sábado, 14 de junho de 2008

A loucura temporária do país

Sempre que há um evento internacional de futebol o país entra num processo de loucura colectiva em que todos fingem que 20 marmanjos hiper bem pagos para dar uns pontapés na bola são detentores do destino do país. Tudo pára para prestar atenção a tudo o que é relevante e os cretinos com falta de civismo que andam pelo país aproveitam a situação para dar largas à sua falta de bom senso e educação. Sim bem sei que vão já dizer que é uma opinião preconceituosa do futebol vinda de um intelectual desinteressado mas olhem bem para o que se passa à vossa volta e digam-me se estou enganado – e já agora acho que bem pior são os que se estão a borrifar para a bola mas usam isso como elemento de ligação ao “povo”.

E sim vou cair em mais um cliché e digo-o: é circo para as massas não chatearem muito. A estupidificação colectiva que os media nos vendem nestes dias é de tal ordem que em dias de jogo recuso-me a ver tv portuguesa para não ter que ver entrevistas ao terceiro motorista do autocarro da selecção ou outros altos personagens. O desporto pode e deve ter um lugar numa cultura equilibrada mas estes extremos são manobras políticas cínicas de alienação de uma população empobrecida e cada vez mais embrutecida. Espero que percam em breve para podermos regressar ao mundo real.

6 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Tens razão em tudo o que dizes neste post, mas encaro o desporto - neste caso o futebol - como aquilo que é: desporto. A única nota discordante, consiste na minha posição perante o "problema". Quero que eles voltem para casa o mais tarde possível e de preferência, com um prémio.
Quanto aos políticos, fazem o seu papel e aproveitam a situação, tal como os seus congéneres europeus. Basta ver os jogos dos estrangeiros e deparar com primeiros ministros, etc. Ora, se até o Loucã "amanda uns bitaites" quanto ao Benfica...

Pedro Fontela disse...

E o que ganhamos todos com o eventual trofeu além de mais um periodo de euforia artificial e alienadora?

CARLOS VEIGA - PSICÓLOGO disse...

Muito bem analisado...
Penso exactamente a mesma coisa!
Se fossemos depender dos media portugueses neste momento, não seriamos mais que meras criaturas estranhas, alienadas e estupidificadas. Penso que tem de haver de facto um equilíbrio... mas em terras onde o Pão, vinho, futebol e fátima são tudo! O que se poderá fazer?!

Anônimo disse...

Também prefiro que a taça venha para cá. E pelo que a tv mostra, somos tão alienados como os holandeses, alemães, espanhóis ou franceses. Qual é a diferença? O masoquismo?
Pedro Matias

Pedro Fontela disse...

Carlos Veiga,

Eu já faço a minha parte, boicoto tudo o que se relaciona com este circo e se toda a gente que discorda também se abstiver pelo menos reduzimos o estrago da alienação.


Pedro Matias,

Sem querer parecer egoista mas... com os males dos outros posso eu bem...

CARLOS VEIGA - PSICÓLOGO disse...

Caro Pedro Matias, é verdade que o Euro é um fenómeno de massas, mas não estou de acordo quando meu diz que os holandeses e franceses sejam tão alienados como nós...ou como a nossa comunicação social! Não me refiro à mera alienação por parte das "massas", mas aquilo que considero grave... aos meios de comunicação portugueses, sobretudo ao serviço público! É de uma pobreza de espírito constrangedora!!! Não me vai dizer que se mantém a par do que se vai passando no nosso mundo simplesmente através daquilo que nos vão dando cá?! Basta comprar um jornal português, ou mais evidente ainda, ligar um qualquer canal de tv portuguesa para perceber o que digo! E claro, depois a procura de alternativas depende sempre de cada um, em grande medida do espírito crítico...

Caro Pedro Fontela, estou consigo e penso exactamente da mesma forma!
É verdade que com os males dos outros podemos nós, e realmente não temos que pensar sempre de uma forma "provinciana", o que é muito típico cá! Se outros na europa o fazem então é bom que o façamos!
Apesar de tudo penso que as pessoas já vão estando mais atentas a este tipo de situações, já não somos propriamente o país que eramos à 30 anos atrás!
Não é que não goste de futebol, mas há limites, chega a ser uma ofensa à inteligência das pessoas o que se passa, sobretudo na tv em Portugal!

Saudações!