou em busca dele, Paulo
Beijo

av disse...

Não duvido, Cristina e Nuno: eu disse que ela foi a mulher perfeita para Camilo, e não que ele foi o marido perfeito para ela...
E ela merecia-o, depois de tudo o que teve que enfrentar por ele.
Beijinho

cristina ribeiro disse...

Sem dúvida. E terá sido o primeiro a reconhecer tudo aquilo a que ela teve de renunciar por ele, e as contrariedades, de natureza vária, que a esperavam a seu lado.
Uma mulher de fibra!
Beijinho