quinta-feira, 26 de junho de 2008

Coincidências

Hoje além de ser o dia que celebro o meu aniversário é também a data que se recorda a morte do Imperador Romano Juliano – faz hoje 1645 anos. Como me parece uma grande personagem da nossa história Ocidental prefiro usar este espaço para o relembrar.

Favius Claudius Iulianus nasce em Junho de 322 E.C. em Constantinopla, filho do meio irmão do Imperador Constantino (o mesmo que insidiosamente inseriu o Cristianismo no coração do Império) nunca se pensou que a púrpura imperial estivesse no seu destino, mas dadas as reviravoltas da política bizantina só o facto de ter sangue de tal família tornava esse facto uma possibilidade não desconsiderável. Em 337 E.C. Constâncio II (filho de Constantino e um Cristão Ariano devoto) lidera o massacre da família de Juliano num esforço de eliminar rivais à sucessão. Depois de assassinar todos os elementos masculinos de idade da família Constâncio manda prender Juliano e o seu irmão Gallus que são assim educados segundo o Cristianismo Ariano que mais tarde viria a rejeitar em beneficio do paganismo helénico com grandes influências neo-platónicas (mais correctamente era teurgia). Acabou por ser nomeado César do Ocidente em 355 E.C. (no sistema da tetrarquia em vigor na altura existiam dois governantes imperiais seniores, os Augustos, e dois Juniores, os Césares) devido aos conflitos com os persas que necessitavam da atenção Imperial e a sua carreira foi de tal forma fulgurante que ao fim de poucos anos Constâncio já planeava uma forma de ser ver livre dele. Sabia que as tropas Ocidentais eram leiais a Juliano (quanto mais não fosse porque antes tinham sido exploradas e abusadas e Juliano tinha restaurado a sua eficiência e orgulho) e como tal tentou afastá-las to caminho emitindo um édito requisitando as suas tropas para a frente oriental. As tropas revoltaram-se e em Fevereiro de 360 proclamaram Juliano Imperador em Paris. Antes que tudo pudesse passar a uma guerra civil Constâncio II teve a decência de morrer e nomear Juliano como herdeiro no seu testamento.

Ao subir ao trono Juliano rescindiu a tetrarquia de Dioclesiano instaurando um sistema imperial unificado, restaurou a liberdade religiosa quer para pagãos (ao reabrir os templos fechados pelos Cristãos) quer para Cristãos (permitindo que as vozes dissidentes pudessem regressar sem medo do exílio), restaurou a autonomia cívica (permitindo maior liberdade de acção às cidades), restaurou a credibilidade do poder imperial (todo o séquito acumulado pelos imperadores que o precederam em Constantinopla foi dispensado e as a administração voltou a estar nas mãos de um Imperador em vez de eunucos), proporcionou justiça para os que tinha sido abusados (obrigou a Igreja a indemnizar os cultos e templos pagãos que tinham sido destruídos ou que tinham visto a sua propriedade confiscada) e finalmente ele próprio se assumiu com pagão agora que não temia a retribuição da facção Cristã na capital. O seu reinado começou com os melhores presságios, esperava-se um novo Marco Aurélio, uma época de ouro e assim poderia ter sido se pouco depois da sua ascensão não tivesse liderado pessoalmente um expedição desastrosa contra o Império Persa sendo que a 26 de Junho de 363 E.C. morreu vítima de uma lança. Após este triste incidente Joviano, um soldado, foi eleito Imperador e eventualmente iria restaurar as brutais políticas cristãs que tinham sido prática corrente antes de Juliano.
Foi um breve reinado mas cheio de esperança. Para todos os que ambicionavam a reforma do Império, a estabilidade, a Justiça e o retorno ao clássico foi um período de promessas, de um futuro de ouro que estava ao seu alcance se tivessem tempo de o implementar. Não tiveram. Juliano seria o último imperador a dinamizar o Ocidente, o último a reinar como pagão, o último rei-filósofo, o último Imperador a ser iniciado nos mistérios de Elêusis. Foi-lhe dado o cognome de “o apóstata” mas teria sido mais apropriado ser considerado “o restaurador”.

No Combustões


A democracia por que clama a mole de manifestantes é a da soberania do povo, moderada pela soberania real. Nesta multidão não há as "forças fáticas" do aparelho burocrático e dos interesses instalados. Os interesses instalados - o poder do dinheiro, da banca, do imobiliário e da especulação - invocam a legitimidade do governo. Coisa estranha esta a do dinheiro querer falar em nome do povo, sobretudo daquele povo pobre e ignorante que da plutocracia jamais mereceu qualquer movimento de solidariedade. A única força que neste país deu dignidade ao povo chão, que a ele se consagrou, lhe deu escolas, hospitais, formação profissional, dignidade e patriotismo foi o rei, que desde há 50 anos é o baluarte dos direitos dos pequenos. É para ele que se voltam os tailandeses para, uma vez mais, restaurarem a união que, no passado, foi o instrumento da paz e da unidade.

Para as feministas, defensores(as) de quotas e afins

Os méritos de um ser humano, e de um ser humano cidadão, em particular, não devem continuar a depender de uma classificação na base do sexo. Nenhuma mulher corre hoje o risco de chegar a uma qualquer universidade, por exemplo, e perguntarem-lhe se não estará equivocada. Um imbecil será sempre um imbecil independentemente de ser homem, mulher ou hermafrodita. O associativismo sexista, para além de elitista, destina-se supostamente a discutir e a impor "especialidades". Não imagino nenhuma mulher da Quinta do Cabrinha ou da Cova da Moura a ser "convidada" a apresentar uma comunicação ao congresso. As participantes - e os participantes - viveram sempre a "humilhação", nas suas cabecinhas pequeno-burguesas, como um fenómeno puramente intelectual.

João Gonçalves in Portugal dos Pequeninos

Croniquetas republicanas (8): república vista pelos republicanos


"Na noite de 19 foram assassinados em Lisboa, o António Granjo, presidente do conselho, o Machado dos Santos, o Carlos da Maia e outros. O Manuel Coelho preside a um governo, de quem ninguem quer fazer parte. O António José d' Almeida fala em ir-se embora. Os partidos desappareceram. Os chefes, como o António Maria da Silva, a quem tambem quizeram matar, andam escondidos. Em Lisboa, estão trez barcos de guerra e já o corpo diplomatico esboçou o primeiro gesto de uma intervenção, fazendo votos, numa nota ao governo, por que os criminosos sejam punidos. Se aquillo não pára, é como acaba: pela intervenção."

João Chagas, Diário, entrada de 30 de Outubro  de 1921 (Paris)

"O Almeida fica. As enormidades, as tolices, os desconchavos que este homem tem dito e escripto! Ninguem no entanto parece dar por isso, pois o seu prestigio cresce! O antigo tribuno da plebe, como elle proprio se intitulava, pede ordem. A ninguem no entanto occorre que elle foi um dos maiores fautores de anarchisação da republica. Ás suas manobras subterraneas, ás suas carbonarias, aos seus pamphletos, aos seus jornaes aggresivos, á sua occa phraseologia revolucionaria deve ella o estado em que se encontra, a braços com o povo que elle desencadeou".

João Chagas, Diário, entrada de 4 de Novembro de 1921 (Paris)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Só uma sugestão

Se os portugueses pouco se interessam por política, menos ainda a percebem, o que se constata pelos níveis de abstenção a rondar os 40% nas diversas eleições/referendos, e tendo em consideração a febre pelo futebol que faz parar um país quando a selecção joga, não seria lógico que pudéssemos todos votar para escolher o seleccionador nacional, em vez de mandatar alguém? Sei lá, apresentavam-se umas candidaturas pessoais, como para as presidenciais, com apoios e lobbies e tudo...

A poucos quilómetros de Castelo Rodrigo,

encontrámos o Convento de Santa Maria de Aguiar, que integra no seu conjunto uma Igreja muito bem preservada, evidenciando a austeridade quer da Ordem Beneditina, à qual começou por pertencer, quer da Ordem de Cister, onde se incluiu depois.

Muito perto deste convento, deparámos com um bonito edifício, com colunas de pedra, evidenciando-se o brasão com as armas da Ordem fundada por S. Bernardo de Claraval, onde se hospedavam os peregrinos que aí acorriam...

No Combustões

Há cento e cinco anos (2)

Querida Cristina, pegando na efeméride que nos traz, lembro os 5 posts que escrevi há 2 meses: "Relembrar Orwell" - 1, 2, 3, 4 e 5.

Há cento e cinco anos

nascia na Grã-Bretanha (Índia Britânica, concretamente) aquele que seria um escritor com uma visão muito certeira do que nos estava reservado para o futuro, que é afinal o nosso presente: George Orwell.

Carrancas do desTratado de Lisboa

Ora toma lá mais esta!

Carrancas do desTratado de Lisboa

A imagem que o Nuno

postou aí em baixo lembra-me um trecho de um poema" a velhinha atrás, o jumentinho adiante" (mas vão tão perto um do outro que melhor seria dizer: "são farinha do mesmo saco" )...

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Congresso dos Social-Burocratas


Terminou o quinquagésimo quinto Congresso do Partido Social Burocrata. Numa sala a abarrotar de convivas e personalidades de relevo mundial, durante dois dias debateram-se os grandes princípios orientadores da nova arrancada regeneradora da Nação. Surgiram propostas muito concretas no campo da economia, das finanças, da saúde, política externa e das obras públicas. Brilhou - tal clarão de alvorada - uma ideia rutilante de conteúdo que salvará o Tratado de Lisboa e com ele, o porvir de quatrocentos milhões de almas sem rumo. Foi um geral pasmar pela apresentação de princípios e de soluções que ninguém adivinhara e o palco foi pequeno, ínfimo até, para a multidão de insuspeitados génios que quiseram gritar bem alto presente!, nesta afirmação de Fé num PortugAll pequenino que com eles se tornará ainda maior. Uma mensagem especial foi enviada pelo Presidente da Colisão Europeia, Dr. Mulão Lamoso agradecendo o transcendente acto de afirmação nacional.
Além da bisneta de um antigo primeiro ministro da Monarquia (presidente), todos os sectores de actividade foram contemplados com lugares decisivos para a construção da vitória que se avizinha. Assim,  foi eleito o senhor Beto Paçô Lebre, sumidade causídica de renome mundial; o senhor Acácio Bardalhéu Tremelas, presidente da Câmara de Afoitelas de Baixo; o doutor Marcellino Rabbelo Sousell, conhecido comentador e técnico da área do desporto; o senhor Nuno Mural Cimento, antiga glória do pugilismo nacional; a menina Cátia Neuza Pacheco-Peixotto, secretária extra-curricular de antigos ministros; o senhor doutor engenheiro Patada Atum, da área da construção; a menina Vanessa Inge d'Oliveira Silva Arschberg, em representação das comunidades portuguesas na Europa; o dr. Arcanjo Corrente, perito em Polícia e Assuntos Muçulmanos; em representação das comunidades estrangeiras em PortugAll, a menina Suely Dulcinele de Galera Acinco e a ex-camarada Zica Sousescu Seabrov; o senhor Belarmin Félix d'Orel Gaulois und Arschberg (marido da menina Vanessa), empresário da noite de Paris St. Denis; a senhora Felismina  de Bohrrah-Botta Touril, estilista da área dos têxteis; o doutor Miguel Capim, do grupo parlamentar; a senhora Ruth Ritta Rotha Rholão, esteticista;  o doutor Rui Riacho, autarca; o doutor António Borgas, uma futura promessa primo-ministeriável; o doutor Saltana Lápis, deputado pelo círculo de Montanelas.
A nova presidente proferiu o discurso de encerramento, no qual procedeu à análise da actual situação nacional, anunciando circunstanciadamente o projecto do Partido da beringela para todas as áreas da governação, tornando-se assim muito claras, as diferenças que o separam do actual governo no poder (no telejornal das 8.00H, foi patente o incómodo do Dr. Eng. Arquitecto Platónyos, procurando rebater a avalanche de questões colocadas pelos pivot).
Os congressistas indicaram um prazo de quatro meses para a apresentação do programa de governo, que deverá ser solenemente anunciado no próximo 5 de Outubro, 98º aniversário da jovem república.

Vivó São João

Ó S. João d'onde vindes
Pela calma, sem chapeu.
Venho de ver as fogueiras
Que me acenderam no ceu

Mas acendem-lh'as cá na terra egualmente! Ou ellas não servissem para queimar as alcachofras, onde as raparigas vêem a sorte dos seus amores! Santos mais milagrosos poderá haver; mais populares não, que elle é a personificação mythica da alegria, e o advogado do amor."
«O Minho Pittoresco»

Agradecer

A João Marchante, do blogue Eternas Saudades do Futuro, a referência...

Do Sentido de Estado

(imagem tirada daqui)

Porque também nutro uma especial admiração de teor académico pelo homem do século XX português, quero notar aquilo que escrevia em 1936/37 no ensaio "Como se reergue um Estado" (ed. Esfera do Caos). Se paralelismos podem ser traçados entre o sistema do rotativismo monárquico do século XIX e o que se revela hoje em dia, é também de notar a forma precisa como Salazar diagnostica algo que tem levado à decadência dos regimes políticos em Portugal, tão presente na I República como talvez na actual III. Tirem as ilações que quiserem:

A seriedade é, em primeiro lugar, a conformidade dos sentimentos com as ideias e a conformidade dos actos com os princípios. Tanto na vida pública como na vida privada, a falta de sinceridade desmoraliza e cansa: nenhum regime político que emprega a mentira como método de governação ou que se contenta com verdades convencionais pode ter crédito na alma popular.

Para nós, não há falsas acusações como arma política, nem factos para além daqueles que foram controlados, nem promessas que não sejam a antecipação de um desígnio amadurecido ou de um plano realizado com segurança.


Se somos contra os abusos, as injustiças, as irregularidades da administração, o favoritismo, a desordem, a imoralidade, é porque isso corresponde a uma ideia séria de governação e não a uma atitude política, à sombra da qual cometemos os mesmos abusos e as mesmas injustiças.


(...)


A gravidade da vida não implica necessariamente o luto da tristeza, o pessimismo, o desencorajamento; ela é, pelo contrário, muito compatível com a alegria do povo, as brincadeiras, a graça e o riso. Exige simplesmente que as coisas sérias sejam seriamente tratadas. Eis porque é que as pequenas conspirações de passeata, os planos dos revolucionários desempregados, os projectos que trarão felicidade e abundância apenas porque são publicados no Boletim Oficial, os gabinetes de amigos, as combinações de nepotismo, a distribuição de lugares e a criação do caos de onde sairão depois, espontaneamente, a ordem e a luz, deixam de lado as profundas realidades nacionais e não passam em geral de jogos infantis, de pequenas tragédias familiares, sob o olhar vigilante dos pais.

Portugal começou a "cumprir-se"

no dia 24 de Junho de 1128, com a vitória do Princípe D. Afonso na Batalha de São Mamede...

Com a morte do Conde D. Henrique, vinha crescendo a importância do fidalgo galego Fernando Peres junto da Condessa viúva, D. Teresa, o que punha em perigo as pretensões autonómicas de um alargado grupo de Cavaleiros do Condado, os quais transferiam agora as suas esperanças para o ainda muito novo D. Afonso Henriques, a quem urgiam neutralizasse aquela maléfica influência, pois que, como refere um ilustre vimaranense, Padre Torquato, «a brevidade com que se ataca os males é remédio deles».
Deste modo, no dia em que se honrava São João, aconteceu, em lugar incerto, mas nas imediações do Castelo, o recontro no qual, nas palavras do General Luíz Maria da Câmara Pires, se jogou "o destino de um povo, a batalha por Portugal"...
E se é certo que só meio século depois, "de trabalhos e proezas militares", como se lê na Bula "Manifestis Probatum", de 23 de Maio de 1179, Alexandre III confirmaria o novo reino e a realeza de D. Afonso, nada de mais verdadeiro do que considerarmos aquele como o primeiro dia de Portugal...

domingo, 22 de junho de 2008

Ainda na Beira Alta

Naquele fim-de-semana esticado, por via do Feriado do 1º de Dezembro, foram várias as aldeias históricas visitadas, mas a visita a Castelo Rodrigo foi a mais proveitosa...

Começámos por olhar as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, feito conde, e Senhor daquela terra por Filipe II, como paga da lealdade à coroa castelhana, mas que o povo, logo que soube da Restauração, na pessoa de D. João IV, destruíu quase totalmente, para, depois de percorrermos aquelas ruas solitárias que conduziam ao Castelo, mandado erigir por D. Dinis após a celebração do Tratado de Alcanizes, apreciarmos o monumento evocativo da Batalha de Salgadela, no ano de 1664, decisiva para a defesa de toda aquela região, e onde se destacou o governador militar da Beira, Pedro Jacques de Magalhães.

Perto da Igreja Matriz, admirámos o belíssimo Pelourinho manuelino, da altura em que D. Manuel I mandou reedificar as muralhas.

Mas, a partir do século XVIII, a aldeia iria perder a sua importância, a favor da vizinha Vila de Figueira...

sábado, 21 de junho de 2008

Sempre pelo São João

«Não me lembro de Erva-cidreira tão boa, como a deste ano!», disse a minha mãe, quando, há dias, a foi colher, para secar, e guardar as folhas que hão-de durar até ao próximo ano, quando, também pelas orvalhadas de Junho, se fizer nova apanha.
"Há-de ser feita antes do nascer do sol, senão amarga".
Muito cedo lhe foi inculcada a crença nas propriedades calmantes da planta, pelo que lembro, desde sempre, a grande "chocolateira" (era assim que a chamávamos, apesar de nunca ter sido usada para fazer chocolate, e era em barro) com a infusão quente, ao borralho, que tomávamos, invariavelmente, antes de deitar, com bolachas Maria. Era o melhor dos aconchegos...