sábado, 14 de junho de 2008

China in the developing world

Nos próximos dias 17, 18 e 19 o Instituto do Oriente do ISCSP promove uma conferência internacional, com a qualidade a que nos tem habituado, desta feita subordinada ao tema "China in the developing world: South and Southeast Asia, Africa and Latin America". Terá lugar na Fundação Gulbenkian e o programa pode ser consultado aqui. A não perder, um cartaz de luxo, com oradores das universidades de Oxford, Manchester, LSE, Columbia, Stellenbosh, John Hopkins, Academia Chinesa de Ciências Sociais, de diversas instituições e do ISCSP.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Talvez menos um emplastro: Holanda 4, França 1


Como dizia Scolari há uns dois anos: "pode ser forte em campo, mas também terá de o ser fora dele". Ora, o Domenech ficou hoje a saber como é. Que bom...

Um cão que ria,

o de Vasco Santana.
Hoje de manhã acordei com a voz do actor, à conversa com Igrejas Caeiro.
Assinalavam-se os cinquenta anos da sua morte. E ele dizia que tinha um" cão engraçado", porque ria. E eu lembrei-me de todas as vezes em que ele me fez rir. A noitada de Santo António, e a alegria que lhe andava associada, chegou até nós muito pelo que deixou na tela:o manjerico para a Dona Rosa, o tostãozinho para o Santo...

Subscrevo completamente

Já agora aproveitando para remeter para o que escrevi há um mês, devo dizer que subscrevo na íntegra o que Luís Naves escreve no Corta-fitas:

Estou convencido de que sem a União que existe, a Europa não terá condições para se manter independente. Poderá até regressar aos bons velhos tempos do conflito interno. A UE constitui a única garantia de sobrevivência para os pequenos Estados e de liberdade para os povos minoritários no seu país. Seremos mais pobres sem a UE (é indiscutível o contributo da união no enriquecimento geral).

Separadamente, as potências, como Alemanha, França ou Reino Unido, serão incapazes de evitar o respectivo declínio e enfrentar os problemas da competição política e económica internacional. Não têm escala. E a UE que existe resulta de negociações permanentes, onde os fracos sempre tiveram voz. Será que querem que os governos deixem de negociar?

Não sei o que é essa outra Europa que parece ter triunfado e espero sinceramente que tenham razão para estar contentes.

Tantos anos de Pessoa e continuamos tão provincianos


Situado mentalmente entre os dois, o provinciano sente, sim, a artificialidade do progresso, mas por isso mesmo o ama. Para o seu espírito desperto, mas incompletamente desperto, o artificial novo, que é o progresso, é atraente como novidade, mas ainda sentido como artificial. E, porque é sentido simultaneamente como artificial é sentido como atraente, e é por artificial que é amado. O amor às grandes cidades, às novas modas, às «últimas novidades», é o característico distintivo do provinciano.

Se de aqui se concluir que a grande maioria da humanidade civilizada é composta de provincianos, ter-se-á concluído bem, porque assim é. Nas nações deveras civilizadas, o escol escapa, porém, em grande parte, e por sua mesma natureza, ao provincianismo. A tragédia mental de Portugal presente é que, como veremos, o nosso escol é estruturalmente provinciano. (in o Caso Mental Português)

Assim era em 1932. E hoje? Neste dia de celebração dos 120 anos do seu nascimento, quer-me parecer que se hoje fosse vivo não retiraria uma única vírgula às descrições da mentalidade provinciana portuguesa...

Devín





O Castelo de Devín (eslovaco: hrad Devín ou Devínsky hrad, alemão: Burg Theben) é um castelo situado em Devín, uma parte de Bratislava.
Graças à sua posição estratégica, o precipício (altitude de 212 metros) na confluência dos rios Danúbio e Morava, sempre foi considerado como local ideal para uma fortificação. O seu detentor encontrava-se dessa forma apto a controlar a importante rota comercial ao longo do Danúbio, assim como um ramo Rota do Âmbar.

Não é pois de estranhar que o local tenha sido habitado desde o Neolítico e fortificada desde as Idades do Bronze e .Já mais tarde, quer os Celtas, quer os Romanos aí construiram.Dever-se-á notar que a primeira igreja cristã situada a norte do Danúbio foi identificada precisamente neste sítio.
Enquanto castelo eslavo, construído no século VIII, desempenhou um papel crucial durante as guerras frequentes entre a Grande Morávia e os Francos. As frequentes teorias de que o Castelo de Devín tomara o centro do Império de Samo não foram ainda provadas.

O nome do castelo (Dowina - a partir do eslavo/eslovaco "Deva" para menina) foi mencionado pela primeira vez em materiais escritos em 864, aquando das campanhas de Luís, o Germânico, numa das quais terá cercado o Principe Rastislav no "Castelo de Dowina".

Durante o período de ouro da Grande Morávia, terá sido construída uma igreja no interior do complexo. O seu estilo único terá sido inspirado em igrejas similares da Macedónia Bizantina, de onde os Santos Constantino e Metódio partiram em direcção à Grande Morávia. No séc. XIII foi contruído um castelo medieval, em pedra, para proteger a fronteira ocidental do Reino da Hungria, sendo algumas as referências ao "Castelanus de Devin" em 1320. Foi adicionado um palácio no séx. XV.

A fortificação foi reforçada durante as guerras contra o Império Otomano.O Castelo nunca foi tomado, mas após a inclusão do Reino da Hungria na Casa de Habsburgo e a derradeira derrota dos Otomanos, perdeu a sua importância estratégica e nunca mais foi utilizado como ponto militar.

Os últimos proprietários do Castelo foram os Condes de Pálffy. Apenas em 1809, após o Cerco de Bratislava, o castelo foi efectivamente destruído pelas forças de Napoleão I, aquando da sua retirada.
Ainda assim, o Castelo tornou-se desde o século XIX, um importante símbolo nacional para os eslovacos. Encontra-se representado na moeda de 50 Halierov (meia coroa). Os húngaros consideram-no como o bastião ocidental do seu Reino.
No seu sopé encontra-se um monumento aos assassinados a tentar atravessar a fronteira a nado durante o regime comunista.

o Ocidente aqui tão perto...





Fronteira "florestal" Bratislava-Kittsee

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ana Pauker, a sabuja romena de Estaline

Radical, impiedosa, brutal e irrepreensível agente de Estaline na Roménia, em prejuízo dos interesses, segurança, integridade territorial e independência do seu próprio país. 

Em 1921 adere ao Partido Socialista-Comunista da Roménia (futuro PCR) e é enviada pelo Comintern para França e depois para os Balcãs, onde exerceu o clássico papel de agente controleiro de Moscovo junto dos partidos pró-soviéticos.  Em 1938 a grande purga estalinista liquida o seu marido - Marcel Pauker -, existindo fortes suspeitas da sua colaboração na denúncia do conjuge como "traidor trotsquista"

Regressa à Roménia com os tanques soviéticos (1944) e sob as ordens de Vichinski - tristemente célebre pelo seu desempenho durante os processos de Moscovo - serve como principal elo com o Kremlin que impõe o golpe de 1947 que expulsa Miguel I, instaurando definitivamente a ditadura. Durante a fase de consolidação do poder do minoritário PCR, desempenhou as funções de ministro da Agricultura, prosseguindo uma política de extorsão e assassinato em massa do campesinato que se opunha à forçada colectivização.  É durante este período que é visível a sua participação e planeamento dos excessos, perseguições, assassínios e generalização da tortura (vulgarizando-se as lavagens cerebrais da prisão de Pitesti). Quando do inicio da purga ao  cosmopolitismo - eufemismo soviético para o ataque aos judeus -,  Gheorgiu-Dej torna-se no Conducator (Fuehrer) do PC e Pauker é acusada. No rescaldo da II Guerra Mundial e no auge da paranóia antisemita do PCUS, dela dizia Estaline ..."Ana é uma boa e leal camarada, mas é judia de origem burguesa e o Partido na Roménia precisa de um líder da classe operária, um verdadeiro romeno ... e decidi"... Foi sumariamente afastada sob acusações de desviacionismo.

No período Kruschschev, a nova liderança soviética tentou a sua reabilitação (1956), mas o grupo de Dej resistiu e confinou-a à prisão domiciliária, permitindo-lhe que morresse na cama, facto surpreendente dado o percurso da activista e conspiradora.

Digna antecessora de Ceausescu, esta figura típica de apparatchik e de agente estrangeiro, faz empalidecer figuras como Miguel de Vasconcelos, Otto Kuusinen (Finlândia), Walter Ullbricht (Alemanha), Janos Kadar (Hungria) ou Vidkun Quisling (Noruega). Em determinado período da nossa história recente, decerto contou com admiradores portugueses, rendidos à sua abnegação à URSS e ao carácter de implacável seguidismo sectário que desde sempre norteou a sua vida política.

"Trombetas precisam-se!", por Machado da Graça, do Correio da Manhã de Moçambique



A situação na África Austral agrava-se cada vez mais, com muitos milhares de pessoas a fugir de ataques bárbaros, que já mataram e feriram gravemente muitas outras.

Goste-se, ou não, disso, a causa de toda esta desgraça está no descalabro político e económico em que mergulhou o Zimbabué nos últimos 8 anos. E que atingiu o seu ponto mais horrivelmente alto neste período que se seguiu à primeira volta das eleições.

E, para que as coisas tenham atingido este ponto, contribuiu fortemente um fenómeno a que se tem designado por “diplomacia silenciosa”.

Há muitos e longos anos que essa peça de teatro mudo se desenrola à nossa frente, sem quaisquer resultados positivos a registar e, pelo contrário, com a lista dos negativos a crescer de dia para dia.

E, espantosamente, com os principais autores e actores da nossa cena internacional regional a dizerem que aquela política continua a ser a mais indicada.

Ainda recentemente o nosso Chefe de Estado dizia a jornalistas que a diplomacia necessária neste caso não era a do trombone.

Pois eu lamento dizer mas creio que, neste momento, a diplomacia de que a região está a precisar é mesmo a do trombone. E, se lhe pudermos acrescentar também as trombetas e outros instrumentos bem sonoros, tanto melhor.

Porque em Harare o governo ilegal é dirigido por alguém que, com a idade, parece ter ficado completamente surdo. E, se não foi a idade, foi resultado daquele velho provérbio que diz que o pior surdo é aquele que não quer ouvir.

Ora, no estado a que as coisas chegaram, parece-me óbvio que os dirigentes da região têm que obrigar Robert Mugabe a ouvir algumas coisas, quer ele as queira ouvir, quer não.

E uma dessas coisas é que ele tem que aceitar observadores às eleições de toda a parte do mundo e não apenas dos países da região.

É preciso dizer-lhe, sem margem para dúvidas, que os resultados eleitorais não serão aceites se não forem validados por observadores credíveis.

E é bom termos consciência de que, ao fazer isso, estamos a zelar não apenas pelos direitos dos zimbabueanos mas, igualmente, pelos de todos os povos da região.

Aceitar mais 5 anos de desgoverno de Robert Mugabe é abrirmos a porta para uma crise sem precedentes em toda a SADC.

É o que estamos a assistir na África do Sul a crescer e multiplicar-se por todos os outros países com fronteira com o Zimbabué. Entre os quais o nosso em posição de destaque.

É, muito provavelmente, o fim do sonho do Mundial de Futebol na África do Sul. E o deitar para o esgoto de todos os enormes investumentos que estão a ser feitos para o acolher.

Não só em 2010 mas durante muitos dos anos seguintes, até a África conseguir refazer o seu bom nome.

Neste momento, na minha modesta opinião, o que há a ser feito é travar, de forma eficaz, os distúrbios na África do Sul e, em seguida, conseguir uma mudança completa em Harare, que permita o retomar da economia zimbabueana, abrindo o caminho para que os milhões de zimbabueanos, que atravessaram as fronteiras, regressem ao seu país.

E, para isso, volto a dizer, já não bastam os murmúrios educados de Thabo Mbeki.

São necessárias as tais trombetas.

Se necessário, tocando mesmo alguma marcha militar, como tem sugerido o arcebispo Desmund Tutu.

File: Trombetas Precisam-se

Escrito a 25 de Maio de 2008

Esquecidos!

Os últimos soldados negros de Portugal 

Apinhados

Em Berliets do Tramagal
Seguiam como contratados
Os últimos soldados negros de Portugal

Nas terras, em segurança
Á sombra da bandeira de todos
Ficavam as mulheres e as crianças

De camuflado
Granadas à cintura
G3 na mão
Seguiam humildes e contentes
Os últimos soldados negros da Nação

e regressavam, em glória
Humildes como sempre
mas cheios de vitória

e todos não sabiam
e nós todos não sabíamos
Que no puto
Se preparava a traição

Foram enganados
Os últimos soldados negros da Nação

Muitos juncaram os chãos das batalhas
Outros, varridos pelo vendaval da revolução
Foram esquecidos e abandonados
Nos campos de reeducação

Das bases do Rundum
Quase sós mas sempre altaneiros
Continuaram o combate
Com outras armas na mão
A servirem e a morrerem
Pela mesma e ingrata nação.

Rui Moio - 12Set06

Ainda a "raça"

quarta-feira, 11 de junho de 2008

E lá vai mais uma: Portugal, Brasil & Madeira = 3 Boémia & Morávia = 1




A respeito da tal gaffe do "Dia da Raça"

(imagem tirada daqui)

Sem dúvida que, como diz o líder do PNR, só numa sociedade dominada pela ditadura cultural da esquerda e do politicamente correcto é que tanta gente fica alegadamente chocada com tal gaffe. E antes que venham desacreditar o mensageiro e pouco se preocupem com a mensagem, tal como parece ser o mote dos que tanto gostam de combater fogo com fogo (tal como fizeram uns tais de Buíça e Costa, entre tantos outros alegados republicanos...), numa espécie de ânsia pela imposição de um pensamento único em conjunto com uma certa intolerância e terminologia pouco polida, há muitos mais que dizem e pensam o mesmo, pelo que deixo aqui umas breves passagens do prefácio de Jaime Nogueira Pinto a um livro de Alain de Benoist (talvez um dos tais de certa direita triste...?) Comunismo e Nazismo - 25 Reflexões sobre o totalitarismo no século XX (1917-1989):

"A hegemonia, ou o quase monopólio cultural da esquerda, na segunda metade deste século (...) assentou em vários factores (...) que vão da cumplicidade e solidariedade corporativas da "República das Letras" até ao papel de enquadramento ideológico e de relativo prestígio social que os modelos socialistas burocráticos atribuíram aos "intelectuais orgânicos"."

"Mas não se percebe a hegemonia e ditadura intelectual das esquerdas sem uma retrospectiva histórica das raízes do "totalitarismo" contemporâneo; isto sem esquecer, como demonstrou Talmon, que ele já tinha aparecido, na Revolução Francesa na Convenção e no Terror, consagrando a "democracia totalitária"."


"Por outro lado, a hipocrisia e amálgama funcionaram: os mesmíssimos literatos que absolveram o comunismo dos "crimes do comunismo" numa casuística de habilidade dialéctica, estão prontos a fazer a amálgama hitlerismo - fascismo italiano - Franco - Salazar - direitas - capitalismo em geral!"

"Assim em relação a um fascismo que nunca existiu, coloca-se o paradoxo da trave mestra do actual regime ser o anti-fascismo ideológico. Esta categoria é essencial para compreender a História política e a problemática da legitimidade do regime português: como nunca na chamada "direita" partidária, isto é, na não esquerda, tal questão foi substancialmente posta e se assistiu a exercícios por parte de personalidades e menos personalidades de apresentarem e manifestarem os seus créditos antifascistas, os comunistas e a extrema-esquerda guardaram uma importância muito maior, por um quarto de século, da que realmente tiveram, ou deviam ter e têm num país que contribuíram significativamente para empobrecer, num tempo em que tudo aquilo em que basearam a sua credibilidade está morto e enterrado. E isto porque contra toda a lógica e toda a racionalidade, a técnica da amálgama, bem servida pela demagogia de uns poucos e pela ignorância ciclópica de quase todos alimentada mediaticamente funcionou: a amálgama é Holocausto = Nazismo = Fascismo = Salazarismo = Nacionalismo = Direita ou lido ao contrário Direita = Nacionalismo, etc., etc."

Já agora, para quem queira ficar a saber um pouco mais sobre o conceito de raça, vale bem a pena ler este post do Professor Maltez, está lá tudo.

E a respeito da demagogia do BE (e também do PCP) ler este post do Nuno Miguel Guedes.

E por último, sabiam que no país dos nossos irmãos, bem mais dominado culturalmente pela esquerda, e bem mais multiracial, e também em Espanha e na américa de língua espanhola, se comemora o Dia da Raça? Enfim...é a "democracia" estúpido!

Já sei o que quero ser quando for grande...


Depois de alertado por um amigo, decidi que quero ter a profissão de intelectual. Pois bem, será que dá dinheiro? Ou que impressiona as miúdas? Será que existe alguma ordem dos intelectuais? E como é que se faz para ter tal profissão? Não sei, mas pelo menos no Partido Comunista parece que é uma profissão em destaque entre os membros do Comité Central...

Não perca

Já a seguir, num país perto de si, a crise que deixará de existir durante hora e meia para logo dar lugar à continuação do processo de retrocesso ao estado natureza...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Dia de Camões: a gaffe presidencial...

Aqui deixamos uma breve nota aos "indignados" senhores republicanos: sabemos muito bem que para o exercício de certas funções, torna-se necessária uma preparação que o modelo por vossas excelências defendido com tanto fervor, se revela totalmente incapaz: é parcial, serve apenas os interesses dos amigos de carreira e é facilmente absorvido pelo nada. É a república no seu melhor.
Hoje confirmou-se plenamente aquilo que no post anterior escrevemos. A Nobreza da República conta com mais umas dúzias de titulares comendadores e para não variar, fazem o pleno do amiguismo imperante no regime, com a habitual troca de favores plasmados em grã-cruzes de ordens adulteradas e o palmadismo na omoplata do sorridente investido. É a recompensa pelo seguidismo, pela calcificação da casta dominante e decidida colocação de correligionários no terreno de futuras lides políticas. A lista de condecorados é eloquente e se excluirmos o melhor alfaiate do mundo, não apresenta qualquer novidade. Tudo isto pelo módico preço de 16 milhões anuais, dúzias de assessores, gaffe atrás de gaffe e um tagarelismo de portentosos lugares comuns.
Uma sugestão dirigida aos "indignados" BE e PC: amanhã mesmo, substituam a bandeira nos mastros. Aquela que se encontra ao lado da partidária.









« Alma até Almeida»

Evoca este grito a importância que teve Almeida, fortaleza que só passou a integrar definitivamente território português no século XIII, com a celebração do Tratado de Alcanizes, na defesa de toda a Beira, face às muitas incursões castelhanas, e a valentia com que os seus guardiões disso fizeram um ponto de honra.

Leio no «Aldeias Históricas» tratar-se de "uma terra pacata, de ruas tranquilas, que a partir de Março se enchem do chilreado alegre das andorinhas. As horas aqui passam devagar".
Foi esta calma no passar do tempo que encontrei das vezes que lá fui, mas como essas idas aconteceram sempre no Outono e Inverno, não me foi dado ouvir aquele chilrear...

Era natural, pois, ter encontrado o casario branco envolvido num nevoeiro tão próprio dessas alturas, até porque a fortaleza funcionou quase sempre como o ponto de partida, e de chegada das peregrinações que nos levavam a conhecer os arredores...

Onde está a mão invisível?

The country's Information and Culture Minister, Iyad Madani, said that the kingdom would work with OPEC to "guarantee the availability of oil supplies now and in the future".

In a statement following the weekly meeting of the Saudi Cabinet, Mr Madani said the current price of oil was unjustified and pledged action to prevent further "unwarranted and unnatural" price hikes.

Se até já os próprios sauditas dizem que o preço do petróleo não se justifica, resta perguntar onde é que anda a mão invisível? Por este andar, qualquer dia os economistas ainda vão ter que deitar fora muita teoria sobre oferta e procura...

«Dos gardenias para ti

Con ellas quiero decir
Te quiero, te adoro, mi vida
Ponles toda tu atención
Porque son tu corazon y el mio»

«E aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando»

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A Alte Kameraden dos 10 de Junho na D. Luís I

Ainda Machado de Assis

Depois de «Quincas Borba» e de «Memórias Póstumas de Brás Cubas», comecei ontem a ler este «Memorial», e já deu para, mais uma vez, confirmar o que do Autor se diz no prefácio: " é o nome central da literatura brasileira e um dos mais singulares clássicos da língua portuguesa"...

10 de Junho: o que foi, o que é e o que poderia ser.


Iniciavam-se os preparativos alguns dias antes da comemoração. Logo de manhã, lá das bandas do quartel da Rua de Nevala, vinha o inconfundível som do rufar de tambores, ao mesmo tempo que o ar se enchia com as fanfarras das marchas que cadenciariam o passo dos soldados em parada. Toda a zona compreendida pela Sommerschield e pela  24 de Julho - a Polana -, habituara-se aos sons marciais que antecediam a festa nacional. As crianças já estariam de férias e disponíveis para emoldurar a Avenida D. Luís I (1) com as suas bandeirinhas, ocupando as primeiras filas dos curiosos espectadores que ritualmente ali regressavam todos os anos. 
Eu e o Miguel acordávamos cedo e vestíamos o uniforme, para logo depois partirmos em direcção à Baixa, à procura do melhor local para assistir à parada. Portugal estava em guerra e a parada militar do 10 de Junho consistia numa evocação dos grandes feitos de outrora, perpetuados no nosso imaginário por aqueles milhares de soldados que diante de nós desfilavam. Recordo-me perfeitamente do bater sincopado das hélices dos helicópteros, do aspecto rutilante das viaturas que desfilavam - os camiões com soldados de luvas brancas e os jeeps com pneus polidos, ostentando as vistosas listas brancas em redor das jantes -, tudo impecável, desde as inúmeras bandeiras dos regimentos, até à banda que tocava marchas a que já nos habituáramos, embora nem lhes conhecêssemos os nomes ou a autoria. Curiosamente, muitos anos depois soube que uma delas, sempre tocada até à exaustão, é a prussiana Alte Kameraden que continua a ser uma das preferidas do repertório das fanfarras do exército. 
O momento alto do desfile estava reservado à cavalaria e o ruído metálico produzido pelas bestas que trotavam  avenida abaixo, deixava a miudagem encantada, acenando freneticamente à passagem muito simbólica de um nostálgico passado que teimava em resistir. A grande ovação do público era sempre dedicada às tropas especiais (1), aquela "gente capaz de todos os sacrifícios e de grandes feitos", tal como ouvíamos dizer na escola.  Chamavam a atenção pelas cores vistosas dos lenços ao pescoço - amarelos ou vermelhos -  e luvas brancas, contrastando  com a sobriedade do uniforme camuflado. Eram na sua maioria, soldados negros.
Durante o dia ocorriam outros eventos e cerimónias de cariz vincadamente político - no Estádio Salazar, na Machava - às quais o nosso pai evitava sempre que fossemos, embora teoricamente tivéssemos que nos apresentar uniformizados e enquadrados pela escola. Terminada a parada na Avenida, voltávamos para casa e era quase certa uma ida à praia depois do almoço, quando o sol já não garantisse as inevitáveis e dolorosas queimaduras do meio dia.
O último 10 de Junho a que assisti foi o de 1973 e depois, subitamente, tudo desapareceu.
                                                               * * *
Amanhã é 10 de Junho, dia de Portugal e das Comunidades. Das cerimónias oficiais, pouco há a dizer, sabendo todos ser mais um dia de troca de amabilidades entre os detentores dos cargos políticos, aproveitando-se a oportunidade, para a imposição de condecorações mutiladas (2)  a um imenso rol de incógnitos que garantiram a sua condição de Nobreza da República, por desconhecidos mas decerto preciosos serviços prestados a quem de direito lhes confere as mercês. Os banqueiros, grandes construtores, os correctores, as sumidades desta e daquela Faculdade, o deputado e o amigo eleitoral, o ex-ministro e hoje gestor de ex-empresa pública, todos, todos eles, ascenderão à titularidade de Comendador ou Cavaleiro, numa paródia aos cerimoniais de antanho em que as grã-cruzes eram geralmente concedidas por reconhecidos serviços dos quais a sobrevivência da Pátria dependera. A 250 contos a peça, a Ordem mutilada (2) pretende hoje recompensar simbolicamente o peito que a recebe e isso é por si, um fim e uma forma de distinção e alarde de comprometimento. É legítimo e normal.
Paradas militares, emulando o 14 de Juillet em Paris, o Trooping the Colours em Londres, ou a Fiesta de la Bandera de Madrid, são coisas desconhecidas por cá e quando existem, cobrem as FA com as humilhações decorrentes da falta de meios, com os inevitáveis e obsoletos tanques avariados,  ou "presidentes" de semblantes carrancudos e possivelmente contrariados por homenagear aqueles a quem verdadeiramente devem o lugar. Em Portugal nem sequer temos uma festa civil como os anos da rainha da Holanda! As autoridades limitam-se às habituais trocas de fosquinhas entre si, esquecendo a ralé, nós, o povo.
No processo de de feroz liquefação  do corpo nacional na misturadora de economias e de nações que se conhece pelo prosaico nome de União Europeia, o 10 de Junho perdeu todo o significado identitário e tornou-se numa incómoda data que se torna imperioso distinguir como feriado: a potencial fúria popular assim o exige e se hoje passearmos pelas ruas de cidades, vilas e aldeias, compreenderemos o porquê dessa comemoração. O povo pede-a e quer. Hábil e subrepticiamente liquidado o 1º de Dezembro como incómoda data que nos remete para a ilegitimidade de certas situações a que passivamente nos habituámos, o 10 de Junho torna-se instintivamente na desforra dos pobres e dos fracos que gostosamente viram as costas aos senhores do momento e que vibram - sem sequer saberem porquê -, com a sua nacionalidade e com os seus símbolos velhos de muito séculos. A televisão mostra-nos a alegria popular pela festa nacional, mesmo a milhares de quilómetros de distância: os portugueses que residem ou já nasceram no estrangeiro, são afinal os depositários de um Portugal que teima em não desaparecer na voragem dos míseros interesses da grande economia global, do esquecimento daquilo que fomos e que poderíamos voltar a ser. Industriosos e honestos, civilizados e cumpridores da Lei que os acolheu e protege, os nossos emigrantes são uma reserva da nação. Saibamos honrá-los e compreendê-los.
O regime encontra-se completamente exausto e vazio de ideias mobilizadoras, porque não as pode ter, é contrário ao ethos. Nem a generosidade própria das democracias é sequer considerada de forma simbólica: o 10 de Junho em Portugal, podia transformar-se também, num dia ansiosamente esperado por tantos que aqui residindo e honestamente trabalhando, nos adoptaram como povo, como parte sua e destino: podia ser o dia de uma emotiva cerimónia de concessão da nacionalidade (3). Quantos dos nossos antepassados aprovariam entusiasticamente essa prova de grandeza?!

(1) Na imagem, a Av. D. Luís I, na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo (clicar sobre a foto, p.f.)
(2) Condecorações mutiladas: aquelas que foram adulteradas pelo regime de 1911.
(3) Bem merecem uma compensação pelas grosserias e vexames sofridos quotidianamente no aeroporto e no SEF.

Conservadores e a filosofia, de novo

Como o Samuel publicou um daqueles textos da direita triste, resta-me responder ao voltar a publicar algo que escrevi há uns tempos sobre outro desses "filósofos" conservadores mas que se aplica lindamente a quase toda a "espécie":

Para defender qualquer opinião com um minimo de coerência é util ler o que os nossos opositores vão escrevendo. Foi o que fiz, peguei num livro de um filósofo conservador para ver qual era a ideia geral - escolhi por mero acaso Alexander Boot e o seu livro "How the West was Lost". A ideia geral é que existe um Homem Ocidentel e existe um Homem Moderno e que os dois jamais podem conviver pacificamente. O primeiro depende de uma sociedade aristocrática e do apoio teológico de uma religião que legitime o Direito Divino da Monarquia que torna possivel a tal aristocracia. Pela própria definição de Boot a suposta cultura ocidental que ele defende é feita para uma elite política, económica e militar (e para Boot qualquer aristocracia real tem que controlar absolutamente estes três ramos) por uma elite ainda mais pequena de artista tementes a Deus. A cultura popular podia ser toda posta num caixote de lixo segundo Boot; apesar de ter sérias dúvidas sobre o valor de certas expressões populares actuais não consigo levar a tal extremo o desprezo que esse senhor sente por quase todos os compositores pós-Bach.

O Homem moderno segundo nos quer fazer crer o professor Boot é naturalmente inferior e o seu único propósito desde o inicio da nossa era seria destruir o que o Homem Ocidental cria. Obviamente que temos alguns problemas com esta visão simplista:

1) Para um autor que pensa que o comunismo é satânico demonstra uma visão supreendentemente Hegeliana e Marxista (as duas forças monolíticas que se opõem, o individualismo que nem aparece...).
2) O tratamento dado a uma e outra cultura são desiguais; escolher o topo da criação artística moderna como Bach e depois comparar com o pior que se faz hoje em dia é intelectualmente desonesto, tal como comparar um modelo teórico da monarquia benéfica do passado (inteiramente imaginária) e comparar com os piores regimes que existiram é jogar com as emoções de repulsa do leitor
3) Boot inventa uma noção de perseguição ao tradicionalismo sem nunca investigar muito fundo o porquê (para ele basta-lhe o modelo discutido em 1)). Abandono não é perseguição, por muito que os conservadores torçam o nariz.
4) O notório em todo o livro é a ausência de qualquer reconhecimento que qualquer erro tenha sido cometido pelo Antigo Regime (monarquia absoluta). Mais cego é o que não quer ver.
Por mais que leia e estude não vejo qualquer lógica às queixas do movimento conservador... até os seus filósofos se baseiam em retórica, generalizações e conclusões imaginárias sobre o sentido da história sem demonstrar grande capacidade de criação filosófica ou de investigação histórica.
Outro ponto que me toca no livro (e aqui acabo) é que existem referências à cultura Helénica-Romana e o reconhecimento de que são diferentes da cultura "ocidental" mas Boot tem sempre o cuidade de nem se atrever a fazer qualquer comparação entre essa cultura clássica e a que o Cristianismo inspirou... na minha humilde opinião de leigo penso que o professor Boot sabe quem iria ficar mal visto se tal comparação fosse feita.

Espuma dos últimos dias

Fazer uma breve incursão à feira do Livro e comprar o Sobre a Revolução de Hannah Arendt a €7,5 na Relógio D'Água, ir à sessão da meia noite assistir ao Indiana Jones, que adorei, contrariando o que dizem as más línguas que por aí se ouvem, ir para o Rock in Rio monitorizar uns miúdos que elaboraram reportagens relacionadas com temáticas ambientais, ver o Tim e Jorge Palma completamente destrambelhados a dar um espectáculo de morrer a a rir com o Tim a partir cordas e o Palma a tropeçar nas colunas a caminho do piano enquanto alguém da produção gritava "agora é o solo Palma", ver uma mancha negra de algumas dezenas de milhar de metaleiros assustadores quando os Moonspell começaram a debitar um incomodativo barulho acompanhado por vociferações regurgitantes, culminando a noite num concerto do que seriam os meninos do coro no alinhamento das bandas de quinta-feira, Metallica, no dia seguinte assistir a metade do concerto dos simpáticos Orishas, dançar efusivamente ao som de Buraka Som Sistema e olhar para a cara de chocadas de duas "negronas" mesmo atrás de mim (que só confirma mesmo que Buraka é o chamado Kuduro para Brancos, ou que então danço mesmo muito mal), enquanto o vocalista gritava "quem não cantar com Buraka vá pro caralho", jantar à beira Tejo, voltar para assistir a Linkin Park e relembrar os meus 13/14 anos, ir ao cinema no sábado à tarde ver O Sexo e a Cidade, de que também gostei, jantar e assistir com amigos à excelente exibição e resultado do jogo da selecção, dividir a noite entre Santos e Bairro, acabando na Merendeira, dormir até tarde, ir à feira do livro comprar o manual de Direito Internacional Público da Gulbenkian (estava a ver que não, esgotado que está na livraria da Fundação), e A Bolsa de Max Weber, voltar para casa, faltar ao trabalho e dormir. O que me lembra que agora tenho que ir dormir outra vez. É impressão minha ou ando com adrenalina a mais no sangue?

Agora que o foco sobre o Maio de 68 passou

Ficámos a conhecer pelo Demokrata um excelente texto do Professor Olavo de Carvalho, de onde destaco:

Uma das poucas vozes dissonantes foi Nicolas Sarkozy, que em discurso recente afirmou:

“O Maio de 68 impôs o relativismo moral e intelectual a todos nós. Impôs a idéia de que não existia mais qualquer diferença entre bom e mau, verdade e falsidade, beleza e feiúra. Sua herança introduziu o cinismo na sociedade e na política, ajudando a enfraquecer a moralidade do capitalismo, a preparar o terreno para o inescrupuloso capitalismo das regalias e das proteções para executivos velhacos.”

Reagindo com indignação a essas palavras, o ativista-historiador Tariq Ali – ele mesmo um dos agitadores de 1968 – exclama: “Não me venha com essa, Sarkozy!”. E, imaginando brandir contra o presidente francês argumentos irrespondíveis, pergunta: “Então, nós é que somos responsáveis pela crise do subprime , pelos políticos corruptos, pela desregulamentação, pela ditadura do livre mercado, pela cultura infestada por um oportunismo descarado, pela Enron, pela Conrad Black, entre outras coisas?”

Mas a resposta a essa pergunta é, incontornavelmente, “sim”. O movimento de 1968, que na verdade começou em Harvard em 1967, marcou a conversão mundial da esquerda aos cânones da “revolução cultural” preconizada por Georg Lukács, Antonio Gramsci e os frankfurtianos. A ambição da militância, daí por diante, já não era tomar o poder, nem muito menos implantar o socialismo. Estas metas eram adiadas para depois de conquistado o objetivo primordial: destruir a civilização do Ocidente, corroer até à extinção completa as bases culturais e morais sobre as quais tinha se erigido o capitalismo. Ora, o que é o mais bem sucedido sistema econômico, quando amputado de seus fundamentos civilizacionais e reduzido à pura mecânica das leis de mercado? É um mundo de riqueza sem alma, um inferno dourado.

Sentido

Possivelmente, a frase que melhor resume o que tenho sentido nas últimas semanas:

ao princípio, não era o Estado, mas o Homem, donde será o Estado a ter de se humanizar e não o Homem que se tem de estadualizar (José Adelino Maltez in Sobre o tempo que passa)

Talvez os que se preferem estadualizar devessem ter isto em consideração, antes que seja tarde demais e lhes virem as costas os que se preferem humanizar e o povo que naturalmente prefere a humanização do Estado...

A respeito dos cheques dentista para grávidas e idosos

Aí está mais uma acção eivada de uma demagogia assustadora, ainda mais reforçada pela acção dos mass media. 80 ou 120 euros são uma ajuda claro, mas se uma consulta custa logo esses 80 ou 120 euros, então onde é que as pessoas com menos posses vão arranjar o dinheiro para algum implante, placa ou aparelho? A respeito disto, aqui fica um comentário que dá que pensar, à notícia do Público que revela a vontade da Ordem dos Dentistas de vedar o acesso à profissão:

07.06.2008 - 17h53 - Maria Leonor Bettencourt, Combra
Não percebo os problemas dos dentistas mas percebo os preços deles quando cobram por um implante de titânio com coroa 1500/1600/1800 euros.Assim, em Janeiro consegue-se ir 10 dias ao Brasil com hotel e viagem por 800 euros e um implante numa clínica universitária de reconhecido mérito por 800 euros. Ou seja, por 1600 euros ponho um dente e ainda faço umas boas férias. Se os dentistas portugueses querem ser competitivos têm urgentemente de fazer preços que justifiquem a não ida ao Brasil. E não venham com o argumento dos custos dos materiais que ,sendo iguais aos do Brasil , são tão caros aqui em Portugal. Não colhe os vossos argumentos para justificar a exploração que fazem. Em resumo, vou ao Brasil.

domingo, 8 de junho de 2008

Uma visita ao Mosteiro de Alcobaça






Leio na «Alameda Digital»


sobre a obra de João de Araújo Correia, a quem João Bigotte Chorão aludira já, e fico com vontade de adquirir os livros ora editados pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. Porque fiquei com a impressão de que cultiva um estilo que me prende às palavras.