terça-feira, 20 de maio de 2008

Danse Macabre

Como falava no outro dia com o Nuno há certos pintores que nos ficam na memória e para mim da escola flamenga ficam dois na memória: Bosch e Bruegel. Não sei se é o detalhe das pinturas se a escolha de temas dramáticos mas há algo nas suas pinturas que me diz qualquer coisa, que me hipnotiza. Ainda me lembro de quando vivia em Madrid ir ao Prado para a sala com estes pintores (com o tríptico do jardim das delícias terrenas no centro) e passar muito tempo a analisar cada pintura.



De certa forma as ironias destes artistas fazem falta a uma cultura moderna que vive em permanente obsessão com as aparências.

A minha Escola Primária

Há dias cheguei ao local de trabalho e disse que me iria ausentar por um curto tempo. Já há muito que alimentava o desejo de rever aquela que tinha sido a minha Escola. Armada de máquina fotográfica, lá fui; é perto...
Durante o caminho, que percorri diariamente dos seis aos nove anos (inclusive nos fins-de- semana, porque a casa da minha avó materna ficava mesmo ao lado) ia contente, porque as mudanças não tinham sido muitas; mas, chegada junto do edifício que fora a extensão da casa familiar, doeu-me a alma: só lá estavam ruínas. Ainda fiz algumas fotografias, mas apaguei-as de seguida. O choque foi muito grande.
Só consegui guardar a tabuleta indicativa de que a minha Escola tinha sido ali...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Notas Soltas

Assim ao correr da pena, quero dar as boas vindas ao nosso mais recente colega, o Pedro Fontela numa altura em que se avizinha uma reestruturação na equipa e no blog. Por falar nisso, não sei se alguém de propósito terá registado o estadosentido.blogs.sapo.pt, talvez alguém que não gosta de nós e se apercebeu da iminência da nossa mudança para o Sapo. Se assim não é, peço a quem registou esse blog, se vir esta mensagem, que por favor entre em contacto connosco.

É sempre um prazer sermos considerados um blog em destaque, desta feita pela Carla Hilário de Almeida Quevedo, o que muito nos apraz, e a quem apresentamos os nossos sentidos agradecimentos pela referência, extensíveis ainda ao caríssimo Jansenista pela sua referência ao post do Nuno sobre Moçambique.

Peço desculpa pela ausência, mas afazeres académicos e profissionais levam-me a não ter neste momento muita disponibilidade mental para aqui escrever. Lá para quinta-feira já terei tempo e cabeça para tal.

Já agora, um pouco de publicidade institucional, mas também em nome pessoal, na próxima quarta-feira 21 de Maio, no Instituto Superior de Agronomia, terá lugar o Baile de finalistas ISCSP/ISA, no qual estarei na minha qualidade de pseudo-artista disc jockey, sob o pseudónimo de Dj SamuK. Eighties, oldies, rock n' roll e rock, é o que posso prometer da minha parte.

Ah e já agora, acabou por não ser uma época tão má quanto isso. 2.º lugar do campeonato e vitória na Taça plenamente justificada frente a um FCP pouco anímico...o mau perder é uma coisa muito feia!

«A Ronda da Noite»

O livro de Agustina Bessa-Luís tem sido uma leitura adiada, e, numa tentativa de me justificar a mim mesma por lhe antecipar outras que vão surgindo, digo a mim mesma: não perde pela demora porque quando me dedicar a ela, fá-lo-ei mais relaxadamente...
Mas olhando a capa, aquela pintura de Rembrandt, lembro-me da viagem que fiz a Amsterdão e arredores, há dois anos.
A visita ao Reiksmuseum era obrigatória, mas , tal como a minha irmã, temia a capacidade de "resistência" de uma sobrinha, que tinha apenas seis anos. Qual quê? Deliciou-se a olhar todas aquelas pinturas, na sua maioria do Século de Ouro holandês, o XVII, e até deu mostras de um ainda incipiente espírito crítico, o que nos fez pensar que talvez estivéssemos a contribuir para que nela florescesse a apreciadora de arte...

A soma das minhas opiniões sobre futebol

Admito que ao ver as andanças que andam pelo país com estas tretas dos problemas do futebol (problemas internos e externos de corrupção, apoios políticos desavergonhados, circo mediático patético, etc) que cada vez tenho mais vontade de lidar de forma radical com o assunto.

1) Começar por impor um plano de pagamento de dívidas fiscais canalizando todos os rendimentos dos clubes em dívida para o estado até estarem saldadas. Excluindo necessariamente os bens físicos que não possam ser vendidos (ex: estádios).
2) Em caso de incumprimento o clube passa a ser dissolvido e os bens liquidados em praça pública. Os dirigentes serão fiscalizados por uma comissão que vai avaliar a sua conduta fiscal e se necessários instaurar processos por intencionalmente defraudarem o fisco.
3) Publicar essas contas e os detalhes de cada fraude para apagar qualquer resquício de simpatia pública que esses senhores do futebol possam ter.
4) Os clubes que sobreviverem à purga passaram a ser considerados negócios e sujeitos a todas as taxas apropriadas sem a cobertura do “desporto” que actualmente utilizam.

Bem sei que não seria popular mas já estava na altura de algum governo de por estes empresários vendedores de banha na cobra no seu lugar e arrasar qualquer réstia de poder que ainda tenham ao impedir que dominem o espaço público com as suas balelas.

Embora o não queiram reconhecer os republicanos, o povo, ainda que não monárquico, identifica-se instintiva ou sentimentalmente, com a realeza, porque se identifica com as famílias e as instituições que fizeram a nação, Não foram ou não são todos os reis sábios, heróis ou santos? Pois não, mas o grande argumento monárquico é o de que a instituição vale mais do que o monarca".
João Bigotte Chorão

Tens razão Miguel, mas o P.M. não devia ter imposto esta Lei!

Sócrates subiu alguns pontos na minha consideração. Afinal, o seu acto pode ser interpretado como um desafio à lei verdadeiramente imbecil que pretende fazer crer não haver fumadores neste mundo.

O verdadeiro e único problema, reside no simples facto desta mania controleireira ter sido introduzida pelo governo. É claro que o eng. Sócrates tem todo o direito de fumar o seu cigarro, assim como eu tenho direito em não o fazer, simplesmente porque nunca fumei. Mas se à "luta anti-tabágica", acrescentarmos os excessos asaeanos e o descarado apelo à denúncia popular de suspeitos ao ministério das Finanças, concluímos que o governo criou o sarilho. Que dele se desembarace. O povo agradece.

domingo, 18 de maio de 2008

Alto, e pára o baile!

A Rainha de Copas determinou que ninguém toma chá antes dela chegar, sob pena de ficar sem a cabeça.

E esta?

Recebi esta foto enviada pelo meu amigo Paulo. A sua cadela adoptou dois gatos bebés que abandonados, estariam condenados à morte. Amamenta-os e juntou-os à sua ninhada de cachorros. E ainda há gente que despreza os animais. Esta foto vai direitinha para casa do Réprobo.

A Direita e a Esquerda da Monarquia


Numa visita à Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, em Lourenço Marques, os meus pais posam diante de D. Carlos I e de D. Manuel II. Simbolicamente, é a Monarquia da Direita PSD - a minha mãe - e a Monarquia da esquerda-radical socialista - o meu pai - que se apresentam diante dos dois injustiçados monarcas.
Recordo-me perfeitamente destes dois retratos, provavelmente da autoria de Malhoa (?) ou de Columbano (?). O que lhes terá acontecido? Estarão conservados no lugar onde há muitas décadas foram colocados? Ou desapareceram no turbilhão da descolonização exemplar? Quem souber do paradeiro das obras, informe o Estado Sentido. Agradecemos.

* E chegamos ao fim de Domingo. Para o próximo fim de semana, é a vossa vez de trazer testemunhos da vossa história. Interessa a todos.

Fotos com História: o exército português em Moçambique, década de 50


Aproveito estas fotos dos tempos de tropa do meu pai em Vila de Manica (Manica e Sofala) e em Boane, para mostrar certas "dualidades" da II república. Se repararem bem na foto em cima à esquerda, ele surge com o uniforme de combate que é uma cópia daquele usado pelos britânicos na campanha do norte de África  em 1940-43 (8th. Army). A espingarda também é inglesa, uma Lee-Enfield . Mais abaixo e também à esquerda, aparece uniformizado para uma cerimónia e o traje é desta vez... uma descarada e perfeita réplica do uniforme do Afrika Korps de Rommel durante a mesma campanha na Líbia. Interessante, não? Resta dizer que algumas unidades estavam equipadas com espingardas Mauser (alemã).
O serviço militar oferecia igualmente , muitas oportunidades para visitar Moçambique e nos momentos de lazer, lá ia o Vítor para um safari fotográfico, desta vez aos crocodilos e hipopótamos. Nunca houve qualquer tipo de arma de fogo em casa e as caçadas - imagem de marca do colonialismo -, sempre foram encaradas como simples barbaridade, sendo os meus pais eternos defensores dos animais.
Neste conjunto de fotografias, vemos uma imagem referente à visita do general Craveiro Lopes, então Chefe do Estado. O meu pai surge de capacete colonial, algures na guarda de honra. Um tempo que passou.

Mais uma adivinha para os Sentidos do Norte

Já que estamos em fim de semana - altura de troca de presentes -, já agora e para os nortenhos, digam lá se conhecem esta cadeira. Diga, Cristina?

Verde, que te quero verde :


...e branco, "viu, Paulo? :)

Alberto Sampaio

Quem foi?

"Mestre? Ah! Como estou longe dessa perfeição! Hei-de morrer simples estudante vendo sempre, a cada passo, no assunto mais simples novos horizontes ignorados. A questão, para mim, é aproveitar o pouco que tenho aprendido: talvez esse possa servir a alguém: e se servir compensar-me do tempo gasto"

Dizia este ilustre vimaranense, mas o certo é que foi um grande historiador e pensador "...acima de tudo um homem que amava a sua terra e que a ela se dedicou, estudando o seu passado, participando no presente, preparando o seu futuro!" (catálogo sobre a exposição bibliográfica a ele dedicada)

Adenda ao post anterior

..."grande quantidade de prata"...

De D. João I

e Como refere Fernão Lopes, depois da Batalha de Aljubarrota, D, João I veio a Guimarães agradecer à Senhora da Oliveira a vitória então alcançada, tendo-lhe oferecido uma importante quantidade, com que, posteriormente, fins do século XIV, Inícios do século XV, foi feito o "Tríptico da Natividade"


A peça de vestuário doado á mesma Santa, é o "Loudel" que o rei envergou na batalha.

Duas ofertas

Hoje sim,

é o "Dia Internacional dos Museus".
Um "cheirinho" do belíssimo claustro do Museu Alberto Sampaio".

"Nunca se perde tempo com aquilo que amamos. Que importa que nos pareça curto? Curto há-de ser sempre, porque a nossa imaginação jamais se satisfaz com a realidade."
Alberto Sampaio.

Disse


"Dia Nacional dos Museus" ? Estava errada. Foi a "Noite dos Museus".

Fantástico...

Ontem, dia Nacional dos Museus terminei o meu da melhor das maneiras: numa cidade profusamente iluminada, e no coração do Centro Histórico, fui rever o de Alberto Sampaio, um museu festivo já de si, mas mais radioso do que nunca. Uma longa conversa com a Directora, e uma percepção mais completa dos tesouros aí preservados, confirmaram as palavras elogiosas há tempos ouvidas ao Professor José Hermano Saraiva. Assim sim!

No Prosimetron

A oferta da Joana Pereira ao nosso blog

sábado, 17 de maio de 2008

Cenas do Moçambique colonial



Hoje é Sábado e parece-me acertado fazer uma pausa nas nossas preocupações com o devir da nação, com fumos de tabacos alheios ou com a transcendência das malandragens de Bin Ladens, Chávez e outras personagens que preenchem alegremente o nosso dia a dia.
Assim, decidi apresentar-vos uma parte importante do trabalho executado pela minha mãe ao longo de décadas. Considero estes testemunhos pictóricos, uma fonte de informação única no âmbito da compreensão daquilo que foi e representou a derradeira fase da presença portuguesa além-mar. Na linha daquilo que Jean-Baptiste Debret fizera no Brasil durante a permanência da Corte no Rio de Janeiro, a minha mãe começou desde cedo, a recolher aspectos característicos da vida na antiga colónia de Moçambique. Interessaram-lhe sobretudo, as incontornáveis cerimónias públicas, as actividades dos quadros administrativos locais, os sectores da economia, a vida familiar e sobretudo, a sua grande paixão pelos usos e costumes daquela boa gente que forma aquilo que hoje reconhecemos como povo moçambicano. As cantinas onde um pouco de tudo se vendia e onde ao fim da tarde o pessoal da administração bebericava o muito anglófilo whisky, a consulta ao feiticeiro capaz de curar maleitas e de afastar os maus espíritos, as ruas onde se aglomeravam gentes oriundas do então Indostão britânico, as mesquitas, a comunidade macaense ou goesa e muitos outros temas que compunham com veracidade, a realidade moçambicana daquele tempo. Como é evidente, não se trata de uma obra decorativa, mas sim documental e considero inédita, num país que aprendeu há apenas umas décadas, a esquecer os caminhos trilhados durante séculos. São mais de cem pequenos quadros de uma riqueza documental incomparável e que ainda não mereceram a curiosidade ou interesse de quem devia zelar pela preservação de um património que é a nossa razão de ser como nação.
Infelizmente não consegui fazer o scanner de forma correcta, porque as imagens colocadas sobre o vidro ficaram inevitavelmente afastadas do mesmo, devido às dimensões de cada cartão pintado. Os desenhos parecem desfocados e pouco nítidos, devido a esta deficiente cópia. De qualquer forma e como curiosidade, aqui vos apresento como prenda de fim de semana, três cenas de um outro Portugal que morreu.

Algures noutro tempo, em Lourenço Marques

Acabei de vir de casa deles, em Caxias. Um bom almoço, num dia solarengo e no jardim. Muito agradável, muito fim de semana. Ofereceram-me estas bonitas fotos como presente, eram os dois ainda muito novos e esperavam o meu nascimento. Os meus pais.

Já tinha saudade

"Na terra há tristeza dentro das coisa bonitas.
-Isso é por causa da saudade- disse o rapaz.
-Mas o que é a saudade?- perguntou a menina do Mar.
-A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora"
«A Menina do Mar», de Sophia de Mello Breyner Andresen


Sempre que possamos, lutemos contra essa predadora...

Um caminho assim,


de corda esperança, foi o que voltei a percorrer, passados vinte e cinco anos, com os amigos de então, e senti que, no essencial, as coisas não mudaram muito...