quarta-feira, 11 de junho de 2008

A respeito da tal gaffe do "Dia da Raça"

(imagem tirada daqui)

Sem dúvida que, como diz o líder do PNR, só numa sociedade dominada pela ditadura cultural da esquerda e do politicamente correcto é que tanta gente fica alegadamente chocada com tal gaffe. E antes que venham desacreditar o mensageiro e pouco se preocupem com a mensagem, tal como parece ser o mote dos que tanto gostam de combater fogo com fogo (tal como fizeram uns tais de Buíça e Costa, entre tantos outros alegados republicanos...), numa espécie de ânsia pela imposição de um pensamento único em conjunto com uma certa intolerância e terminologia pouco polida, há muitos mais que dizem e pensam o mesmo, pelo que deixo aqui umas breves passagens do prefácio de Jaime Nogueira Pinto a um livro de Alain de Benoist (talvez um dos tais de certa direita triste...?) Comunismo e Nazismo - 25 Reflexões sobre o totalitarismo no século XX (1917-1989):

"A hegemonia, ou o quase monopólio cultural da esquerda, na segunda metade deste século (...) assentou em vários factores (...) que vão da cumplicidade e solidariedade corporativas da "República das Letras" até ao papel de enquadramento ideológico e de relativo prestígio social que os modelos socialistas burocráticos atribuíram aos "intelectuais orgânicos"."

"Mas não se percebe a hegemonia e ditadura intelectual das esquerdas sem uma retrospectiva histórica das raízes do "totalitarismo" contemporâneo; isto sem esquecer, como demonstrou Talmon, que ele já tinha aparecido, na Revolução Francesa na Convenção e no Terror, consagrando a "democracia totalitária"."


"Por outro lado, a hipocrisia e amálgama funcionaram: os mesmíssimos literatos que absolveram o comunismo dos "crimes do comunismo" numa casuística de habilidade dialéctica, estão prontos a fazer a amálgama hitlerismo - fascismo italiano - Franco - Salazar - direitas - capitalismo em geral!"

"Assim em relação a um fascismo que nunca existiu, coloca-se o paradoxo da trave mestra do actual regime ser o anti-fascismo ideológico. Esta categoria é essencial para compreender a História política e a problemática da legitimidade do regime português: como nunca na chamada "direita" partidária, isto é, na não esquerda, tal questão foi substancialmente posta e se assistiu a exercícios por parte de personalidades e menos personalidades de apresentarem e manifestarem os seus créditos antifascistas, os comunistas e a extrema-esquerda guardaram uma importância muito maior, por um quarto de século, da que realmente tiveram, ou deviam ter e têm num país que contribuíram significativamente para empobrecer, num tempo em que tudo aquilo em que basearam a sua credibilidade está morto e enterrado. E isto porque contra toda a lógica e toda a racionalidade, a técnica da amálgama, bem servida pela demagogia de uns poucos e pela ignorância ciclópica de quase todos alimentada mediaticamente funcionou: a amálgama é Holocausto = Nazismo = Fascismo = Salazarismo = Nacionalismo = Direita ou lido ao contrário Direita = Nacionalismo, etc., etc."

Já agora, para quem queira ficar a saber um pouco mais sobre o conceito de raça, vale bem a pena ler este post do Professor Maltez, está lá tudo.

E a respeito da demagogia do BE (e também do PCP) ler este post do Nuno Miguel Guedes.

E por último, sabiam que no país dos nossos irmãos, bem mais dominado culturalmente pela esquerda, e bem mais multiracial, e também em Espanha e na américa de língua espanhola, se comemora o Dia da Raça? Enfim...é a "democracia" estúpido!

Já sei o que quero ser quando for grande...


Depois de alertado por um amigo, decidi que quero ter a profissão de intelectual. Pois bem, será que dá dinheiro? Ou que impressiona as miúdas? Será que existe alguma ordem dos intelectuais? E como é que se faz para ter tal profissão? Não sei, mas pelo menos no Partido Comunista parece que é uma profissão em destaque entre os membros do Comité Central...

Não perca

Já a seguir, num país perto de si, a crise que deixará de existir durante hora e meia para logo dar lugar à continuação do processo de retrocesso ao estado natureza...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Dia de Camões: a gaffe presidencial...

Aqui deixamos uma breve nota aos "indignados" senhores republicanos: sabemos muito bem que para o exercício de certas funções, torna-se necessária uma preparação que o modelo por vossas excelências defendido com tanto fervor, se revela totalmente incapaz: é parcial, serve apenas os interesses dos amigos de carreira e é facilmente absorvido pelo nada. É a república no seu melhor.
Hoje confirmou-se plenamente aquilo que no post anterior escrevemos. A Nobreza da República conta com mais umas dúzias de titulares comendadores e para não variar, fazem o pleno do amiguismo imperante no regime, com a habitual troca de favores plasmados em grã-cruzes de ordens adulteradas e o palmadismo na omoplata do sorridente investido. É a recompensa pelo seguidismo, pela calcificação da casta dominante e decidida colocação de correligionários no terreno de futuras lides políticas. A lista de condecorados é eloquente e se excluirmos o melhor alfaiate do mundo, não apresenta qualquer novidade. Tudo isto pelo módico preço de 16 milhões anuais, dúzias de assessores, gaffe atrás de gaffe e um tagarelismo de portentosos lugares comuns.
Uma sugestão dirigida aos "indignados" BE e PC: amanhã mesmo, substituam a bandeira nos mastros. Aquela que se encontra ao lado da partidária.









« Alma até Almeida»

Evoca este grito a importância que teve Almeida, fortaleza que só passou a integrar definitivamente território português no século XIII, com a celebração do Tratado de Alcanizes, na defesa de toda a Beira, face às muitas incursões castelhanas, e a valentia com que os seus guardiões disso fizeram um ponto de honra.

Leio no «Aldeias Históricas» tratar-se de "uma terra pacata, de ruas tranquilas, que a partir de Março se enchem do chilreado alegre das andorinhas. As horas aqui passam devagar".
Foi esta calma no passar do tempo que encontrei das vezes que lá fui, mas como essas idas aconteceram sempre no Outono e Inverno, não me foi dado ouvir aquele chilrear...

Era natural, pois, ter encontrado o casario branco envolvido num nevoeiro tão próprio dessas alturas, até porque a fortaleza funcionou quase sempre como o ponto de partida, e de chegada das peregrinações que nos levavam a conhecer os arredores...

Onde está a mão invisível?

The country's Information and Culture Minister, Iyad Madani, said that the kingdom would work with OPEC to "guarantee the availability of oil supplies now and in the future".

In a statement following the weekly meeting of the Saudi Cabinet, Mr Madani said the current price of oil was unjustified and pledged action to prevent further "unwarranted and unnatural" price hikes.

Se até já os próprios sauditas dizem que o preço do petróleo não se justifica, resta perguntar onde é que anda a mão invisível? Por este andar, qualquer dia os economistas ainda vão ter que deitar fora muita teoria sobre oferta e procura...

«Dos gardenias para ti

Con ellas quiero decir
Te quiero, te adoro, mi vida
Ponles toda tu atención
Porque son tu corazon y el mio»

«E aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando»

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A Alte Kameraden dos 10 de Junho na D. Luís I

Ainda Machado de Assis

Depois de «Quincas Borba» e de «Memórias Póstumas de Brás Cubas», comecei ontem a ler este «Memorial», e já deu para, mais uma vez, confirmar o que do Autor se diz no prefácio: " é o nome central da literatura brasileira e um dos mais singulares clássicos da língua portuguesa"...

10 de Junho: o que foi, o que é e o que poderia ser.


Iniciavam-se os preparativos alguns dias antes da comemoração. Logo de manhã, lá das bandas do quartel da Rua de Nevala, vinha o inconfundível som do rufar de tambores, ao mesmo tempo que o ar se enchia com as fanfarras das marchas que cadenciariam o passo dos soldados em parada. Toda a zona compreendida pela Sommerschield e pela  24 de Julho - a Polana -, habituara-se aos sons marciais que antecediam a festa nacional. As crianças já estariam de férias e disponíveis para emoldurar a Avenida D. Luís I (1) com as suas bandeirinhas, ocupando as primeiras filas dos curiosos espectadores que ritualmente ali regressavam todos os anos. 
Eu e o Miguel acordávamos cedo e vestíamos o uniforme, para logo depois partirmos em direcção à Baixa, à procura do melhor local para assistir à parada. Portugal estava em guerra e a parada militar do 10 de Junho consistia numa evocação dos grandes feitos de outrora, perpetuados no nosso imaginário por aqueles milhares de soldados que diante de nós desfilavam. Recordo-me perfeitamente do bater sincopado das hélices dos helicópteros, do aspecto rutilante das viaturas que desfilavam - os camiões com soldados de luvas brancas e os jeeps com pneus polidos, ostentando as vistosas listas brancas em redor das jantes -, tudo impecável, desde as inúmeras bandeiras dos regimentos, até à banda que tocava marchas a que já nos habituáramos, embora nem lhes conhecêssemos os nomes ou a autoria. Curiosamente, muitos anos depois soube que uma delas, sempre tocada até à exaustão, é a prussiana Alte Kameraden que continua a ser uma das preferidas do repertório das fanfarras do exército. 
O momento alto do desfile estava reservado à cavalaria e o ruído metálico produzido pelas bestas que trotavam  avenida abaixo, deixava a miudagem encantada, acenando freneticamente à passagem muito simbólica de um nostálgico passado que teimava em resistir. A grande ovação do público era sempre dedicada às tropas especiais (1), aquela "gente capaz de todos os sacrifícios e de grandes feitos", tal como ouvíamos dizer na escola.  Chamavam a atenção pelas cores vistosas dos lenços ao pescoço - amarelos ou vermelhos -  e luvas brancas, contrastando  com a sobriedade do uniforme camuflado. Eram na sua maioria, soldados negros.
Durante o dia ocorriam outros eventos e cerimónias de cariz vincadamente político - no Estádio Salazar, na Machava - às quais o nosso pai evitava sempre que fossemos, embora teoricamente tivéssemos que nos apresentar uniformizados e enquadrados pela escola. Terminada a parada na Avenida, voltávamos para casa e era quase certa uma ida à praia depois do almoço, quando o sol já não garantisse as inevitáveis e dolorosas queimaduras do meio dia.
O último 10 de Junho a que assisti foi o de 1973 e depois, subitamente, tudo desapareceu.
                                                               * * *
Amanhã é 10 de Junho, dia de Portugal e das Comunidades. Das cerimónias oficiais, pouco há a dizer, sabendo todos ser mais um dia de troca de amabilidades entre os detentores dos cargos políticos, aproveitando-se a oportunidade, para a imposição de condecorações mutiladas (2)  a um imenso rol de incógnitos que garantiram a sua condição de Nobreza da República, por desconhecidos mas decerto preciosos serviços prestados a quem de direito lhes confere as mercês. Os banqueiros, grandes construtores, os correctores, as sumidades desta e daquela Faculdade, o deputado e o amigo eleitoral, o ex-ministro e hoje gestor de ex-empresa pública, todos, todos eles, ascenderão à titularidade de Comendador ou Cavaleiro, numa paródia aos cerimoniais de antanho em que as grã-cruzes eram geralmente concedidas por reconhecidos serviços dos quais a sobrevivência da Pátria dependera. A 250 contos a peça, a Ordem mutilada (2) pretende hoje recompensar simbolicamente o peito que a recebe e isso é por si, um fim e uma forma de distinção e alarde de comprometimento. É legítimo e normal.
Paradas militares, emulando o 14 de Juillet em Paris, o Trooping the Colours em Londres, ou a Fiesta de la Bandera de Madrid, são coisas desconhecidas por cá e quando existem, cobrem as FA com as humilhações decorrentes da falta de meios, com os inevitáveis e obsoletos tanques avariados,  ou "presidentes" de semblantes carrancudos e possivelmente contrariados por homenagear aqueles a quem verdadeiramente devem o lugar. Em Portugal nem sequer temos uma festa civil como os anos da rainha da Holanda! As autoridades limitam-se às habituais trocas de fosquinhas entre si, esquecendo a ralé, nós, o povo.
No processo de de feroz liquefação  do corpo nacional na misturadora de economias e de nações que se conhece pelo prosaico nome de União Europeia, o 10 de Junho perdeu todo o significado identitário e tornou-se numa incómoda data que se torna imperioso distinguir como feriado: a potencial fúria popular assim o exige e se hoje passearmos pelas ruas de cidades, vilas e aldeias, compreenderemos o porquê dessa comemoração. O povo pede-a e quer. Hábil e subrepticiamente liquidado o 1º de Dezembro como incómoda data que nos remete para a ilegitimidade de certas situações a que passivamente nos habituámos, o 10 de Junho torna-se instintivamente na desforra dos pobres e dos fracos que gostosamente viram as costas aos senhores do momento e que vibram - sem sequer saberem porquê -, com a sua nacionalidade e com os seus símbolos velhos de muito séculos. A televisão mostra-nos a alegria popular pela festa nacional, mesmo a milhares de quilómetros de distância: os portugueses que residem ou já nasceram no estrangeiro, são afinal os depositários de um Portugal que teima em não desaparecer na voragem dos míseros interesses da grande economia global, do esquecimento daquilo que fomos e que poderíamos voltar a ser. Industriosos e honestos, civilizados e cumpridores da Lei que os acolheu e protege, os nossos emigrantes são uma reserva da nação. Saibamos honrá-los e compreendê-los.
O regime encontra-se completamente exausto e vazio de ideias mobilizadoras, porque não as pode ter, é contrário ao ethos. Nem a generosidade própria das democracias é sequer considerada de forma simbólica: o 10 de Junho em Portugal, podia transformar-se também, num dia ansiosamente esperado por tantos que aqui residindo e honestamente trabalhando, nos adoptaram como povo, como parte sua e destino: podia ser o dia de uma emotiva cerimónia de concessão da nacionalidade (3). Quantos dos nossos antepassados aprovariam entusiasticamente essa prova de grandeza?!

(1) Na imagem, a Av. D. Luís I, na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo (clicar sobre a foto, p.f.)
(2) Condecorações mutiladas: aquelas que foram adulteradas pelo regime de 1911.
(3) Bem merecem uma compensação pelas grosserias e vexames sofridos quotidianamente no aeroporto e no SEF.

Conservadores e a filosofia, de novo

Como o Samuel publicou um daqueles textos da direita triste, resta-me responder ao voltar a publicar algo que escrevi há uns tempos sobre outro desses "filósofos" conservadores mas que se aplica lindamente a quase toda a "espécie":

Para defender qualquer opinião com um minimo de coerência é util ler o que os nossos opositores vão escrevendo. Foi o que fiz, peguei num livro de um filósofo conservador para ver qual era a ideia geral - escolhi por mero acaso Alexander Boot e o seu livro "How the West was Lost". A ideia geral é que existe um Homem Ocidentel e existe um Homem Moderno e que os dois jamais podem conviver pacificamente. O primeiro depende de uma sociedade aristocrática e do apoio teológico de uma religião que legitime o Direito Divino da Monarquia que torna possivel a tal aristocracia. Pela própria definição de Boot a suposta cultura ocidental que ele defende é feita para uma elite política, económica e militar (e para Boot qualquer aristocracia real tem que controlar absolutamente estes três ramos) por uma elite ainda mais pequena de artista tementes a Deus. A cultura popular podia ser toda posta num caixote de lixo segundo Boot; apesar de ter sérias dúvidas sobre o valor de certas expressões populares actuais não consigo levar a tal extremo o desprezo que esse senhor sente por quase todos os compositores pós-Bach.

O Homem moderno segundo nos quer fazer crer o professor Boot é naturalmente inferior e o seu único propósito desde o inicio da nossa era seria destruir o que o Homem Ocidental cria. Obviamente que temos alguns problemas com esta visão simplista:

1) Para um autor que pensa que o comunismo é satânico demonstra uma visão supreendentemente Hegeliana e Marxista (as duas forças monolíticas que se opõem, o individualismo que nem aparece...).
2) O tratamento dado a uma e outra cultura são desiguais; escolher o topo da criação artística moderna como Bach e depois comparar com o pior que se faz hoje em dia é intelectualmente desonesto, tal como comparar um modelo teórico da monarquia benéfica do passado (inteiramente imaginária) e comparar com os piores regimes que existiram é jogar com as emoções de repulsa do leitor
3) Boot inventa uma noção de perseguição ao tradicionalismo sem nunca investigar muito fundo o porquê (para ele basta-lhe o modelo discutido em 1)). Abandono não é perseguição, por muito que os conservadores torçam o nariz.
4) O notório em todo o livro é a ausência de qualquer reconhecimento que qualquer erro tenha sido cometido pelo Antigo Regime (monarquia absoluta). Mais cego é o que não quer ver.
Por mais que leia e estude não vejo qualquer lógica às queixas do movimento conservador... até os seus filósofos se baseiam em retórica, generalizações e conclusões imaginárias sobre o sentido da história sem demonstrar grande capacidade de criação filosófica ou de investigação histórica.
Outro ponto que me toca no livro (e aqui acabo) é que existem referências à cultura Helénica-Romana e o reconhecimento de que são diferentes da cultura "ocidental" mas Boot tem sempre o cuidade de nem se atrever a fazer qualquer comparação entre essa cultura clássica e a que o Cristianismo inspirou... na minha humilde opinião de leigo penso que o professor Boot sabe quem iria ficar mal visto se tal comparação fosse feita.

Espuma dos últimos dias

Fazer uma breve incursão à feira do Livro e comprar o Sobre a Revolução de Hannah Arendt a €7,5 na Relógio D'Água, ir à sessão da meia noite assistir ao Indiana Jones, que adorei, contrariando o que dizem as más línguas que por aí se ouvem, ir para o Rock in Rio monitorizar uns miúdos que elaboraram reportagens relacionadas com temáticas ambientais, ver o Tim e Jorge Palma completamente destrambelhados a dar um espectáculo de morrer a a rir com o Tim a partir cordas e o Palma a tropeçar nas colunas a caminho do piano enquanto alguém da produção gritava "agora é o solo Palma", ver uma mancha negra de algumas dezenas de milhar de metaleiros assustadores quando os Moonspell começaram a debitar um incomodativo barulho acompanhado por vociferações regurgitantes, culminando a noite num concerto do que seriam os meninos do coro no alinhamento das bandas de quinta-feira, Metallica, no dia seguinte assistir a metade do concerto dos simpáticos Orishas, dançar efusivamente ao som de Buraka Som Sistema e olhar para a cara de chocadas de duas "negronas" mesmo atrás de mim (que só confirma mesmo que Buraka é o chamado Kuduro para Brancos, ou que então danço mesmo muito mal), enquanto o vocalista gritava "quem não cantar com Buraka vá pro caralho", jantar à beira Tejo, voltar para assistir a Linkin Park e relembrar os meus 13/14 anos, ir ao cinema no sábado à tarde ver O Sexo e a Cidade, de que também gostei, jantar e assistir com amigos à excelente exibição e resultado do jogo da selecção, dividir a noite entre Santos e Bairro, acabando na Merendeira, dormir até tarde, ir à feira do livro comprar o manual de Direito Internacional Público da Gulbenkian (estava a ver que não, esgotado que está na livraria da Fundação), e A Bolsa de Max Weber, voltar para casa, faltar ao trabalho e dormir. O que me lembra que agora tenho que ir dormir outra vez. É impressão minha ou ando com adrenalina a mais no sangue?

Agora que o foco sobre o Maio de 68 passou

Ficámos a conhecer pelo Demokrata um excelente texto do Professor Olavo de Carvalho, de onde destaco:

Uma das poucas vozes dissonantes foi Nicolas Sarkozy, que em discurso recente afirmou:

“O Maio de 68 impôs o relativismo moral e intelectual a todos nós. Impôs a idéia de que não existia mais qualquer diferença entre bom e mau, verdade e falsidade, beleza e feiúra. Sua herança introduziu o cinismo na sociedade e na política, ajudando a enfraquecer a moralidade do capitalismo, a preparar o terreno para o inescrupuloso capitalismo das regalias e das proteções para executivos velhacos.”

Reagindo com indignação a essas palavras, o ativista-historiador Tariq Ali – ele mesmo um dos agitadores de 1968 – exclama: “Não me venha com essa, Sarkozy!”. E, imaginando brandir contra o presidente francês argumentos irrespondíveis, pergunta: “Então, nós é que somos responsáveis pela crise do subprime , pelos políticos corruptos, pela desregulamentação, pela ditadura do livre mercado, pela cultura infestada por um oportunismo descarado, pela Enron, pela Conrad Black, entre outras coisas?”

Mas a resposta a essa pergunta é, incontornavelmente, “sim”. O movimento de 1968, que na verdade começou em Harvard em 1967, marcou a conversão mundial da esquerda aos cânones da “revolução cultural” preconizada por Georg Lukács, Antonio Gramsci e os frankfurtianos. A ambição da militância, daí por diante, já não era tomar o poder, nem muito menos implantar o socialismo. Estas metas eram adiadas para depois de conquistado o objetivo primordial: destruir a civilização do Ocidente, corroer até à extinção completa as bases culturais e morais sobre as quais tinha se erigido o capitalismo. Ora, o que é o mais bem sucedido sistema econômico, quando amputado de seus fundamentos civilizacionais e reduzido à pura mecânica das leis de mercado? É um mundo de riqueza sem alma, um inferno dourado.

Sentido

Possivelmente, a frase que melhor resume o que tenho sentido nas últimas semanas:

ao princípio, não era o Estado, mas o Homem, donde será o Estado a ter de se humanizar e não o Homem que se tem de estadualizar (José Adelino Maltez in Sobre o tempo que passa)

Talvez os que se preferem estadualizar devessem ter isto em consideração, antes que seja tarde demais e lhes virem as costas os que se preferem humanizar e o povo que naturalmente prefere a humanização do Estado...

A respeito dos cheques dentista para grávidas e idosos

Aí está mais uma acção eivada de uma demagogia assustadora, ainda mais reforçada pela acção dos mass media. 80 ou 120 euros são uma ajuda claro, mas se uma consulta custa logo esses 80 ou 120 euros, então onde é que as pessoas com menos posses vão arranjar o dinheiro para algum implante, placa ou aparelho? A respeito disto, aqui fica um comentário que dá que pensar, à notícia do Público que revela a vontade da Ordem dos Dentistas de vedar o acesso à profissão:

07.06.2008 - 17h53 - Maria Leonor Bettencourt, Combra
Não percebo os problemas dos dentistas mas percebo os preços deles quando cobram por um implante de titânio com coroa 1500/1600/1800 euros.Assim, em Janeiro consegue-se ir 10 dias ao Brasil com hotel e viagem por 800 euros e um implante numa clínica universitária de reconhecido mérito por 800 euros. Ou seja, por 1600 euros ponho um dente e ainda faço umas boas férias. Se os dentistas portugueses querem ser competitivos têm urgentemente de fazer preços que justifiquem a não ida ao Brasil. E não venham com o argumento dos custos dos materiais que ,sendo iguais aos do Brasil , são tão caros aqui em Portugal. Não colhe os vossos argumentos para justificar a exploração que fazem. Em resumo, vou ao Brasil.

domingo, 8 de junho de 2008

Uma visita ao Mosteiro de Alcobaça






Leio na «Alameda Digital»


sobre a obra de João de Araújo Correia, a quem João Bigotte Chorão aludira já, e fico com vontade de adquirir os livros ora editados pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. Porque fiquei com a impressão de que cultiva um estilo que me prende às palavras.

Para meditar

Portugal, Brasil & Madeira =2 Otomanos = 0

sábado, 7 de junho de 2008

Ainda na Beira,

e ao fim de uma viagem que começara bem cedo no Fundão, encontrámos, no concelho de Idanha-a-Nova, alcandorada num alto monte («Mons Sanctus»), uma aldeia de granito, onde as casas, de telhados dourados pelo pôr-do-sol de Outono, trepavam por caminhos muito íngremes.
Nela as pessoas, também aqui quase todas idosas, conviviam harmoniosamente com várias espécies de animais dóceis no contacto com estranhos.
Foi, desde logo, grande a empatia com aquelas mulheres vestidas de preto que, sentadas no degrau das casas de granito, nos acenavam com os adufes e marafonas.
Deixámos aquele lugar compreendendo o porquê de Monsanto ter sido considerada a «Aldeia mais Portuguesa de Portugal»...


sexta-feira, 6 de junho de 2008

No Grand Monde

Vejam este blog do Aviador

Ainda o malfadado rotativismo

Como os Bourbons em França, os políticos em Portugal, depois de tanto tempo, nada esqueceram e nada aprenderam; pior, não dão sinal de querem sair deste poço sem fundo, aonde nos conduziram...

Porto, 6 de Junho de 1808: há 200 anos!


Há duzentos anos, era preso no Porto o general francês Quesnel e restaurava-se a Casa de Bragança.

Kitsch mais kitsch não há! O almoço, ou a natureza mais que morta.


Cliquem o rato sobre as fotos!

No vale-tudo do nosso microscópico mundo do tudo-a-correr-e-agora, descobri este fabuloso testemunho do fim dos nossos velhos usos e costumes. Num pequeno café perto de casa, deparei com esta linda montra que anuncia a iguaria sempre disponível a baixo (?) preço. Para ilustrar a oferta, o proprietário decidiu-se por uma moderníssima instalação sobre a mesa, onde as já conhecidas - ilusórias e até infames - fotografias, são substituídas por uma paródia em plástico. Apetece-vos almoçar?

*Desconfio que o autor será brevemente convidado a expôr num dos museus da moda...

Véu islâmico continuará proibido nas universidades turcas


Não me parece ser uma questão fundamental, embora por princípio seja levado a concordar, dadas as evidentes implicações decorrentes da política dos nossos dias e do claro aproveitamento da medida por certos sectores. A intenção em paulatinamente se ir demolindo a laicidade do Estado turco e conformar a legislação à sharia, não nos deve fazer esquecer o fortíssimo movimento social para a manutenção da separação Estado/mesquita. Uma Turquia a caminho do fundamentalismo consiste numa improbabilidade, mas Erdogan tem vindo a habilmente maquilhar essa via, usando como argumento os "partidos correspondentes democrata-cristãos" europeus. É impossível descobrir no jogo político, um argumento mais falacioso.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

ADERI ! A partir de hoje também apoio. E vocês?

Foi na campanha para a fundação do


Partido Regenerador Liberal que o homem de Alcaide cunhou o termo «rotativismo».
Dele diz Rocha Martins "(...) não hesitava em dizer, com a sua habitual semcerimónia, o que entendia (no parlamento) .Era o início da liberdade política..."

«Sede sempre um homem de bem»,

disse, comovido, Fontes Pereira de Melo a João Franco, quando este respondeu : «Não, não retiro; são as ordens que trouxe dos meus eleitores, quando as fui receber a Guimarães»...
O político fora eleito, em 1884, deputado por este círculo , e apresentara no Parlamento um projecto advogando uma maior autonomia do concelho, no que foi apoiado por Fontes, mas como tal pretensão tivesse sido mal recebida pela Oposição, este, a fim de acalmar os ânimos, sugeriu-lhe a sua retirada.
Lucidez, firmeza, iniciativa, sem ceder a pressões...