sábado, 21 de junho de 2008

Celebrações

Hoje muitos neo-pagãos celebram o solstício de Verão! No Wicca com o nome de Litha ( noutras religiões pagãs com outra designação ) celebra-se ritualmente a maturidade do Deus que atinge neste dia a sua potência máxima e começa o seu declínio – simbolizado através da união sexual fértil com a Deusa mas sem se limitar a esse contexto. É um dia de festa e o momento mais exuberante e vivo do ano em que se festeja a abundância e as possibilidades futuras.

Este dia 14 que passou (a data não foi assinalada antes por esquecimento meu) celebrava-se em Atenas na antiga Grécia (e os seguidores do Helenismos ainda o fazem ainda que não exactamente da mesma forma) a festa da Bufónia (o assassinato do boi) dedicada Zeus Polieu (Zeus protector da cidade) em que miticamente ao serem deixados alguns bolos de cevada a Zeus um boi teria tido a audácia de os comer; os atenienses gritaram blasfémia e um deles matou o touro com um machado. Percebendo imediatamente que agira mal o assassino foge deixando a cidade entregue às maldições de um Zeus furioso por terem sacrificado um animal que devia ter sido deixado em paz. Desesperados os atenienses enviam representantes a Delfos para falar com Apolo que lhes comunica que a única forma de restaurar a paz dos deuses é trazendo o assassino à justiça e ressuscitar o boi. Como o assassino há muito que havia fugido os atenienses julgaram o machado empunhado na morte do animal e condenaram o objecto (que passou a simbolizar a sua culpa colectiva) a ser atirado ao mar e na impossibilidade de ressuscitar o boi embalsamaram o animal de forma a simbolizar o seu retorno à vida. E foi assim que se passou todos os anos durante séculos.

Coisas do Bairro das Colónias

Para desanuviar do estudo fui até um café. Enquanto bebi um café e três panachés vi uma série de agradáveis beldades desconhecidas a passearem-se por aqui, o que só me leva a tirar uma conclusão: passo demasiado tempo em casa, quer em tempo de estudar ou não...

Responsabilidade Internacional dos Estados, siga...

Carrancas do desTratado de Lisboa

A Verdade da História. 1. O Ultimatum de 1890. 2. O Ultimatum à França (Fachoda).


Um dos temas recorrentes dos detractores da Monarquia Constitucional, é invariavelmente, o chamado Ultimatum de britânico de 1890. Apresentam a resolução do conflito como uma inadmissível cedência perante a prepotência da Pérfida Albion, não procurando uma explicação para a difícil situação criada pela cedência à megalomania do espírito da época e da incipiente opinião pública dos cafés e tascas de Lisboa. 
Nos finais do século XIX e apesar do seu apogeu imperial, a Grã-Bretanha, via despontar na cena internacional um perigoso contendor - o Império Alemão -, que mercê da ocupação de um espaço territorial central na Europa e de um arranque industrial sem precedentes, ascendia à condição de grande potência continental com legítimas pretensões à obtenção de um lugar ao sol na partilha colonial. A nova realidade que a abertura de mercados propiciou às sociedades industrializadas na Inglaterra, Alemanha, França ou Bélgica, impeliu à criação de uma miríade de sociedades e companhias de índole comercial e colonial, que passaram a encarar o continente negro como uma clara possibilidade de expansão e obtenção de vultosos lucros propiciados pela extracção de matérias-primas e estabelecimento de entrepostos europeus. As próprias inovações tecnológicas - a electricidade, as armas automáticas, os caminhos de ferro ou os avanços da medicina - , aliavam-se ao espírito positivista da época que via o homem branco, como o promotor da civilização de gentes entregues ao primitivismo tribal e a incompreendidas formas de organização social, política e económica. 
No período de consolidação do sistema liberal-parlamentar - a Regeneração -, deu-se  em Portugal um relevante arranque na modernização de infra-estruturas que abriu o país às novidades materiais do século. Simultaneamente,  entravam também as obras de cariz científico e lúdico que entusiasmaram leitores de uma geração que ansiava pela restauração do prestígio e poder, obras essas onde o espírito de aventura, o denodo dos valorosos e a consagração de novos heróis, era susceptível de estimular ímpetos que prolongassem uma vez mais no ultramar, o já longínquo destino aberto pela epopeia dos Descobrimentos.
Após a criação da Sociedade Livre do Congo, Portugal teve a necessidade de negociar com poderes imperiais que almejavam ao rápido estabelecimento de zonas de influência em África e sendo o aliado preferencial da Inglaterra, conseguiu no difícil jogo de equilíbrio, uma inicial benevolência britânica quanto ao domínio da desembocadura do rio Congo. Sendo este a principal via de penetração na África Central, a pretensão portuguesa - baseada no argumento dos direitos históricos -, foi de imediato contestada por franceses, belgas e alemães que  pretendiam a partilha da bacia do Congo em áreas de influência. Os ingleses, visando o reconhecimento internacional dos seus interesses na África do Sul - onde as repúblicas boéres consistiam num permanente ponto de contestação aos desígnios expansionistas de Londres -, viram-se obrigados a contemporizar com os seus concorrentes e deixaram de apoiar as desmedidas pretensões portuguesas ao total domínio da zona. Reagindo, Portugal solicitou a realização de uma conferência internacional - o Congresso de Berlim - que viria afinal, a reconhecer o princípio da ocupação de facto de territórios, em detrimento de direitos históricos jamais formalmente aceites por todos.
A propósito das possibilidades portuguesas no momento da "corrida a África", Andrade Corvo escrevia: ..."a este propósito parece-nos oportuno - embora seja mal visto para os que sonham com impérios sem limites, não pensando um instante em melhorar o que é realmente nosso, nem na força que é necessária para dominar e defender territórios vastíssimos-, lembrar quanto é perigosa a fantasia, quanto é pouco prudente a pretensão de supormos nossa toda a África Central e Austral, de um a outro mar" (1)... Segundo este ministro, a estratégia portuguesa devia consistir  em ..."abrir largamente as portas ao comércio, às actividades de todos os géneros, seja qual for a sua procedência; atrair por todos os meios de sedução a emigração nacional ou estrangeira, europeia ou asiática; varrer todos os monopólios, seja qual for a marca com que se disfarcem, ou os pretextos por que busquem justificar-se; fazer, especialmente, concessões aconselhadas pela prudência, que não tolham em caso algum a livre concorrência; são regras que a razão e a experiência, nossa e estranha, estão aconselhando por numerosos exemplos e prósperos resultados"...  Consciente dos perigos decorrentes do envolvimento de Portugal nos complicados e perigosos jogos de alianças na Europa, Andrade Corvo salientava ainda,  que ..."as tradições da nossa política e os importantes e valiosos interesses que nos unem à Inglaterra são poderosas razões, para que não deixemos afrouxar os vínculos de aliança que nos unem àquela potência"... e que Portugal, sendo uma potência de segunda ordem,  ..."além de bom governo, boa política e boa administração, precisa de boas alianças"..., no nosso caso, o poder marítimo dominante: o Reino Unido.
Na década de oitenta do século XIX, a generalidade dos políticos e da opinião pública portuguesa, apoiava ansiosamente qualquer projecto que visasse o mitigar a influência britânica e entusiasticamente passou a ver nos reivindicadores da criação de um novo Brasil em África - o Mapa Cor de Rosa -, os firmes esteios da libertação daquela tutela. Contudo, as forças em confrontos eram ainda poderosamente favoráveis à Inglaterra. Derrotada pelos alemães em 1870-71, a França  era uma potência continental que necessitava da Rússia como contraponto à hegemonia militar da aliança germano-austríaca das Potências Centrais, na qual participava ainda a também recentemente unificada Itália. A Royal Navy era ainda o poder marítimo supremo em todos os oceanos do planeta, manifestando uma esmagadora superioridade de efectivos e de argumentos técnicos em presença. Qualquer pretensão de domínio colonial, teria que forçosamente contar com o beneplácito britânico. 
Seguindo alguns indicadores económicos e a nova mas enganadora relação de forças apresentada pelo grande bloco que se constituíra na Europa Central, o ministro Barros Gomes julgou azado o momento, para uma aproximação ao poder continental dominante - a Alemanha -, que manifestava interesse em contestar aos ingleses o seu predomínio em amplas zonas da África Austral. A existência de o sempre latente conflito anglo-boer, seria para Barros Gomes, outro motivo para aquela aproximação, criando dificuldades às reivindicações britânicas na área e propiciando a possível criação de uma grande colónia portuguesa que servisse de "Estado tampão" entre os poderes imperialistas em disputa. Contudo, o estado de acelerado desenvolvimento e organização das companhias majestáticas britânicas na África do Sul, conduziu ao alinhamento da política do governo britânico com as pretensões daquelas, onde pontificava o aventureiro Cecil Rhodes, talvez o protótipo do empresário aventureiro dos finais do século XIX ao serviço de um desígnio imperial. 
O efervescer e radicalizar dos "centros de opinião" lisboetas - as sedes partidárias, os cafés do Rossio e a Sociedade de Geografia - , também condicionados pela demagogia do minoritário partido republicano, impeliu o governo à formal apresentação das reivindicações portuguesas sobre o hinterland austral, seguindo-se o envio de ordens para a apressada celebração de tratados com os potentados locais que colocassem amplos territórios sobre nominal soberania portuguesa.  Conhecedor da realidade no terreno e do perigo que representava para a Inglaterra o ruir do seu projecto Cabo-Cairo - e procurando cercear as veleidades independentistas das repúblicas boéres -, o governo britânico reagiu. O Ultimatum de 1890 deixou o país numa situação muito difícil, pois o projecto de Andrade Corvo teria sido susceptível de tranquilizar a posição britânica, obtendo mais vantagens territoriais e até uma prevista ligação fluvial entre Angola e Moçambique. Nos meses imediatos à nota de Londres, o Parlamento rejeitou um acordo que incluía essa ligação pelo Zambeze e ainda assim, os britânicos cederam uma parte do planalto de Manica, permanecendo sob soberania portuguesa Lourenço Marques e amplos territórios que o país custosamente ocuparia, dada a exiguidade de possibilidades demográficas e económicas. A pergunta que legitimamente se coloca é a seguinte: o que teria sucedido se o governo de Lisboa, pressionado pela histeria das ruas, não tivesse emitido as ordens que acabou por enviar para Moçambique?  A resposta parece ser, como é óbvio, a efectivação de uma decidida intervenção militar inglesa e a consequente ocupação da maior parte dos territórios ultramarinos portugueses. O que o Ultimatum deixou a Portugal, consistiu afinal numa extensíssima propriedade imperial, de uma dimensão absolutamente desproporcionada para o real poder de um país que beneficiou de uma situação muito privilegiada, se a compararmos com as rivais Alemanha e Itália. Se à época não aconteceu o definitivo ocaso da aventura ultramarina nacional, tal se deveu exactamente, ao desejo britânico de não entregar importantes parcelas africanas a potenciais inimigos, mantendo-as assim, na sua esfera de influência. O perigo da perturbação do equilíbrio europeu, a moderação aconselhada pela rainha Vitória e o desejo da obtenção de um modus vivendi  com o tradicional aliado português - onde D. Carlos I iniciava o seu reinado -, conduziram directamente à possibilidade das campanhas de ocupação, onde efectivamente, Portugal procedeu a um esforço sem precedentes e perfeitamente consagrado pelo êxito militar que espantou as potências, algumas das quais, como a Itália na Abissínia  e a própria Inglaterra na Zululândia e no Sudão, foram derrotadas por  exércitos nativos. A renovação da aliança luso-britânica e o bom entendimento estabelecido entre D. Carlos e os ingleses, impediram o esbulhar do património nacional, que chegaria praticamente intacto até 1975. Não se limitando à zona central de Moçambique, as campanhas de pacificação estenderam-se a Angola e ao Estado da Índia, criando novos sonhos de grandeza numa população urbana que aguardava ansiosamente a chegada das expedições, como uma prova do valor e pujança da Pátria. Foi a época de todas as ilusões e de todas as esperanças. A baixa política, a demagogia infrene e a violência iconoclasta daquele tempo, em breve conduziriam Portugal a uma situação de desesperada anarquia, ruína económica, prepotência partidária e ao século XX que bem conhecemos. Foi esta a verdade do Ultimatum. Tudo o mais, é mero objecto do desconhecimento e da paixão partidária.

(1) O Mapa Cor de Rosa

A seguir: o Ultimatum britânico à França: o episódio de Fachoda e a capitulação de Paris.

E porque já é Verão...


Sunshine on my shoulders makes me happy
Sunshine in my eyes can make me cry
Sunshine on the water looks so lovely
Sunshine almost always makes me high

Escrevê-las,

sentindo cada palavra, porque quero " estar presa por vontade", "amar, amar perdidamente", e poder dizê-lo, porque, como Fernando Pessoa, me direi "afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas"...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Lord Flasheart motiva os pilotos da RAF

Fiquem a saber como se deve tratar as esposas, e como os pilotos da Royal Air Force estavam motivados na I Guerra Mundial:



No início de um fim-de-semana

prolongado, com o céu muito azul e de sol generoso, oiço os que me rodeiam dizerem:- vou aproveitar estes quatro dias para fazer uma prainha...
Embora goste de olhar o mar, não gosto de praia; é hora de me perguntar "que vou fazer?".
Olho pela janela, e vejo que a catalpa já floriu, e tem folhas suficientes para fazer uma boa sombra. Olho depois a estante, e reparo no livro; digo-me "já sei o que vou fazer!"...

Princípe George, Duque de Wellington e Scolari

Um dos melhores sketches dos poucos que vi da série Blackadder (definitivamente tenho que comprar os DVDs). Qualquer semelhança com o sketch dos Gato Fedorento sobre a agressão do ex-seleccionador nacional, presumo eu que seja pura coincidência:




Por falar em dizer mal da revolução...

...porque não falar mal dos franceses? E quem melhor do que os ingleses e a série Blackadder:




Na ressaca do jogo de ontem

Para além de as estrelas continuarem as suas vidas milionárias, o país volta à realidade (as bandeiras até já estão a desaparecer...), e agora está na altura de enfrentar as frequências/exames/orais! E como optimista, a melhor consideração a fazer é congratular-me por não ter de, em princípio, voltar a ver Ricardo e Nuno Gomes a envergar a camisola da selecção.

Enquanto vamos preparando as mudanças no Estado Sentido, peço a compreensão da equipa e dos leitores pois irei encerrar para obras até fins de Julho, que é como quem diz, encerrar-me no quarto a estudar.

Os dois Grandes vistos por Ramalho Ortigão

"Pelo conjunto das exuberâncias e das deficiências da sua natureza de escritor, pelas suas qualidades e pelos seus defeitos, pelo seu temperamento, pela sua educação, pela sua obra, que é a imagem da sua vida, o nome de Camilo Castelo Branco representará para sempre na história da literatura pátria o mais vivo, o mais característico, o mais glorioso documento da actividade artística peculiar da nossa raça, porque ele é, sem dúvida alguma, entre os escritores do nosso século, o mais genuinamente peninsular, o mais tipicamente português"

"Superiormente instruído, versado em todas as coisas do espírito, equilibrado por uma alta cultura, de que ainda ninguém deu fé porque ele se empenha em ocultá-la sob uma superficialidadede "clubman", por um profundo requinte de mundanismo e de bom-tom, Eça de Queiroz reúne todas as capacidades de inteligência ao incomparável poder de expressão literária e de análise psicológica, que fez dele no mundo um dos primeiros romancistas do século"

Histórias que a minha mãe conta

Nas noites de Outono, e depois dos trabalhos de lavoura, até que a luz do sol o permitiu, as mulheres da vizinhança reuniam-se, à volta da lareira se já fazia frio, e, na dobadoira, transformavam as maçarocas de linho em meadas, primeiro, e novelos, depois.
A fim de tornarem mais leve esta tarefa, afinavam as vozes e cantavam

Doba, doba, dobadoira,
Não m'enrices a meada,
Quero dobar o novelo,
Tenho a minha mão cansada.

O novelo já é grande,
Já me não cabe na mão.
Doba, doba, dobadoira,
Dentro do meu coração

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Penha Revisited

No último fim-de-semana propus-me refazer os caminhos tantas vezes palmilhados nos meus anos de Liceu, em Guimarães.
Começou bem, esse fim-de-semana, com um dia cheio de sol, um convite a ir, no teleférico, até ao monte da Penha. Era aí que, com os amigos, acampava, mal surgiam os primeiros sinais de calor.

Nessa época "ir à Penha" era sinónimo de divertimento. Levávamos música, e bem depressa se improvisava um bailarico. Procurei, mas não encontrei, uma árvore com a inscrição que nela gravaram, à vez, enquanto os outros dançavam, os rapazes, na festinha que aí fizemos no final do último ano.

Reconheci facilmente a Penha daqueles anos, que foram os mais felizes: dourados, chamam-lhe, e não desmereceram o nome.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Dizer mal da Revolução

Se há desporto que desde há uns anos para cá tem ganho adeptos dentro da direita é o dizer mal da Revolução Francesa, caindo em generalizações ridículas sobre o estado de coisas antes das mudanças radicais que se iniciaram em 1789 (e sim meus caros quer gostem quer não gostem esta data é uma fractura essencial para o nascimento do Ocidente progressista moderno) e demonizações de alguns eventos e personagens (o directório, o papel político de Luís XVI, a sua execução, o terror) e a glorificação de outras (tudo o que foi reacção ao radicalismo e essencialmente a oposição entre a revolução americana e francesa como se a primeira não tivesse envolvido a fuga de 10% da população, violência urbana, guerra civil e ainda maiores baixas em termos proporcionais à população total) e indo alimentar o dogma “liberal” (a la Fukuyama) da evolução tendencial para o mundo-mercado. No fundo estavam perfeitamente confortáveis com um mundo em que como a antiga nobreza francesa dominem milhões de súbditos sem possibilidade de apelo – relembro que os 27 milhões de plebeus franceses tinham exactamente 1 voto nas cortes, o mesmo que poucos milhares de aristocratas e pouco mais de 100000 membros do clero.

Há 200 anos: a 1ª invasão francesa


Os primeiros vinte dias do mês de Junho de 1808, foram pródigos em acontecimentos que conduziriam inevitavelmente à derrota da primeira invasão, comandada por Junot. De norte a sul do país, a sublevação popular restaurava a independência, disso sendo avisada a corte no Rio de Janeiro. Estes acontecimentos propiciaram o ataque do exército francês às cidades e vilas portuguesas, deixando um rasto de morticínios, saque e destruição.  Assim, a Guarda, Alpedrinha e Sarzedas foram saqueadas, embora a resistência popular tivesse liquidado um sexto dos efectivos do ocupante. À medida que a revolta alastrava em direcção ao sul, a força bruta dos soldados de Napoleão Bonaparte castigava rudemente Vila Viçosa, Estremoz, Elvas, Arronches, Portalegre,  também queimando Beja e chacinando a sua população, enquanto na zona centro, as Caldas da Rainha, AlcobaçaLeiria e Tomar sofriam o mesmo flagelo. No Mosteiro da Batalha, profanaram os túmulos dos monarcas e príncipes da Ínclita Geração, decapitando o corpo incorrupto de D. João II e saqueando os mausoléus. No Mosteiro de Alcobaça, danificaram gravemente os túmulos de D. Pedro I e de Inês e Castro, generalizando-se a depredação de monumentos nacionais e roubando ou destruindo objectos valiosos pertencentes a particulares, à Igreja ou ao Estado. Na repressão à população, celebrizou-se o general Loison - o famoso Maneta -, conhecido pela sua implacável ferocidade, enquanto os seus colegas Margaron, DelabordeThomiers, Avril e Kellermann se distinguiam por idêntica brutalidade  e cupidez.
Os meses seguintes seriam decisivos para a derrota da primeira invasão, encontrando-se o país totalmente sublevado, surgindo guerrilhas de apoio ao exército anglo-luso que nos finais de Agosto venceria decisivamente no Vimeiro, obrigando os franceses a capitular.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O que penso de Salazar

Assim via, em 1921, «O Século Ilustrado» o povo a ser asfixiado pelo "Polvo Gigante"


Não há homens providenciais? Acho que há. Mas também há homens que não sabem sair do lugar onde muito fizeram, no tempo apropriado.
Para mim, Salazar reúne essas duas qualidades.

Quando a Primeira República tinha já deixado o País num estado reconhecidamente lastimoso, ele foi muitíssimo oportuno, no labor de o levantar do atoleiro em que se encontrava, e, por isso, temos muito a agradecer-lhe. Mas uma grande virtude nos Grandes Homens há-de ser, forçosamente, a de ter a coragem, e o saber, de sair de cena na altura certa; essa vejo-a eu no final dos vinte primeiros anos em que esteve à frente dos destinos do País que se propôs levar adiante, o que fez com êxito...

Alemanha?

Já que estamos em plena semana futebolesa, desafio o grande aficcionado Pedro Fontela a decidir-se por uma destas duas equipas... :P

ou Portugal?

Coisas simples

Ao contrário de outros sítios do mundo Portugal é um país onde se passa a vida a discutir os mesmos assuntos n vezes sem chegar a nenhuma conclusão. Quanto a mim a questão central está que os portugueses (generalizando) entram numa discussão com uma ideia que é imutável e que não pode ser contrariada por nada, muito menos pela realidade. E por isso descontextualiza-se todos os elementos (mesmo os técnicos) de forma a retomar argumentos que chegam ao medievo – se dúvidas houvesse relembro aos mais distraídos que as últimas obrigações feudais ligadas ao trabalho na agricultura só foram legalmente abolidas em pleno século XX, muito depois de qualquer debate razoável sobre os males do feudalismo ter tido tempo de ser conduzido e provado até à exaustão.
Parece que existe uma certa dificuldade em distinguir o que é um debate normal, com a participação de pessoas informadas e o que temos cá no burgo que é mais uma alegre negociação de todos os grupos de interesses estabelecidos desde tempos imemoriais e pouco interessados no bem comum.