sábado, 22 de março de 2008

Um blog a ler L&LP


MEMORANDO
I. Modelo de sociedade ou assunto específico da chefia de Estado (single issue)?
Os nossos esforços devem estar concentrados na questão muito específica da chefia de Estado: um single issue muito bem trabalhado, que desperte a atenção de quem pensa. – Deve haver monárquicos conceituados em causas específicas, mas não deve haver a tentação de querer fazer um “composto de causas” envolvendo a instituição real como seu eventual “eixo”: é fundamental que pessoas com ideias muito diferentes sobre os assuntos mais diversos possam considerar as nossas ideias sobre a chefia de Estado sem se sentirem presas a outras coisas que venham aparentemente por “arrasto”. – A causa real deve deixar de estar associada a uma “nebulosa romântica” ou a uma indefinida “mudança de sociedade” para passar a estar associada a uma solução muito concreta: a chefia de Estado dinástica para o país que existe. – Deverá haver “doutrina” sobre o que deveria ser uma chefia de Estado dinástica moderna em Portugal (relacionando-a com assuntos concretos como a relação com outros órgãos de soberania, com a Igreja Católica e outros credos, etc., respondendo às expectativas e preocupações gerais da opinião pública contemporânea). – Há que conquistar as pessoas que fazem a opinião e que formam as novas gerações: as ideias têm de ser credíveis nos campos do Direito e da Ciência Política (pelo menos). – A mobilização em torno de assuntos como o referendo é perigosa (sem entrar em considerações de princípio sobre esse método): se se perder um referendo, “arruma-se” a causa real de vez e pode dar-se uma imagem que não seja a melhor. – A questão é se pode surgir uma corrente monárquica constitucional com uma base sólida de reflexão sobre as implicações constitucionais da mudança da chefia de Estado (seminário e publicações) - É IMPORTANTE DAR VISIBILIDADE A UMA CORRENTE MONÁRQUICA CONSTITUCIONAL que não teria de ter a ambição de fazer o pleno da opinião monárquica e que deve evitar totalmente a conotação da causa real com “direitas” ou “esquerdas”…
II. Como mudar a percepção pública da ideia da chefia de Estado dinástica?
É fundamental passar a ideia de que a dinastia está associada à modernidade política em Portugal; as “grandes conquistas” são do século XIX e foram prejudicadas com a perda da monarquia: Estado de Direito, direito civil codificado, parlamento pluripartidário, independência do poder judicial, direito de voto, etc. (TUDO ISSO DEVE SER INCORPORADO NA NOSSA REFLEXÃO). – A causa real tem de aparecer como fonte de soluções, não de problemas: a chefia de Estado dinástica aperfeiçoa elementos positivos da evolução do regime republicano (potencialidades da reflexão em torno do “poder moderador”). – O “poder moderador” é uma chave para a clarificação das funções do chefe de Estado e para a sua relação com garantias exigidas pelos cidadãos, nomeadamente em relação à natural partidarização de poderes públicos chave (ex.: judiciário, forças armadas). – Reflectir a fundo sobre a natureza não electiva da chefia de Estado dinástica de modo a refutar com inteligência ataques fáceis que a apresentem como um “retrocesso” político (relação com a nobreza histórica e seu estatuto exigiria também reflexão). – É fundamental definir os contornos que teria uma Casa Real ligada ao Estado, os seus custos, a sua independência financeira (ou não), etc.: refutar críticas neste campo implica ter “doutrina” ágil e descomplexada (e estudo económico) sobre este assunto muito concreto.

Luís Aguiar Santos in Livre e Leal Português

Facilitismo? Mas claro que não...

Liberal, protestante e monárquico

Pelo Insurgente ficámos a conhecer um interessante blog de Luís Aguiar Santos, o Livre e Leal Português. O seu autor ainda há dias dizia, após ter instalado o sitemeter no seu blog, que confirmou as suspeitas de que muito pouca gente o lê, que a maioria esmagadora dos visitantes cá vem parar por meio de pesquisas no Google (em geral com visitas de 0 segundos) e que, destes, a maior parte é do outro lado do Atlântico onde também se fala português, e concluiu que parece que os liberais não gostam que seja também protestante e monárquico, que os monárquicos não vêem com bons olhos que seja também protestante e liberal e que os protestantes acham estranho que se afirme também liberal e monárquico. A receita do L&LP, logo anunciada no cabeçalho, parece, pois, perfeita para desagradar a toda a gente que com ele poderia ter afinidades. É obra! Mas, caros leitores, é obra que vai continuar porque o redactor principal continua a julgar saboroso o cozinhado.

Caro Luís pois continue! Pelo menos da minha parte, que só agora conheci o seu blog, parece-me bastante interessante e aqui fica a recomendação aos leitores do Estado Sentido.

Na blogosfera

No entanto, não é difícil perceber tão ogresco e deslavado empreendimento. A lógica do batráquio que sonha arvorar-se bovino é mais que evidente. Basta atentarmos no que essa escumalha mental tem para colocar a substituir a Igreja: o Estado. O sacrossanto e descomunal Estado, nem mais. O omnipresente, omnisciente e omnipotente Estado. Em rigor: a grandessíssima Bosta & Besta do Estado! Quer dizer, depois de ter assassinado e usurpado a Nação, o Estado atira-se agora ao baluarte que resta – à Igreja. Depois de tragar a estrutura física de Portugal, trata de lançar a dentuça venenosa e o bandulho ávido à estrutura moral. Armado em pseudo-nação, o Estado quer agora também assumir-se como pseudo-Igreja. Daí a pseudo-religião laica. E a pseudo-democracia como cobertura de chantilly para o totalitarismo aos molhos. O bife do lombo a engodar a estricnina.
Mas, afinal, o que raio vem a ser o Estado?
Basta pegarmos na definição Nietzschiana de Igreja – “um edifício de dominação hierárquica que assegura o plano superior ao espírito” – pô-la de patas para o ar, às avessas e aí tendes o Estado: “um edifício de dominação hierárquica que assegura o plano inferior do espírito”.
Por conseguinte - e sobre isto não me restam grandes dúvidas -, à Igreja, contra aquilo que lhe é inferior, compete-nos defendê-la. Pois no dia em que ela cair de vez, não restará mais quem nos defenda desta Besta. Ou melhor, destas bestas. Porque o seu nome é Legião.

Dragão in Dragoscópio.

Na blogosfera

Não é permitido suspender ou expulsar um aluno, procuram-se todas as formas de facilitismo, que visem evitar reprovações, para orgulhosamente se exibirem estatísticas, permitindo que os jovens sejam formados numa cultura onde impera a bardinagem, o desrespeito pelas mais elementares regras de civismo, educação e respeito pela autoridade. Exige-se ao governo que tome medidas, naturalmente não para resolver este caso concreto, mas que possibilite á escola uma maior autoridade, autonomia, onde os professores saibam exactamente as suas competências, e assumam as responsabilidades, quem não quiser, saia do sistema, existem outras profissões, e os alunos, passem a estar OBRIGADOS a comportamentos sociais aceitáveis, sob pena de suspensão, expulsão para reincidentes. Os paizinhos podem começar por dar chazinhos ás criancinhas, e educarem os seus filhos em casa, não podem é exigir da sociedade, que esta seja obrigada a aturar e corrigir, o resultado dos fracassos e frustrações familiares.

António de Almeida in Direito de Opinião.

Memória

O caríssimo Pedro Soares Lourenço, a quem agradeço a referência no Arcádia, um blog que só recentemente descobri e que tenho gostado de ler nos últimos dias, que se prestou a ouvir os 80's que tenho revisitado aqui, pergunta-me como é que me recordo de ouvir a defunta Rádio Cidade, na alvorada dos anos 90, tendo em consideração a minha tenra (já foi mais...) idade.

As memórias mais remotas que tenho reportam-se aos meus 2/3 anos de idade, o que parece inacreditável para a maioria das pessoas.

Tinha cerca de 6/7 anos quando o meu pai me ofereceu um walkman, e desde então tornei-me um maníaco pela rádio. A toda a hora ouvia a Rádio Cidade, não me recordo de ouvir outras rádios nessa altura, daí que me recorde de muitos clássicos dos 80's e início dos 90's, muitos dos quais quando ouço algures, recordam-me a minha infância. Mais tarde ofereceram-me um rádio, e passava tempos a ouvir rádio, gravar as músicas e escrever as letras. Ainda hoje tenho imensas cassetes gravadas. E mesmo em termos de clássicos dos 50's, 60's, 70's, cresceu em mim um gosto especial, após anos a fio a ouvir a rádio Nostalgia que a minha mãe insistia em ouvir no carro.

Mais tarde, aquando do declínio da Rádio Cidade, no final dos anos 90, acabaria por passar a ouvir a Comercial, mas com o advento da internet fui gradualmente deixando de ouvir rádio, por razões óbvias, ou não fosse o mp3 o formato de música mais divulgado actualmente.

Não sei se terei uma capacidade de memória superior à média, mas o que é certo é que me recordo de imensos detalhes e pormenores de toda a minha curta vida. E mesmo em questão de memória visual, por exemplo, posso ler apenas uma ou duas vezes umas centenas de páginas de apontamentos ou de livros e quando chego à frequência consigo rever mentalmente as páginas, se são frente ou verso e a própria letra, quando se trata de apontamentos.

A respeito da verborreia xuxialista sobre os piercings

Limito-me a citar Stuart Mill, pedindo desde já desculpa aos leitores portugueses pelo português do Brasil (coloquei apenas as chamadas consoantes mudas, mantendo a construção gramatical intacta), posto que a edição do Ensaio Sobre a Liberdade que possuo foi adquirida por terras de Vera Cruz:

Eles devem estar para sempre estimulando uns aos outros para um mesmo exercício cada vez maior de suas mais elevadas faculdades, e uma direcção cada vez maior de seus sentimentos e metas em direcção ao sábio ao invés do tolo, elevando ao invés de degradar, objectos e contemplações.

Mas nem uma pessoa, nem qualquer número de pessoas, tem permissão de dizer a outro ser humano de idade madura, que ele não deve fazer com sua vida para seu próprio benefício aquilo que escolhe fazer com ela.

Ela é a pessoa mais interessada em seu próprio bem-estar: o interesse que qualquer outra pessoa, excepto em casos de forte relação pessoal, possa ter nele, é superficial, comparado com aquele próprio que tem; o interesse que a sociedade tem nele individualmente (excepto em relação a sua conduta com os outros) é fraccional, e completamente indirecto: com respeito a seus próprios sentimentos e circunstâncias, o homem ou mulher mais comum possui meios de conhecimento que imensuravelmente excedem aqueles que possam ser possuídos por qualquer outra pessoa.

A interferência da sociedade para governar seu julgamento e propósitos naquilo a que concerne a ele próprio, deve estar fundamentado em suposições gerais, que podem estar completamente erradas, e mesmo se certas, podem provavelmente ser mal aplicadas aos casos individuais por pessoas não conhecedoras das circunstâncias de tais casos do que aqueles que os vêem exteriormente.

Neste departamento, portanto, de assuntos humanos, a individualidade tem seu próprio campo de acção.

Na conduta de seres humanos em relação a outros, é necessário que regras gerais sejam observadas pela maioria, a fim de que as pessoas possam saber o que devem esperar; mas nos próprios interesses de cada pessoa, sua espontaneidade individual tem o direito do livre exercício.

Considerações para ajudar seu julgamento, conselhos para reforçar sua vontade, podem ser oferecidos a ela, mesmo impostos a ela, por outros, mas ela própria será o juiz final.

Na blogosfera

Na blogosfera

No centro do anfiteatro estava aquela a quem ainda aludimos, em temente sussurro, como "ministra da educação". Certo ignaro lhe perguntou toscamente em tosca linguagem qualquer coisa como 'por que hão-de contar para a avaliação dos professores as classificações dos alunos?'. Desconheço se o bruto atrevido fazia parte do Bloco, do PC, do PSD ou do PP. O que sei e vi é que ela, a ministra, irada com a ingratidão das gentes, se levantou destemida e exclamou estas palavras, que se esforçam já por sair do pobre invólucro da linguagem:
'as classificações dos alunos contam para a avaliação dos professores, porque era o que faltava que não contassem!' [sublinhado meu para realçar a força desmedida do argumento]
A malta bestial, alapada em redor, com excepção dos iniciados mistéricos do centro em concordância respeitosa, desatou a contorcer-se e a soltar grunhidos e risadas. Desgraçados, que não compreenderam o que se tinha ali passado.
Consegue o arguto leitor imaginar argumento mais inatacavelmente completo do que aquele citado? Brilhante (na verdade, fulgurante), ela não foi cobardemente buscar uma razão, uma explicação exterior à coisa. Não. Ela afirmou a coisa em toda a sua inteireza como o melhor, o único argumento de si própria.

Carlos Botelho in O Cachimbo de Magritte

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Há uns bons anos, houve um artigo do Luís Aguiar-Conraria que argumentava que o Caminho para a Servidão não era inevitável quando os regimes políticos vigentes eram meramente social-democratas - e não socialistas puros, como acontecia no tempo de Hayek.

Na altura contra-argumentou-se que o Road to Serfdom estava sim a ser percorrido, mas não com as mesmas etapas. As sociais-democracias davam sinais de começar pelo fim da enumeração de Hayek.

Impossibilitadas de controlar directamente a economia, entretinham-se a ordenar o uso do corpo (o que se fuma, o que se bebe, o que se come) e da mente (como se diz, como se pensa, como se publica). E em pinça, crescia o welfare state, a burocracia, o corporate-welfare, o corporativismo, o proteccionismo, o nannystatismo.

Adiante, quais são os sintomas da aplicação da social-democracia a um nível local, ou seja, a um domínio com reduzida capacidade legislativa e jurídica? Dito de outra forma, funcionaria a social-democracia se limitada?

Em quanto tempo deixa a sociedade de reagir quando sujeita a doses maciças de keynesianismo económico e intervencionismo social?

António Costa Amaral in A Arte da Fuga

Na blogosfera

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Ai que o Vaticano não vai gostar nada disto

A respeito do vídeo em que os alunos violentam a professora que retira o telemóvel a uma aluna

Apetece citar o Kropotkine:

e um soco nos cornos?

só tou a perguntar....mas pareçe que não se pode tratar açim as "crianças"....

será que aquela aluna famosa, além dir agora apresentar programas na tevisão, participará nos sistemas de auto-aprendizagem automotivados e à medida que lhe "desperta" a curiusidade sem ser oprimida pela orientação desmotivadora dos profeçores?

Não vou pôr-me com grandes discursos a analisar o estado do ensino, sobre aquilo que já toda a gente sabe, ou seja, que desde o 25 de Abril a educação em Portugal tem caído a pique. Educação enquanto forma de ser e estar na vida que deve ser ensinada aos filhos pelos pais, e educação enquanto instrução, não só porque os programas do básico e secundário são na sua grande maioria ridículos, como o sistema vigente premeia cada vez menos a meritocracia e continua o nivelar por baixo característico dos supostos sistemas igualitários que acabam por se tornar facilitistas. Seria assim tão difícil nivelar por cima e primar pela excelência? Parece que sim, e os fenómenos de violência nas escolas são reflexo disto, para além de outras causas sociais e externas à escola.

Na primária tive a sorte de ter uma professora dos seus sessenta anos, obviamente advinda do regime salazarista, que tornou toda a turma em excelentes alunos, a tal educação de base que muito poucos professores conseguem dar, e cuja falta resulta, por exemplo, nas belas calinadas no português que todos os dias se vêem por aí. Levei reguadas na primeira e segunda classe, e não havia lá pais a bater à porta da escola a queixarem-se que os filhos fossem mal tratados, até porque, verdade seja dita, era uma turma muito inquieta, e na ausência da professora aproveitávamos para vandalizar a sala de aula, para logo a seguir levarmos uma série de reguadas. E era uma daquelas réguas antigas, de madeira massiça, que nos deixavam as mãos a escaldar! Recordo-me ainda que tive vários colegas ciganos, que chegaram um dia a chamar a família toda que nos cercou na escola, tendo sido chamada a GNR a intervir.

Daí para a frente, especialmente na escola preparatória, recordo-me de cenas de agressões físicas entre alunos, de agressões de alunos a professores (chegou a apelidar-se um aluno de Van Damme, que se orgulhava de ter feito um rotativo que mandou uma professora para o hospital com o maxilar partido), e de agressões a alunos por parte de professores (um professor chegou a puxar-me as orelhas, e a dar umas chapadas em mais alguns colegas, no caso, verdadeiramente sem justificação (foi mais tarde suspenso, supostamente por stress ou depressão, qualquer coisa do género)).

Lembro-me de ver alunos a serem esfaqueados; um colega meu a partir os óculos de outro com um murro, deixando-lhe a cara em sangue; uma colega que foi perseguida por grande parte dos alunos da escola, por alegadamente ter roubado um telemóvel a outro colega; lembro-me de uma perseguição a ciganos que alegadamente se tinham infiltrado na escola; recordo-me do pessoal que ia fumar charros e beber cerveja para trás dos pavilhões e locais mais recônditos; recordo-me de ver um aluno a urinar para um balde em frente à fila para o refeitório, tendo depois um outro aluno mais velho espetado com esse através de uma porta de vidro; recordo-me de alunos terem vandalizado carros de professores, furando pneus e riscando a pintura, sem contar com uma altura em que os nossos pais tinham que nos ir buscar, pois no caminho para o autocarro eram frequentes as abordagens por parte de alunos ou outros indivíduos mais velhos, a pedirem-nos dinheiro (cheguei a andar com dinheiro nas meias), tendo até uma vez sido assaltado por um drogado.

E se achava eu que a nossa escola na altura era violenta, fiquei assustado quando uma vez fomos jogar futebol a outra escola do concelho (Loures, na altura), integrado num torneio inter-escolas, onde fomos apresentados a um professor que nos disse para não deixar nada nos cacifos, e se prestou logo a ir embora porque tinha medo dos alunos. Ora para além das ameaças durante o jogo, que nos afectaram psicologicamente (inclusive à professora da nossa escola que nos acompanhou), que acabámos por perder, fomos logo de seguida escorraçados, tendo que fugir da escola, e ainda me lembro de ter visto uma pedra da calçada a passar-me a escassos palmos da minha cabeça. Imaginem se tivéssemos ganho.

Isto é apenas uma pequena amostra daquilo que me recordo. Mas mais recentemente ainda há pouco tempo uma miúda andava a ameaçar de morte a minha irmã de 15 anos, chegando a chamar os amigos mais velhos para lhe bater. A minha mãe, que por acaso até é a presidente da associação de pais foi falar com o Conselho Executivo ou Directivo ou lá o que é, com a delegada de Turma e com a Escola Segura. Todos disseram o mesmo, que não podem fazer nada.

É este o estado a que estamos a chegar. Alguém tem soluções? Há por aí algum brilhante sociólogo que se queira pôr a discorrer sobre a influência do meio sobre o indivíduo e afins clichés que sempre surgem quanto a estas questões? E que tal alguém pensar em enfrentar a realidade em vez de se preocuparem com avaliações de professores? Talvez uma verdadeira reforma de fundo de todo o sistema educativo fosse mais apropriada, com vista a prosseguir de forma real o tal ideal da escola que se pretende segura, uma espécie de segunda casa dos alunos onde quem manda são os professores, e não o contrário como se verifica amiúde. Quer-me parecer que isto com um Salazar ia ao sítio. Chamem-me fascista, who cares...

80's revisited (7) - Lipps Inc - Funkytown

Provavelmente o único grande hit dos norte-americanos Lipps Inc, mas sem dúvida um de que toda a gente se recordará, até os mais petizes, que certamente não saberão que esta música foi lançada em 1980, mas decerto se lembrarão de a ter ouvido na banda sonora de Shrek ou de Alvin e os Esquilos. Foi ainda alvo de uma cover pelos australianos Pseudo Echo, em 1986, e de um mash up por parte dos Soulwax com NY Excuse, em 2005, revelando-se assim a NY Lips, a mostrar mais uma vez como os 80's continuam a influenciar fortemente as correntes da dance music actual. Este tema, Funkytown, tem ainda a particularidade de ter um site exclusivamente dedicado a si.



Pseudo Echo



Soulwax - NY Lips

80's revisited (6) Human League - Don't you want me

Para deixar por agora os synths, não podia faltar o clássico e muito tocado Don't you want me dos Human League, provavelmente uma das bandas mais bem sucedidas desta época, apesar das várias mudanças quanto aos membros, ainda hoje no activo, embora se dediquem mais a tocar ao vivo. Um must em qualquer colectânea de 80's, tendo este single sido lançado em 1981.


80's revisited (5) - Soft Cell - Tainted Love

Continuando na senda do baixo poderoso e do synth hipnotizante, Tainted Love é um original de Gloria Jones datado de 1964, cuja cover feita em 1980 pelos Soft Cell se tornou um êxito massiço, precisamente depois do seu falhanço com Memorabilia, e catapultaria o duo Marc Almond e David Ball para um retumbante sucesso. É uma daquelas que nunca falha no Plateau. Deixo ainda a recente versão das Pussycat Dolls, cujo vídeo é um regalo para os olhos, sendo ainda de notar que muitos foram os artistas que fizeram covers desta música, como Marylin Manson, Depeche Mode ou The Cure. De salientar que a cover dos Soft Cell tem cerca de 9 minutos, e aqui fica apenas a primeira parte, a mais conhecida, podendo ouvir-se a parte final na versão das Pussycat Dolls.



Pussycat Dolls

80's revisited (4) - New Order - Blue Monday

Um dos maiores hits dos anos 80, da banda britânica que sucedeu aos Joy Division, após o suicídio de Ian Curtis, e que se viria a tornar uma das maiores influências não só do rock, como também da dance music. O baixo poderoso, a batida seca, e os synths melódicos, que já os Kraftwerk vinham experimentando como fórmula de sucesso, em conjunto com a letra simultaneamente melancólica e revoltada, conferem um charme sempre actual a esta música. Fica a versão original, datada de 83, a de 88 (a minha preferida) e a de 95, que, diga-se a verdade, é terrível até à quinta casa, completamente desfasada da onda dos New Order, deixando por último, uma versão bossa nova interpretada pelos Nouvelle Vague.

Blue Monday 1983



Blue Monday 1988



Blue Monday 1995



Blue Monday - Nouvelle Vague

Casa Garrett

O nosso caro confrade Demokrata alertou-nos para um situação que demonstra mais uma vez a falta de cuidado com o património cultural e com o planeamento urbanístico da capital, desta feita denunciada pelo António Costa Amaral na Arte da Fuga.

sexta-feira, 21 de março de 2008

80's revisited (3) - King - Love and Pride

Paul King é uma das vozes mais facilmente reconhecíveis dos anos 80, se bem que o seu sucesso não durou muito. Durou no entanto o suficiente para após ter terminado os projectos The Reluctant Stereotypes e The Raw Screens, oferecer ao mundo o hit Love and Pride, em 1984, por intermédio de uma banda intitulada simplesmente King. De notar que o seu corte de cabelo de facto ficava-lhe bem, ao contrário de muitas variantes desse que por aí andam actualmente que em vez de catatuas (como era conhecido o corte de cabelo em causa, cockatoo em inglês), mais parecem aves raras, sem contar ainda com o estilo característico conferido pelas suas conhecidas botas Doc Martin pintadas com spray e pelo fato, em contraste com os All Star ou Vans, jeans rasgadas e t-shirts publicitárias das marcas, da maioria dos jovens, o tal look supostamente descontraído mas onde tudo é escolhido a dedo porque é "fashion", ou lá o que dizem que é. Já agora, também há uns tempos foi feita uma remistura desta música, parece-me que saiu numa daquelas compilações tipo Orbital Mix ou coisa que o valha.





80's revisited (2) - One night in Bangkok

Esta é uma música que tem uma interessante história na sua génese. Escrita por Bjorn Ulvaeus e Benny Anderson (dos ABBA) em conjunto com Tim Rice (letra), esta será a mais conhecida música retirada de Chess, um musical que teve um enorme sucesso no West End londrino entre 1986 e 1989, que não veria o mesmo sucesso na Broadway. Todo o musical, e especialmente "One night in Bangkok", é inspirado no confronto entre Bobby Fischer e Boris Spassky, na final do campeonato mundial de xadrez de 1972, disputada em Reykjavik, partida carregada de um simbolismo tal que fez o mundo parar, vista como uma disputa da Guerra-Fria, entre um soviético e um norte-americano (desde 1948 que todos os finalistas do campeonato do mundo eram soviéticos), que o recentemente falecido Fischer venceu.

A versão mais conhecida é a de Murray Head, que no entanto escusava de fazer no vídeo o chamado mate Pastor, que até um miúdo de 5 anos sabe fazer ou evitar. Ninguém que jogue regularmente xadrez se atreve a tentar fazer um mate Pastor, porventura até entendido como uma ofensa, o que até não seria de admirar da parte de Fischer, tendo em consideração o seu feitio irado que o levaria a fugir dos E.U.A., sendo posteriormente acolhido pela Islândia, o país de onde sou natural, que lhe garantiu a cidadania.

No entanto, nos E.U.A., uma cantora de nome Robey deu um ar mais dance à música, para além do vídeo bem mais atraente se tomarmos em consideração a sua interessante fisionomia curvilínea e expressiva, tendo ambas as versões sido lançadas em 1984.

Embora retire a expressividade da beleza da letra, em 2005 foi lançada uma versão pelos Vinyl Shakerz, um hit nas pistas de dança, e como com esta série pretendo mostrar como hoje em dia muitos artistas vão repescar os clássicos 80's, aí fica.

Murray Head



Robey



Vinyl Shakerz

80's revisited (1) - Nik Kershaw - Wouldn't it be good

Decidi iniciar esta rubrica com uma das minhas músicas favoritas da minha infância. Ainda me lembro de ouvir a Rádio Cidade no início dos anos 90, onde esta era uma das que mais passava. Depois de em 1983 ter lançado "I won't let the sun go down on me", seria com "Wouldn't it be good" que Nik Kershaw atingiria o número 4 no top britânico, tornando-se um sucesso por toda a Europa.



Ao vivo no Estádio de Wembley, integrado na primeira edição do Live Aid em 13 de Julho de 1985

Uma pausa na análise e comentário político

Até porque tenho imensas tarefas e ocupações que me andam a chatear a cabeça, aproveito ainda o momento providenciado pela Páscoa para uma pausa na análise e comentário político e para iniciar uma nova rubrica no Estado Sentido. É já no post acima que inicio a série "80's revisited", onde desfilarei, sem qualquer critério outro que não a minha vontade e estado de espírito, algumas das minhas músicas favoritas dos anos 80, até porque o meu gosto musical nos últimos anos tem vindo a sofrer um certo amadurecimento que me leva a preferir o Plateau ou o Tokyo ao Docks ou ao Lux, quando saio para dançar. Sem nenhuma ordem previsível ou cronológica, irei assim deixando aos caros leitores alguns dos melhores vídeos das músicas que fizeram os charts dos anos 80, muitas das quais têm sido remixadas, remasterizadas e reinterpretadas por grupos da actualidade.

P.S.: Já agora, não sei se repararam mas na coluna da esquerda estamos a começar a implementar as "labels" no blog, já iniciadas com a série "Lisboa Arruinada".

Boa Páscoa

Independentemente do credo de cada um, o Estado Sentido deseja a todos, bloggers e leitores, uma Páscoa feliz e tranquila, e se possível, algum descanso.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Uma boa Páscoa para todos! Kao, Dam e Luna

Lisboa Arruinada (23) Av. da Liberdade


Não se trata de uma imagem do galeão do "Piratas das Caraíbas". Não sei o que se passa com estes dois magníficos edifícios, mas a ruína em que presentemente se encontram na principal artéria de Lisboa, é simplesmente demonstrativo do estado a que chegámos.

Lisboa Arruinada (22) a rua Rosa Araújo




A Rua Rosa Araújo, situa-se em pleno centro de Lisboa e tem início na Av. da Liberdade, terminando bem perto do Hotel Altis (Rodrigo da Fonseca?). Duzentos metros de ruela, com seis belos edifícios destruídos ou em vias de desaparecer. Sugiro que na próxima patuscada organizada pelo PS no dito hotel, façam um intervalo no ágape e visitem as redondezas. Talvez os habituais "espontâneos" das camionetas do coirato, insistam em ocupar os prédios. Antes isso...

Lisboa Arruinada (22) a rua Rosa Araújo


Assim vai a educação em Portugal (título roubado ao André Azevedo Alves)


E já agora...

Para aqueles que não se recordam, aqui deixo o vídeo que esteve na origem da classificação de Alberto João Jardim como palhaço, por parte do Daniel Oliveira, o que até é um miminho, atendendo ao que se poderia dizer sobre a personagem em causa.