sexta-feira, 16 de maio de 2008
Camilo visto por
3. Silva Pinto
Ao mesmo tempo que dirigia os maiores encómios a confessos adversários de Camilo, como Teófilo Braga, este jornalista e escritor não desperdiçava uma oportunidade para tentar destruir a reputação daquele, tanto no plano literário como no da sua dignidade de homem.
Mas, após uma longa série de polémicas, iniciadas em 1874, em que nenhum dos dois foi parco no uso de uma linguagem virulenta, semeada de insultos e calúnias, a reconciliação viria cinco anos mais tarde, passando o que iniciara tamanha hostilidade,, de panfletário desbocado a admirador incondicional daquele a quem passou a considerar Mestre, e como tal se lhe dirigia, a ponto de escrever: "Era o mais completo e puro tipo de fidalgo, assim no aspecto como no trato, (...). O maior escritor de Portugal nunca me impôs, em convívio a sua opinião literária. Àquele vasto e poderosíssimo cérebro,,,"
Depois de ter começado a frequentar a casa de Seide, adquiriu na localidade habitação própria para melhor desfrutar "da sua genialidade".
Ao mesmo tempo que dirigia os maiores encómios a confessos adversários de Camilo, como Teófilo Braga, este jornalista e escritor não desperdiçava uma oportunidade para tentar destruir a reputação daquele, tanto no plano literário como no da sua dignidade de homem.
Mas, após uma longa série de polémicas, iniciadas em 1874, em que nenhum dos dois foi parco no uso de uma linguagem virulenta, semeada de insultos e calúnias, a reconciliação viria cinco anos mais tarde, passando o que iniciara tamanha hostilidade,, de panfletário desbocado a admirador incondicional daquele a quem passou a considerar Mestre, e como tal se lhe dirigia, a ponto de escrever: "Era o mais completo e puro tipo de fidalgo, assim no aspecto como no trato, (...). O maior escritor de Portugal nunca me impôs, em convívio a sua opinião literária. Àquele vasto e poderosíssimo cérebro,,,"
Depois de ter começado a frequentar a casa de Seide, adquiriu na localidade habitação própria para melhor desfrutar "da sua genialidade".
A vosso pedido, dois desenhos
Dois desenhos feitos a tinta da China, presentes na última exposição feita pela minha mãe em Lourenço Marques (Fev.-Março 1974). Simbolicamente, as obras foram expostas na chamada Casa Amarela, na antiga Praça 7 de Março. Nesta casa viveu o Alto Comissário Régio Mouzinho de Albuquerque. Meses depois, éramos forçados a partir de Moçambique, após cinco gerações consecutivas de vida em África.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
"Do país ao qual tanto quis,
ao qual tudo dei e sacrifiquei e que todas as dores, todas as desilusões todas as amarguras me fez sofrer..."
A bruxa da sopa
Hoje não me apetece falar de cigarros a bordo, nem de açafatas ou jornalistas delatores. Assim e como "encarte", aqui vai mais um boneco feito pela minha mãe. Ao contrário do Miguel, eu detestava comer sopa e para me convencer, surgiu este desenho como ameaça. Surtiu efeito e tinha medo disto, imaginem... Hoje em dia, parece que o Miguel não gosta de sopa e eu adoro. Coisas da vida.
Para o Samuel: seminário NATO, Pont a Mousson, França, 1983
Como te prometi há meses, aqui vai uma das fotos daquele longo e gratificante mês de Julho na Lorena. Na foto está um nosso conhecido 1. António Costa, actual pres. da CML; 2. eu; 3 o João Ribeiro de Almeida, nosso cônsul em Angola.
Camilo visto por
2. Alexandre da Conceição
Este poeta e ensaísta foi uma das muitas pessoas com quem Camilo travou acesas polémicas, género em que era temido, dados o seu agudo sarcasmo e não menos violenta agressividade. Mas tal como aconteceu com outros alvos da sua verve polemista, também Alexandre da Conceição se tornou num grande admirador do autor de « A Queda de Um Anjo», como nos dá conta José Viale Moutinho, o qual coligiu vários textos de contemporâneos do escritor.
"Camilo Castelo Branco é para nós um dos primeiros romancistas da Europa contemporânea. Não conhecemos em Nação nenhuma individualidade literária mais original, mais profundamente acentuada, escritor mais correcto, fantasia mais finamente engraçada, espírito mais vivo e sarcástico. (...) tem personagens cuja criação Balzac invejaria, Cherbuliez, Droz e Zola não seriam capazes de reproduzir mais vivos nem com mais relevo."
Este poeta e ensaísta foi uma das muitas pessoas com quem Camilo travou acesas polémicas, género em que era temido, dados o seu agudo sarcasmo e não menos violenta agressividade. Mas tal como aconteceu com outros alvos da sua verve polemista, também Alexandre da Conceição se tornou num grande admirador do autor de « A Queda de Um Anjo», como nos dá conta José Viale Moutinho, o qual coligiu vários textos de contemporâneos do escritor.
"Camilo Castelo Branco é para nós um dos primeiros romancistas da Europa contemporânea. Não conhecemos em Nação nenhuma individualidade literária mais original, mais profundamente acentuada, escritor mais correcto, fantasia mais finamente engraçada, espírito mais vivo e sarcástico. (...) tem personagens cuja criação Balzac invejaria, Cherbuliez, Droz e Zola não seriam capazes de reproduzir mais vivos nem com mais relevo."
Sentidos agradecimentos
Ao nosso caro amigo José M. Barbosa, leitor assíduo do Estado Sentido desde o seu início, quando ainda escrito a apenas duas mãos, que nos presentou com este elogio:
Sou um tipo de hábitos. Café no mesmo sítio, jornais e demais no mesmo sítio, jantar nos mesmos sítios.
Rotinas que não têm nada a ver com o simples facto de ser rotineiro na leitura de dois blogs :
Combustões
Estado Sentido.
Sinceramente, muito sinceramente, não há melhor em português.
Como forma de agradecimento, e inspirado pelas recente onda de irmandade que paira na blogosfera, com convites de bloggers a outros bloggers para escreverem posts nos seus blogs, desta forma convido desde já o José a escrever um post para o Estado Sentido, à sua discrição. Sinta-se em casa, como sempre.
Sou um tipo de hábitos. Café no mesmo sítio, jornais e demais no mesmo sítio, jantar nos mesmos sítios.
Rotinas que não têm nada a ver com o simples facto de ser rotineiro na leitura de dois blogs :
Combustões
Estado Sentido.
Sinceramente, muito sinceramente, não há melhor em português.
Como forma de agradecimento, e inspirado pelas recente onda de irmandade que paira na blogosfera, com convites de bloggers a outros bloggers para escreverem posts nos seus blogs, desta forma convido desde já o José a escrever um post para o Estado Sentido, à sua discrição. Sinta-se em casa, como sempre.
Qualquer dia também mudamos para o Sapo
Por ora foi o Tomás Vasques, o Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos, está agora nos blogs do Sapo.
Este país de minudências
Ontem Sócrates e Manuel Pinho fumavam num voo fretado, hoje toda a imprensa e os seus arautos moralistas se ocupavam da situação. Não digo que está bem nem mal. Relembro apenas a falta de sentido de Estado das nossas "élites", que raramente se dignam a dar um exemplo de rectidão e integridade. Mas como cada povo tem o que merece, se hoje em dia os políticos são cada vez mais reflexo da nação, então Sócrates está tão bem para os portugueses, como estes para ele. A chico-espertice é algo muito cá da casa (Portugal).
À tarde, pela Sic Notícias, ficava-se a saber que Sócrates admite ter errado e que iria deixar de fumar. Mas o que raio temos nós a ver com o facto do PM fumar ou não? Este culto da personalidade à volta de Sócrates faz-me cada vez mais «espécie». Pelo meio parece que se assinaram uns acordos de cooperação com a Venezuela, entre os quais consta um acordo de exploração petrolífera por parte da Galp, enquanto de forma ridícula, porque manifestamente injustificada, os preços dos combustíveis continuam a aumentar, mas isso são questões menores para a maioria que constitui as audiências das televisões, e essas afinal só se prestam mesmo a dar ao povo aquilo que quer.
Entretanto, uma triste notícia, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu suspender a montagem de um dos ex libris culturais da capital, a Feira do Livro.
À noite, na RTP N, eram os líderes das Jotas a falar sobre o afastamento dos jovens da política. Não será isto algo contraproducente? É que ou muito me engano, ou essas também têm uma grande quota parte quanto a esse afastamento. Bonito foi o espectáculo que deram não se respeitando uns aos outros, interrompendo-se e falando por cima dos outros (principalmente o dirigente do BE, Pedro Soeiro, e o do PS, Pedro Santos, salvo erro). Esteve bem o dirigente do BE ao apontar que o PS é um dos maiores fomentadores e empregadores de trabalhadores temporários...e todos sabemos porquê.
À tarde, pela Sic Notícias, ficava-se a saber que Sócrates admite ter errado e que iria deixar de fumar. Mas o que raio temos nós a ver com o facto do PM fumar ou não? Este culto da personalidade à volta de Sócrates faz-me cada vez mais «espécie». Pelo meio parece que se assinaram uns acordos de cooperação com a Venezuela, entre os quais consta um acordo de exploração petrolífera por parte da Galp, enquanto de forma ridícula, porque manifestamente injustificada, os preços dos combustíveis continuam a aumentar, mas isso são questões menores para a maioria que constitui as audiências das televisões, e essas afinal só se prestam mesmo a dar ao povo aquilo que quer.
Entretanto, uma triste notícia, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu suspender a montagem de um dos ex libris culturais da capital, a Feira do Livro.
À noite, na RTP N, eram os líderes das Jotas a falar sobre o afastamento dos jovens da política. Não será isto algo contraproducente? É que ou muito me engano, ou essas também têm uma grande quota parte quanto a esse afastamento. Bonito foi o espectáculo que deram não se respeitando uns aos outros, interrompendo-se e falando por cima dos outros (principalmente o dirigente do BE, Pedro Soeiro, e o do PS, Pedro Santos, salvo erro). Esteve bem o dirigente do BE ao apontar que o PS é um dos maiores fomentadores e empregadores de trabalhadores temporários...e todos sabemos porquê.
Coisinhas boas recebidas por e-mail
PLANO PARA SALVAR PORTUGAL DA CRISE
Passo 1:
Trocamos a Madeira pela Galiza, mas os espanhóis têm que levar o Alberto João.
Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário). A industria textil portuguesa é revitalizada. A Espanha fica encurralada pelos Bascos e Alberto João.
Passo 3:
Desesperados, os espanhois tentam devolver a Madeira (e Alberto João). A malta não aceita.
Passo 4:
Oferecem também o Pais Basco. A malta mantem-se firme e não aceita.
Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência. Cada vez mais desesperados, os espanhois oferecem-nos: a Madeira, Pais Basco e Catalunha. A contrapartida é termos que ficar com o Alberto João e os Etarras.
A malta arma-se em difícil mas aceita.
Passo 6:
Dá-se a indepêndencia ao País Basco, a contrapartida é eles ficarem com o Alberto João. A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar. Sem o Alberto João a Madeira torna-se um paraíso. A Catalunha não causa problemas (no fundo no fundo são mansos).
Passo 7:
Afinal a Eta não aguenta com o Alberto João, que entretanto assume o poder.
O País Basco pede para se tornar território português.
A malta aceita (apesar de estar lá o Alberto João).
Passo 8:
No País Basco não há carnaval. O Alberto João emigra para o Brasil...
Passo 9:
O Governo brasileiro pede para voltar a ser território português. A malta aceita e manda o Alberto João para a Madeira.
Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses (e apesar do Alberto João), Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!
Alberto João enfraquecido pelos festejos do carnaval na Madeira e Brasil, não aguenta a emoção, e morre na miséria, esquecido de todos.
Passo 11:
Os espanhóis, desmoralizados, e economica e territorialmente enfraquecidos, não oferecem resistência quando mandamos os poucos que restam para as Canárias.
Passo 12:
Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira portuguesa.
Passo 13:
A dimensão extraordinária adquirida por um país que une a Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico, de uma costa à outra e de norte a sul.
Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos, que são sujeitos a uma pesada sobretaxa por termos de trocar os dólares em euros, constituindo assim um verdadeiro bloqueio naval que os leva à asfixia.
Passo 14:
Eles querem-nos aterrorizar com o Ben Laden, mas a malta ameaça enviar-lhes o Alberto João ( que eles não sabem que já morreu ).
Perante tal prova de força, os americanos capitulam e nós tornamo-nos na primeira potência mundial.
Passo 1:
Trocamos a Madeira pela Galiza, mas os espanhóis têm que levar o Alberto João.
Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário). A industria textil portuguesa é revitalizada. A Espanha fica encurralada pelos Bascos e Alberto João.
Passo 3:
Desesperados, os espanhois tentam devolver a Madeira (e Alberto João). A malta não aceita.
Passo 4:
Oferecem também o Pais Basco. A malta mantem-se firme e não aceita.
Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência. Cada vez mais desesperados, os espanhois oferecem-nos: a Madeira, Pais Basco e Catalunha. A contrapartida é termos que ficar com o Alberto João e os Etarras.
A malta arma-se em difícil mas aceita.
Passo 6:
Dá-se a indepêndencia ao País Basco, a contrapartida é eles ficarem com o Alberto João. A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar. Sem o Alberto João a Madeira torna-se um paraíso. A Catalunha não causa problemas (no fundo no fundo são mansos).
Passo 7:
Afinal a Eta não aguenta com o Alberto João, que entretanto assume o poder.
O País Basco pede para se tornar território português.
A malta aceita (apesar de estar lá o Alberto João).
Passo 8:
No País Basco não há carnaval. O Alberto João emigra para o Brasil...
Passo 9:
O Governo brasileiro pede para voltar a ser território português. A malta aceita e manda o Alberto João para a Madeira.
Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses (e apesar do Alberto João), Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!
Alberto João enfraquecido pelos festejos do carnaval na Madeira e Brasil, não aguenta a emoção, e morre na miséria, esquecido de todos.
Passo 11:
Os espanhóis, desmoralizados, e economica e territorialmente enfraquecidos, não oferecem resistência quando mandamos os poucos que restam para as Canárias.
Passo 12:
Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira portuguesa.
Passo 13:
A dimensão extraordinária adquirida por um país que une a Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico, de uma costa à outra e de norte a sul.
Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos, que são sujeitos a uma pesada sobretaxa por termos de trocar os dólares em euros, constituindo assim um verdadeiro bloqueio naval que os leva à asfixia.
Passo 14:
Eles querem-nos aterrorizar com o Ben Laden, mas a malta ameaça enviar-lhes o Alberto João ( que eles não sabem que já morreu ).
Perante tal prova de força, os americanos capitulam e nós tornamo-nos na primeira potência mundial.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
L'important
"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos"
Depois de olhar a rosa e de lhe sentir o perfume, pensei que a que cativara o Principezinho deveria ser assim...
Depois de olhar a rosa e de lhe sentir o perfume, pensei que a que cativara o Principezinho deveria ser assim...
Terapia termal (2)
Sabia que faria o possível para , logo que pudesse, lá ir.O que sabia sobre Baden- Baden, a estância termal termal da Floresta Negra, no sul da Alemanha era de modo a fazer sonhar passar aí um tempo, por pouco que fosse.
A oportunidade surgiu o ano passado, nas férias.
Para chegar àquela que é uma região fadada pelos deuses, atravessei campo e cidades de beleza ímpar, com destaque, no que às cidades respeita, para Freiburgo , que alia à monumentalidade dos edifícios uma riqueza histórica invejável. Mas o melhor estava para vir, quando vi estender-se à minha frente aquela prodigalidade da natureza, e logo entendi o fascínio que Baden-Baden exercia na burguesia e aristocracia do século XIX, fosse para aí se curarem com as águas sulfurosas, fosse simplesmente para desfrutarem daqueles ares puríssimos, ao mesmo tempo que os olhos mergulhavam naquele milagre terreno.
Sócrates, Chávez e interesse nacional
A blogosfera nacional anda em plena efervescência com o caso do cigarro fumado a bordo do avião da TAP. Não vale a pena entretermos-nos com episódios típicos de um dia a dia primo-ministerial e o lapso, ou melhor, a ilegalidade cometida, proveio certamente do estado de coisas que vem sendo incentivado pelo Poder. O engenheiro Sócrates sabe agora o que realmente é e vale a delação que bem conhecidos circuitos acicatam.
O outro tema de momento, é a visita à Venezuela, país, ou arremedo de país que abriga uma numerosa comunidade de origem portuguesa. O regime chavista e a natureza dos pressupostos que lhe dão corpo são sobejamente conhecidos, pelo que nos eximiremos a mais considerações. Para informação complementar, os leitores deverão consultar a obra de Hergé, especialmente os volumes "O Ídolo Roubado" e "Tintim e os Pícaros", onde decerto o caudilho orinoconense se inspirou.
A visita de Sócrates é benéfica sob vários prismas. Primeiramente, o esvaziamento da presença espanhola, ou pelo menos, o seu declínio, suscitará saudáveis impulsos no sentido da ocupação de posições que garantem amplos proventos e desta forma, Sócrates fez bem. A Venezuela está no caminho certo para se tornar em mais um Estado pária, ombreando com Cuba, Coreia do Norte ou Irão, no sinuoso caminho condutor a futuros não muito ridentes. Portugal é o parceiro ideal para um lavar de cara. País antigo, membro da União Europeia e da NATO, pátria-mãe do Brasil, é um desejável conviva à mesa do opulento banquete. Mas a soberania vale o que vale e não podemos forçar os venezuelanos e as suas castas dirigentes a seguir modelos alheios. Em grande medida, as culpas da presente situação hoje vivida naquele país, cabem inteiramente às oligarquias conotadas com as direitas que esbulharam a seu bel--prazer, os recursos que deviam ter sido mais equitativamente repartidos. Chávez aproveitou a oportunidade oferecida e parodiando Mussolini no "Grande Ditador" de Chaplin, subiu ao palco do estrelato internacional.
A única questão que poderá derivar rapidamente para claro óbice de conduta, é esta. Poderá o senhor primeiro-ministro garantir que os acordos celebrados entre o reino de Portugal e a Venezuela beneficiarão o país como um todo? Ou servirão apenas para impulsionar certos e bem conhecidos interesses privados subsidiadores e subsidiários do regime? É esta a questão.
Se o eng. José Sócrates nos der uma explicação cabal e sem sofismas acerca do lucro colectivo a recolher pelos portugueses, só poderei aplaudir o olhar de águia, o golpe de génio. No caso de a realidade ser a contrária, enfim, não perderemos todos por esperar o muito que haverá para dizer. E as consequências e as responsabilidades caberão inteiramente a quem colheu momentâneos proventos.
* Por favor, substituir as legendas nos balões das imagens, por engenheiro em vez de professor, etc. Tapiócapolis pode ser mudada para Caracas, por exemplo. O cenário é idêntico.
Camilo visto por
1. Ramalho Ortigão
Nas últimas noites, antes de adormecer, tenho-me deliciado com a leitura de uns escritos de Ramalho sobre o homem de Seide:
"Pelo conjunto total das exuberâncias e das deficiências da sua natureza de escritor, pelas suas qualidades e pelos seus defeitos, pelo seu temperamento, pela sua educação, pela sua obra, que é a imagem da sua vida, o nome de Camilo Castelo Branco representará para sempre na história da literatura pátria o mais vivo, o mais característico, o mais glorioso documento da actividade artística peculiar da nossa raça, porque ele é, sem dúvida alguma, entre todos os escritores do nosso século, o mais genuinamente peninsular, o mais tipicamente português."
Nas últimas noites, antes de adormecer, tenho-me deliciado com a leitura de uns escritos de Ramalho sobre o homem de Seide:
"Pelo conjunto total das exuberâncias e das deficiências da sua natureza de escritor, pelas suas qualidades e pelos seus defeitos, pelo seu temperamento, pela sua educação, pela sua obra, que é a imagem da sua vida, o nome de Camilo Castelo Branco representará para sempre na história da literatura pátria o mais vivo, o mais característico, o mais glorioso documento da actividade artística peculiar da nossa raça, porque ele é, sem dúvida alguma, entre todos os escritores do nosso século, o mais genuinamente peninsular, o mais tipicamente português."
Revolta sentida
Tal como prometido à Cristina, uma breve nota sobre as conferências de hoje. Aproveito também para indicar aos interessados que podem acompanhar a cobertura dessas no blog do Núcleo de Estudantes de Ciência Política do ISCSP. Já agora, novamente, o cartaz das jornadas está aqui.
De manhã, na conferência subordinada ao tema "Tributo, Poder e Corrupção", fiquei agradavelmente surpreendido com o Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, José Conde Rodrigues, que não só se prestou a ficar durante toda a conferência (para mim, algo inédito quanto aos agentes do poder. Lembro-me de ver ridículos presidentezecos de câmaras municipais a ir só à abertura de um qualquer evento porque se acham demasiado importantes para ficar até ao fim), como teve uma erudita, esclarecida e realista intervenção, enquanto mais uma vez se assistiu a Maria José Morgado a debitar o common knowledge sobre o tema da corrupção. Ainda coloquei uma questão, se não achava a demasiada exposição mediática contraproducente, na medida em que retira espaço de manobra aos investigadores e agências que se ocupam do combate à corrupção, enquanto a opinião pública vai exigindo cada vez mais resultados. Resultados esses, praticamente nulos. Gostei da sua relativização do assunto, alertou que não poderíamos ter uma visão normativista da coisa, isto é, não podemos pensar que vamos acabar totalmente com a corrupção, podemos sim eliminar parte dessa.
Foi também agradável ouvir Luís de Sousa, investigador do ISCTE, que nos deu uma visão de como o fenómeno da corrupção pode ser estudado academicamente, a quem ouvimos muito justamente dizer que não há, não houve, e que tem dúvidas sobre se alguma vez haverá uma estratégia nacional de combate à corrupção. Acrescento ainda, não há, desde há muito, estratégia nacional seja para o que for. Não há responsabilidade, não há sentido de Estado, não há nenhum projecto colectivo de desenvolvimento nacional. Quanto mais uma estratégia para combater um dos fenómenos que, também ele, está na origem da inércia do Estado português.
Continuo a achar que a corrupção é um fenómeno intrínseco à própria vida em sociedade, é uma das componentes do fenómeno Estado, enquanto emanação da sociedade, mais ainda nos países latinos, onde se denota a tendência inata para a prática dos favorecimentos, compra do poder e afins. E ainda que o Professor Doutor João Catarino de forma normativa e ideal defenda que não há uma diferença a nível ético, mas sim valores que todos devemos perseguir, continuo a achar que a ética protestante aliada ao liberalismo de matriz anglo-saxónica produz sociedades e indivíduos responsáveis que não se prestam aos desvios que os latinos, católicos e herdeiros da tradição francesa, infelizmente se prestam. O protestantismo é implacável perante os desvios. O catolicismo é naturalmente tolerante. Por isso é que os políticos latinos, regra geral, não têm qualquer sentido de responsabilidade perante as suas populações.
Quanto à conferência da tarde, sobre "A melhor forma de governo", excusar-me-ei a comentar detalhadamente, devido a uma delicada situação interna que se vive na faculdade. Limito-me a remeter para o blog do Professor Maltez, e para os escritos que leu de forma emocionada, ilustrando o seu sentimento de revolta, de quem tem a liberdade como a mais elevada das propriedades.
Noto como a sala esteve a "abarrotar" da parte da tarde, com pessoas pelo chão, de pé, à porta do auditório. Os jornalistas que ficaram para fazer as perguntas da praxe a Maria José Morgado, deveriam era ter ficado para filmar toda a conferência da tarde e mostrar na televisão o que é Ciência Política e Relações Internacionais, para talvez assim se começar a fazer os portugueses entender como é que as coisas realmente funcionam.
Em breve resumo, os Professores António de Sousa Lara e António Marques Bessa deram-nos uma visão pragmática, realista, em grande parte pessimista, que nos alerta para aquilo de que já Orwell falava, e que o Professor Sousa Lara ilustra nas suas últimas obras (A Grande Mentira e O Terrorismo e a Ideologia do Ocidente), isto é, a deriva para um novo totalitarismo com uma ideologia do pensamento único inculcada sob a égide da exportação da democracia para todo o mundo.
A destacar dois pontos quanto à intervenção do Professor Sousa Lara. Em primeiro lugar, a noção de que não há uma melhor forma de governo, há formas de governo que se adequam às populações, às circunstâncias, à cultura, enfim, às especificidades antropológicas dos indivíduos, comunidades e sociedades. É por isso que agarrar em modelos ocidentais e copiá-los para todo o resto do mundo resulta nas asneiras que tem resultado. Em segundo lugar, a essencial distinção entre a forma e a substância do poder. A substância que se está a exportar para o todo mundo é a mesma. As formas pouco interessam, posto que a substância é a de que sempre existirão oligarquias, plutocracias, primado da tecnologia e da globalização, o Estado espectáculo e o marketing político como base de legitimação do poder político. Posto isto, as formas são simbólicas, porque na essência estamos todos a caminhar para o mesmo, para uma ordem internacional que a plutocracia mundial vai ditando.
Bom, e como breve nota pessoal da minha parte, infelizmente, é triste notar como a decadência está já à nossa frente, demonstrada de forma crua pelos poucos justos revoltados que ainda vão sobrevivendo à ditadura da maioria, do pensamento único, da obediência da carneirada. E a maior parte de todos os outros, nem sequer se apercebe que vamos a caminho do fim. A Universidade já perdeu o sentido do que deve ser, do que foi, passou simplesmente a ser mais uma ferramenta na mão dos governos, em detrimento das sociedades, a quem a verdadeira Academia deu voz um dia. Em Portugal, pelo menos.
De manhã, na conferência subordinada ao tema "Tributo, Poder e Corrupção", fiquei agradavelmente surpreendido com o Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, José Conde Rodrigues, que não só se prestou a ficar durante toda a conferência (para mim, algo inédito quanto aos agentes do poder. Lembro-me de ver ridículos presidentezecos de câmaras municipais a ir só à abertura de um qualquer evento porque se acham demasiado importantes para ficar até ao fim), como teve uma erudita, esclarecida e realista intervenção, enquanto mais uma vez se assistiu a Maria José Morgado a debitar o common knowledge sobre o tema da corrupção. Ainda coloquei uma questão, se não achava a demasiada exposição mediática contraproducente, na medida em que retira espaço de manobra aos investigadores e agências que se ocupam do combate à corrupção, enquanto a opinião pública vai exigindo cada vez mais resultados. Resultados esses, praticamente nulos. Gostei da sua relativização do assunto, alertou que não poderíamos ter uma visão normativista da coisa, isto é, não podemos pensar que vamos acabar totalmente com a corrupção, podemos sim eliminar parte dessa.
Foi também agradável ouvir Luís de Sousa, investigador do ISCTE, que nos deu uma visão de como o fenómeno da corrupção pode ser estudado academicamente, a quem ouvimos muito justamente dizer que não há, não houve, e que tem dúvidas sobre se alguma vez haverá uma estratégia nacional de combate à corrupção. Acrescento ainda, não há, desde há muito, estratégia nacional seja para o que for. Não há responsabilidade, não há sentido de Estado, não há nenhum projecto colectivo de desenvolvimento nacional. Quanto mais uma estratégia para combater um dos fenómenos que, também ele, está na origem da inércia do Estado português.
Continuo a achar que a corrupção é um fenómeno intrínseco à própria vida em sociedade, é uma das componentes do fenómeno Estado, enquanto emanação da sociedade, mais ainda nos países latinos, onde se denota a tendência inata para a prática dos favorecimentos, compra do poder e afins. E ainda que o Professor Doutor João Catarino de forma normativa e ideal defenda que não há uma diferença a nível ético, mas sim valores que todos devemos perseguir, continuo a achar que a ética protestante aliada ao liberalismo de matriz anglo-saxónica produz sociedades e indivíduos responsáveis que não se prestam aos desvios que os latinos, católicos e herdeiros da tradição francesa, infelizmente se prestam. O protestantismo é implacável perante os desvios. O catolicismo é naturalmente tolerante. Por isso é que os políticos latinos, regra geral, não têm qualquer sentido de responsabilidade perante as suas populações.
Quanto à conferência da tarde, sobre "A melhor forma de governo", excusar-me-ei a comentar detalhadamente, devido a uma delicada situação interna que se vive na faculdade. Limito-me a remeter para o blog do Professor Maltez, e para os escritos que leu de forma emocionada, ilustrando o seu sentimento de revolta, de quem tem a liberdade como a mais elevada das propriedades.
Noto como a sala esteve a "abarrotar" da parte da tarde, com pessoas pelo chão, de pé, à porta do auditório. Os jornalistas que ficaram para fazer as perguntas da praxe a Maria José Morgado, deveriam era ter ficado para filmar toda a conferência da tarde e mostrar na televisão o que é Ciência Política e Relações Internacionais, para talvez assim se começar a fazer os portugueses entender como é que as coisas realmente funcionam.
Em breve resumo, os Professores António de Sousa Lara e António Marques Bessa deram-nos uma visão pragmática, realista, em grande parte pessimista, que nos alerta para aquilo de que já Orwell falava, e que o Professor Sousa Lara ilustra nas suas últimas obras (A Grande Mentira e O Terrorismo e a Ideologia do Ocidente), isto é, a deriva para um novo totalitarismo com uma ideologia do pensamento único inculcada sob a égide da exportação da democracia para todo o mundo.
A destacar dois pontos quanto à intervenção do Professor Sousa Lara. Em primeiro lugar, a noção de que não há uma melhor forma de governo, há formas de governo que se adequam às populações, às circunstâncias, à cultura, enfim, às especificidades antropológicas dos indivíduos, comunidades e sociedades. É por isso que agarrar em modelos ocidentais e copiá-los para todo o resto do mundo resulta nas asneiras que tem resultado. Em segundo lugar, a essencial distinção entre a forma e a substância do poder. A substância que se está a exportar para o todo mundo é a mesma. As formas pouco interessam, posto que a substância é a de que sempre existirão oligarquias, plutocracias, primado da tecnologia e da globalização, o Estado espectáculo e o marketing político como base de legitimação do poder político. Posto isto, as formas são simbólicas, porque na essência estamos todos a caminhar para o mesmo, para uma ordem internacional que a plutocracia mundial vai ditando.
Bom, e como breve nota pessoal da minha parte, infelizmente, é triste notar como a decadência está já à nossa frente, demonstrada de forma crua pelos poucos justos revoltados que ainda vão sobrevivendo à ditadura da maioria, do pensamento único, da obediência da carneirada. E a maior parte de todos os outros, nem sequer se apercebe que vamos a caminho do fim. A Universidade já perdeu o sentido do que deve ser, do que foi, passou simplesmente a ser mais uma ferramenta na mão dos governos, em detrimento das sociedades, a quem a verdadeira Academia deu voz um dia. Em Portugal, pelo menos.
terça-feira, 13 de maio de 2008
O livro de viagens
Por mero acaso, quando procurava na estante um livro de Bruce Chatwin sobre uma viagem ao Chile, mais demoradamente à Patagónia, li numa biografia que dele escreveu Nicholas Shakespeare que hoje faria anos. Gostei de vários livros dele, nomeadamente de um que refere de perto Portugal:« O Vice- Rei de Ajudá».
Ó pra eles tão lindos
Até hoje, nem o Gaudi, nem o Gauguin mostraram possuir qualquer queda para a arte, como acontece, a cada passo, com seres da mesma espécie, ou aparentados, mas além de gostarem de ser fotografados, não raras vezes pintam a manta, e só por isso já se devem sentir uns grandes artistões :)
Croniquetas republicanas (5): José Relvas diz de Teófilo Braga
"Há no seu aspecto externo um desleixo miserável. Sem hábitos sociais, tendo vivido uma longa existência confinada entre quatro paredes da sua desordenada biblioteca, dotado de uma natureza fundamental e incorrigivelmente plebeia, avarento, fazendo livros sem probidade, atacando sinuosamente os homens em quem receia competidores, descendo até vis insinuações (...), ambicioso, mas de uma vulgar e baixa ambição, sem a nobreza de quem aspira a um alto destino para a realização de um alto ideal, Teófilo Braga exterioriza o tipo do adelo, coçado ao balcão, em que tem vendido a algumas gerações uma obra feita de retalhos, cheia das promiscuidades do bricabraque literário, em que as botas cambadas e rotas dos pontapés que deu a Herculano e Castilho, emparelham com a casaca do casamento, com que teve o impudor de se apresentar na primeira festa diplomática oferecida pelo ministro da Argentina ao Governo da Revolução! (...) É uma fraca inteligência e um coração insensível (...) A sua acção no Directório, como havia de ser mais tarde no governo Provisório, ou era nula (...) ou era ditada pelos seus interesses, pelas suas ambições e muitas vezes pelos seus rancores. "
Eis o juízo que Relvas fazia daquele que era considerado como luminosa inteligência resgatadora da Nação. Foi o segundo presidente da república.
Do cimo do Monte da Guia
«Mulher de Porto Pim», de António Tabucchi
Fazia muito vento, mas talvez por isso o encanto fosse maior ainda, porque as ondas mais se agitavam.
Croniquetas republicanas (4): ódios e fraternidades!
Um dos aspectos mais relevantes do regime saído do golpe de 3-5 de Outubro de 1910, consistiu na mais estrénue guerrilha inter-partidária jamais vista em Portugal. O embuste ganhou forma como forma de governo e o arrivismo, prepotência e boçalidade dos novos senhores, tornaram-se de imediato patentes aos olhos da atónita opinião pública citadina, que via cair a máscara dos auto-proclamados púdicos. O melhor recurso de que hoje dispomos para o julgamento, mesmo que epidérmico, do carácter daquela gente, consiste nos milhares de folhas escritas em diários, cartas a terceiros e artigos de opinião. Os "republicanos" cultivaram fraternos ódios de clube bairrista, atacaram-se violentamente, disputaram primazias, cargos e prebendas, fazendo empalidecer tudo aquilo que anteriormente diziam acerca dos derrubados rivais do tempo da "ominosa" Monarquia. A realidade da política caseira e internacional, fê-los descobrir a sua total inépcia para a gestão de simples assuntos correntes do Estado e um dos argumentos finais para o seu fracasso, consistiu na acusação de "a república não soube fazer-se porque não expulsou o funcionalismo dos tempos monárquicos". Como se tal coisa fosse possível, isto é, a demissão compulsiva de todos os detentores de cargos relevantes ou não, do aparelho do Estado. Secretários, chefes de serviço, pessoal diplomático e de todos os departamentos públicos, professorado, enfim, toda uma rede que viabilizava Portugal como país soberano e organizado politicamente. Delírios, ilusões e decepções logicamente decorrentes. Foi este o resultado obtido pelos conspiradores dos cafés e tascas da capital.
José Relvas e as suas Memórias Políticas, fornece-nos um precioso manancial informativo, com uma precisão e perspicácia de julgamento dos seus pares que assombra pela absoluta frontalidade e desprezo. Desta forma, utilizaremos as suas palavras para a caracterização do estado de coisas criado pelo regime dos senhores dos Banhos de S. Paulo.
Acerca de Afonso Costa e de Bernardino Machado, dizia ..."aqueles dois homens fizeram uma obra de divisão (...) e foram assim os maiores agentes da obra liberticida que veio a ser a característica da República, na sua pior fase!" De Teófilo Braga, afirmava que ..."o partido republicano teve acerca deste homem as mais funestas ilusões, funestas para a Nação e para a República (...) causa nobre e bela, daquela beleza que em rigor só existe na obra irrealizada"... Desta forma o regime transformou-se ..."num mercado ululante de ridículas ambições e pueris vaidades (...), um estado que perdeu toda a autoridade e todo o prestígio, dirigido por insensatos, anarquizado por doidos e abandonado ao seu destino por egoístas e pusilânimes (Diário de João Chagas, vol. IV, Janeiro de 1919 e vol. II, Paris, Janeiro de 1915). Já no período de desesperada desilusão e referindo-se à manhã da proclamação na Câmara Municipal de Lisboa, desabafava para a posteridade ..."Quem diria então que soma imensa de desenganos viria, não da ideia republicana, mas de outros abusos cometidos pelos republicanos!"
José Relvas, como todos aqueles abastados descontentes profissionais, não percebeu que Portugal era de facto uma república, enfim, aquilo a que Lafayette chamava "a melhor das repúblicas". A incomensurável superioridade do rei D. Carlos, a grande visão de um futuro aberto à ciência que era apanágio da rainha D. Amélia e o arreigado patriotismo das camadas populares, foram totalmente obliterados pela simples sanha destruidora, pelos ódios e desejos de ajustamento de contas velhas e pessoais. Foi o triunfo da mediocridade.
No âmbito do centenário do Regicídio e da "república", continuaremos a abordar este tema de geral interesse, a república vista pelos republicanos.
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