terça-feira, 3 de junho de 2008

SELECÇÃO NACIONAL DE FUTEBOL: VIVAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!


O passado domingo foi um dos grandes dias da nossa História. A Selecção Nacional despediu-se do país que lavado em lágrimas e corações ao alto, saiu à rua, foi a loja chinesa mais próxima para comprar a bandeira e postou-se diante do Palácio de Belém e ao longo do trajecto para o aeroporto, vitoriando os já mais que garantidos campeões da Europa e arredores.
Tal como na Coreia do Norte a tv estatal passa sucintos programas de vinte e três horas diárias sob temas tão interessantes como o dia do nascimento do Querido Líder, ou as especificidades daquela portentosa rosa criada pelos cientistas pyonguianos - a famosa Kimilsunya -, a RTP, SIC e TVI decidiram unir esforços tal como novéis três mosqueteiros e brindaram-nos com uma inolvidável sessão que durou todo o dia. Jornalistas pivot, batedores com motas, seguranças, helicópteros, comentadores de futebolês em directo - entre os quais o genial prof. Marcello -, velhas glórias da Nação, ou seja, um tremendo esforço de demonstração da nossa pujança e de antecipada comemoração de estrondosa vitória. Foi maravilhoso.
Vimos de tudo, desde o senhor Francelino apanhador de caracóis, ao Zé Rasca que é dono daquela leitaria de 5º andar onde trabalham senhoras ali para os lados do Conde Redondo. Vieram famílias inteiras fardadas a rigor com as cores do Burkina Faso, pois há que solidarizarmos-nos com quem precisa. Lá estiveram as senhoras das rutilantes dentaduras da Caixa de Previdência, as modistas de saia-saco, os senhores de boné à taxista e a gente chique do jet 7 das Telheiras, com as filhas louraças de barriga à mostra e piercing-chuveiro no umbigo. Todos juntos, todos diferentes mas todos iguais, no apoio a quem merece, pois aquela vintena da rapazes sacrificam-se à grande pelo nosso bem estar e pela preservação da nossa identidade como povo orgulhoso dos seus.
O serviço da RTP primou pela excelência, pois conseguiu penetrar nos cantos mais recônditos do "palácio presidencial" e assim partilhámos gloriosos momentos com os heróis. De mão esquerda no bolso lá davam com a direita o passou-bem ao senhor Aníbal que não resistiu em chamar os netos para usufruírem de inolvidáveis momentos que decerto marcarão uma prometedora carreira ao serviço do Estado. Não conseguimos vislumbrar a fritadora de sonhos e este foi o único ponto negativo da festança. Em momentos de alegre descontracção vimos os nossos jogadores na risota e dando as costas ao anfitrião, enquanto alguns habilidosamente limpavam os dentes com a língua, eliminando resquícios de croquete embutidos nas fendas interdentais. Houve quem coçasse o rabo, tirasse cera das orelhas ou simulasse bufas com a boca, talvez em silencioso e expressivo comentário à gritaria que o povo lá fora vozeava num estrondoso vivório sem fim. Na verdade, é quase o clímax de uma agitada campanha eleitoral e muitas das caras são as mesmas, pois os partidos e os clubes estão no coração de todo o verdadeiro democrata de longa data.
Foi um inesquecível dia em que como por milagre sumiram - por um mês inteiro -, as preocupações decorrentes do aumento da gasolina, do fecho das maternidades ou da revisão em baixa do crescimento da economia. O Júdice do betão da frente ribeirinha de Lisboa, poderá finalmente trabalhar em paz. O António Costa pode pedir empréstimos à vontade, desde que coloque a varanda onde se "instaurou a república", à disposição dos inevitáveis campeões nacionais. Ninguém vai ligar uma figa ao traçado do imprescindível TGV, assim como às já iniciadas manobras para a construção do aeroporto. Outros negócios não deixarão de movimentar a economia, pois o Bairro Alto andará num frenesim de clientes para a branca, cavalo, pastilhas, bolota, pólen e super-bok, enquanto o Conde Redondo vai ficar numa fona às misses tatuadas e piercingadas a preceito. Vai ser um festival de Neuzas, Vanessas, Cátias, Solanges, Vanuzas, Vânias, Vandas, Soraias, Petras ou Marlenes, acompanhando os Fábios ou Énios, com uns Martim e Bernardos pelo meio, a armar ao pingarelho.  Será uma farra das grandes e se começarmos logo por ganhar aos otomanos, então nada nos deterá, porque aos suíços até os comemos todos, com buracos no Emmental e tudo! Estamos tão europeus como os outros, porque em Espanha as Laras, Núrias, Nereidas, Lolas, Gemas, Sonsoles, Tamaras, Marisoles, os Quiques, Pepes, Paquitos e as Conchitas fizeram o mesmo. Na Itália as Ginas, os Ginos, Dinos, Tinos, Filibertos, Ugos, Enzos e as Sandras também encheram a Piazza Venezia.Tendo este ano ficado de fora as Kattys, Gemmas, Vickys, Toms, Ralphs, Dicks, Johnnys e Chelsys, temos pelo menos outros para nos divertir. Em França é a mesma alegre febre, com os Mathieus, Ahmeds, Céciles, Carlas e Rémis a preparar os cocktail molotov. Na Alemanha, as Elkes,  Eitels, Fritz, Eikes, Elgas, Heikos, Kais, Uwes e Joergs já tiraram do armário os capacetes com cornos e as canecas de cerveja, enquanto lá mais para leste,  Putin financia a maciça saída à rua de um infindável número de Tatjanas, Vushkas, Russlanas, Dimitras, Svetlanas, Sonjas, Kátjas e Xénias que invadirão a Áustria e a Suíça, num internacionalista e dialéctico arrecadar de moeda forte. Vai ser bom para todos e ainda por cima, estas bombas do leste parecem-se em muitos aspectos com as namoradas quinzenais dos nossos jogadores, nada lhes ficando a dever em classe, elegância, bom gosto e irrepreensível saber estar. Umas bombocas, a avaliar as primeiras páginas das revistas da especialidade.
Estamos descansados, porque tudo vai correr bem. O país está tranquilo, tem as bandeiras nas janelas, nos carros e até nas cuecas. Verdes de inveja por não termos vencido em 2004, mas vermelhos de alegre fúria com a garantida vitória de 2008. 
Como estamos longe daquele miserabilismo estadonovista em que o futebol só surgia mesmo no fim do telejornal! Viva a Europa! Agora é que é! É a república no seu melhor...


* Estou para aqui a dizer asneiras, mas também vou colocar a bandeira na janela. Aquela que bem conhecem e que tem as mesmas cores de S. Marino.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

vejam este blog:http://minanguelova.blogspot.com/

Pedaços do Minho.


Espadelada do linho numa noite de luar, no Verão.

É ao som de cantigas como "Oh, que lindo luar faz
Para colher a marcela,
Vamol-a colher ambinhos,
Fazemos a cama n'ela"

e de concertinas, que homens e mulheres vão proceder a mais esta fase do tratamento do linho, agora corado ao sol, depois de colhido e submerso em água. As sementeiras da planta já tinham acontecido na Primavera.
Nesta altura o linho, já ripado, é batido com uma espadela, instrumento de madeira em forma de cutelo, para depois ser submetido a uma espécie de crivo, que o há-de " purificar", separando-o da estopa.
Está pronto para ser fiado pelas mulheres nos serões de Outono e Inverno.

Um blog a seguir com muita atenção

Dizem que existe uma cartelização: pelo sim pelo não, façam o que diz o anúncio que abaixo reproduzimos e prolonguem o protesto!

No Combustões


As "coisas" estão como há cento e dezoito anos.

Num artigo datado de 1890, na «Revista de Portugal», Eça de Queirós escrevia: - "As lamentáveis desordens parlamentares, as violentíssimas e desmandadas polémicas, as mútuas e terríveis recriminações com que, obcecados pela paixão, os partidos se feriam uns aos outros na sua honra, deixaram no País que assistia espantado a uma tal lavagem pública de roupa suja, o sentimento desalentado que ele exprimia por esta fórmula- tão bons uns como os outros!"
E ainda dizem que a mesma água nunca passa outra vez por debaixo da mesma ponte...

A não perder

Subscrevo na íntegra o que Sérgio Lavos escreve no Corta-fitas:

A maior conquista de Scolari? Pôr um país inteiro um mês de quarentena. Aposto: se Cristo voltar à Terra em Freixo-de-Espada-à-Cinta, bem no centro da aldeia, ninguém o notará; Portugal prepara-se para se exilar de si próprio.

Como sou do contra e não gosto muito de me deixar ir nas correntes de movimentos massificados, estou mais que farto de todo este sensacionalismo de um povo que só se parece lembrar da pátria alma lusitana quando a selecção de futebol vai ao Europeu ou ao Mundial. E o Euro 2008 ainda nem começou...

Delicioso

domingo, 1 de junho de 2008

Efemérides - para o Nuno e Cristina

Camilo Castelo Branco
(16-03-1825 a 01-06-1890)

Estou a ficar um bocado farto desta parvoíce à volta da selecção de futebol

Mudar de canal para a RTP e ouvir logo o Professor Marcelo a debitar toneladas de verborreia futebolítica sobre a selecção, só me dá vontade de dizer "fo**-se"...

Laranja sem mecânica


Desde o já longínquo dia do parto, algures em 1974, o PPD/PSD tem-nos habituado às constantes questiúnculas internas anunciadoras de irreversíveis processos de morte lenta. Nada de mais errado, pois o súbito surgimento do nada de um chefe severo e unificador de feudos que se odeiam e combatem sem quartel, apazigua tensões e prepara o regresso à área do poder. Os partidos do rotativismo não podem dispensar o seu exercício, nem deixar de almejar a partilha de cargos ou sinecuras propiciadas pela incumbência de mandar, que periodicamente lhes é confiada pelos eleitores.

O sistema partidário português, criado em torno de mesas onde os ágapes entre amigos tiveram como tema a sua organização, criaram centros onde confluíram interesses diversos, ao mesmo tempo que a consistência ideológica ou programática foi deixada ao acaso das circunstâncias do momento. O PSD, nasceu da chamada "ala liberal" do Estado Novo e o PS foi o ponto de encontro do marcelismo com os sobreviventes - e seus herdeiros familiares - do "reviralho" expulso do poder em 1926. O PREC e a pericolosidade do momento político pós-25 de Abril, em que a Direita surgia como excrescência de um novo regime em corte absoluto com o passado recente, impeliu aquela "ala liberal" a abraçar a quimera social-democrata. Esta área política, próxima dos partidos trabalhistas da Europa Central e do Norte, já era internacionalmente reconhecida como pertença do PS e assim, a contradição permanente em que o antigo PPD viveu desde o seu surgimento como partido de alternância no poder, ocasionou uma indefinição no espectro político nacional. Sabemos que é de Direita embora os seus dirigentes o neguem, mesmo estando filiados no Partido Popular Europeu, onde são companheiros da CDU alemã, dos Conservadores ingleses ou dos Populares espanhóis. Seria positiva a reivindicação de um espaço que urge preencher sem complexos, pois a democracia representativa assim o exige e o CDS não tem a expressão eleitoral que normalmente lhe pertenceria. Durante o PREC, chegou a reivindicar a condição de partido de Esquerda, provavelmente temendo a ameaça de cerco e forçada dissolução forçada pelos MFA's e companheiros do PC/MDP. Em suma, teve medo, colaborou na chamada descolonização e aceitou o assalto das nacionalizações sem qualquer oposição credível. no entanto, sobreviveu, eivado de complexos e protestando uma identidade, na qual ninguém acredita. Nem os próprios.

Em Espanha, o fim do franquismo pressupôs tal como no nosso país, um período de reformulação do quadro partidário até então confinado ao exílio e à criação das chamadas forças da Direita moderada, a UCD de Suárez e a AP de Fraga Iribarne. Não passando pelos percalços e vicissitudes da desordem económica - ocupações, nacionalização e ruína das empresas - e política - a descolonização -, a Espanha beneficiou inegavelmente da forma de regime corporizada pelos Bourbon, sem a qual seria inevitavelmente arrastada para os extremos e vários separatismos que ditariam o fim do país tal como hoje se apresenta nos mapas. As forças políticas seguiram curiosamente um modelo de organização bastante aproximado do português, mas a clarificação do espectro ficou completa, quando a UCD (o equivalente ao luso PPD) se dissolveu, abrindo o caminho ao assumidamente direitista Partido Popular que aglutinou as pequenas formações conservadoras e centristas, ao mesmo tempo que esvaziava eleitoralmente os herdeiros da Falange franquista. O resultado desta natural evolução e organização do quadro partidário, reflecte-se directamente na normal duração dos mandatos obtidos em cada acto eleitoral, oferecendo a essencial base de estabilidade política que pressupõe o progresso social e económico. Nada desdenhável será também o papel imparcial do monarca que não é suspeito de favorecimento de amigos de partido, pois a irresponsabilidade da Coroa é garantida pelo regime constitucional parlamentar. É esta uma das grandes ironias oferecida pela realidade dos dois Estados peninsulares. Um deles - Portugal - com fronteiras definidas há sete séculos e com uma poderosa homogeneidade étnica-linguística, não parece capaz de normalizar a sua sempre conturbada vida parlamentar, sucedendo-se governos, dissolvendo-se maiorias absolutas e assistindo a permanentes confrontos entre órgãos de soberania eleitos. O outro - a Espanha -, formado por vários conjuntos aspirantes ou reivindicadores da sua própria nacionalidade, consegue, apesar da multiplicidade de governos e partidos regionais, organizar maiorias que cumprem mandatos, inspiram confiança aos investidores externos e credibilizam aquilo que se entende como "alternativa". Parece assim, que o quadro político português se encontra impedido do seu normal funcionamento, devido à pouca escolha ou alternativa oferecida aos eleitores e à irritante interferência ou favoritismos de forças estranhas ao Parlamento.

As recentes eleições para a presidência do "maior partido da oposição", são afinal um mero episódio de definição de posições na agremiação, pois espelham aquilo que sempre ocorre durante períodos que perspectivam uma longa ausência do exercício do poder governamental. Se o PS se encontrasse hoje na oposição, muito provável seria o permanente conflito interno de tendências ou de personalidades, como ruidosamente se patenteou durante o governo de Durão Barroso. Hoje mesmo, o declínio que se verifica na popularidade do governo Sócrates, não deixará  - como Manuel Alegre começa a fazer sentir - de ocasionar as primeiras movimentações internas e a recente chamada ao cerrar de fileiras, evidencia o reconhecimento do mau momento político, social e económico que o país vive e a necessidade de enfrentar as pressões oriundas do PC e BE, ansiosos pela conquista de alguns pontos percentuais nas próximas eleições gerais. Desenha-se um cenário de ingovernabilidade.

O país tem a plena consciência da improbabilidade de uma reedição do Bloco Central, pois isso significaria uma irreparável usura para ambos os partidos componentes do mesmo, garantindo apenas uma muito transitória situação de governabilidade de interesses próprios que são inconciliáveis.

Manuela Ferreira Leite, teve sobre os demais concorrentes à chefia do partido, algumas vantagens que foram decerto decisivas. Tem fama de austeridade - uma qualidade amplamente apreciada pelo eleitorado -, é discreta, bem relacionada com Belém e surge como o mal menor para a conturbada situação interna do partido. É decente. Sendo ainda muito prematuro vaticinar a composição do próximo parlamento, parece contudo garantida a ausência de qualquer maioria absoluta socialista, o que decerto ocasionará mais tarde ou mais cedo, a repetição do "efeito Sampaio", desastroso precedente inaugurado pela dissolução forçada de uma maioria em S. Bento

Provisoriamente resolvida a longa crise interna que o PSD viveu desde a sua derrota de 2005, é quase certa a consolidação ou mesmo ampliação - mesmo que modesta - do número de eleitores em 2009.  Será então a vez de do PS trilhar o seu caminho sobre cacos e não poderá contar com a complacência do "Chefe de Estado de todos os portugueses", pois este gostosamente será o primeiro, no momento azado, a chamar os seus. É o hibridismo do sistema, é a "república" em toda a sua irreparável contradição.

O que ganha o país com a manutenção de um modelo reconhecidamente falido? Pouco.

A laranja podre

Não segui de perto o drama da liderança do PSD. Achei exagerada a cobertura dada aos diferentes representantes – em completa honestidade achei um desperdício de papel e tempo de antena. Temos então agora Manuel Ferreira Leite como líder. Santana Lopes em mais um exílio temporário e Passos Coelho a posicionar-se para não cair na irrelevância. Os barões do partido elegeram o seu representante para perder as próximas eleições e ajudar na escolha do candidato real das eleições que se seguirem – discurso mais vácuo que o de Ferreira Leite deve ser complicado, além do momento de ironia da sua preocupação com a classe média quando o governo e o partido de que faz parte tanto fizeram para a empobrecer. Passos Coelho é um tipo que já sabia à partida que ia perder mas está simplesmente a posicionar-se a ele e ao sector ultra direitista dentro do partido, escolheu a melhor altura para vender a balela “liberal” – que os deuses nos livrem deste senhor. Santana enfim… perdeu ainda de forma mais abjecta do que já previa mas se não morreu politicamente depois da sua estadia vergonhosa no governo não vai ser agora que o vão afastar. E assim vai o futuro governo de daqui a 4 anos e tal.

O Rio Cávado

Com nascente na Serra do Larouco, o Cávado percorre muitas povoações, antes de desaguar no mar entre Ofir e Esposende. Alguns dos locais de passagem deste rio que brotou de entre pedras de granito, encontram-se nas Serras da Cabreira e do Gerês.
É nesta que me é mais familiar, sendo "de cortar" a beleza que aí adquire, entre margens de recorte idílico.

Durante o seu curso, a caminho da Foz, passa por debaixo de algumas pontes , também elas de assinalável encanto, como a que une as margens da vila de Prado, às portas de Braga.

sábado, 31 de maio de 2008

Exposição de Mina Anguelova


O Mundo de Mina Angelova: Desenhos das Carnes





É daquelas imediatas certezas. Havemos de ouvir falar desta miúda búlgara que vive em Portugal há 15 anos. Talento indiscutível, evidente perfeccionismo e destemor perante as convenções de sempre e um trabalho que prima pela seriedade. Uma grande exposição de desenhos, aguarelas + pastéis de óleo. A revisitar.

No vistodasnuvens

Bordados de Guimarães

Cantarinha dos Namorados ou das Prendas

"A Cantarinha maior significa a abundância perene que se deseja ao futuro casal, semeada de esperanças rutilantes...
A Cantarinha menor, despida de enfeites, significa a vida real, as incertezas do amanhã.

Quando um rapaz escolhia aquela que deveria ser a sua companheira, e se dispunha a fazer o pedido oficial aos pais da " futura", oferecia à namorada uma Cantarinha das Prendas. Se esta era aceite, ficavam, a partir desse momento, comprometidos.
A Cantarinha seria, então, para guardar as " prendas" que o noivo e os pais da noiva ofereciam, em ouro, como cordões, tranceletes, corações, cruzes, borboletas, arrecadas..."
(«Oficina» da olaria, Guimarães)

Conhecem a música...?

Nem queria acreditar. Era este o hino da Prússia. Se alguém quer aborrecer amigos na Inglaterra, enviem-lhes este video do youtube Die deutesche Kaiserhymne.


Prenda de 6ª feira e ADIVINHA DE FIM DE SEMANA: quem é?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Piódão, outra Aldeia Histórica Beirã

É na Serra do Açor, que encontramos esta povoação que, devido ao seu isolamento, o qual lhe permitia fugir à justiça, foi durante muito tempo o couto do «Terror das Beiras», o salteador João Brandão.
Depois de ter integrado o concelho de Avô, esta aldeia onde se salientam as casas de xisto, dispostas em socalcos, com muitas das suas janelas e portas debruadas a azul, passou, já em finais do século XIX, a fazer parte do de Arganil.

O que ditou a sua classificação como Aldeia Histórica não terá sido, ao contrário de outras, o seu passado de lutas bélicas, mas antes a beleza natural das suas paisagens, a qual,porém, pelas dificuldades que opunham aos homens que nela habitavam não os isentou doutro tipo de guerra; seria esta aliás que iria encorajar os mais novos a emigrarem para as cidades, em busca de uma vida mais fácil.

Não estive lá na melhor das alturas, por certo, mas mesmo no Inverno Piódão fascina.

Pedaços do Minho

Lenço Dos Namorados- Vila Verde

"É tam certo eu amarte
Como branco o lenço ser
Só deixarei de te amar
Quando o lenço a cor perder"

Croniquetas Republicanas (7): Relvas estrumadas


Da leitura em diagonal das Memórias Políticas de José Relvas, decidimos retirar mais alguns valiosos contributos para o melhor conhecimento daquilo que foi o regime saído do golpe de 1910, assim como das questíunculas, ódios e irresponsabilidade política e moral dos seus principais dirigentes.

Sendo Relvas geralmente apontado pelos panegiristas do regime da Demagogia, como uma inatacável personalidade eivada de todo o tipo de qualidades políticas, morais e intelectuais, os seus escritos deverão ser encarados como honestos testemunhos da situação imposta pela violência a um país coagido pela coacção física e propagandista.

Já na fase pós-sidonista, Relvas parece esquecer-se da feroz luta contra a "ditadura" administrativa de Franco (1906-08) e assim, declara em 1919 ..."como pode o Governo com o actual Parlamento que já não representa a vontade nacional, visto que o País aceitou o meu Ministério, não só sem resistências, mas até com aplauso? Foi por isso que eu fiz na entrevista um apelo ao Parlamento para nobremente votar o princípio da dissolução e uma nova lei eleitoral, elaborada com o consenso dos partidos, deixando entrever que se a vida do executivo ainda fosse possível com as actuais Cortes iríamos até ao momento em que novas eleições constituíssem uma necessidade inevitável para a formação dos dois novos e grandes partidos, base duma tranquilidade, que não conhecemos há muito tempo".

Este parágrafo remete-nos de imediato à famosa entrevista dada pelo rei D. Carlos ao Temps, em que os pressupostos para a normalização da vida pública, tinham como ponto central a formação de dois partidos constitucionais verdadeiramente alternativos - o governo "à inglesa" - e à elaboração de um novo sistema eleitoral mais equilibrado. Mais de uma década decorrida e num cenário de indescritível desordem pública, miséria económica e clara, embora camuflada derrota militar na I Guerra Mundial, Relvas parece pretender ressuscitar o plano de João Franco, num momento em que a dissolução do regime já se tornara inevitável.

Continuando, o autor escreve que ..."acentua-se a campanha da dissolução em termos da maior violência. Hoje, na Câmara, quando se começava a discutir o projecto a que me referi na carta de ontem, o Francisco Fernandes afirmou que tal projecto, recordando o decreto de 31 de Janeiro, de João Franco, o excedia todavia nas autorizações arbitrárias que concedia ao poder executivo. Devo dizer-lhe que não é muito grande a correcção do dr. Fernandes e o seu espírito de transigência, não hesitando em aprovar o projecto desde que ele contivesse a restrição das autorizações concedidas apenas ao actual Governo". Por outras palavras, é a "ditadura!

A guerrilha entre os caciques republicanos, vai enrubescendo de fulgor e assim, ..."o Cunha Leal - comediante-tragediante sabendo que o Parlamento já não existia, resignou o seu mandato de deputado perante o comício. E acrescentou que, se o Governo não decretasse a dissolução, convocava desde já o povo para dissolver o Governo!" Foi esta a gente de alegados elevados princípios de rectidão moral que quis governar o país. Continuando, vai escrevendo que ..."esse farsante subiu as escadas do Ministério do Interior, acompanhado de populares, que a breve trecho entravam violentamente no meu gabinete, armados com pistolas e espingardas, invectivando-me e não me tendo morto, graças à oportuna e enérgica intervenção de Tito de Morais (...) entretanto, nas Ruas do Ouro e dos Capelistas continuava o tiroteio com a polícia, obrigada a defender-se dentro já da esquadra do banco de Portugal. Havia mortos e feridos. O primeiro polícia foi morto à porta do Ministério (...) durante a noite a Polícia, que se manifestara hostil ao Governo, teve de render-se, não sem ter manifestado num pátio da Parreirinha os seus afectos em vivas entusiásticos à Monarquia"...

De Machado Santos, a grande figura do 5 de Outubro da Rotunda, , dizia que ..."é um sincero em tudo o que faz. Há porém entre estes dois homens diferenças fundamentais. É honestíssimo. Mas é de uma mediocridade intelectual assustadora, o que o conduz, fora da Rotunda, a todos os desaires e a todos os desastres. Está sendo cúmplice inconsciente do Cunha Leal, que não tem escrúpulos de nenhuma espécie, que é superiormente inteligente, e ilimitadamente ambicioso".

Na sua 24ª carta, desabafa que ..."quando mataram o Sidónio - vilíssimo assassinato -, e quando o Teófilo Duarte passeava por Lisboa as suas loucas tropelias, dizia-lhe eu que tinha a impressão de presidir a um manicómio. Hoje tenho a impressão de habitar um covil de feras!" Estas palavras são absolutamente idênticas às de D. Manuel II logo após os acontecimentos de 1908-10, mas Relvas parece esquecer-se do constante recurso à violência física promovida pelos chefes do p.r.p. nos derradeiros anos da Monarquia Constitucional.

De Guerra Junqueiro, fazendo juz ao preconceito da época e aludindo ao desvario pela acumulação de riqueza que parecia obcecar o vate da república, dizia que ..."o fundo irresistível da sua origem semita procura conciliar, com a mais alta e nobre visão da Pátria, os interesses da sua ambição. O que o conduz por vezes a situações lamentáveis".

Voltando à dissolução do parlamento, Relvas escreve: "Outro acto de firmeza do governo que parece estar esquecido, e que todavia não podia ser de maior transcendência, foi a dissolução do parlamento. Por não estar incluída na Constituição a faculdade de dissolver o Parlamento, atravessámos épocas políticas agitadíssimas, e viemos a dar a uma revolução." Curiosa auto-condescendência do escriba-primeiro ministro, parecendo oportunamente esquecer-se da tremenda campanha de imprensa levantada pelos republicanos durante o governo de João Franco. Assim, para Relvas a ilegalidade justifica-se desde que seja a "sua ilegalidade".

Não nos alongando mais no demolidor contributo do antigo primeiro ministro da 1ª república, finalizamos, como epitáfio de uma situação insolúvel, com um pequeno parágrafo:
"Entretanto, todas as pessoas que passam pelo meu gabinete estão assombradas com o espectáculo duma política tão mesquinha. Realmente, este gabinete é agora um posto de observação, e até de estudo, para psicólogos. Nesta luta de pigmeus, a fingirem de grandes homens, é fácil distinguir os motivos que os fazem agir (...) é a indicação que leva ao Terreiro do Paço outro Governo, que não pode ser, senão em outros moldes e com outras pessoas, uma reprodução do que vai desaparecer sumido nessa terrível voragem de desorientação e desprestígio em que se somem, nos últimos anos, em Portugal, umas atrás das outras, todas as situações ministeriais?"

* Na imagem, manifestação popular de apoio a D. Manuel II, diante do Paço das Necessidades (1910).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pedro Batista, na Arqué Art Gallery


"Encontramos na pintura dos retratos um claro paradoxo formado, por um lado, pela expressão entre a apatia e a contemplação que é objectivamente apresentada na atitude dos corpos, e, por outro, pela permanência de um constante olhar directo das personagens orientado ao espectador, que impossibilita a fuga a um diálogo intencional entre os intervenientes, criando laços, unindo, confrontando o visto e o pensado, levando à afirmação de sensações subjectivas que impossibilitam a passagem indiferente de cada indivíduo diante do representado".

Manuel Sarmento Pizarro

Exposição presente  de 29 de Maio a 28 de Junho de 2008

Arqué Art Gallery
Av. Miguel Bombarda, 120A
1050-167 Lisboa
Tel. 217972886
arque.artgallery@gmail.com

Linhares da Beira

Tínhamos vários dias pela frente, e iríamos aproveitar para visitar as várias Aldeias Históricas do distrito da Guarda.
Linhares, no concelho de Celorico da Beira seria a primeira paragem.
Lera já que a sua fundação, atribuída aos Túrdulos, remontava, muito provavelmente, ao século VI A. C., mas que fora durante a Reconquista que sobressaíra, dada uma situação geográfica privilegiada, propícia à defesa de toda aquela região, e já no século XII o Castelo de Linhares é referido como uma significativa barreira face às forças de Leão, razão pela qual D. Afonso Henriques lhe veio a conceder foral.
Seria, porém, durante o reinado de D. Manuel I que Linhares viria a conhecer os seus tempos áureos, e disso são testemunho, além do Pelourinho encimado pela esfera armilar, as muitas casas onde são visíveis sinais da arquitectura que marcou esse período, como as muitas janelas manuelinas que pudemos admirar. Alguns desses solares encontravam-se em ruínas, como o belíssimo Palácio dos Corte-Real.
Uma construção que logo se impõe é o Castelo, no alto de um maciço granítico, esse sim, bem preservado.

Era, porém, gritante o pouquíssimo movimento que encontrámos nas ruas medievais, ladeadas de graciosas casa de granito, e calcetadas com a mesma pedra. Apenas alguns idosos, ávidos de companhia, a quem relatar as muitas histórias que envolvem Linhares da Beira, o que fizeram com notório orgulho.