terça-feira, 17 de junho de 2008

Cá está o homem que estragou os planos do Costa


Paul Emil von Lettow-Vorbeck (1870-1964), comandou as forças imperiais alemãs no Tanganica (I Guerra Mundial). Procedeu a uma audaciosa campanha contra as forças inglesas, abastecendo-se de equipamento militar capturado. O seu plano consistia em reter o maior número possível de unidades britânicas, impedindo-as de reforçar a frente ocidental europeia. Desta forma, desenvolveu um sistema de golpes de mão e de guerrilha que levou à desorganização do dispositivo dos adversários, preparados para uma guerra convencional. Os seus 12.000 soldados, na sua maioria askaris, tiveram como opositores grandes contingentes (45.000 homens) comandados por Jan Smuts e assim, Lettow-Vorbeck teve que usar o terreno e o clima como elementos fundamentais para os seus movimentos. A guerra com Portugal (1916) levou-o à invasão de Moçambique propiciando-lhe uma clara vitória militar e o fornecimento de numeroso e moderno equipamento de que tanto necessitava, pelo que continuou a sua campanha de movimento e ataques imprevistos e súbitos que atingiram todo o norte de Moçambique e as Rodésias do Norte e do Sul (Zâmbia e Zimbabué). 
O fim da guerra (1918) trouxe-lhe o reconhecimento na Alemanha e foi deputado monárquico no Reichstag, recusando-se mais tarde a servir o regime de Hitler. A Alemanha Federal viria a outorgar pensões e assistência aos sobreviventes soldados askaris que tão lealmente haviam servido o império. Um bom exemplo a ser seguido por este ingrato Portugal que tantos milhares de leais soldados abandonou ao seu triste destino na Guiné, Angola e Moçambique.

João Quaresma dá o testemunho do avô em Moçambique


Caro Nuno, eu sei isso muito bem. O meu bisavô cumpriu duas comissões em Moçambique (1914-15 e 1917-18). O governo queria fazer bonita figura em África, pensando que eram favas contadas contra uma tropa alemã cercada por mar e por terra.*

O que mais importava nos oficiais era se eram de confiança política da república (como era o meu bisavô) e se conseguiam manter a disciplina nas tropas (idem) para evitar restaurações da Monarquia em África. Os que tinham mais do que isso, ou seja, que de facto eram oficiais militarmente bem formados e com provas de competência foram mandados logo em 1914, para recolher ensinamentos, porque praticamente todos os oficiais com experiência da guerra de 1895 eram monárquicos e estavam no exílio. Infelizmente os comandantes mandados de Lisboa eram acima de tudo políticos fardados, que recusavam dar ouvidos às recomendações dos subalternos com experiência para que a sua autoridade não fosse questionada. Além do mais, o general Sousa Rosa (no comando em 1917-18) estava comprado pelos alemães. No rescaldo da ofensiva alemã, o meu bisavô e os seus oficiais, para além dos comandantes de outros batalhões denunciaram isso mesmo a Lisboa. Foram todos presos (isto em plena guerra) e o meu bisavô esteve seis meses na prisão militar de Lourenço Marques, onde só estava autorizado a comer capim (logo ele que não era uma pessoa nada saudável). Foi autênticamente deixado para morrer. 
No terreno, na maior parte do tempo as tropas estavam abandonadas à sua sorte, a informação não circulava. 
Em Negomano, o meu bisavô foi avisado que o grosso do Exército Alemão vinha na sua direcção (4500 homens comandados pelo próprio Von Lettow Vorbeck) com apenas algumas horas de aviso e apenas por que o destacamento de reconhecimento que mandou atravessar o Rovuma e penetrar em território alemão encontrou um oficial inglês, um dos poucos sobreviventes de todo um regimento de cavalaria inglesa que tinha sido aniquilado na véspera. De Porto Amélia (onde estava o comando das operações) não deram o mínimo aviso. Ele comandava a chamada Coluna Quaresma (um batalhão reforçado, cerca de 800 homens) que se preparava para atravessar o Rovuma para atacar os alemães pelo flanco. Numa posição não-preparada, em grande inferioridade numérica contra tropas já com três anos de experiência de combate, sofre um ataque esmagador. Mas ainda conseguiu mandar avisar a coluna de Viriato Lacerda que, devidamente entrincheirada na Serra Mecula, dias mais tarde resistiu heroicamente aos alemães.A nossa infantaria estava bem armada, ainda que ao longo do tempo fosse recebendo armamento diferente do que já tinha (e com uma confusão de calibres diferentes). Foram usadas desde Martini-Henry e Castro-Guedes de tiro-único e Kropatschek remanescentes da guerra de 95, até Mannlicher, Mauser G98, Vergueiro 1904, Lee-Enfield e até carabinas Winchester (americanas).
Os alemães e os sul-africanos gostavam bastante das nossas Vergueiro (capturadas, abandonadas..), e usaram-nas muito.
Mas faltavam metralhadoras em maior número e sobretudo morteiros (na altura eram uma coisa muito recente), medicamentos e material médico, e até os uniformes não eram os mais próprios para o clima africano. 
Quanto ao tratamento dado pelos alemães, no caso do meu bisavô, ele e os seus homens foram tratados de forma civilizada. No acordo de cavalheiros que precedeu a libertação, em que os oficiais portugueses se comprometiam em não voltar a combater a Alemanha, Von Lettow-Vorbek abriu uma excepção para o meu bisavô, como reconhecimento da sua bravura em Negomano, concedendo-lhe que ele pudesse voltar a combater a Alemanha fora de África. Note-se na diferença de tratamento entre o inimigo e o comando português. 

*Publicado como comentário no meu post sobre a parada da Vitória (Londres, 1918), por João Quaresma no blog Estado Sentido em 17 de Junho de 2008 0:03

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Histórias que a minha mãe conta

Era por esta altura do ano, quando o linho tinha sido já "arrincado" e ripado, que, com as amigas, fugia à minha avó, e às tarefas de casa, para se juntar ao cortejo festivo que levava as plantas de flor azul ao rio, a "enterrar".
Leio n«Os Mesteres de Guimarães»: " Quando o carrego é a preceito, vai o jugo dos bois enfeitado, e a carrada tem seu ar de festa.
No alto, por sobre os molhos de linho, ergue-se um ramo de oliveira, com flores, que é obra da moçarada de saias. Sim, porque as raparigas também vão á "enterra".
À dianteira vai a tocada, com tamboril, ferrinhos viola e armónica" (e cavaquinho, acrescenta a minha mãe)." É de ver que havendo viola e mulheres há cantadoria e dança.
Feita com as enxadas a cama ao linho, na areia lavada do rio, aí o enterram".

Mas a festa continuava quinze dias depois, quando se "erguia" o linho, para que ele secasse "à torreira do sol"....

Para o Samuel


Augusta Vitória de Hohenzollern, rainha de Portugal (Londres, 1925)

Foto com História: a parada da Vitória (Londres, 1918)




No desfile da Vitória (1918), na tribuna de honra: Jorge V, a rainha Mary e o príncipe de Gales, acompanhados por D. Manuel II e pela rainha Augusta Vitória* A foto fala por si e demonstra bem o fraco conceito em que era tido o regime que vigorava em Portugal. Desta forma, o contingente português baixa o estandarte diante do rei exilado que durante a I Guerra Mundial desempenhou um relevante papel no auxílio aos abandonados soldados nacionais, prestando igualmente valiosos e leais serviços ao país junto das autoridades aliadas. Eram conhecidas as intrigas e maledicências que caracterizavam os representantes diplomáticos de Lisboa em Paris, Londres e outras capitais, onde pavoneavam fátuas vaidades e estendiam as rivalidades e ódios pessoais ao desempenho das suas funções. O aliado inglês deu esta resposta (clique na imagem).


* Onde andaria o sr. Teixeira Gomes?

Eles que ouçam a letra e curem-se... Viva a Inglaterra!

Para os patetas do Ceilão, Paquistão, Rússia, Argélia, China e outras inapetecíveis"democracias" de sarjeta (Portugal inclusivé):

domingo, 15 de junho de 2008

Agora quero ver como os apologistas da ONU e dos Direitos Humanos explicam esta piada (2)

Entretanto o Miguel Madeira encontrou o referido relatório onde consta a sugestão do Sri Lanka, inclusive na secção Conclusões/Recomendações.

Agora quero ver como os apologistas da ONU e dos Direitos Humanos explicam esta piada

Via O Insurgente fui dar com aquela que é, no mínimo, a piada do ano:

The UN Human Rights Council said the UK must "consider holding a referendum on the desirability or otherwise of a written constitution, preferably republican".

The council has 29 members including Saudi Arabia, Cuba and Sri Lanka.

It was the Sri Lankan envoy who raised concerns over the British monarchy.

The resulting report said Britain should have a referendum on the monarchy and the need for a written constitution with a bill of rights.

Por esta hora os britânicos já devem ter desmaiado com tanto riso. A própria Rainha não deve caber em si de tanto rir. Com tanta coisa com que se preocupar, o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, cuja composição tem no actual mandato a obviamente desinteressada participação de faróis da protecção dos Direitos Humanos como sejam Cuba, Sri Lanka, Arábia Saudita, Indonésia, China, Nigéria ou Senegal (ver aqui), redigiu um relatório onde segue a sugestão do Sri Lanka de levar os britânicos a referendar a monarquia e elaborar uma constituição escrita. Entretanto não consegui encontrar o relatório, nem na própria página do Conselho que tem imensos links quebrados (com a quantidade de dinheiro que países como o Reino Unido pagam para o sistema das Nações Unidas funcionar, já se preocupavam em ter webmasters decentes...). Já agora, alguma leitura complementar, aqui, aqui e ali.

E só assim de repente, lembro só uma disposição de um daqueles documentos sem importância que os líderes de países como os acima mencionados se devem ter esquecido de ler quando entraram para a ONU, daqueles que se ratifica sem ler, a Carta das Nações Unidas:

Artigo 2º

7. Nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado (...)

Sócrates pode descansar que a sua carreira política não será afectada


Os euroburocratas já estão a tratar do assunto, como revela Isabel Arriaga e Cunha no Público:

Isto porque os peritos comunitários já começaram a desenterrar uma velha opção que chegou a ser equacionada quando a Dinamarca rejeitou o Tratado de Maastricht, em1992, para permitir aos outros países não sem serem travados por um dos seus pares.
Aplicada ao caso actual, esta solução permitiria aos restantes 26 seguir em frente com uma "UE do Tratado de Lisboa" que aplicaria as suas disposições e coexistiria com a actual UE a 27, onde todos os compromissos existentes se manteriam inalterados. Na prática, os irlandeses continuariam a estar envolvidos nas políticas dessa UE - mas não nas resultantes do Tratado de Lisboa -, embora sem poder participar nas deliberações tomadas ao abrigo do novo processo de decisão.
Mesmo que a concretização desta solução seja extraordinariamente complexa, não só os juristas comunitários estão mais que habituados a fazer uso da criatividade como a determinação da maioria dos 26 de não serem travados pela decepção irlandesa não pode ser subestimada.
Confrontado ontem de manhã com o cenário de uma UE a 26, Jean-Pierre Jouyet, secretário de Estado francês dos Assuntos Europeus, deu o tom: "Não podemos pôr fora da Europa um país que é membro há 35 anos. Mas podemos encontrar formas de cooperação específica" com ele.

Cavaco em Saragoça

"Aqui não faço comentários sobre política interna, politiquices, nem sobre fait-divers. Toda essa matéria fica para o nosso próprio país", afirmou.

Eu diria que o nosso país é todo ele um fait-diver...Ou fat diver como dizia o outro...

Bom domingo para todos

«Uma rua de elite na Guimarães medieval»,

é o título da Tese de Mestrado de uma Professora de História da Universidade do Minho, Maria de Conceição Falcão.
Feita para ligar o convento fundado por Mumadona à parte alta da cidade, onde fora construído o Castelo, é, tudo o indica, a mais antiga rua do burgo.
Muito bem conservada, nela encontramos, ao lado de habitações de características populares, que bem guardaram a traça medieva, casas de nobres, algumas delas ligadas à Casa Real, de que é exemplo grande a «Casa do Arco».

sábado, 14 de junho de 2008

Cavaco e Sócrates: o engasgar dos gémeos


Distraídas as atenções portuguesas pela epopeia helvética da Selecção, passou praticamente despercebida a inconcebível posição do "Venerando Chefe do Estado", relativa ao resultado do referendo irlandês. Não me querendo pronunciar uma vez mais pela claríssima parcialidade intrínseca ao cargo que ocupa - e que desejo ver extinto quanto antes -, saliento a visível irritação do prof. Cavaco Silva. Este abespinhamento deve ser hoje comum a muitos detentores de cargos semelhantes, pois habituados a tudo decidir sem ninguém consultar, desta vez não lhes foi possível impedir os irlandeses de exercer cabalmente a sua soberania. O argumento desonesto e absolutamente falacioso da "Europa em Perigo" - sempre repescado de outros tempos e de outras situações -,  surge hoje como arma de derradeiro recurso para a subversão de uma decisão absolutamente clara e democrática. Remete-nos exactamente para aquele outro referendo no qual os dinamarqueses também disseram Não, para pouco depois e mercê de clara e vergonhosa chantagem, serem forçados à submissão.

Antes de tudo, o Não consistiu na desforra da imensa maioria silenciosa que em todos os países membros da U.E. observa com receio, a constante ingerência da burocracia tentacular exportada de Bruxelas. A intromissão nos mais ínfimos assuntos, a monomania organizadora de pequenos tudos e grandes nadas, tem depredado sem remédio, a construção de uma União que ainda há poucos anos surgia como oportunidade de progresso, paz e solidariedade. A permanente suspeita de controle do aparelho do Super-Estado U.E. pelos bem identificados poderes económicos, a evidente manipulação do quotidiano por agressivas políticas plutocráticas e descaracterizadoras daquilo que todos entendemos dever ser a Europa, minaram irremediavelmente a reputação de comissários e governos. 

Esta Europa que herdou as ruínas de 1945; esta Europa que conseguiu reconstruir-se e tornar--se num exemplo para o mundo; esta Europa que soube encontrar além-mar o protector que lhe permitiu organizar-se de forma mais justa, remetendo a tirania soviética e o comunismo para o caixote das imundícies da História, é exactamente a mesma entidade transnacional na qual dezenas de povos e nações independentes se revêm. É a Europa das Nações que tendo ao longo de mais de um milénio consolidado a consciência das múltiplas identidades que a compõem, não pretende a sua dissolução numa aparente pluriarquia de burocratas, banqueiros e especuladores de alto coturno. A revolta latente que grassa de Lisboa a Varsóvia e de Estocolmo a Roma, irmana antigos inimigos históricos que hoje descobrem o que afinal está em causa e é importante: a preservação de tudo aquilo que consideram seu património inalienável, como a justiça, a equidade e a garantia do respeito pelo sufrágio livremente expresso.

Cavaco Silva e José Sócrates foram também derrotados, pois se o primeiro sempre amargamente se manifestou contra qualquer tipo de consulta referendária  - Maastricht foi um precedente -, o segundo arrepiou o caminho de promessas feitas durante os meses da última campanha eleitoral. O abuso da interpretação enganadora, a mentira, o rasgar unilateral do pacto estabelecido com os próprios eleitores e a arrogância derivada do mau perder e consciência do potentado da arrogância, irmana os detentores dos dois mais relevantes órgãos de soberania. O argumento intimidatório é o recorrente e tristemente célebre vil metal. Vão ameaçar os reticentes com negros quadros de recessão e de desemprego, agitando o espectro sino-indiano, a perda de influência no mundo e o anunciado colapso empresarial. É este último afinal, aquele que mais se aproxima das suas reais preocupações, pois o lucro a todo o transe - e que reconhecemos ser o móbil da economia -, trucida os extractos sociais não empresariais, arruina a periodicamente necessária intervenção do Estado e distorce o verdadeiro progresso material que deve ter como base a inovação e a produção de novas tecnologias e atractivos produtos capazes de responder à constante demanda do mercado, num âmbito de segurança laboral e justiça na repartição.  A vertigem do terciário e da especulação - seja ela bolsista ou imobiliária -, corroem os alicerces da confiança dos povos na U.E.  A deriva imperial, a construção de uma Europa-fortaleza à procura de um lebensraum nas suas margens, assusta a generalidade dos cidadãos de cada um dos Estados membro. 

Urge respeitar a decisão irlandesa e reconhecer o primado da Europa das Nações, já visionada há noventa anos pelos soldados que regressaram vencedores ou derrotados, das trincheiras da I Guerra Mundial. Esta Europa de bancos, bolsas, off-shores, cartéis e conluios da casta politiqueira que atravessa o continente de lés a lés, deve pensar na sua própria sobrevivência. No horizonte surgem negras nuvens e uma simples brisa pode transformar-se num furacão. Um novo e espontâneo 1848 teria consequências imprevisíveis. Pode eclodir de forma súbita e fulminante e então será tarde demais. Sem pena e no meio de clamorosas chufas, assistiremos a apressadas fugas dos hoje todo-poderosos que varridos da história, nada mais serão que folhas secas de uma outrora colossal  árvore inesperadamente tombada. 
O que virá depois?

A loucura temporária do país

Sempre que há um evento internacional de futebol o país entra num processo de loucura colectiva em que todos fingem que 20 marmanjos hiper bem pagos para dar uns pontapés na bola são detentores do destino do país. Tudo pára para prestar atenção a tudo o que é relevante e os cretinos com falta de civismo que andam pelo país aproveitam a situação para dar largas à sua falta de bom senso e educação. Sim bem sei que vão já dizer que é uma opinião preconceituosa do futebol vinda de um intelectual desinteressado mas olhem bem para o que se passa à vossa volta e digam-me se estou enganado – e já agora acho que bem pior são os que se estão a borrifar para a bola mas usam isso como elemento de ligação ao “povo”.

E sim vou cair em mais um cliché e digo-o: é circo para as massas não chatearem muito. A estupidificação colectiva que os media nos vendem nestes dias é de tal ordem que em dias de jogo recuso-me a ver tv portuguesa para não ter que ver entrevistas ao terceiro motorista do autocarro da selecção ou outros altos personagens. O desporto pode e deve ter um lugar numa cultura equilibrada mas estes extremos são manobras políticas cínicas de alienação de uma população empobrecida e cada vez mais embrutecida. Espero que percam em breve para podermos regressar ao mundo real.

FARTEI-ME DE RIR! Será que obviamente se demite? Duvido...

Coisas que eu sei...

...sobre um país do "Terceiro Mundo" chamado Brasil:

1 - tem favelas
2 - tem miséria e pobreza
3 - tem ladrões, assassinos e traficantes de droga em quantidade excessiva
4 - tem doenças tropicais
5 - tem corrupção

mas:

5 - é um dos maiores produtores mundiais de cereais e bens alimentares, que são bem mais baratos por lá em comparação à média no mercado português
6 - é o maior produtor mundial de bio-combustíveis (note-se, a partir de cana de açúcar)
7 - a maior parte dos carros anda a álcool, que queima melhor, é menos poluente e é extremamente mais barato
8 - tem excelentes universidades
9 - tem empregos extremamente bem remunerados e ao alcance de qualquer um com estudos superiores
10 - tem praias lindíssimas
11 - tem uma extensão territorial enorme que se reflecte na diversidade cultural e étnica da população
11 - tem Carnaval
12 - tem Samba e Bossanova
13 - tem mulheres lindíssimas

E nós no nosso cantinho à beira mar plantado, reféns de meia dúzia de camionistas e piquetes de greve ilegais, a sermos completamente gozados pelas petrolíferas, com um sistema produtivo praticamente nulo no que ao sector primário diz respeito, com ordenados médios de fazer corar de vergonha qualquer país da União Europeia, com governantes que nem a própria casa devem conseguir governar quanto mais o país, ainda nos continuamos a achar superiores ao tal país do "Terceiro Mundo"! Qualquer dia somos nós que começamos a migrar em massa para lá. Para além disto tudo, parece que descobriram mais umas reservas de ouro negro, o que é sempre interessante (ver aqui). Ah, já agora, quando se vive noutro país, deixamos de nos chatear tanto com politiquices e corruptologias, mesmo no Brasil, o que é óptimo. Torna-se o sítio ideal para comprar uns campos ou uma fazenda por tuta e meia onde plantar cana de açúcar e soja, passar férias num paraíso tropical e viver calmamente! Daqui a uns tempos não digam que não avisei, quando estiverem uns quantos milhares ou milhões de portugueses a passar fome e começarmos a assistir recorrentemente a espectáculos como o dos últimos dias... Triste sina a deste povo...

Bleed it out - Linkin Park @ Rock in Rio 2008

E eu que depois de Hybrid Theory pouco me voltei a importar com Linkin Park, dou agora por mim a ouvir os álbuns Meteora e o mais recente Minutes to Midnight, depois de um fantástico concerto em que antes do encore dei por mim a gritar "I bleed it out digging deeper just to throw it away":



Olha o mercado a funcionar

No caso a mão até nem é tão invisível quanto isso, no entanto, não é nada que não fosse já de esperar. Aos sauditas e restantes membros da OPEP interessa mais a estabilidade de mercado a longo prazo do que um rápido influxo de capitais proveniente da escalada nos preços do petróleo que, mais cedo ou mais tarde, levará as grandes petrolíferas a pensar seriamente no mercado das energias alternativas, que se vai afigurando cada vez mais rentável e apetecível:

Saudi Arabia, the world’s biggest oil exporter, is planning to increase its output next month by about a half-million barrels a day, according to analysts and oil traders who have been briefed by Saudi officials.

The increase could bring Saudi output to a production level of 10 million barrels a day, which, if sustained, would be the kingdom’s highest ever. The move was seen as a sign that the Saudis are becoming increasingly nervous about both the political and economic effect of high oil prices. In recent weeks, soaring fuel costs have incited demonstrations and protests from Italy to Indonesia.

Saudi Arabia is currently pumping 9.45 million barrels a day, which is an increase of about 300,000 barrels from last month.

While they are reaping record profits, the Saudis are concerned that today’s record prices might eventually damp economic growth and lead to lower oil demand, as is already happening in the United States and other developed countries. The current prices are also making alternative fuels more viable, threatening the long-term prospects of the oil-based economy.

China in the developing world

Nos próximos dias 17, 18 e 19 o Instituto do Oriente do ISCSP promove uma conferência internacional, com a qualidade a que nos tem habituado, desta feita subordinada ao tema "China in the developing world: South and Southeast Asia, Africa and Latin America". Terá lugar na Fundação Gulbenkian e o programa pode ser consultado aqui. A não perder, um cartaz de luxo, com oradores das universidades de Oxford, Manchester, LSE, Columbia, Stellenbosh, John Hopkins, Academia Chinesa de Ciências Sociais, de diversas instituições e do ISCSP.