terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Eu recebi a Declaração Unilateral de Independência do Kosovo no e-mail!!
Hi everyone, Just wanted to thank all countries that made this dream come true.We are very happy for declaring the independece and we hope that other states like Albania, US, Frace, UK etc will recognise it as soon as possible. Again, Thank you all for your support.
Regards, D_____ from Kosova
Não resisti
Bem que coloquei no post abaixo o link para o post do Ricardo Brilhante, mas não resisti a deixar aqui a imagem da sede de campanha de Obama em Houston. Parece que já estou a ver a esquerdalhada a ter espasmos de alegria. Ora pode ser que agora camarada Obama já não pareça tão atraente para os conservadores. Sem mais, cá vai:
Sugestões de leitura
Era mesmo deste exemplo que estávamos a precisar, Francisco Mendes da Silva in 31 da Armada.
Ó descendentes de Beresford tremei: chegou a hora da nossa vingança!, Helena Matos in Blasfémias.
Por obséquio, Helena Matos in Blasfémias.
Se é Impossível, Há-de-se Fazer, Demokrata in Demokratia.
São estes os professores que temos? Não acredito!, Tomás Vasques in Hoje há Conquilhas.
Obama + Che, Ricardo Brilhante in Fiel Inimigo.
Radicais, O-Lidador in Fiel Inimigo.
Retrato de um país, Rui Castro in Incontinentes Verbais.
Sócrates Irritado - Isso não é bonito, Lobo da Gardunha in O Andarilho.
Sete Pecados e Duas Caras, Paulo Pinto Mascarenhas in Revista Atlântico.
Ó descendentes de Beresford tremei: chegou a hora da nossa vingança!, Helena Matos in Blasfémias.
Por obséquio, Helena Matos in Blasfémias.
Se é Impossível, Há-de-se Fazer, Demokrata in Demokratia.
São estes os professores que temos? Não acredito!, Tomás Vasques in Hoje há Conquilhas.
Obama + Che, Ricardo Brilhante in Fiel Inimigo.
Radicais, O-Lidador in Fiel Inimigo.
Retrato de um país, Rui Castro in Incontinentes Verbais.
Sócrates Irritado - Isso não é bonito, Lobo da Gardunha in O Andarilho.
Sete Pecados e Duas Caras, Paulo Pinto Mascarenhas in Revista Atlântico.
Sobre a famosa Central de Bloggers
Foi em Outubro de 2007 que decidi iniciar este blog, como se pode aferir pelos arquivos, quando ainda conhecia muito pouco da blogosfera lusa pelo que a pouco e pouco fui pesquisando, navegando, linkando e comentando nos diversos blogs.
Na altura linkei um blog onde escreve um tal de Miguel Abrantes, o Câmara Corporativa. Não me recordo bem quando, mas a dada altura estalou uma polémica entre este e o Francisco Almeida Leite. Dei uma vista de olhos mais demorada pela Câmara Corporativa e rapidamente concluí que de facto algo de estranho se passava visto que apenas lambiam as botas ao governo e deixavam intocáveis assuntos controversos. Logo de seguida retirei o link e deixei de o visitar.
Ainda nada havia dito sobre o assunto, até porque pouco ou nada tenho a dizer. Apenas noto que este assunto está a ganhar uma notoriedade desmesurada na blogosfera, pelo que se deve prosseguir até às últimas consequências se de facto se demonstrar que aquele é um blog mantido por assessores do governo que, pela assiduidade e actualidade dos posts, a ele devem dedicar grande parte do seu tempo, pago pelo erário público.
Não sou a favor da intromissão de um qualquer tipo de regulamentação na blogosfera, um espaço onde ainda somos livres para exprimir o que normalmente não nos é permitido, mas medidas há que podem ser tomadas para aferir sobre esta situação, pelo que em nome pessoal exprimo a minha solidariedade a um qualquer tipo de movimento na blogosfera que pretenda levar o caso até às últimas consequências. Num país sério isto seria digno de causar uma profunda indignação a todos os que pagam os seus impostos.
Por ora o Francisco relata-nos uma preocupante situação que envolve o Eduardo Pitta e o João Gonçalves. Ficamos a aguardar cenas dos próximos capítulos, enquanto ainda não sabemos se terá ou não um final feliz.
Na altura linkei um blog onde escreve um tal de Miguel Abrantes, o Câmara Corporativa. Não me recordo bem quando, mas a dada altura estalou uma polémica entre este e o Francisco Almeida Leite. Dei uma vista de olhos mais demorada pela Câmara Corporativa e rapidamente concluí que de facto algo de estranho se passava visto que apenas lambiam as botas ao governo e deixavam intocáveis assuntos controversos. Logo de seguida retirei o link e deixei de o visitar.
Ainda nada havia dito sobre o assunto, até porque pouco ou nada tenho a dizer. Apenas noto que este assunto está a ganhar uma notoriedade desmesurada na blogosfera, pelo que se deve prosseguir até às últimas consequências se de facto se demonstrar que aquele é um blog mantido por assessores do governo que, pela assiduidade e actualidade dos posts, a ele devem dedicar grande parte do seu tempo, pago pelo erário público.
Não sou a favor da intromissão de um qualquer tipo de regulamentação na blogosfera, um espaço onde ainda somos livres para exprimir o que normalmente não nos é permitido, mas medidas há que podem ser tomadas para aferir sobre esta situação, pelo que em nome pessoal exprimo a minha solidariedade a um qualquer tipo de movimento na blogosfera que pretenda levar o caso até às últimas consequências. Num país sério isto seria digno de causar uma profunda indignação a todos os que pagam os seus impostos.
Por ora o Francisco relata-nos uma preocupante situação que envolve o Eduardo Pitta e o João Gonçalves. Ficamos a aguardar cenas dos próximos capítulos, enquanto ainda não sabemos se terá ou não um final feliz.
Ele há coisas
Pelo Dragão, a quem expresso um agradecimento pela referência:
«Grandes reservas de petróleo descobertas no norte da Albânia.»
Será por isto que os Américas gostam tanto dos albananeses?
Mas não só.
«Grandes reservas de petróleo descobertas no norte da Albânia.»
Será por isto que os Américas gostam tanto dos albananeses?
Mas não só.
Tempestades e cheias - a minha experiência contada na 3.ª pessoa
Mais um fatídico dia de trabalho havia passado. Chega a casa pela 1h da manhã e, como habitual, liga o portátil. Verifica os e-mails, continua o projecto de actualização do design do blog. Com os Sony MDR V-500 nos ouvidos escutava o álbum de remisturas lounge de Tom Jobim. Nisto, são 4h da manhã quando pelas frestas nos estores da janela do quarto que dá para a Rua de Macau nota um raio de luz branca que subconscientemente ignora. Pouco depois toda a casa estremece, e dá um salto da cadeira. A água precipita-se de forma incessante enquanto uma forte trovoada continua a fazer estremecer a casa.
Com um simples clique de rato interrompe a música. Retira os auscultadores para ir à casa-de-banho e nota um qualquer barulho intermitente como o bater de dedos numa mesa de madeira. Olha para o lado, nada. Olha para cima e vê o impensável: uma infiltração entre a madeira da janela e a parede. Azar dos azares, estava a pingar directamente em cima do antiquado monitor CRT de 15 polegadas que está ligado ao desktop, também logo por baixo. Apressadamente retira o monitor, a torre, a mesa de mistura, rato, teclado, livros, papéis, cds, e coloca-os na outra ponta do quarto. Percorre a casa numa desenfreada busca por alguidares que permitam recolher a água. Limpa o que é possível. A chuva pára. Vai dormir tentando não pensar muito no assunto.
Acorda no dia seguinte, e arruma tudo novamente. Aponta um secador de cabelo durante alguns minutos em redor dos orifícios do monitor.
Liga tudo. A torre está ok, a mesa de mistura também, o rato e teclado também. O monitor exibe uns riscos na diagonal e a imagem está completamente branca exibindo pontos com marcas como se estivesse queimado.
Ele sabe que há quem tenha tido prejuízos avultados com imóveis completamente inundados e automóveis submersos, bem mais prementes que a sua simples e egoísta preocupação. Mas ainda assim pensa, "e agora quem me vai pagar o prejuízo?"
A senhoria fala com o administrador de condomínio que diz que não tem nada a ver com isso e que não tem culpa que os senhores do 3.º andar não deixem lá entrar ninguém para fazer obras. Esses comprometeram-se a limpar os canais de escoamento de águas. Não o fizeram e os excrementos dos pombos entupiram os canais. Nos diversos andares do prédio ocorreu o mesmo, infiltrações entre a madeira das janelas e a parede.
Ocorre-lhe que de facto o português é o expoente da chico-espertice e que tem uma imensa aversão a responsabilidades, como bem demonstra o fenómeno da fuga aos impostos. A Lei a pouco ou nada obriga, e as reuniões de condomínios também pouco ou nada resolvem.
Pensa que não dormiria descansado se acaso tivesse culpa ou responsabilidade no prejuízo imputado a alguém, que logo tentaria minorar, até porque é apologista de que devemos sempre enfrentar as consequências dos nossos actos, e não tentar imputá-los a outros ou imiscuir-nos de responsabilidades.
Já assim o fez diversas vezes, como quando perdeu o Código Civil que uma colega de faculdade lhe havia emprestado. Apresentou-se perante essa com o semblante carregado e tentando desculpar-se pelo sucedido, que a mesma colega desdramatizou. Logo a ressarciu do prejuízo com o valor pecuniário do mesmo.
Nos empregos ou trabalhos por que passou sempre que cometeu algum erro apressou-se a assumi-lo para que pudesse o mais rapidamente ser colmatado sem prejuízos de maior para a entidade patronal, e quando responsável por estagiários ou colegas sempre os tentou fazer compreender que assim deveriam fazer para evitar que tivessem mais trabalho com algo que era inicialmente simples.
É neto de um cavalheiro como já há poucos, alguém que sempre viveu como pensa para evitar pensar como vive, e que talvez por isso não viva hoje tão bem como poderia se tivesse também enveredado pela chico-espertice típica do português, de que também ele tantas vezes foi vitíma. O avô materno que infuencia a sua personalidade de tal ponto que a própria mãe lhe chegou a dizer que "gostas mais do teu avô do que de mim".
Esse avô que ainda há pouco tempo quando regressava das compras deixou cair uma garrafa de azeite que se partiu na via pública de uma pequena vila. Como bom sagitário perfeccionista, tal como o neto, logo ficou irritado consigo próprio e dirigiu-se apressadamente a casa para deixar as restantes compras, enquanto a preocupação lhe assolava a cabeça "se ali cai alguém terei que imediatamente pedir desculpa e agir se necessitar de ajuda médica".
Apressou-se a regressar, pronto a ficar junto do azeite derramado no passeio e indicar às pessoas que passassem por ali para contornarem o local, enquanto pelo caminho pensava numa forma de resolver a situação, pois limpar azeite de calçada portuguesa é coisa pouco fácil. Não foi necessário, o lojista em frente do local do sucedido, por sinal presidente da junta de freguesia, já havia ligado aos funcionários a pedir que ali colocassem cal para secar o líquido e descansou-o, não sem que antes se desculpasse pelo sucedido e expressasse um sentido agradecimento pela rápida acção tomada.
Este é um exemplo de um traço de personalidade directamente herdado pelo neto.
Lamenta que os outros não se pautem pelo mesmo.
Neste país nunca ninguém tem responsabilidade por nada.
P.S. - Acontecimento narrado na 3.ª pessoa por alguém que tentou não pensar muito no sucedido e que desta forma ainda acha ilusoriamente que foi ficção. Vai voltar a ligar o monitor e esse há-de funcionar. Ou não.
Com um simples clique de rato interrompe a música. Retira os auscultadores para ir à casa-de-banho e nota um qualquer barulho intermitente como o bater de dedos numa mesa de madeira. Olha para o lado, nada. Olha para cima e vê o impensável: uma infiltração entre a madeira da janela e a parede. Azar dos azares, estava a pingar directamente em cima do antiquado monitor CRT de 15 polegadas que está ligado ao desktop, também logo por baixo. Apressadamente retira o monitor, a torre, a mesa de mistura, rato, teclado, livros, papéis, cds, e coloca-os na outra ponta do quarto. Percorre a casa numa desenfreada busca por alguidares que permitam recolher a água. Limpa o que é possível. A chuva pára. Vai dormir tentando não pensar muito no assunto.
Acorda no dia seguinte, e arruma tudo novamente. Aponta um secador de cabelo durante alguns minutos em redor dos orifícios do monitor.
Liga tudo. A torre está ok, a mesa de mistura também, o rato e teclado também. O monitor exibe uns riscos na diagonal e a imagem está completamente branca exibindo pontos com marcas como se estivesse queimado.
Ele sabe que há quem tenha tido prejuízos avultados com imóveis completamente inundados e automóveis submersos, bem mais prementes que a sua simples e egoísta preocupação. Mas ainda assim pensa, "e agora quem me vai pagar o prejuízo?"
A senhoria fala com o administrador de condomínio que diz que não tem nada a ver com isso e que não tem culpa que os senhores do 3.º andar não deixem lá entrar ninguém para fazer obras. Esses comprometeram-se a limpar os canais de escoamento de águas. Não o fizeram e os excrementos dos pombos entupiram os canais. Nos diversos andares do prédio ocorreu o mesmo, infiltrações entre a madeira das janelas e a parede.
Ocorre-lhe que de facto o português é o expoente da chico-espertice e que tem uma imensa aversão a responsabilidades, como bem demonstra o fenómeno da fuga aos impostos. A Lei a pouco ou nada obriga, e as reuniões de condomínios também pouco ou nada resolvem.
Pensa que não dormiria descansado se acaso tivesse culpa ou responsabilidade no prejuízo imputado a alguém, que logo tentaria minorar, até porque é apologista de que devemos sempre enfrentar as consequências dos nossos actos, e não tentar imputá-los a outros ou imiscuir-nos de responsabilidades.
Já assim o fez diversas vezes, como quando perdeu o Código Civil que uma colega de faculdade lhe havia emprestado. Apresentou-se perante essa com o semblante carregado e tentando desculpar-se pelo sucedido, que a mesma colega desdramatizou. Logo a ressarciu do prejuízo com o valor pecuniário do mesmo.
Nos empregos ou trabalhos por que passou sempre que cometeu algum erro apressou-se a assumi-lo para que pudesse o mais rapidamente ser colmatado sem prejuízos de maior para a entidade patronal, e quando responsável por estagiários ou colegas sempre os tentou fazer compreender que assim deveriam fazer para evitar que tivessem mais trabalho com algo que era inicialmente simples.
É neto de um cavalheiro como já há poucos, alguém que sempre viveu como pensa para evitar pensar como vive, e que talvez por isso não viva hoje tão bem como poderia se tivesse também enveredado pela chico-espertice típica do português, de que também ele tantas vezes foi vitíma. O avô materno que infuencia a sua personalidade de tal ponto que a própria mãe lhe chegou a dizer que "gostas mais do teu avô do que de mim".
Esse avô que ainda há pouco tempo quando regressava das compras deixou cair uma garrafa de azeite que se partiu na via pública de uma pequena vila. Como bom sagitário perfeccionista, tal como o neto, logo ficou irritado consigo próprio e dirigiu-se apressadamente a casa para deixar as restantes compras, enquanto a preocupação lhe assolava a cabeça "se ali cai alguém terei que imediatamente pedir desculpa e agir se necessitar de ajuda médica".
Apressou-se a regressar, pronto a ficar junto do azeite derramado no passeio e indicar às pessoas que passassem por ali para contornarem o local, enquanto pelo caminho pensava numa forma de resolver a situação, pois limpar azeite de calçada portuguesa é coisa pouco fácil. Não foi necessário, o lojista em frente do local do sucedido, por sinal presidente da junta de freguesia, já havia ligado aos funcionários a pedir que ali colocassem cal para secar o líquido e descansou-o, não sem que antes se desculpasse pelo sucedido e expressasse um sentido agradecimento pela rápida acção tomada.
Este é um exemplo de um traço de personalidade directamente herdado pelo neto.
Lamenta que os outros não se pautem pelo mesmo.
Neste país nunca ninguém tem responsabilidade por nada.
P.S. - Acontecimento narrado na 3.ª pessoa por alguém que tentou não pensar muito no sucedido e que desta forma ainda acha ilusoriamente que foi ficção. Vai voltar a ligar o monitor e esse há-de funcionar. Ou não.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
As Cheias e o País verdadeiramente... sentido
Só nos faltava mais esta... estava eu a matar o tempo e a ouvir um interessante debate/programa de pseudo informação no canal 1 da RTP quando me deparo com a seguinte afirmação:" a culpa das cheias tem a ver com os erros urbanísticos cometidos na dec. de 60 em Portugal"...
Ó meus amigos vamos lá ver se nos entendemos: o antigo regime já acabou há mais de 30 anos, o êxodo dos meios pequenos e das cidades do interior para o litoral aconteceu (na sua maior parte) a partir da déc. de 80, a corrupção do Poder Autárquico é um fenómeno do pós 25 de Abril (quem não teve já experiências interessantes/desgastantes com serviços camarários...), as construções selvagens em betão por todo o lado aconteceram nos finais da déc 70 e princípio dos anos 80, o lobby das empresas de betão surgiu com o crescimento desenfreado das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o fim do verdadeiro mercado de arrendamento de habitação surgiu quando?!! ... então expliquem lá o que é que o antigo regime tem a ver com isto??
Há mais de 20 anos que ouço o Engº Ribeiro Telles dizer: não construam em linhas de água nem em terrenos agrícolas, a construção não pode ser só betão ... Então este homem não é do antigo regime?! Este homem não nos anda a avisar há anos?! Pois é mas nunca o quisemos ouvir nem ler os conselhos que escreveu enquanto vereador da CML. É uma vergonha esta geração de políticos não assumir a falta de preparação para o exercício de poder, e pior, não assumir que não é capaz porque em tempo não se preparou o suficiente e passa mais tempo a fazer marketing politico, para enganar populações e sustentar o regime.
Sinceramente esperava mais, sobretudo que esta geração assumisse os erros que cometeu e desta forma evitasse que as asneiras se perpetuem, e melhor ainda, concluírem que o exercício de poder e a prática politica nacional com base no princípio do verdadeiro interesse nacional não está ao alcance de todos! Populações desalojadas, mortes, interrupção de ligações entre o Norte e Sul de um país com 500 km após umas chuvas, é uma anedota!
O Estado devia estar, hoje, verdadeiramente sentido! Mais, dizerem que isto ainda é o resultado de práticas de planeamento do território do anterior regime só pode ser uma piada de muito mau gosto, sobretudo para as vítimas, sim porque nestes debates das vítimas ninguém fala, nem ninguém quer saber... mais uma vez a culpa vai morrer solteiríssima! Deixem lá o antigo regime em paz! Já morreu e está enterradissimo!
Façam o que vos compete, governem bem e com sentido, e parem com esta propaganda medíocre. É que o país está verdadeiramente... sentido!
Ó meus amigos vamos lá ver se nos entendemos: o antigo regime já acabou há mais de 30 anos, o êxodo dos meios pequenos e das cidades do interior para o litoral aconteceu (na sua maior parte) a partir da déc. de 80, a corrupção do Poder Autárquico é um fenómeno do pós 25 de Abril (quem não teve já experiências interessantes/desgastantes com serviços camarários...), as construções selvagens em betão por todo o lado aconteceram nos finais da déc 70 e princípio dos anos 80, o lobby das empresas de betão surgiu com o crescimento desenfreado das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o fim do verdadeiro mercado de arrendamento de habitação surgiu quando?!! ... então expliquem lá o que é que o antigo regime tem a ver com isto??
Há mais de 20 anos que ouço o Engº Ribeiro Telles dizer: não construam em linhas de água nem em terrenos agrícolas, a construção não pode ser só betão ... Então este homem não é do antigo regime?! Este homem não nos anda a avisar há anos?! Pois é mas nunca o quisemos ouvir nem ler os conselhos que escreveu enquanto vereador da CML. É uma vergonha esta geração de políticos não assumir a falta de preparação para o exercício de poder, e pior, não assumir que não é capaz porque em tempo não se preparou o suficiente e passa mais tempo a fazer marketing politico, para enganar populações e sustentar o regime.
Sinceramente esperava mais, sobretudo que esta geração assumisse os erros que cometeu e desta forma evitasse que as asneiras se perpetuem, e melhor ainda, concluírem que o exercício de poder e a prática politica nacional com base no princípio do verdadeiro interesse nacional não está ao alcance de todos! Populações desalojadas, mortes, interrupção de ligações entre o Norte e Sul de um país com 500 km após umas chuvas, é uma anedota!
O Estado devia estar, hoje, verdadeiramente sentido! Mais, dizerem que isto ainda é o resultado de práticas de planeamento do território do anterior regime só pode ser uma piada de muito mau gosto, sobretudo para as vítimas, sim porque nestes debates das vítimas ninguém fala, nem ninguém quer saber... mais uma vez a culpa vai morrer solteiríssima! Deixem lá o antigo regime em paz! Já morreu e está enterradissimo!
Façam o que vos compete, governem bem e com sentido, e parem com esta propaganda medíocre. É que o país está verdadeiramente... sentido!
Kosovo, um trono esquecido, ou a impotência europeia
No início de 2007, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia, propunha aos seus concidadãos, a imediata proclamação parlamentar da monarquia no país. Na sua opinião, consistiria na derradeira barreira a opor à total desintegração do conjunto territorial e nuclear sérvio. A restauração susceptibilizaria a reorganização numa base descentralizadora do Estado, criaria autonomias aceites por todos e teria talvez impedido a secessão montenegrina. O regresso aos mastros, da bandeira da Sérvia de 1914, parecia indicar a viabilização de uma proposta que coincidia também, com a de largos sectores da opinião pública moderada. Quem hoje tenha por hábito contactar com sérvios através da web, conclui que na opinião daqueles, existiram fortíssimas pressões por parte da cúpula da U.E., para que tal solução não fosse consagrada constitucionalmente. Os acontecimentos de ontem, talvez expliquem o porquê de certas oposições euro-americanas.
Há exactamente cem anos, a Sérvia surgia como um importante peão no jogo de influências de duas das grandes potências europeias, a Rússia e a Áustria-Hungria. Se a Roménia pertencia de jure à órbita austro-alemã, a Bulgária e a Sérvia, recentemente libertadas do domínio otomano, tendiam a favorecer os interesses de S. Petersburgo: eram dois reinos eslavos e cristãos-ortodoxos. Todo o longo processo de independência do jugo turco, tinha contado com o firme apoio dos exércitos czaristas, ao mesmo tempo que os austríacos participavam na corrida aos despojos, recebendo a tutela da Bósnia-Herzegovina, anexada já no alvorecer do século XX. Existia um tácito acordo de partilha de áreas de influência, mas o nacionalismo sérvio, após a vitoriosa guerra balcânica de 1913, desafiou abertamente Viena, ao incentivar os movimentos irredentistas na província, que para o Estado-Maior austríaco, consistia nos chamados confins militares do Império, ou seja, a sua zona de segurança.
A história é conhecida e o atentado de Serajevo desencadeou a Grande Guerra, da qual a Sérvia saiu vencedora e engrandecida, com o nome de Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, posteriormente baptizado de Jugoslávia (Grande Eslávia)+++. Um extremo engrandecimento territorial, que amalgamou no novel Estado, populações tão diversas como eslovenos, croatas, húngaros, romenos, alemães, albaneses, sérvios, búlgaros, macedónios ou gregos. A principal razão invocada para a destruição do conjunto austro-húngaro - a chamada "Prisão dos Povos -, caía por terra, quando os diversos tratados de paz conhecidos com o nome de Versalhes (Versalhes, Trianon, Neully e St. Germain), criou fracas réplicas do secular império dos Habsburgo. Desde cedo, a Jugoslávia tornou-se num dos pilares em que assentava a organização político-militar de segurança da França, juntando-se à Checoslováquia e à engrandecida Roménia, numa chamada Pequena Entente, que viabilizava uma hipotética segunda frente contra um renascido revanchismo alemão.
A difícil conjuntura económica e política dos anos vinte, o agressivo nacionalismo ustachi croata e a ascensão dos regimes autoritários na Itália, Roménia, Hungria, Grécia e Bulgária, tiveram em Belgrado e reflexivamente, uma resposta no sentido ditatorial. Após o putsch nacionalista de apoio à monarquia do rei Pedro II (Março de 1941), o III Reich considerou-o casus belli e a invasão do reino ditou o fim da sua unidade. A Eslovénia foi partilhada pela Itália e pela Alemanha, enquanto os húngaros recebiam territórios outrora pertencentes à coroa de Santo Estêvão, a Batchka e a Voivodina. Uma Grande Croácia - compreendendo uma parte substancial da Bósnia-Herzegovina - surgia erigida em reino, sob a aparente soberania de Aymon de Sabóia, duque de Espoleto, mas de facto sob a férrea autoridade do dr. Ante Pavelic. A sua satelitização ao Eixo Roma-Berlim, ditou a eclosão de uma guerra sem quartel com os partisans maioritariamente sérvios, de Tito.
Enquanto a Bulgária participava na partilha ao ocupar a Macedónia, o reino albanês que tinha Vítor Manuel III de Itália como soberano (1939), anexava as minorias albanesas do Kosovo e da Macedónia ocidental.
A derrota do Eixo e o avanço soviético, implicaram o surgimento de uma república socialista da Jugoslávia, sob a liderança de Tito, um croata que baseou o seu poder no predomínio sérvio sobre o conjunto territorial do Estado. A sua morte e o longo período de indefinição na sucessão, agravados pela queda dos regimes comunistas em toda a Europa central e de leste, ditaram o fim do estado federal. A Eslovénia e a Croácia separaram-se, beneficiando da precipitação calculada da Alemanha que reconheceu unilateralmente as independências. A guerra generalizou-se, consagrando, devido a intervenção internacional, a divisão do país em múltiplos Estados. A Sérvia foi a principal prejudicada, porque não tendo conseguido manter as fronteiras anteriores a 1914 - perdeu a Macedónia -, viu escapar do seu controle as importantes e fronteiriças minorias sérvias da Bósnia-Herzegovina (a chamada república Sprska). A perda do Kosovo, ancestral berço do nacionalismo, foi considerada como hipótese intolerável.
O jogo de poderes entre as grandes potências - os EUA e a Rússia -, a fraqueza e pusilanimidade da UE, e o exacerbar dos nacionalismos numa região onde a definição de fronteiras é caótica e impossível, ditaram uma permanente instabilidade regional, tão mais perigosa, porque serve de referência para outros casos semelhantes e próximos (húngaros da Transilvânia romena, russos da Transnístria moldava, ou húngaros do sul da Eslováquia). Na própria Europa comunitária, existem numerosos casos de potencial conflituosidade, como o basco, catalão e galego em Espanha, o basco e corso em França, o tirolês do sul na Itália, ou a disputa Flandres-Valónia na Bélgica, entre muitos outros. O Kosovo, tornou-se talvez, no rastilho que dará origem a previsíveis e bem localizáveis conflitos em Estados com fronteiras há muito definidas.
O caminho natural para a secessão kosovar, seria decerto, a sua integração numa Grande Albânia, tal como aconteceu em 1941. No entanto, o papel dos Estados Unidos não é negligenciável. No momento em que os norte-americanos procuram aliados num mundo muçulmano que lhes é tradicionalmente hostil, o apoio à independência do Kosovo, é um nítido sinal de boa vontade, angariação de simpatias e consolidação da sua influência na área dos países produtores de petróleo no Médio Oriente. Os EUA nada têm a perder e a declaração do presidente em exercício do Conselho de Segurança da ONU, atribuindo a gestão do problema à "Europa", indicia uma potencial clivagem - de consequências imprevisíveis - dentro da própria UE.
A tradicional neutralidade portuguesa nos conflitos continentais, deverá ser mantida e o alheamento desta "causa", serve perfeitamente os nossos interesses com ambos os contendores, os atlantistas e os continentais. Portugal deve manter-se afastado do chamado barril de pólvora balcânico e dar preferência de intervenção, em áreas mais consentâneas com a defesa dos nossos interesses nacionais mais directos. Timor Leste é um exemplo, entre outros.
Há um ano, a restauração de um trono em Belgrado, teria possivelmente simplificado o advento de uma solução regionalista. Hoje, parece apenas mais uma oportunidade perdida.
Há exactamente cem anos, a Sérvia surgia como um importante peão no jogo de influências de duas das grandes potências europeias, a Rússia e a Áustria-Hungria. Se a Roménia pertencia de jure à órbita austro-alemã, a Bulgária e a Sérvia, recentemente libertadas do domínio otomano, tendiam a favorecer os interesses de S. Petersburgo: eram dois reinos eslavos e cristãos-ortodoxos. Todo o longo processo de independência do jugo turco, tinha contado com o firme apoio dos exércitos czaristas, ao mesmo tempo que os austríacos participavam na corrida aos despojos, recebendo a tutela da Bósnia-Herzegovina, anexada já no alvorecer do século XX. Existia um tácito acordo de partilha de áreas de influência, mas o nacionalismo sérvio, após a vitoriosa guerra balcânica de 1913, desafiou abertamente Viena, ao incentivar os movimentos irredentistas na província, que para o Estado-Maior austríaco, consistia nos chamados confins militares do Império, ou seja, a sua zona de segurança.
A história é conhecida e o atentado de Serajevo desencadeou a Grande Guerra, da qual a Sérvia saiu vencedora e engrandecida, com o nome de Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, posteriormente baptizado de Jugoslávia (Grande Eslávia)+++. Um extremo engrandecimento territorial, que amalgamou no novel Estado, populações tão diversas como eslovenos, croatas, húngaros, romenos, alemães, albaneses, sérvios, búlgaros, macedónios ou gregos. A principal razão invocada para a destruição do conjunto austro-húngaro - a chamada "Prisão dos Povos -, caía por terra, quando os diversos tratados de paz conhecidos com o nome de Versalhes (Versalhes, Trianon, Neully e St. Germain), criou fracas réplicas do secular império dos Habsburgo. Desde cedo, a Jugoslávia tornou-se num dos pilares em que assentava a organização político-militar de segurança da França, juntando-se à Checoslováquia e à engrandecida Roménia, numa chamada Pequena Entente, que viabilizava uma hipotética segunda frente contra um renascido revanchismo alemão.
A difícil conjuntura económica e política dos anos vinte, o agressivo nacionalismo ustachi croata e a ascensão dos regimes autoritários na Itália, Roménia, Hungria, Grécia e Bulgária, tiveram em Belgrado e reflexivamente, uma resposta no sentido ditatorial. Após o putsch nacionalista de apoio à monarquia do rei Pedro II (Março de 1941), o III Reich considerou-o casus belli e a invasão do reino ditou o fim da sua unidade. A Eslovénia foi partilhada pela Itália e pela Alemanha, enquanto os húngaros recebiam territórios outrora pertencentes à coroa de Santo Estêvão, a Batchka e a Voivodina. Uma Grande Croácia - compreendendo uma parte substancial da Bósnia-Herzegovina - surgia erigida em reino, sob a aparente soberania de Aymon de Sabóia, duque de Espoleto, mas de facto sob a férrea autoridade do dr. Ante Pavelic. A sua satelitização ao Eixo Roma-Berlim, ditou a eclosão de uma guerra sem quartel com os partisans maioritariamente sérvios, de Tito.
Enquanto a Bulgária participava na partilha ao ocupar a Macedónia, o reino albanês que tinha Vítor Manuel III de Itália como soberano (1939), anexava as minorias albanesas do Kosovo e da Macedónia ocidental.
A derrota do Eixo e o avanço soviético, implicaram o surgimento de uma república socialista da Jugoslávia, sob a liderança de Tito, um croata que baseou o seu poder no predomínio sérvio sobre o conjunto territorial do Estado. A sua morte e o longo período de indefinição na sucessão, agravados pela queda dos regimes comunistas em toda a Europa central e de leste, ditaram o fim do estado federal. A Eslovénia e a Croácia separaram-se, beneficiando da precipitação calculada da Alemanha que reconheceu unilateralmente as independências. A guerra generalizou-se, consagrando, devido a intervenção internacional, a divisão do país em múltiplos Estados. A Sérvia foi a principal prejudicada, porque não tendo conseguido manter as fronteiras anteriores a 1914 - perdeu a Macedónia -, viu escapar do seu controle as importantes e fronteiriças minorias sérvias da Bósnia-Herzegovina (a chamada república Sprska). A perda do Kosovo, ancestral berço do nacionalismo, foi considerada como hipótese intolerável.
O jogo de poderes entre as grandes potências - os EUA e a Rússia -, a fraqueza e pusilanimidade da UE, e o exacerbar dos nacionalismos numa região onde a definição de fronteiras é caótica e impossível, ditaram uma permanente instabilidade regional, tão mais perigosa, porque serve de referência para outros casos semelhantes e próximos (húngaros da Transilvânia romena, russos da Transnístria moldava, ou húngaros do sul da Eslováquia). Na própria Europa comunitária, existem numerosos casos de potencial conflituosidade, como o basco, catalão e galego em Espanha, o basco e corso em França, o tirolês do sul na Itália, ou a disputa Flandres-Valónia na Bélgica, entre muitos outros. O Kosovo, tornou-se talvez, no rastilho que dará origem a previsíveis e bem localizáveis conflitos em Estados com fronteiras há muito definidas.
O caminho natural para a secessão kosovar, seria decerto, a sua integração numa Grande Albânia, tal como aconteceu em 1941. No entanto, o papel dos Estados Unidos não é negligenciável. No momento em que os norte-americanos procuram aliados num mundo muçulmano que lhes é tradicionalmente hostil, o apoio à independência do Kosovo, é um nítido sinal de boa vontade, angariação de simpatias e consolidação da sua influência na área dos países produtores de petróleo no Médio Oriente. Os EUA nada têm a perder e a declaração do presidente em exercício do Conselho de Segurança da ONU, atribuindo a gestão do problema à "Europa", indicia uma potencial clivagem - de consequências imprevisíveis - dentro da própria UE.
A tradicional neutralidade portuguesa nos conflitos continentais, deverá ser mantida e o alheamento desta "causa", serve perfeitamente os nossos interesses com ambos os contendores, os atlantistas e os continentais. Portugal deve manter-se afastado do chamado barril de pólvora balcânico e dar preferência de intervenção, em áreas mais consentâneas com a defesa dos nossos interesses nacionais mais directos. Timor Leste é um exemplo, entre outros.
Há um ano, a restauração de um trono em Belgrado, teria possivelmente simplificado o advento de uma solução regionalista. Hoje, parece apenas mais uma oportunidade perdida.
+++ Recebemos um comentário correctivo acerca de Jugoslávia, que na realidade quer dizer Eslavos do Sul e não Grande Eslávia, como por ignorância escrevi. Reitero as minhas desculpas pela má informação.
Kao, o Grande
Grande interesse tem despertado a mascote dos nossos colegas do Corta-Fitas, o já famoso Minhocas. Não querendo ficar atrás, desde já apresentamos esta formidável arma secreta, o Kao. Mede exactamente um metro, do focinho à ponta da cauda, e pesa dez quilos. É um gato tipicamente português, ao ponto de exibir orgulhosamente as cores nacionais, no pelo e nos olhos (cliquem a imagem e vejam...). As suas preferências, direccionam-se para os seus amigos humanos, que tudo lhe cedem em troca de um pouco de atenção. Gosta de tomar banho, de comer pão, Corn Flakes, bolos secos e de mordiscar folhas de ananás. É a verdadeira autoridade da casa, um verdadeiro chefe que faz o que bem lhe apetece, quando, como e com quem quiser. Tem duas mulheres pretas, que oportunamente mostraremos a todos os interessados. Cuidado com ele.
O Kosovo nos blogues
Bruxelas não deveria balcanizar-se, interferindo entre as pretensões da Grande Sérvia e as pretensões da Grande Albânia, tal como a República Imperial não deveria brincar a nova Guerra da Crimeia, mais uma vez com religião à mistura e muita força a fazer o desequilíbrio. (José Adelino Maltez)
O Kosovo - parece um daqueles países do Tintin... (Miguel Castelo-Branco)
Está aberta a Caixa de Pandora. Não acredito que a Rússia -- que recentemente divulgou que dera asilo à viúva e ao filho de Slobodan Milosevic -- fique de mãos cruzadas. Não se trata de uma questão menor para Moscovo. Vladimir Putin não pode, pura e simplesmente, tolerar a afronta. (Paulo Gorjão)
A declaração da independência do Kosovo - como haviamos referido aqui - era uma inevitabilidade. Revela algo que é subliminar à tradição ocidental da "casa da liberdade": o direito de cada povo reger o seu próprio destino e libertar-se das grilhetas da opressão, quando elas já não se suportam. (Exílio de Andarilho)
Os países europeus devem assumir as suas responsabilidades e dizer a Washington, de um modo firme e decidido, para mudar a sua política de apoio dogmático aos kosovars e condenação permanente da Sérvia. Ao contrário do que acredita a administração norte americana, a independência unilateral do Kosovo não contribui para a estabilidade regional, mas apenas para agravar os conflitos e poderá ser mesmo o início de uma crise grave na Europa, com implicações no Cáucaso e na Ucrânia. (Alexandre Guerra)
Novo design
Parece que por agora está tudo. O leitor de música ainda está em actualização, nesta altura ainda não consigo ouvir nenhuma música, e apenas fiz upload de uma, como teste. Daqui a umas horas verificarei isso.
Entretanto esperamos que os leitores gostem do novo design do Estado Sentido, o que podem manifestar através da votação na coluna ali da direita, deixando comentários ou enviando-nos sugestões por e-mail.
Já agora, digam-nos se conseguem visualizar sem problemas o blog, o que pode variar dependendo do browser que estejam a usar, sendo que tentei equilibrar a optimização entre o Firefox e o Internet Explorer 7.
Fica para já apenas a faltar um cabeçalho original e um logotipo ainda a elaborar, mas se alguém quiser deixar ideias também o pode fazer, assim como numa espécie de concurso público.
E por ora vou dormir que esta foi uma noite longa.
Entretanto esperamos que os leitores gostem do novo design do Estado Sentido, o que podem manifestar através da votação na coluna ali da direita, deixando comentários ou enviando-nos sugestões por e-mail.
Já agora, digam-nos se conseguem visualizar sem problemas o blog, o que pode variar dependendo do browser que estejam a usar, sendo que tentei equilibrar a optimização entre o Firefox e o Internet Explorer 7.
Fica para já apenas a faltar um cabeçalho original e um logotipo ainda a elaborar, mas se alguém quiser deixar ideias também o pode fazer, assim como numa espécie de concurso público.
E por ora vou dormir que esta foi uma noite longa.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Estamos em obras
Como alguns já devem ter reparado o Estado Sentido tem um novo design. Ainda não está terminado, mas está quase. Esperamos que gostem.
MOITA FLORES DIZ:
A República comemorou da melhor forma o regicídio de D. Carlos. Resolveu mostrar, numa vaga analogia, muitas razões que levaram Buíça e Costa a precipitar o fim da monarquia. É certo que Sócrates não se compara a João Franco e os partidos do actual regime são bem diferentes daqueles que escoicearam o regime monárquico até o deixarem exaurido. Na altura morreu o rei. Possivelmente a mais injusta de todas as mortes no que diz respeito à degradação da vida pública. Mas não são muito diferentes os sinais de degradação que hoje arrasam a política portuguesa.
A vida pública, que a mediatização hoje multiplica com ecos de maior ressonância, está convertida num ruído, num arroto, num vómito. Diz-se que ou fulano disse. Eis a fórmula mágica, vazia, esvaída de sentido que gravita em torno do efémero e despreza, ignora, desconhece a substância das coisas. Octávio Ribeiro, certeiramente, chamava-lhe ontem, um problema de doença de Parkinson na língua pública e política. O PGR disse mas não era bem aquilo que queria dizer. O bastonário dos Advogados disse mas não era bem assim. Manuel Alegre disse que não reconhece o seu PS e está ameaçado pelo que disse. O ministro disse ‘jamais’ mas não era no sentido que lhe deram. O director da PJ disse e rematou contra a baliza da sua própria equipa. O ministro tal não disse, o dirigente político tal disse e aqui ficámos, dias a fio, presos na espuma, envoltos na bruma das dúvidas, angustiados com a falta de crença no futuro.
Uma elite de parasitas das palavras está a destruir paulatinamente o regime. O Governo diz, contradiz, afirma, nega, descontrola-se e o primeiro-ministro grita. Grita sempre os mesmos chavões. Sem energia, sem talento, sem fôlego, sem estratégia que vá além da voracidade economicista. Nos últimos dois debates parlamentares, Santana Lopes, queiram ou não queiram, o melhor tribuno da Assembleia, encostou-o às baias desnudando a fragilidade de uma acção governativa feita de disses e de gritos.
Diz-se tudo sobre o espalhanço de dizeres do director da PJ. Um folclore de delírios. Nem uma palavra sobre o que é substantivo na PJ e na investigação criminal. A lei orgânica da PJ espera decisões estratégicas e não se decide. A Lei Orgânica da Investigação Criminal está a banhos, a Lei de Segurança Interna fechadinha num gabinete, a descansar. O coração, a alma que pode abrir caminhos para que se diga menos e se faça mais, aferrolhada na preguiça incompetente dos gabinetes e diz-se. Diz--se. O QREN está de pantanas. Os tais milhões de euros que entram, estão guardados para distribuir por amigos e compadres lá para perto das eleições, quando se diz ainda mais. Neste triste espectáculo, são cada vez menos os actores e cada vez maior a assistência impávida, de braços cruzados, roída de rancores, vingativa, traiçoeira que assobia e pateia. E o País amargurado, já sentido revolucionário mas vivendo de revolta, pára, espantado, ouvindo o que se diz. Discutindo o que se diz. E sofrendo pelo que não se faz. Paz eterna para a alma de D. Carlos.
A vida pública, que a mediatização hoje multiplica com ecos de maior ressonância, está convertida num ruído, num arroto, num vómito. Diz-se que ou fulano disse. Eis a fórmula mágica, vazia, esvaída de sentido que gravita em torno do efémero e despreza, ignora, desconhece a substância das coisas. Octávio Ribeiro, certeiramente, chamava-lhe ontem, um problema de doença de Parkinson na língua pública e política. O PGR disse mas não era bem aquilo que queria dizer. O bastonário dos Advogados disse mas não era bem assim. Manuel Alegre disse que não reconhece o seu PS e está ameaçado pelo que disse. O ministro disse ‘jamais’ mas não era no sentido que lhe deram. O director da PJ disse e rematou contra a baliza da sua própria equipa. O ministro tal não disse, o dirigente político tal disse e aqui ficámos, dias a fio, presos na espuma, envoltos na bruma das dúvidas, angustiados com a falta de crença no futuro.
Uma elite de parasitas das palavras está a destruir paulatinamente o regime. O Governo diz, contradiz, afirma, nega, descontrola-se e o primeiro-ministro grita. Grita sempre os mesmos chavões. Sem energia, sem talento, sem fôlego, sem estratégia que vá além da voracidade economicista. Nos últimos dois debates parlamentares, Santana Lopes, queiram ou não queiram, o melhor tribuno da Assembleia, encostou-o às baias desnudando a fragilidade de uma acção governativa feita de disses e de gritos.
Diz-se tudo sobre o espalhanço de dizeres do director da PJ. Um folclore de delírios. Nem uma palavra sobre o que é substantivo na PJ e na investigação criminal. A lei orgânica da PJ espera decisões estratégicas e não se decide. A Lei Orgânica da Investigação Criminal está a banhos, a Lei de Segurança Interna fechadinha num gabinete, a descansar. O coração, a alma que pode abrir caminhos para que se diga menos e se faça mais, aferrolhada na preguiça incompetente dos gabinetes e diz-se. Diz--se. O QREN está de pantanas. Os tais milhões de euros que entram, estão guardados para distribuir por amigos e compadres lá para perto das eleições, quando se diz ainda mais. Neste triste espectáculo, são cada vez menos os actores e cada vez maior a assistência impávida, de braços cruzados, roída de rancores, vingativa, traiçoeira que assobia e pateia. E o País amargurado, já sentido revolucionário mas vivendo de revolta, pára, espantado, ouvindo o que se diz. Discutindo o que se diz. E sofrendo pelo que não se faz. Paz eterna para a alma de D. Carlos.
Francisco Moita Flores, Docente Universitário
Ler os outros
"Em entrevista ao Expresso (Única), Cecília Supico Pinto, aos oitenta e seis anos, define muito bem o ser humano. Quando lhe perguntaram pelas pessoas que lhe viraram a cara depois do "25", Cilinha respondeu: "toda a espécie de pessoas, conhecidos e até algumas que me tinham pedido coisas." E rematou: "quem reage assim é um desgraçado." Quanto aos políticos de hoje, Soares é "um simpático aldrabão, engraçadíssimo", "Cavaco está a fazer um bom lugar como Presidente da República, e o Ramalho Eanes também foi muito sério." Todavia, para ela, "democracia em Portugal, e nos países latinos, é quase uma anedota revisteira..." Que certeira. Que Senhora."
João Gonçalves in Portugal dos Pequeninos
João Gonçalves in Portugal dos Pequeninos
Conheço uns quantos professores...
...que deviam ler os posts do Pedro Arroja sobre o Direito Administrativo e a Ciência da Administração. Até me ocorre que por ora o meu caro Paulo Cardoso deve andar a estudar para as duas disciplinas. Ver:
clearly now
a bunch
i tell you
a number of countries
You better do
Lake Victoria
clearly now
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i tell you
a number of countries
You better do
Lake Victoria
Hoje sinto-me...
...como Tom Jobim e Vinicius de Moraes quando a garota de Ipanema passa e o mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor...
sábado, 16 de fevereiro de 2008
A atracção pelo abismo
Não há dia da semana, em que os portugueses não ouçam o ribombar de um novo escândalo, geralmente protagonizado por um dos agentes políticos em serviço. A facilidade no descobrir de mais um filão a explorar, é sintomática, porque indicia o avançado estado actual do carcinoma que corrói o já debilitado organismo a que se chama regime.
A ânsia em prejudicar o opositor no jogo, leva ao descrédito do sistema em si, e o insucesso mediático de uns, pressupõe igualmente um desaire a curto prazo, daqueles que na outra bancada, cedo se regozijaram com a destruição da imagem pública do rival.
É um combate sem tréguas que só pode ter como resultado final, a derrota total de ambos os contendores. O que virá a seguir?
É um combate sem tréguas que só pode ter como resultado final, a derrota total de ambos os contendores. O que virá a seguir?
Notas soltas
No seguimento do meu post anterior com o mesmo título, e porque o tempo é escasso, aqui ficam umas breves notas:
1 - Passou o Dia dos Namorados. Mais uma vez levamos com propaganda comercial abusiva e ouvimos os mesmos clichés de que isto é um dia comercial e capitalista. Só não compra quem não quer, é essa a ideia de mercado livre. Eu estou solteiro, logo não comprei nada para ninguém. É bom estar assim, não se gasta dinheiro (ui que judeu...) e como diz o outro, "e o burro sou eu?".
2 - Esta notícia é interessante. Parece que a Inspecção de Trabalho vai começar a investigar assédio sexual em locais de trabalho. Em universidades também? Será que pagam alguma coisa por informações? (hoje estou particularmente judeu...)
3 - Passeava eu por uma feira de livros usados quando me defrontei com um livro organizado por Joel Serrão, com vários textos de Pessoa, intitulado "Da República" (1910-1935). A seu tempo aqui deixarei uns trechos.
4 - Ainda estou a ler "Ao volante do poder". Tenho apontadas algumas situações que também a seu tempo aqui deixarei.
5 - Devido à dinâmica que o Estado Sentido tem ganho, em breve teremos novidades como um design mais atraente e que torne o blog mais "amigável". Até lá esperamos continuar a atrair cada vez mais leitores e a corresponder às expectativas dos que nos lêem todos os dias, a quem muito agradecemos.
1 - Passou o Dia dos Namorados. Mais uma vez levamos com propaganda comercial abusiva e ouvimos os mesmos clichés de que isto é um dia comercial e capitalista. Só não compra quem não quer, é essa a ideia de mercado livre. Eu estou solteiro, logo não comprei nada para ninguém. É bom estar assim, não se gasta dinheiro (ui que judeu...) e como diz o outro, "e o burro sou eu?".
2 - Esta notícia é interessante. Parece que a Inspecção de Trabalho vai começar a investigar assédio sexual em locais de trabalho. Em universidades também? Será que pagam alguma coisa por informações? (hoje estou particularmente judeu...)
3 - Passeava eu por uma feira de livros usados quando me defrontei com um livro organizado por Joel Serrão, com vários textos de Pessoa, intitulado "Da República" (1910-1935). A seu tempo aqui deixarei uns trechos.
4 - Ainda estou a ler "Ao volante do poder". Tenho apontadas algumas situações que também a seu tempo aqui deixarei.
5 - Devido à dinâmica que o Estado Sentido tem ganho, em breve teremos novidades como um design mais atraente e que torne o blog mais "amigável". Até lá esperamos continuar a atrair cada vez mais leitores e a corresponder às expectativas dos que nos lêem todos os dias, a quem muito agradecemos.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Muito rapidamente...
Apesar de andar sem tempo devido a frequências e afins, há pormenores que não me passam ao lado:
1º - Timor, outra vez... Mas há ainda quem tenha dúvidas que Timor-Leste é um Estado falhado?
José Barroso-que-não-já-gosta-que-o-chamem-de-Durão, deve estar duplamente triste: primeiramente com os atentados, como seria de esperar; e também pelo facto de, com Ramos Horta inconsciente (mas já livre de perigo), terá mais dificuldades em encontrar alguém que o apoie para Prémio Nobel da Paz (tenho a leve sensação que, com a excepção do "Clã dos Uvas", ninguém aqui em Portugal está para aí virado).
2º - Como neste país o futebol preenche o imaginário de quase toda a gente, eis que os deificados artistas do esférico, do gel na cabeça e dos brincos nas orelhas, das atrocidades para com a língua portuguesa e do mascar pastilha elástica com boca aberta enquanto se fala, levaram uma valente lição de profissionais da modalidade. Talvez seja este o reflexo paradigmático através do qual se pode inferir porque razão é tão complicado encontrar bons profissionais nos mais diversos sectores em Portugal...
3º - Ucrânia debaixo da ameaça russa; depois da Geórgia, também estes correm o risco de começar a pagar o gás. Para além disso, o preço de ceder à tentação NATO comporta com o simpático direccionar de mísseis de Moscovo para Kiev (nós aqui também pagamos o gás que importamos principalmente de Espanha, mas não temos mísseis nem sistemas anti-míssil de fabrico americano, salvo a excepção da "obra de arte" de João Cutileiro ali no Parque Eduardo VII em Lisboa. Logo, estamos fora da guerra do gás...).
4º - Pedro SantanaLopes, o denominado Rei da Noite de Lisboa pelas revistas cor-de-rosa que muito vendem por esse país fora, e que também foi uma espécie de 1º Ministro, anda a ter aulas de piano... posto isto, creio que já nem é preciso sequer tecer qualquer tipo de consideração...
5º - João Vale e Azevedo e Pimenta Machado afinal são santos! Ao que parece o processo de canonização já arrancou no Tribunal de Guimarães...
1º - Timor, outra vez... Mas há ainda quem tenha dúvidas que Timor-Leste é um Estado falhado?
José Barroso-que-não-já-gosta-que-o-chamem-de-Durão, deve estar duplamente triste: primeiramente com os atentados, como seria de esperar; e também pelo facto de, com Ramos Horta inconsciente (mas já livre de perigo), terá mais dificuldades em encontrar alguém que o apoie para Prémio Nobel da Paz (tenho a leve sensação que, com a excepção do "Clã dos Uvas", ninguém aqui em Portugal está para aí virado).
2º - Como neste país o futebol preenche o imaginário de quase toda a gente, eis que os deificados artistas do esférico, do gel na cabeça e dos brincos nas orelhas, das atrocidades para com a língua portuguesa e do mascar pastilha elástica com boca aberta enquanto se fala, levaram uma valente lição de profissionais da modalidade. Talvez seja este o reflexo paradigmático através do qual se pode inferir porque razão é tão complicado encontrar bons profissionais nos mais diversos sectores em Portugal...
3º - Ucrânia debaixo da ameaça russa; depois da Geórgia, também estes correm o risco de começar a pagar o gás. Para além disso, o preço de ceder à tentação NATO comporta com o simpático direccionar de mísseis de Moscovo para Kiev (nós aqui também pagamos o gás que importamos principalmente de Espanha, mas não temos mísseis nem sistemas anti-míssil de fabrico americano, salvo a excepção da "obra de arte" de João Cutileiro ali no Parque Eduardo VII em Lisboa. Logo, estamos fora da guerra do gás...).
4º - Pedro SantanaLopes, o denominado Rei da Noite de Lisboa pelas revistas cor-de-rosa que muito vendem por esse país fora, e que também foi uma espécie de 1º Ministro, anda a ter aulas de piano... posto isto, creio que já nem é preciso sequer tecer qualquer tipo de consideração...
5º - João Vale e Azevedo e Pimenta Machado afinal são santos! Ao que parece o processo de canonização já arrancou no Tribunal de Guimarães...
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
CRONIQUETAS REPUBLICANAS (2)
2. Maluquices Couraçadas
O antigo e defunto prp, usou de todo o tipo de expedientes propagandisticos para atingir os seus fins. As promessas de redenção abrangeram os mais diversos sectores, e sendo arautos do nacionalismo mais exacerbado, naturalmente as forças armadas surgiam como um alvo primordial. Eram um dos sustentáculos da legalidade constitucional e num país onde a escassez de meios financeiros sempre foi um problema, os reduzidos efectivos do Exército e da Marinha Real tornaram-se fonte de discussão.
O prp alegava o desperdício de fundos ou o seu desaparecimento nos bolsos da classe política dirigente e chamava a si a exclusividade da probidade, decência administrativa e justiça na distribuição da riqueza nacional.
Tal como na imprensa que lhes era afecta, os senhores Almeida, Costa e Bernardino, entre outros, urravam nos comícios, contra o alegado "abandono" das forças armadas que tinham que defender o vasto património colonial. Em plena Belle Époque e já delineado o sistema de alianças que se confrontariam em 1914, a corrida aos armamentos incendiou a Europa, os Estados Unidos, o Japão e alguns países sul-americanos.
A corrida aos armamentos navais foi um dos aspectos mais relevantes, particularmente quando a Grã-Bretanha apresentou o HMS Dreadnought, o "all big gun ship" que revolucionaria a construção naval.
Sempre utilizando pretensos desvios de dinheiros públicos como causa do nosso atraso, os "republicanos" prometiam na aurora do novo regime, uma drástica modificação da situação da armada portuguesa, pretendendo equipará-la, pelo menos, à congénere espanhola. O conto de reis diário que desde 1822 (D. João VI) era atribuído à Casa Real para cobrir todas as despesas inerentes à representação, viagens de Estado, pessoal, residências, etc., era, segundo se gritava nos comícios, o maior óbice ao progresso. O lisboeta que acorria a ouvir os arautos da demagogia, queria acreditar e avidamente discutia as possibilidades de um Portugal imperial e poderoso que ombrearia com os maiores. Era uma outra versão do prometido "bacalhau a pataco" que viria jocosamente a colar-se à imagem da 1ª república. Este pequeno texto que se segue, é um precioso testemunho da ligeireza e desfaçatez com que os aspirantes a restauradores da pátria, tratavam de assuntos queridos à opinião pública de que dependiam:
"A estas horas, o problema da marinha de guerra portuguesa está virtualmente resolvido nas suas linhas geraes, e o programma naval elaborado só espera pela sancção das próximas constituintes para entrar em plena execução. Este programma, considerado pelos competentes como um documento notável de ponderação e de previsão, dota a esquadra nacional com os primeiros couraçados que figuram na armada portugueza - onde o Vasco da Gama não era, com todos os seus concertos, senão uma caricatura de couraçado".
Seguindo-se a estas linhas, apresentavam-se inúmeras possibilidades e modelos desejáveis, desde a classe Minas Gerais, construída na Inglaterra e em serviço na marinha brasileira, até a elaboradas apreciações acerca de modelos mais recentes. O caricato da situação, reside no constante aumento das exigências quanto à dimensão e poder de fogo dos navios a encomendar, assim como - claro está, era fatal -, às ajudas pecuniárias a prestar pela fiel aliada, a odiada Pérfida Albion do Ultimatum.
Visitando os diversos estaleiros britânicos, as luminárias do prp iam perorando sabiamente acerca das conveniências e provas dadas das casas Vickers e Armstrong, possíveis construtoras da marinha da república.
O alegadamente modesto, razoável e ponderado programa, era de facto, um colossal projecto de impossível realização e desde a primeira discussão parlamentar, deixou de ser levado a sério pelos hipotéticos construtores. Se os doutos destronadores da "ominosa" começaram por se contentar com a classe Minas Gerais, pouco depois já discutiam a nova classe Orion, mais pesada e melhor armada.
Quando na imprensa europeia foi revelada a intenção inglesa de iniciar a construção de super-dreadnoughts (drédenós, como de forma hilariante lhes chamavam as sumidades que entre o café Gelo e o palácio de S. Bento discutiam o porvir da nação), logo se escutou grande vozear de protesto: se a Inglaterra já planeava melhor, eram esses super-drédenós que interessavam à magnífica república portuguesa! E nada menos.
Muito a sério, seguia-se a lista do pretendido programa naval:
3 couraçados (60.000 toneladas, no caso da classe escolhida ser a Minas Gerais)
3 cruzadores (10.500 toneladas, da classe Almirante Spaun, da marinha austro-húngara)
12 contratorpedeiros (9.900 toneladas, do tipo HMS Cossack)
6 submarinos (2.160 toneladas)
1 navio de apoio aos submersíveis
...
e tudo isto, sem contar com unidades menores para uso nas colónias, assim como a construção de infraesturas de manutenção, bases logísticas e um grande arsenal - o " nosso Pozzuoli", como eles diziam -, em Cacilhas. Nada mais fácil! Eram apenas necessários 45.000 contos da época (só para construir os navios), preço pelo qual se manteria a "ominosa Monarquia" durante mais de cem anos!
Como pérola de remate, mais este naco de demagogia parlamentar:
"O governo e o parlamento não vão hesitar e dentro em pouco no Tejo, vinte e cinco navios com a nossa bandeira mostrarão quanto, com o novo regimen, se pensa em remodelar tudo, em reconstruir, com um entusiasmo a que a realidade ha de corresponder da mais bela maneira!."
E para descobrir o filão aurífero de onde sairia a módica soma apresentada ao cãndido português, alvitrava-se, claro está, um empréstimo a vinte anos. O problema consistia no total desinteresse dos potenciais financiadores, assustados com este enorme rol de patetices debitadas por senhores de lustrosa cartola copiada à moda parisiense.
Como nota final, desde já podemos informar que apesar da pretensa "vitória" da república em 1916-18, ainda não seria o momento azado para satisfazer as loucuras couraçadas daquela gente proba e de elevados princípios morais, os pudicos, como abertamente se chamavam entre si. O auto afundamento da esquadra do kaiser Guilherme II em Scapa Flow, privou o senhor Afonso Costa de tentar convencer os ingleses a oferecer-lhe como despojo, um couraçado que fosse. Quem tem a agradecer por mais este - entre muitos outros - insucessos, é a cidade de Lisboa. É que a marinha republicana, tinha o péssimo hábito de utilizar a sua artilharia contra o casario, martelando impiedosamente os seus oponentes políticos e não olhando a civis ou combatentes: era o que então se chamava a "Fróternidade" (sic). Só como curiosidade, informo que a almejada classe Queen Elizabeth possuía oito canhões de 385mm de boca e cada uma das suas granadas produzia uma cratera equivalente à queda de um pequeno meteoro, esmagando tudo o que se encontrasse numa área circular de sessenta metros.
O epílogo de toda esta lamentável comédia, foi o esperado. Até à década de trinta - e se excluirmos uns poucos navios de pequena tonelagem saqueados à liquidada marinha austríaca em 1919-, os marinheiros nacionais tiveram que se contentar com as unidades herdadas da Marinha Real Portuguesa, ou sejam, o Vasco da Gama, o D. Carlos I, o D. Amélia, o S. Rafael, o Adamastor e alguns outros que ignomínia monárquica lhes deixou.
Hoje tudo é diferente, mas o espírito do "bacalhau e couraçado a pataco" ainda medra por aí. Emulando os seus antecessores de 1911, ainda ouviremos Nuno Severiano Teixeira, afirmar muito circunspectamente, pretender entregar aos estaleiros de Newport News, o caderno de encargos correspondente à construção de três porta-aviões nucleares da classe Carl Vinsen, três cruzadores do tipo Ticonderoga e de doze destroyers da classe Spruance , ou seja, o equivalente à reedição da promessa republicana de outrora. É uma excelente oportunidade para a comemoração dos 100 anos do Regimen (eles diziam regímãe) e já agora, um móbil de propaganda para os entusiastas da 4ª república.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Estranhas comemorações espanholas
Realizou-se ontem em Madrid, uma parada evocativa dos duzentos anos do início da Guerra Peninsular, participando soldados uniformizados à época, dos exércitos espanhol, francês, polaco, britânico e português. Estranha foi a versão dos acontecimentos apresentada pelos organizadores, porque de um lado, colocou o Reino Unidos, a Espanha e Portugal, enquanto os invasores foram os exércitos franco-polacos de Napoleão I. É uma revisão da História e tão inédita, quanto abusiva. Elimina a aliança franco-espanhola de 1801, esquece a chamada guerra das Laranjas, a batalha de Trafalgar, o Tratado de Fontainebleau e a consequente partilha do território português e por fim, a invasão conjunta de Portugal (1807), pelos exércitos de Bonaparte e de Carlos IV. A única interpretação a dar a este claro mascarar de uma realidade desagradável para o reino vizinho, deve-se decerto, ao desejo dos espanhóis - sejam lá quem eles forem -, de figurar entre os vencedores. Desta forma, os tratados de aliança com o imperador, a abdicação dos Bourbon em Bayonne e a ascensão de José Bonaparte ao trono madrileno, são meros detalhes sem importância.Livros para voltar a ler
A Tentação totalitária, de Jean-François Revel (Bertrand)
Obra de meados dos anos setenta, onde o autor expõe os diversos projectos dos partidos da área da social-democracia europeia e a conflituosa relação com os PC's da órbita soviética e os chamados eurocomunistas. Dezasseis anos antes da implosão da URSS, uma interessante análise do claro projecto imperialista do Kremlin e as interrogações acerca da possibilidade de resistência do chamado capitalismo ocidental.
Perante a Guerra, de Cornelius Castoriadis (Europa-América, 1984)
A análise do mundo perante o choque das superpotências. Curiosa obra, onde o fascínio pelo poderio militar soviético, oblitera os então evidentes sinais de decomposição do tecido social e económico. Uma leitura catastrofista das sociedades ocidentais, condenadas pelo autor à divisão, envelhecimento e crise.
Obra de meados dos anos setenta, onde o autor expõe os diversos projectos dos partidos da área da social-democracia europeia e a conflituosa relação com os PC's da órbita soviética e os chamados eurocomunistas. Dezasseis anos antes da implosão da URSS, uma interessante análise do claro projecto imperialista do Kremlin e as interrogações acerca da possibilidade de resistência do chamado capitalismo ocidental.
Perante a Guerra, de Cornelius Castoriadis (Europa-América, 1984)
A análise do mundo perante o choque das superpotências. Curiosa obra, onde o fascínio pelo poderio militar soviético, oblitera os então evidentes sinais de decomposição do tecido social e económico. Uma leitura catastrofista das sociedades ocidentais, condenadas pelo autor à divisão, envelhecimento e crise.
Começamos finalmente a saber alguma coisa da nova ordem mundial?
The first use of nuclear
weapons must remain in the quiver of escalation as the ultimate
instrument to prevent the use of weapons of mass destruction,
in order to avoid truly existential dangers. At first
glance, it may appear disproportionate; but taking account of
the damage that it might prevent, it could well be proportionate.
Despite the immense power of destruction possessed by
nuclear weapons, the principle of damage limitation remains
valid and must be kept in mind
instrument to prevent the use of weapons of mass destruction,
in order to avoid truly existential dangers. At first
glance, it may appear disproportionate; but taking account of
the damage that it might prevent, it could well be proportionate.
Despite the immense power of destruction possessed by
nuclear weapons, the principle of damage limitation remains
valid and must be kept in mind
Towards a Grand Strategy for an Uncertain World
End of Dreams, Return of History
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