Com a publicação de constantes e descomunais lucros, as gasolineiras não têm qualquer argumento plausível para os sistemáticos aumentos nos preços dos combustíveis, principalmente quando estes se encontram indexados a um dólar que está em queda. Desta forma, apelo aqui a que todos procedam ao boicote na compra de produtos petrolíferos às principais marcas estabelecidas no país. É fácil e se quiserem poupar dinheiro e lesar as grandes empresas, basta irem encher os depósitos nos Intermarché, onde o preço é 12 cts. mais barato que "no sítio do costume". Este boicote que corre pela net é um acto de civismo.
sábado, 24 de maio de 2008
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Ontem mesmo.
(P.S. Nuno, isto responde ao seu desafio para postarmos fotografias com história? afinal de contas é a minha :) )
A Grande Farra...
Ontem não tive disposição para passar ao papel fosse o que fosse e desta forma, dediquei-me a espionar o que se passa no éter blogosférico. Como é evidente, interessam-me apenas aqueles recantos da web em que os autores oferecem uma perspectiva própria do nosso mundo, não se limitando a transcrever a derradeira reportagem deste ou daquele jornal internacional, ou pior ainda, a reescrever um ou outro dado estatístico habilmente cozinhado ao lume brando do interesse corporativo.
O desafio aqui lançado para que comentemos alguns dos alegados males da nossa sociedade arrivista e impenitente para com o próximo, veio mesmo a propósito, até porque tenho a oportunidade de chamar a atenção das nossas hostes para aquilo que se passa no imaginário campo contrário.
Blogs monárquicos existem às dezenas e alguns com uma actividade muito intermitente. Uns ocupam-se de tradicionais preocupações de estilo, como heráldica e toda a parafrenália simbólica que dá cor a sonhos de redenção. Podemos ler aqueles que o são pela simples opção do autor, sem que a reivindicação do posicionamento na res publica seja a obsessiva constante que tudo o resto esquece. E finalmente existem os combativos, agregadores de vontades e que na generalidade se encontram perfeitamente inseridos nos duelos amplamente proporcionados pela catadupa de notícias divulgadas por todos os veículos de informação.
Após algumas horas de leitura, cheguei a uma primeira conclusão que decerto merecerá mais objectividade e procura factual. Os blogs monárquicos são na sua esmagadora maioria, escritos por gente perfeitamente capaz de obedecer ao primado da Lei sobre o arbítrio. É raríssimo encontrarmos um declarado insulto, uma insinuação soez, o desrespeito por este ou aquele titular de um órgão de soberania. Se lemos muitas páginas de críticas - por vezes virulentas - ao estado de coisas, nunca vislumbrámos qualquer indício de enxovalho, de degradação da esfera pessoal deste ou daquele homem de Estado, por muito criticado que ele seja no plano da sua acção no campo político. Nunca. Nestas horas de incerteza, é consolador pensar que tudo isto não advém do mero acaso, nem da cobardia ou acanhamento. Todos nós temos um princípio básico de violência latente, susceptível de explodir em momentos de pressão, exaspero pessoal ou colectivo e apesar disso, a contenção surge como magnífico princípio de controle do irracional que leva a todas as injustiças, julgamentos apriorísticos de outrem e situações que se tornam irresolúveis. Isto chama-se simplesmente, decência.
Há algo nos monárquicos que os impele para o respeito da legalidade e do direito do seu semelhante, especialmente naquilo que lhe é mais precioso, ou seja, a sua idoneidade profissional, a intimidade e credibilidade da intencionalidade sua acção na sociedade. É esta uma conclusão aparentemente surpreendente, pois seria lógico situarem-se os malhados entre aqueles que tudo poderiam levar a cabo para a derrota de instituições consideradas odiosas e nefastas para o colectivo nacional. Poderiam os malhados ter todo o interesse no descrédito de uma classe política que mantém esta dúbia e mal contabilizada súmula de direitos e deveres desrespeitados pelos próprios legisladores. Neste campo, nesta trincheira, não existem Miquéques ou Lêndeas capazes de engendrar quaisquer "Marqueses da Bacalhoa". Não existe um único Almeida interessado em fabricar uma bomba para minar o Estado de Direito. Não existe um Costa que pretenda organizar bandos de caceteiros que intimidem imaginários opositores, enfim, não existe qualquer indício de pretensão de controle do semelhante. Poderiam ainda os malhados organizar facilmente campanhas de difamação, bastando para isso reeditar aquilo que os republicanos habilidosamente urdiram durante quatro décadas, até atingirem os seus muito contestáveis fins. O seu triunfo criou terríveis precedentes na sociedade que os normalizou e é hoje, mais do que outrora, o ácido corrosivo que mina a confiança na livre expressão ou associação, confundindo-as com sórdidas manigâncias, prepotência ou veículo de interesses ocultos e lesivos do bem comum. Num povo sempre receptivo a teorias da conspiração e contador de histórias de aceitação à luz de candeias num qualquer cemitério dos arredores, o boato e a maledicência ofuscam o simples recurso da procura da verdade, ou melhor ainda, daquilo que verdadeiramente interessa.
Fiquei verdadeiramente confundido com o que se passa no alegado campo verde-rubro. Chovem os mais chãos insultos, atribuem-se as mais debochadas e desonestas intenções, destroem-se reputações desacreditam-se honorabilidades. Preto no branco, duvida-se da simples intenção, do mais ínfimo propósito, desta ou daquela frase e até de uma simples palavra. Em suma, desacredita-se o sistema no seu todo, como se este fosse um grande pasto onde gordas vacas tudo devoram compulsivamente, ficando a imensa maioria condenada a permanecer fora do redil, lutando ferozmente por este ou aquele fio de palha. É a realidade que facilmente observamos em blogs que pertencem a autores muito próximos da República e a quem nada mais interessa que a satisfação de uma mesquinha vingança pessoal ou na preventiva destruição de um potencial adversário. Uma vergonha que atinge as raias do ridículo, porque os prevaricadores ainda não compreenderam que a derrota dos seus é o seu próprio aviltamento e pressupõe o desaparecimento de tudo aquilo em que participa.
Neste aspecto, somos superiores, somos decentes e sendo-o, somos mais fortes.
Ódios pessoais
Ora bem respondendo ao Samuel ocorrem-me logo quatro coisas sem as coisas viveria de forma muito mais pacata e feliz.
- Cinzentismo. Todos devemos tentar apreciar um pouco mais o que temos e acalentar os nossos sonhos.
- Materialismo. Admito que me faz uma confusão profunda ver pessoas cujo horizonte passa apenas pela acumulação de objectos sem outro significado que não seja uma afirmação de status.
- Pedantes. Faz-me espumar de raiva ver pessoas que não conseguem fazer uma boa avaliação de carácter e que pensam que estão noutro nível que os restantes mortais só por questões irrelevantes. O respeito, quando deve existir, é merecido pela humanidade, sabedoria, empatia ou conhecimento das pessoas em questão e não por qualquer outro factor.
- Falta de capacidade de encaixe. Irrita que quando faço uma crítica a uma ideia haja muita gente que não perceba que é apenas à ideia e não à pessoa. Tal como irrita pessoas que não sabem deixar as suas tretas mundanas de lado quando existe algo importante a fazer.
- Cinzentismo. Todos devemos tentar apreciar um pouco mais o que temos e acalentar os nossos sonhos.
- Materialismo. Admito que me faz uma confusão profunda ver pessoas cujo horizonte passa apenas pela acumulação de objectos sem outro significado que não seja uma afirmação de status.
- Pedantes. Faz-me espumar de raiva ver pessoas que não conseguem fazer uma boa avaliação de carácter e que pensam que estão noutro nível que os restantes mortais só por questões irrelevantes. O respeito, quando deve existir, é merecido pela humanidade, sabedoria, empatia ou conhecimento das pessoas em questão e não por qualquer outro factor.
- Falta de capacidade de encaixe. Irrita que quando faço uma crítica a uma ideia haja muita gente que não perceba que é apenas à ideia e não à pessoa. Tal como irrita pessoas que não sabem deixar as suas tretas mundanas de lado quando existe algo importante a fazer.
Sinais dos tempos
Uma coisa que reparei e que não me acontecia com tanta frequência quando saí do país há cerca de 4 anos e tal é que cada vez que vou a um café ou um restaurante os empregados parecem estar piamente convencidos que eu não sei contar ou ler e que por isso não sei interpretar uma conta. Quer-me parecer que isto deve ser um efeito secundário da diminuição do poder de compra. As pessoas tentam sacar dinheiro de todas as formas possíveis e imagináveis não tendo qualquer pudor de entrar no bolso do vizinho. Escrevam o que eu vos digo, em pouco tempo o populismo político que se alimenta da miséria humana vai começar a ser ainda mais popular do que já é.
«Sobre a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia»
Esta a frase, retirada d'«A Relíquia», que inspirou Teixeira Lopes na concepção da estátua sita no Largo do Quintela, em Lisboa.
Aquando da inauguração do monumento, oferecido à cidade pelos amigos e admiradores de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, tomou da palavra para dizer: " Não é um retrato literário do insigne escritor que me proponho traçar- o meu fim é unicamente fazer notar a Lisboa que Eça é, como romancista, o mais fundamental e genuinamente lisboeta de todos os escritores nacionais(...).
Lisboa foi o seu laboratório de arte, o seu material de estudo, a sua preocupação de crítico, o seu mundo de escritor(...)e, a pouco e pouco, se tornou ele próprio enraizadamente lisboeta. Os seus contos e as suas novelas são o espelho desse consórcio do seu espírito com o espírito da vida lisbonense(...). E nesse vasto cenário toda uma densa população pulula, ama, pensa, estuda, combate, intriga, devora ou boceja...; contemplando o enigmático vulto de mulher olímpica, agora aqui colocado, junto do vulto do meu saudoso amigo, eu concluo perguntando-me se essa gloriosa figura, em vez de personificar uma pura e etérea abstracção estética, não é antes a estátua mesma de Lisboa".
Aquando da inauguração do monumento, oferecido à cidade pelos amigos e admiradores de Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, tomou da palavra para dizer: " Não é um retrato literário do insigne escritor que me proponho traçar- o meu fim é unicamente fazer notar a Lisboa que Eça é, como romancista, o mais fundamental e genuinamente lisboeta de todos os escritores nacionais(...).
Lisboa foi o seu laboratório de arte, o seu material de estudo, a sua preocupação de crítico, o seu mundo de escritor(...)e, a pouco e pouco, se tornou ele próprio enraizadamente lisboeta. Os seus contos e as suas novelas são o espelho desse consórcio do seu espírito com o espírito da vida lisbonense(...). E nesse vasto cenário toda uma densa população pulula, ama, pensa, estuda, combate, intriga, devora ou boceja...; contemplando o enigmático vulto de mulher olímpica, agora aqui colocado, junto do vulto do meu saudoso amigo, eu concluo perguntando-me se essa gloriosa figura, em vez de personificar uma pura e etérea abstracção estética, não é antes a estátua mesma de Lisboa".
Divertir
Depois de uma noite de loucos, onde para além da primeira actuação, me chamaram ainda para tocar mais por mais 2 vezes, tendo a noite acabado com uma menina a oferecer-me flores, isto no Baile de Finalistas ISCSP/ISA, que teve lugar num lindíssimo cenário, o Pavilhão de Exposições do ISA (para quem não conhece, é uma espécie de palacete antiquíssimo, todo envidraçado, com vista para o Tejo), e já depois de ter dormido até às 20h, esta noite foi bem mais calma e, humoristicamente falando, bem mais divertida, tendo em consideração a leitura dos blogs que mais me divertem actualmente, a quem presto aqui a devida homenagem, o Irmão Lúcia, o Lobi, o Sinusite Crónica e os Marretas. Ora ide lá ver pois então!
Dúvida existencial
Aqueles programas que passam de madrugada na SIC e TVI, que me parecem ser uma espécie de passatempos para as pessoas que ligam ganharem dinheiro, apresentados por umas meninas com ar de strippers baratas, chegam mesmo a ter alguma audiência? Bendita televisão por cabo...
Se para ser monárquico também é preciso gostar de touradas
Dizia-me há dias o Jorge, em brincadeira, que, para ser monárquico, também tinha que gostar de touradas e cavalos. Ora aqui fica a prova em como mesmo não nutrindo qualquer especial apreço pelas touradas, que me são bastante indiferentes, para representar Portugal no Parlamento Europeu, em Março de 2004, revesti-me de praticante dessa arte, no caso, de forcado. E eu que nem sou de Coruche, só fui para lá viver aos 14 anos, fui obrigado pela direcção da escola que frequentava a ir vestido de forcado em representação do Ribatejo e de Portugal, quando o meu Ribatejo das férias e de alguns fins-de-semana, é aquele de Ferreira do Zêzere, o que pouco tem a ver com touradas, bem mais influenciado pelas Beiras. Será uma tristeza se nem me humilhando desta forma conseguimos chegar aos 300 visitantes num dia!
Respondendo ao desafio da Cristina
Ora assim de repente, não gosto de:
- Levantar-me cedo;
- Que seja quem for opine seja o que for sobre a minha vida (afinal, o individualismo no liberalismo funciona nos dois sentidos, eu também não me meto na vida de ninguém);
- Falsos moralistas e falsos moralismos;
- Pseudo-elitistas, mais jet-7 ou 8 ou 9 do que outra coisa, que se julgam superiores, não se sabe bem porque razão;
- Gente que não é capaz de sair dos padrões e rótulos que utiliza para se catalogar a si e a todos os outros;
- Coscuvilhices e coscuvilheiros que não são capazes de ser frontais e que passam a vida a falar mal dos outros.
Passo o desafio, se a esse quiserem responder, ao nosso Pedro Fontela, ao Demokrata, à Joana, ao José Manuel Barbosa, ao Luís Bonifácio, ao Mike e ao João Pedro.
- Levantar-me cedo;
- Que seja quem for opine seja o que for sobre a minha vida (afinal, o individualismo no liberalismo funciona nos dois sentidos, eu também não me meto na vida de ninguém);
- Falsos moralistas e falsos moralismos;
- Pseudo-elitistas, mais jet-7 ou 8 ou 9 do que outra coisa, que se julgam superiores, não se sabe bem porque razão;
- Gente que não é capaz de sair dos padrões e rótulos que utiliza para se catalogar a si e a todos os outros;
- Coscuvilhices e coscuvilheiros que não são capazes de ser frontais e que passam a vida a falar mal dos outros.
Passo o desafio, se a esse quiserem responder, ao nosso Pedro Fontela, ao Demokrata, à Joana, ao José Manuel Barbosa, ao Luís Bonifácio, ao Mike e ao João Pedro.
Peço as palavras a Dom Dinis,
Num comentário, Luís Bonifácio, do blogue Nova Floresta, refere terem-lhe dito que é essa a mais bonita das nove lindas Ilhas dos Açores.
Também já mo tinham assegurado. Procurei informar-me nos livros que de lá trouxe, posto que, nas férias, tenciono continuar à descoberta do arquipélago: vi fotografias e li descrições de fazer resolver-se o mais indeciso, como esta, por exemplo...
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Post Scriptum
E como o Nuno e o Samuel são cá de casa, fica também o desafio para outro blogue: Nocturno, da Luísa.
Claro, Carlos
Que aceito o desafio do autor do blogue Crónicas do rochedo, com a esperança de que os que podem minorar estes pequenos ódios me leiam: Hipocrisia/Falsidade; Falta de pontualidade ; Bajulação ; Conversas para as quais não há pachorra; Falta de consideração pelos outros; Má educação..
E passo agora a tarefa
- ao Miguel, do Combustões
- aos meus colega de blogue, Nuno (agora, que não tem de falar de si, não falhe :) ) e Samuel
- à Júlia do blogue O Privilégio dos Caminhos
- ao Paulo Cunha Porto d'As A finidades Efectivas
- à Ana do Porta do Vento
E passo agora a tarefa
- ao Miguel, do Combustões
- aos meus colega de blogue, Nuno (agora, que não tem de falar de si, não falhe :) ) e Samuel
- à Júlia do blogue O Privilégio dos Caminhos
- ao Paulo Cunha Porto d'As A finidades Efectivas
- à Ana do Porta do Vento
Quando um sobrinho se prepara para fazer a Primeira Comunhão, vem-me à lembrança o dia em que, tinha sete anos, fiz a minha. Dele guardo dois ou três momentos, mas o que me faz sorrir hoje é aquele em que fiz uma grande "fita" porque a minha mãe se propôs rebentar, com a ajuda de uma agulha desinfectada, uma bolha que entretanto me surgira no pé: só assim poderia calçar os sapatos novos... :)
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Pedaços do Minho
Um limão todo traçado,
Significa os martyrios
Que por ti tenho passado.
A laranja quando nasce
Pergunta ao limoeiro
Qual amor é o mais firme
Se o segundo, se o primeiro.
Se a oliveira fallasse
Ela diria o que viu.
Co'a sombra das suas folhas
Dois amantes encobriu.
O arado lavra a terra
A grade grada-a depois,
Quem vae guiando a rabiça
Sorri a quem guia os bois.
Ó José, lindo José,
Cabellinho aos aneis,
Por tua causa, José
Passo tormentos crueis.
«O Minho Pittoresco»
Pensamento do dia por António Maura
"los partidos aglomeraciones humanas y por ser aglomeraciones humanas en ellos entra de todo, hasta los malvados".
E no entanto, não podemos aqui estar quotidianamente, sem que isso não pressuponha a existência dos ditos cujos.
O que já me ri,
e continuo a rir, com estes dois homenzinhos, e demais figurantes saídos da imaginação de Goscinny e Uderzo...
Numa das vezes, a minha mãe bateu à porta do quarto: receava que me tivesse " passado" ; simplesmente acabara de ver um centurião " nomear voluntário" um legionário que tremia como vara verde, para combater aqueles " irredutíveis gauleses" :)
Numa das vezes, a minha mãe bateu à porta do quarto: receava que me tivesse " passado" ; simplesmente acabara de ver um centurião " nomear voluntário" um legionário que tremia como vara verde, para combater aqueles " irredutíveis gauleses" :)
Croniquetas republicanas (6): o cortador Relvas...
"O Governo Provisório foi constituído à la diable e as ideias governativas da Revolução foram entregues ao arbítrio dos ministérios, donde resultou a obra desconexa do Governo provisório e a inconcebível situação dum Ministério acéfalo (...) com acção independente em cada pasta!.(...)Mas faltava a sequência de esforço, e os paladinos da república julgavam cumprir suficientemente a sua missão numa actividade de comícios e conferências (...) estéril para com ela se formar um corpo de doutrina, e dirigir um Estado. deste imenso erro veio a enfermar a vida da República....) Só muito mais tarde, passado o período revolucionário, começaram com o exemplo de Afonso Costa no Ministério da Justiça, os abusos a que ficaram tristemente ligados os nomes de alguns democráticos , e que foram a origem das terríveis campanhas no parlamento, e nos tribunais criminais, de João de Freitas e de Camilo Rodrigues".
As Memórias Políticas* de José Relvas, são uma inesgotável fonte de conhecimento para aquilo que foi a república de 1910-26. A sua implacável análise do carácter - palavra que aparentemente ainda algo significava à época - dos seus correligionários, denuncia afinal o seu próprio envolvimento em todas as manobras de tráfico de influências e de intrigas da agremiação dos Banhos de S. Paulo. O seu entusiasmo pela Revolução como fim único da acção, pode ler-se na paradoxal análise que faz do regime monárquico constitucional que pretendia abater. Assim e referindo-se à opinião que os estrangeiros tinham da suas relações com entidades lusas, Relvas declara que ..."nas suas relações comerciais com os estrangeiros, os portugueses encontram uma grande confiança, pela fiel execução de todos os seus compromissos, recordando-se com grande louvor a honesta pontualidade com que solveram as suas obrigações durante a crise de 1891"...
Numa nota publicada no l'Indépendence Belge, Relvas declara que ..."Et cependent le pays travaille; il veut avancer, il attend avec impatience l'avénement des institutions qui soient inspirées par des idées et des sentiments patriotiques (sic); il en a toutes les conditions pour se faire une nouvelle existence, ainsi qu'un bel avenir (sic). L'agriculture, sa principale force economique, est, malgré tout, en progrès:l'industrie prend un essor assez considèrable, confirmé par l'initiative d'entreprsies nouvelles et par l'augmentation progressive de l'importation des matières premières, son commerce crée tous les jours de nouveaux marchés, il en résultera le plus sérieux développements avec des nouveaux traités de commerce. On connait ses merveilleuses colonies en Afrique (...) assure auz interêts commerciaux, agricoles et industriels du portugal un marché exceptionnel"...
E Relvas prossegue, tecendo sem o querer, autênticos ditirambos à acção dos sucessivos governos da Monarquia. É que todo este ridente panorama de progresso ditado pela explosão dos mercados internacionais, pressagiava a adequação da realidade política em desenvolvimento na Belle Époque nacional - reforma do sistema durante o governo de Franco -, a uma sociedade civil preocupada com os seus negócios e projectos de expansão. Aliás, a viagem de D. Carlos ao Brasil inseria-se no âmbito do claro progresso material que não deixaria de se repercutir num reforço e reforma das instituições. Era este afinal, o grande e único medo dos republicanos. Torna-se para nós - criaturas onde a racionalidade se impõe pelo constante desejo de dar importância ao que verdadeiramente interessa à res publica - um enigma o descortinar do porquê dos ódios e a pura perda de energias para o derrube de um sistema que apesar dos escolhos erguidos pela luta partidária, permitia a chegada do país ao século XX das máquinas, da ciência e dos direitos sociais alargados de uma forma jamais vista na História.
Mesquinhez, inveja, maldade ou inconsciência? São estes alguns defeitos comuns a toda a raça humana e os republicanos do alvorecer de novecentos, ofereceram ao país uma grotesca amálgama de todos os pontos fracos de personalidade, juntando-se-lhes ainda, a simples estupidez.
Para terminar a nossa sexta croniqueta, mais umas considerações de Relvas sobre o gabarito moral dos seus pares:
"Em Bernardino Machado o interesse dominante foi a ambição da Presidência da República, garantida na submissão ao homem que lhe parecia ser o melhor fiador da realização do sonho que o acompanhara desde a hora em que alcançara situação de destaque entre os adversários da Monarquia. Para Afonso Costa era ele o penhor seguríssimo da sua omnipotência no governo da Nação desde que o elevasse à suprema magistratura política (...) Esse mau sentimento (B. Machado), e chamo-lhe mau sentimento porque se revestiu por vezes de aspectos odiosos na sua lamentável pequenez, fora-lhe sugerido principalmente pelas palavras de excepcional favor com que João Chagas me distinguira sempre, nos comícios públicos, nos seus artigos, e ainda em reuniões particulares (...) Bernardino Machado fizera uma das suas habituais intrigas para o investir (aqui, Relvas refere-se a Cunha e Costa) na representação das comissões paroquiais, certo de encontrar na sua subserviência, e na solidariedade do serventuário Ricardo Covões, espécie de factótum, e, pior ainda, de faca de mato de Bernardino Machado (...) para promover na reunião extraordinária do partido, e em actos subsequentes, situações que pusessem em cheque aqueles membros do Directório que ele queria a todo o transe expulsar"...
e continuaremos. O corta Relvas * no seu além-túmulo, prossegue na denúncia dos seus inimigos pessoais que foram afinal, os fautores do nosso miserável século XX. Esquece-se apenas dele próprio e da sua inacreditável vaidade e evidente sede de protagonismo. Misérias...
*Memórias Políticas, José Relvas, ed. Terra Livre, Lisboa, 1977
Por lugares nunca dantes frequentados...
Quando lá estive, o local fora invadido por turistas americanos, saídos do paquete de luxo que aportara de manhã na baía da Horta. À noite já lá não estava; talvez tivesse rumado a outra ilha do arquipélago de todos os encantos...
terça-feira, 20 de maio de 2008
São bólides da Carris?
Sabem o que quer dizer aquele sinal de trânsito? Quer dizer que não é possível estacionar e neste caso, nem sequer parar. Pois bem. Aqueles carrões que estão em fila e em transgressão - com os nossos chauffeurs à espera -, decerto pertencem ao Estado. São 22.28H de 20 de Maio e o horário de expediente terminou há muito e segundo sei, as reuniões dos órgãos de soberania não se fazem na sede do partido. Ou se trata de uma clara ilegalidade ou de um assomo de mesquinhez da minha parte. Existe ainda uma possível explicação. Como este local está reservado aos serviços proporcionados pela Carris, estes bólides very expensive indeed talvez façam parte de uma nova oferta da transportadora popular. Carros de alta cilindrada com chauffeurs engravatados e que cobram uma módica quantia de 1.30€ por viagem. Chama-se a isto, verdadeiro serviço social. Vamos todos experimentar?
Descendo as abas da serra da Falperra note ahi a situação dos quatro SANDES ( S. Clemente, S. Lourenço, S. Martinho e Santa Maria de Vila Nova) (...) à direita, no fundo de uma pittoresca bacia vegetal, S. Martinho(...) o mais importante., tanto sob o ponto de vista de população, como de recordações históricas. Era de fundação antiquíssima o seu mosteiro de benedictinos, pois existia já no século V, e foi pela família dos Sandes reedificado. Em 1596 o arcebispo de Braga, D, Agostinho de Castro doou-o aos eremitas de Santo Agostinho, do Populo, que dentro em pouco o reduziram a abbadia secular. Depois foi commenda da ordem de Christo.
Da moderna Sande o melhor edifício público é o da escola, no sítio das Gaias, offerecido ao governo por D. Maria Alexandrina Vieira Marques e custeado depois pela junta de parochia. As quatro Sandes figuram na industria vimaranense como productoras em larga escala de garfos - ponham-se de recato as canellas ao passar por lá- e nessa industria as acompanha Santa Christina de Longos, cuja situação, na encosta do Sameiro, perfeitamente se descobre d'esta elevação da Citania, assim como a de Balazar, já na serra da Falperra, rodeada de arvoredo e cortada por veios d'agua" «O Minho Pittoresco»
Foi assim que, em 1886, José Augusto Vieira retratou a freguesia onde, muitos anos depois,nasceram os meus pais, frequentei, tal como eles e todos os meus irmãos, aquela mesma escola, no Lugar das Gaias, e em cuja Igreja fiz a Primeira Comunhão...
Da moderna Sande o melhor edifício público é o da escola, no sítio das Gaias, offerecido ao governo por D. Maria Alexandrina Vieira Marques e custeado depois pela junta de parochia. As quatro Sandes figuram na industria vimaranense como productoras em larga escala de garfos - ponham-se de recato as canellas ao passar por lá- e nessa industria as acompanha Santa Christina de Longos, cuja situação, na encosta do Sameiro, perfeitamente se descobre d'esta elevação da Citania, assim como a de Balazar, já na serra da Falperra, rodeada de arvoredo e cortada por veios d'agua" «O Minho Pittoresco»
Foi assim que, em 1886, José Augusto Vieira retratou a freguesia onde, muitos anos depois,nasceram os meus pais, frequentei, tal como eles e todos os meus irmãos, aquela mesma escola, no Lugar das Gaias, e em cuja Igreja fiz a Primeira Comunhão...
Camilo visto por
3. Fialho de Almeida
Ele mesmo um exímio escritor, tanto na faceta de ficcionista («Contos», «A Cidade do Vício»...), como nas de cronista e polemista mordaz, o que se espelharia na sua Obra mais conhecida, «Os Gatos», onde não poupa a sociedade do seu tempo, nem a "republiqueta"então emergente, na linha, aliás das «Farpas» de Ramalho Ortigão, este pessimista disse do homem de Seide :
"A mais bela luz do génio de Camilo faísca na sua obra sarcástica. Nada pode dar ideia da veemência e pujança desta prosa de Vulcano, batida na forja dos coriscos e dos raios, onde co'as asperidões e rudezas da antiga linguagem se entrelaçam os nervosismos elásticos e as graças subtis do mais refinado poeta cortesão do penúltimo século. Eu não sei de ironia que tenha mais causticidade, nem de imaginação onde se insculpam mais finas rendas(...).
Na caquexia das letras actuais, quando todas as energias parecem finar-se, e todas as originalidades irem adormecendo, a pletora deste homem faz medo, como em país de anões os 'grandia ossa' da fama primitiva."
Ele mesmo um exímio escritor, tanto na faceta de ficcionista («Contos», «A Cidade do Vício»...), como nas de cronista e polemista mordaz, o que se espelharia na sua Obra mais conhecida, «Os Gatos», onde não poupa a sociedade do seu tempo, nem a "republiqueta"então emergente, na linha, aliás das «Farpas» de Ramalho Ortigão, este pessimista disse do homem de Seide :
"A mais bela luz do génio de Camilo faísca na sua obra sarcástica. Nada pode dar ideia da veemência e pujança desta prosa de Vulcano, batida na forja dos coriscos e dos raios, onde co'as asperidões e rudezas da antiga linguagem se entrelaçam os nervosismos elásticos e as graças subtis do mais refinado poeta cortesão do penúltimo século. Eu não sei de ironia que tenha mais causticidade, nem de imaginação onde se insculpam mais finas rendas(...).
Na caquexia das letras actuais, quando todas as energias parecem finar-se, e todas as originalidades irem adormecendo, a pletora deste homem faz medo, como em país de anões os 'grandia ossa' da fama primitiva."
Está bem Pedro, estes são para ti
Parece que os nossos gostos coincidem - menos na Marianne - e assim aqui seguem duas más fotografias acabada de tirar com o telefone-móvel. São dois quadros da minha mãe, de um género completamente diferente: um deles é o Jardim do Éden e o outro, os Signos do Zodíaco. Foram executados há mais de vinte anos e tenho o prazer de os poder ver todos os dias aqui na sala. Partilho-os agora contigo e com os nossos leitores. Aproveito também para agradecer os numerosos e-mail recebidos por pessoas dispostas a ajudar na divulgação daquelas muitas dezenas de quadros documentais sobre o colonialismo português em Moçambique. Não me surpreendeu a reacção, porque tinha a certeza do seu valor e agora, talvez a autora possa ver recompensado todo o seu interesse e trabalho pela preservação da memória. A recompensa é o conhecimento da obra e nada mais. Chega-lhe.
Danse Macabre
Como falava no outro dia com o Nuno há certos pintores que nos ficam na memória e para mim da escola flamenga ficam dois na memória: Bosch e Bruegel. Não sei se é o detalhe das pinturas se a escolha de temas dramáticos mas há algo nas suas pinturas que me diz qualquer coisa, que me hipnotiza. Ainda me lembro de quando vivia em Madrid ir ao Prado para a sala com estes pintores (com o tríptico do jardim das delícias terrenas no centro) e passar muito tempo a analisar cada pintura.

De certa forma as ironias destes artistas fazem falta a uma cultura moderna que vive em permanente obsessão com as aparências.
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