quinta-feira, 5 de junho de 2008

«Sede sempre um homem de bem»,

disse, comovido, Fontes Pereira de Melo a João Franco, quando este respondeu : «Não, não retiro; são as ordens que trouxe dos meus eleitores, quando as fui receber a Guimarães»...
O político fora eleito, em 1884, deputado por este círculo , e apresentara no Parlamento um projecto advogando uma maior autonomia do concelho, no que foi apoiado por Fontes, mas como tal pretensão tivesse sido mal recebida pela Oposição, este, a fim de acalmar os ânimos, sugeriu-lhe a sua retirada.
Lucidez, firmeza, iniciativa, sem ceder a pressões...

O Dilema do Regime: 1. Os Progressistas (PS?) e os Regeneradores (PSD?)


O aparente declínio da actual maioria parlamentar e a eleição do novo presidente do maior partido da oposição, são demonstrativos do funcionamento daquilo a que em Portugal se convencionou chamar de "rotativismo". Expressão cunhada nos finais do século XIX e à época conotada depreciativamente, espelha afinal a natural alternância no poder de forças que aparentemente antagónicas nas suas bases programáticas e sociais, são a essência da manutenção daquilo a que os marxistas apodaram de "democracia burguesa". Este tipo de organização constitucional firma o seu edifício no primado da Lei, liberdade de pensamento, expressão e reunião e os consequentes direitos adquiridos ao longo do processo de modernização social que se estenderam à saúde, educação, habitação, etc. Portugal foi um dos Estados pioneiros na construção daquilo que se convencionou designar por liberalismo, pois a consolidação do regime da Carta a partir da década de 60 - a Regeneração -, normalizou o relacionamento inter-institucional, criou as condições para um impressionante desenvolvimento económico e possibilitou o país a constitucional e gloriosamente consagrar ad eternum princípios fundamentais, como a abolição da pena de morte.

O sistema "rotativo" pareceu funcionar com a normalidade decorrente da relação momentânea de forças e mercê da ainda muito incipiente opinião pública oitocentista que esmagadoramente se concentrava nas duas maiores cidades do país e que dependia do funcionalismo do Estado, da imprensa ao serviço dos interesses económico-políticos e como é evidente, das grandes correntes da opinião intelectual que sorviam as influências culturais francesas ou inglesas. Uma das questões que os rivais da Instituição Real levantavam ciclicamente, era o alegado comprometimento do Chefe do Estado com o poder executivo, do qual verdadeiramente fazia parte, pois a Carta atribuía-lhe um papel decisivo na escolha dos ministérios.  Não gozando de fortuna pessoal, nem beneficiando de uma vasta rede de contactos e amizades - ou vínculos familiares dentro do país -, o monarca tinha sempre um difícil exercício de decisão, pois a Guerra Civil e o consequente fim dos morgadios, ditou a liquidação da nobreza como estrato de decisiva influência política e económica, onde a Coroa pudesse encontrar fortes esteios, à semelhança do que acontecia no Reino Unido, Itália, Prússia ou Império Austríaco (estes dois últimos Estados com uma fortíssima componente militar e terratenente). Desta forma, o hiato foi preenchido pela burguesia citadina de comerciantes, funcionários públicos e pela episódica emergência de um sonante nome militar cuja patente era rapidamente diluída na camaradagem partidária.  Mas este sistema de co-responsabilidade da Coroa, era conveniente aos partidos que mutuamente se digladiavam nas antecâmaras do poder, ao mesmo tempo que frequentemente deixavam o monarca naquilo a que se chamava "ficar a descoberto". Desta forma, os caudilhos políticos alijavam as suas evidentes responsabilidades, remetendo as decisões para o detentor do trono, o poder moderador. O próprio sistema eleitoral censitário - muito alargado para a época e em nada restritivo se o compararmos com o que se passava na restante Europa liberal, ou com os cadernos eleitorais do regime pós-5 de Outubro -, criava as condições para o normal funcionamento da alternância nos cadeirões de S. Bento e nos gabinetes do Terreiro do Paço. Era a normalidade e a república coroada.

As endémicas dificuldades económicas de um país que despendeu um enorme esforço para a modernização de infra-estruturas (estradas, pontes, portos e caminhos de ferro do Fontismo) susceptíveis de criar novos mercados e dinamizar os centros produtores e exportadores, fizeram sublimar a prodigiosa altura, o decisivo papel do Estado na economia, pois a iniciativa privada nacional não contava com capitais que possibilitassem por si, o almejado arranque industrial verificado na Europa ocidental (R.U., França e Bélgica) e central (Impérios Alemão e Austro-Húngaro). O recurso ao crédito externo numa economia muito dependente da conjuntura internacional - as exportações - e do ingresso de divisas - os dinheiros provenientes da emigração no Brasil -, tornou-se norma e a ele recorreram os governos de ambos os partidos do sistema, os Regeneradores e os Progressistas. Convencionando-se serem os Regeneradores a força "conservadora" e os Progressistas o sector "avançado" no Parlamento, parecia assim existir uma verdadeira possibilidade de escolha programática dos eleitores, mas de facto, a eleição dos deputados dependia sempre do governo no poder, não se furtando ao jogo e combinações, ambos os partidos constitucionais e o novel partido republicano que servia de arma de arremesso consoante o interesse do momento. Na verdade, nada de substancial separava em termos de organização social e económica estas três forças, duas delas hegemónicas e outra, apenas circunscrita a um pequeno número de activistas crentes numa ignota fé redentora e de negação da situação que todos partilhavam. O embuste republicano baseou-se assim, no simples imaginário de miríficas glórias de um porvir que chegaria pela simples mudança de símbolos.  Neste aspecto - exemplificado pelo famoso bacalhau a pataco de 1909 -, o nosso Portugal de 2008 não é substancialmente diferente, porque existe uma irresistível vontade em acreditar num futuro límpido e próspero, obra de messiânicos taumaturgos todo-poderosos. É o mito, a fé que degenera sempre na simples e preguiçosa crendice, na qual a entrada do país para a então CEE consistiu num poderoso estímulo para a inércia e o laissez-faire tradicional.

O início do século XX e as dificuldades económicas internacionais, colocaram o "rotativismo" em questão, pois a ele se atribuíam as responsabilidades pela instável vida parlamentar - o português comum desconhecia e desconhece ainda em absoluto, a realidade dos Parlamentos da França, Espanha, Áustria, Itália, ou Alemanha, onde os confrontos eram e ainda o são hoje - muito mais belicosos que aqueles amplamente noticiados pela imprensa lisboeta, o que causava as mais díspares procuras de causas para o aparente insucesso do sistema. Na realidade, tanto os Regeneradores como os Progressistas ou os novéis Republicanos, tinham idênticas concepções de organização social e económica, mas os últimos beneficiavam claramente do recurso  ao mito redentor pela destruição da ordem constitucional estabelecida e as ociosas massas lisboetas ouviam o discurso iconoclasta, dando-lhe expressão na algazarra arruaceira. Não surgiam claramente - como o verdadeiro Partido Socialista já à época anunciava - com um programa de largo espectro social, de sindicalização do operariado, nem de apropriação de terras ou indústrias, mas como mero artífices de uma estrutura onde a trilogia de 1789 aparecia eivada de sortilégios capazes de regenerar o corpo pátrio.  Como é evidente, os republicanos propunham a separação da Igreja e do Estado - Igreja que de facto era controlada pelo governo liberal -, como ponto fundamental da modernização social e a abolição da realeza na qual viam o empecilho ao desenvolvimento material do país, sem que contudo conseguissem explicar cabalmente a necessidade da substituição da instituição a quem cabia a chefia do Estado. Alicerçados em sólida e ininterrupta campanha demagógica, os partidos que entre si pouco se distinguiam, procuravam afinal colher os benefícios do exercício do poder, sendo Portugal um exemplo no qual o Estado servia de amortecedor às cíclicas crises de desemprego, possibilitando obras públicas, trabalho - secretarias, empresas participadas pelo Estado, sector escolar  e forças armadas - e decisiva influência na conquista de oportunidades económicas no âmbito nacional - Metrópole e Colónias - e internacional - contratos de obra, aquisições, comércio externo. O 5 de Outubro e o regime de hegemonia do "partido democrático", liquidou o sistema constitucional representativo ao qual o país deveu a sua adequação ao modelo europeu ocidental, sem  que se tivessem simultaneamente alterado de forma substancial a correlação de forças em termos sociais e económicos. A agitada e violenta política nacional conduziu directamente a uma experiência autoritária de cinco décadas, esbatendo-se a normal evolução que se verificara noutros países cuja fórmula constitucional não diferia substancialmente da portuguesa.

O "rotativismo" era e continua a ser o sistema da normalidade e de paz social num regime de garantias e liberdades. Se o século XX pareceu consagrar a divisão - aproximadamente em campos de forças numericamente equivalentes - de "conservadores e trabalhistas", a queda do comunismo e a emergência do modelo neo-liberal de economia, distorceu e comprometeu a distinção mais ou menos clara existente entre aqueles e assim, a criação daquilo a que hoje designamos de "centrão", coloca em sérias dificuldades a catalogação das até há pouco pacificamente aceites distinções de Esquerda e Direita, que surgem mais que nunca, confinadas a residuais extremos do espectro político partidário.

O Portugal de 2008 encontra-se plenamente submerso no dilema da falta de verdadeira alternativa de modelo político, económico e social, num momento em que a inclusão do país na União Europeia parece secundarizar os reais interesses da manutenção do país como entidade independente no concerto das nações. Urge assim, proceder a uma reorganização partidária que inevitavelmente trará profundas alterações nas normas constitucionais e no sistema eleitoral.*

(continua)


Eu vou...

...ao Rock in Rio, e vou estar fora do ar nos próximos 2/3 dias! Até lá, boa sorte à selecção nacional!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Obama, Clinton ou McCain


A simples ideia de que uma destas três criaturas - Obama, Hillary Clinton ou McCain irá ter o poder de vida ou morte sobre o planeta inteiro, enraíza ainda mais as minhas convicções contra a forma republicana de representação do Estado. É que neste ponto, não se trata apenas de uma simples honorabilidade ou de um poder moderador controlado pelo Parlamento, mas sim de um livre arbítrio descomunalmente efectivo. Hoje em dia, Luís XIV ou Catarina a Grande, seriam de facto, presidentes da república.

Foto com História: o Moçambique colonial nos anos 50

Já que andamos de vez em quando a postar umas fotos com história, não resisti a colocar esta da minha mãe, tirada nos já longínquo ano 58. Foi feita numa exposição que fez no Núcleo d'Arte de Lourenço Marques, havia uma recepção a uma "alta individualidade" qualquer (como na altura se dizia) e assim, lá vinha o vestido a preceito. E pensar que me fartei de ouvir gente*  em 1974-75 a perguntar se nos vestíamos com peles de leões, etc...

* Idiotas

Flor do linho



e "arrincada":
«Fins de Junho, começos de Julho. O sol bebeu o orvalho do linho. São muito " hórinhas" de o " arrincar"»...

Mas atenção, porque «Trabalhos do linho, querem sol e vinho».

Origens Ocidentais

Há muito tempo (relativamente) fiz um certo comentário num post de algum outro membro desta casa que quando discutimos a noção raízes da “ocidentalidade” convém não limitar a coisa à religiosidade medieval – como se a ideia de Europa e os conceitos que estão na sua base não estivessem presentes muito antes do primeiro cristão andar por Roma. Na altura lembro-me que falei da civilização grega como matriz pela qual ainda nos regemos. Não obviamente na sua totalidade porque nada deve ser estático, mas alguns conceitos chave que estão presentes nas nossas noções políticas, sociais e mesmo até linguísticas – e sim sou da opinião que a língua apesar de não limitar influencia grandemente a nossa percepção do mundo, e aí o contraste entre a mentalidade grega e por exemplo chinesa é gritante. A Igreja no fundo pouco fez que não fosse um trabalho de conservação (e deturpação) do legado clássico e pré-clássico grego e romano – as múltiplas renascenças medievais correspondem a redescobertas de conceitos clássicos, como por exemplo o direito canónico a partir do séc. XII que é uma reciclagem de direito romano imperial. Mesmo depois do séc. XVI altura em que se atinge o ponto em que talvez uma nova civilização supere os antigos em vários níveis a Europa também deixa de se definir pela uniformidade religiosa e política, aliás em grande parte o seu dinamismo fica a dever-se à sua diversidade. Mesmo nesta nova época de luzes as ideias clássicas fazem outro retorno com as novas Repúblicas e com o legado mais geral da participação geral na vida pública que deixa de estar limitada (pelo menos potencialmente) a uma clique.

Sinceramente fora desses dois pólos (Atenas e Roma) não vejo grande vida no Ocidente. O facto de essas formas serem recicladas não nos deve fazer esquecer as suas origens. Isto claro sem cair em arcaísmo e sonhos de idades de ouro perdidas, é preciso saber reconhecer que independentemente da sua grandeza nenhuma cultura é perfeita ou a fonte de tudo o que é positivo neste mundo. O debate do monopólio da virtude é algo extremamente improdutivo.

Para tornar as coisas ainda mais atípicas


Isto faz-me lembrar um certo episódio da série Commander in Chief, que de forma épica, com aquelas músicas tão características das demonstrações de grandeza cinematográfica norte-americana, termina com a presença da Presidente, interpretada por Geena Davis, e do Chief of Staff, interpretado por Harry Lennix, na Sala Oval. Uma mulher e um afro-americano na Casa Branca. Os aguerridos WASP masculinos devem andar contentíssimos! De qualquer das formas, Hillary fez bem em ir até ao fim, garantiu que Obama terá que negociar com ela.

Presburgo


Bratislava é a capital e principal cidade da Eslováquia. Até 1919, Preßburg.
Em húngaro até aos nossos dias chama-se Pozsony.

A cidade situa-se no sudoeste do país, perto das fronteiras austríaca (1,5 km para a Áustria, 60 km para Viena), húngara (5km, 60 km de Györ e 180 de Budapeste) e checa (75 km, 300 para Praga).

Com 427 mil habitantes, é a maior cidade do país.
Apesar dos eslovacos se queixarem do trânsito, este é virtualmente inexistente na cidade, apesar de ocorrerem ligeiros engarrafamentos nas horas de ponta na entrada e saída da cidade. Qualquer Av. de Berna ou Av. da República as 9 da manhã estão mais paradas do que Bratislava :)

Até agora, tem estado um calor húmido infernal, capaz de deixar qualquer Alentejano (mesmo que adoptado, como eu) de rastos, com as camisas a colarem-se ao corpo no fim do dia.
Durante os próximos dias irei colocar, além de fotos, singelas descrições do que vale a pena cá visitar.
Já agora, na foto acima é possível vislumbrar a parte velha, não socialista, de Bratislava, com especial destaque para o seu castelo.

Assim vai a diplomacia cultural portuguesa

Recebo, atrasada, a notícia há muito esperada: o IPOR (Instituto Português do Oriente) encontra-se em ruptura financeira e já nem dinheiro tem para pagar aos funcionários. Resultado de amadorismo, inépcia e completa ausência de informação de base sobre como fazer e manter a actividada daquele que foi, no tempo do saudoso António Vasconcellos de Saldanha, um modelo de diplomacia cultural portuguesa na Ásia, ao actual IPOR só resta fechar as portas, vender as carpetes e lavrar epitáfio. É uma pena e uma grandessíssima vergonha para a imagem de Portugal, das nossas embaixadas, dos nossos leitores e lusófilos que se tenha dissipado por inveja o árduo trabalho de planeamento e execução que Saldanha por ali realizou. Onde quer que se vá, aqui na Tailândia, como na Malásia, na Indonésia, no Vietname e na China, o coro é unânime: "no tempo do Saldanha as coisas começaram a brilhar, falavam de nós, tinham respeito pelas nossas edições, pelas nossas conferências e colóquios; agora, é a apagada e vil tristeza".

Miguel Castelo-Branco in Combustões

Anedótico

O delegado do Ministério Público de Amã, Hasán Abdulá, acusou terça-feira 17 publicações periódicas dinamarquesas de «difamação e desrespeito» pelo profeta Maomé e emitiu notificações para 20 editores de jornais diários e caricaturistas dinamarqueses para que compareçam em tribunal, na Jordânia.

Em Abril, um grupo de órgãos de comunicação social e partidos políticos jordanos apresentou uma queixa, depois de vários periódicos dinamarqueses voltarem a publicar em Fevereiro caricaturas polémicas do profeta Maomé, consideradas ofensivas no mundo islâmico.

«As autoridades jordanas comunicarão as notificações aos acusados, através da Embaixada da Dinamarca em Amã», explicou o activista Zakaria al Sheij, director da campanha «O Mensageiro (Maomé) Une-nos», desenvolvida pelos grupos que apresentaram a queixa.

«Caso não compareçam, serão emitidos mandados de captura para que sejam levados a tribunal pela Interpol», disse Al Sheij, em declarações aos jornalistas.

Ainda há uns meses a Rainha Rania andava a querer promover canais no Youtube e mostrar a verdadeira cultura islâmica ao mundo, e vêm agora estes seus súbditos mostrar precisamente o contrário. Nem preciso de explanar sobre as óbvias anedotas nesta peça, entre a notificação dos jornalistas dinamarqueses para comparecer a um tribunal jordano por difamação do profeta Maomé e a ameaça de mandados de captura da Interpol para compulsoriamente os levar a tribunal, não sei qual delas é melhor ou mais risível. Lembra-me alguém que muito recentemente me dizia que para fazer uma queixa/reclamação contra uma empresa ia levar essa queixa ao Tribunal da Haia...

Finalmente

O senador Barack Obama será o candidato democrata às eleições presidenciais norte-americanas, avança a CNN. Segundo as projecções daquela estação, Obama conseguiu já os 2118 delegados à convenção democrata que lhe garantem a nomeação.

Já chateava tanto enredo à volta da nomeação democrática. Isto promete, pela primeira vez na História, um afro-americano irá disputar a corrida presidencial norte-americana. Vamos ver o que vem por aí nos próximos meses...

Este ano...

...sem financiamento da Câmara, com os pescadores em terra e a consequente falta de sardinhas, e se bem me recordo das leis básicas do mercado, com a oferta reduzida e a procura em alta o preço dessas tenderá a aumentar, será que vão haver Santos em Lisboa?

O post 1000

O post abaixo marca o post 1000 do Estado Sentido. Obrigado a toda a equipa. Reformulações estão para breve...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Fotografias

com história, Nuno? Pode ser a dos meus avós maternos?
Queria a blusa da minha avó; sempre foi fiel ao traje minhoto- só mudava a cor, com o decorrer dos anos...
E as arrecadas e cordão? Será que os guardava na Cantarinha das Prendas?

A Birmânia Felix...


É verdade, não se tem falado disto! Passou de moda, ou a Junta caiu?

Foram várias

as pessoas que, ao longo dos anos, ia vendo e ouvindo na televisão e foram importantes para mim, porque sempre acrescentavam alguma coisa, e tenho em mente, por exemplo, aquele Professor de Linguística, que muito me ensinou sobre a Língua Portuguesa; mas nenhuma foi tão fundamental como o Professor José Hermano Saraiva.
Andava ainda nas Escola Primária, quando comecei a ficar presa ao ecrã sempre que ele surgia com o programa «O Tempo e a Alma». Data de então o gosto pela História, que tive a sorte de ver continuado quando tive um excelente primeiro Professor da disciplina-o Dr. Rui Madureira. Foi tão fácil ficar contagiada por aquele entusiasmo...
Já mais tarde, para onde quer que fosse, para melhor conhecer Portugal, não saía de casa sem o livro com o mesmo nome: «O Tempo e a Alma-Um Itinerário Português»...

Ora bolas

Acabei de descobrir que a minha tese é uma “think piece” brilhante mas um estudo detalhado insuficiente. Está visto que não fui feito para os detalhes. Ao menos esta já está despachada apesar de poder ter corrido melhor.

Desculpem lá a nota pessoal…

SELECÇÃO NACIONAL DE FUTEBOL: VIVAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!


O passado domingo foi um dos grandes dias da nossa História. A Selecção Nacional despediu-se do país que lavado em lágrimas e corações ao alto, saiu à rua, foi a loja chinesa mais próxima para comprar a bandeira e postou-se diante do Palácio de Belém e ao longo do trajecto para o aeroporto, vitoriando os já mais que garantidos campeões da Europa e arredores.
Tal como na Coreia do Norte a tv estatal passa sucintos programas de vinte e três horas diárias sob temas tão interessantes como o dia do nascimento do Querido Líder, ou as especificidades daquela portentosa rosa criada pelos cientistas pyonguianos - a famosa Kimilsunya -, a RTP, SIC e TVI decidiram unir esforços tal como novéis três mosqueteiros e brindaram-nos com uma inolvidável sessão que durou todo o dia. Jornalistas pivot, batedores com motas, seguranças, helicópteros, comentadores de futebolês em directo - entre os quais o genial prof. Marcello -, velhas glórias da Nação, ou seja, um tremendo esforço de demonstração da nossa pujança e de antecipada comemoração de estrondosa vitória. Foi maravilhoso.
Vimos de tudo, desde o senhor Francelino apanhador de caracóis, ao Zé Rasca que é dono daquela leitaria de 5º andar onde trabalham senhoras ali para os lados do Conde Redondo. Vieram famílias inteiras fardadas a rigor com as cores do Burkina Faso, pois há que solidarizarmos-nos com quem precisa. Lá estiveram as senhoras das rutilantes dentaduras da Caixa de Previdência, as modistas de saia-saco, os senhores de boné à taxista e a gente chique do jet 7 das Telheiras, com as filhas louraças de barriga à mostra e piercing-chuveiro no umbigo. Todos juntos, todos diferentes mas todos iguais, no apoio a quem merece, pois aquela vintena da rapazes sacrificam-se à grande pelo nosso bem estar e pela preservação da nossa identidade como povo orgulhoso dos seus.
O serviço da RTP primou pela excelência, pois conseguiu penetrar nos cantos mais recônditos do "palácio presidencial" e assim partilhámos gloriosos momentos com os heróis. De mão esquerda no bolso lá davam com a direita o passou-bem ao senhor Aníbal que não resistiu em chamar os netos para usufruírem de inolvidáveis momentos que decerto marcarão uma prometedora carreira ao serviço do Estado. Não conseguimos vislumbrar a fritadora de sonhos e este foi o único ponto negativo da festança. Em momentos de alegre descontracção vimos os nossos jogadores na risota e dando as costas ao anfitrião, enquanto alguns habilidosamente limpavam os dentes com a língua, eliminando resquícios de croquete embutidos nas fendas interdentais. Houve quem coçasse o rabo, tirasse cera das orelhas ou simulasse bufas com a boca, talvez em silencioso e expressivo comentário à gritaria que o povo lá fora vozeava num estrondoso vivório sem fim. Na verdade, é quase o clímax de uma agitada campanha eleitoral e muitas das caras são as mesmas, pois os partidos e os clubes estão no coração de todo o verdadeiro democrata de longa data.
Foi um inesquecível dia em que como por milagre sumiram - por um mês inteiro -, as preocupações decorrentes do aumento da gasolina, do fecho das maternidades ou da revisão em baixa do crescimento da economia. O Júdice do betão da frente ribeirinha de Lisboa, poderá finalmente trabalhar em paz. O António Costa pode pedir empréstimos à vontade, desde que coloque a varanda onde se "instaurou a república", à disposição dos inevitáveis campeões nacionais. Ninguém vai ligar uma figa ao traçado do imprescindível TGV, assim como às já iniciadas manobras para a construção do aeroporto. Outros negócios não deixarão de movimentar a economia, pois o Bairro Alto andará num frenesim de clientes para a branca, cavalo, pastilhas, bolota, pólen e super-bok, enquanto o Conde Redondo vai ficar numa fona às misses tatuadas e piercingadas a preceito. Vai ser um festival de Neuzas, Vanessas, Cátias, Solanges, Vanuzas, Vânias, Vandas, Soraias, Petras ou Marlenes, acompanhando os Fábios ou Énios, com uns Martim e Bernardos pelo meio, a armar ao pingarelho.  Será uma farra das grandes e se começarmos logo por ganhar aos otomanos, então nada nos deterá, porque aos suíços até os comemos todos, com buracos no Emmental e tudo! Estamos tão europeus como os outros, porque em Espanha as Laras, Núrias, Nereidas, Lolas, Gemas, Sonsoles, Tamaras, Marisoles, os Quiques, Pepes, Paquitos e as Conchitas fizeram o mesmo. Na Itália as Ginas, os Ginos, Dinos, Tinos, Filibertos, Ugos, Enzos e as Sandras também encheram a Piazza Venezia.Tendo este ano ficado de fora as Kattys, Gemmas, Vickys, Toms, Ralphs, Dicks, Johnnys e Chelsys, temos pelo menos outros para nos divertir. Em França é a mesma alegre febre, com os Mathieus, Ahmeds, Céciles, Carlas e Rémis a preparar os cocktail molotov. Na Alemanha, as Elkes,  Eitels, Fritz, Eikes, Elgas, Heikos, Kais, Uwes e Joergs já tiraram do armário os capacetes com cornos e as canecas de cerveja, enquanto lá mais para leste,  Putin financia a maciça saída à rua de um infindável número de Tatjanas, Vushkas, Russlanas, Dimitras, Svetlanas, Sonjas, Kátjas e Xénias que invadirão a Áustria e a Suíça, num internacionalista e dialéctico arrecadar de moeda forte. Vai ser bom para todos e ainda por cima, estas bombas do leste parecem-se em muitos aspectos com as namoradas quinzenais dos nossos jogadores, nada lhes ficando a dever em classe, elegância, bom gosto e irrepreensível saber estar. Umas bombocas, a avaliar as primeiras páginas das revistas da especialidade.
Estamos descansados, porque tudo vai correr bem. O país está tranquilo, tem as bandeiras nas janelas, nos carros e até nas cuecas. Verdes de inveja por não termos vencido em 2004, mas vermelhos de alegre fúria com a garantida vitória de 2008. 
Como estamos longe daquele miserabilismo estadonovista em que o futebol só surgia mesmo no fim do telejornal! Viva a Europa! Agora é que é! É a república no seu melhor...


* Estou para aqui a dizer asneiras, mas também vou colocar a bandeira na janela. Aquela que bem conhecem e que tem as mesmas cores de S. Marino.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

vejam este blog:http://minanguelova.blogspot.com/

Pedaços do Minho.


Espadelada do linho numa noite de luar, no Verão.

É ao som de cantigas como "Oh, que lindo luar faz
Para colher a marcela,
Vamol-a colher ambinhos,
Fazemos a cama n'ela"

e de concertinas, que homens e mulheres vão proceder a mais esta fase do tratamento do linho, agora corado ao sol, depois de colhido e submerso em água. As sementeiras da planta já tinham acontecido na Primavera.
Nesta altura o linho, já ripado, é batido com uma espadela, instrumento de madeira em forma de cutelo, para depois ser submetido a uma espécie de crivo, que o há-de " purificar", separando-o da estopa.
Está pronto para ser fiado pelas mulheres nos serões de Outono e Inverno.

Um blog a seguir com muita atenção

Dizem que existe uma cartelização: pelo sim pelo não, façam o que diz o anúncio que abaixo reproduzimos e prolonguem o protesto!

No Combustões


As "coisas" estão como há cento e dezoito anos.

Num artigo datado de 1890, na «Revista de Portugal», Eça de Queirós escrevia: - "As lamentáveis desordens parlamentares, as violentíssimas e desmandadas polémicas, as mútuas e terríveis recriminações com que, obcecados pela paixão, os partidos se feriam uns aos outros na sua honra, deixaram no País que assistia espantado a uma tal lavagem pública de roupa suja, o sentimento desalentado que ele exprimia por esta fórmula- tão bons uns como os outros!"
E ainda dizem que a mesma água nunca passa outra vez por debaixo da mesma ponte...

A não perder

Subscrevo na íntegra o que Sérgio Lavos escreve no Corta-fitas:

A maior conquista de Scolari? Pôr um país inteiro um mês de quarentena. Aposto: se Cristo voltar à Terra em Freixo-de-Espada-à-Cinta, bem no centro da aldeia, ninguém o notará; Portugal prepara-se para se exilar de si próprio.

Como sou do contra e não gosto muito de me deixar ir nas correntes de movimentos massificados, estou mais que farto de todo este sensacionalismo de um povo que só se parece lembrar da pátria alma lusitana quando a selecção de futebol vai ao Europeu ou ao Mundial. E o Euro 2008 ainda nem começou...

Delicioso

domingo, 1 de junho de 2008

Efemérides - para o Nuno e Cristina

Camilo Castelo Branco
(16-03-1825 a 01-06-1890)

Estou a ficar um bocado farto desta parvoíce à volta da selecção de futebol

Mudar de canal para a RTP e ouvir logo o Professor Marcelo a debitar toneladas de verborreia futebolítica sobre a selecção, só me dá vontade de dizer "fo**-se"...