segunda-feira, 16 de junho de 2008

Histórias que a minha mãe conta

Era por esta altura do ano, quando o linho tinha sido já "arrincado" e ripado, que, com as amigas, fugia à minha avó, e às tarefas de casa, para se juntar ao cortejo festivo que levava as plantas de flor azul ao rio, a "enterrar".
Leio n«Os Mesteres de Guimarães»: " Quando o carrego é a preceito, vai o jugo dos bois enfeitado, e a carrada tem seu ar de festa.
No alto, por sobre os molhos de linho, ergue-se um ramo de oliveira, com flores, que é obra da moçarada de saias. Sim, porque as raparigas também vão á "enterra".
À dianteira vai a tocada, com tamboril, ferrinhos viola e armónica" (e cavaquinho, acrescenta a minha mãe)." É de ver que havendo viola e mulheres há cantadoria e dança.
Feita com as enxadas a cama ao linho, na areia lavada do rio, aí o enterram".

Mas a festa continuava quinze dias depois, quando se "erguia" o linho, para que ele secasse "à torreira do sol"....

4 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Bela foto, Cristina!

Cristina Ribeiro disse...

A da minha mãe, Nuno? Obrigada.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Para que não haja equívocos: gostei do post! gosto de gente com memória, que não vê na História um desperdício de tempo. Obrigado pelas memórias que nos traz

Cristina Ribeiro disse...

Obrigada, Carlos.