Até hoje, nem o Gaudi, nem o Gauguin mostraram possuir qualquer queda para a arte, como acontece, a cada passo, com seres da mesma espécie, ou aparentados, mas além de gostarem de ser fotografados, não raras vezes pintam a manta, e só por isso já se devem sentir uns grandes artistões :)
terça-feira, 13 de maio de 2008
Croniquetas republicanas (5): José Relvas diz de Teófilo Braga
"Há no seu aspecto externo um desleixo miserável. Sem hábitos sociais, tendo vivido uma longa existência confinada entre quatro paredes da sua desordenada biblioteca, dotado de uma natureza fundamental e incorrigivelmente plebeia, avarento, fazendo livros sem probidade, atacando sinuosamente os homens em quem receia competidores, descendo até vis insinuações (...), ambicioso, mas de uma vulgar e baixa ambição, sem a nobreza de quem aspira a um alto destino para a realização de um alto ideal, Teófilo Braga exterioriza o tipo do adelo, coçado ao balcão, em que tem vendido a algumas gerações uma obra feita de retalhos, cheia das promiscuidades do bricabraque literário, em que as botas cambadas e rotas dos pontapés que deu a Herculano e Castilho, emparelham com a casaca do casamento, com que teve o impudor de se apresentar na primeira festa diplomática oferecida pelo ministro da Argentina ao Governo da Revolução! (...) É uma fraca inteligência e um coração insensível (...) A sua acção no Directório, como havia de ser mais tarde no governo Provisório, ou era nula (...) ou era ditada pelos seus interesses, pelas suas ambições e muitas vezes pelos seus rancores. "
Eis o juízo que Relvas fazia daquele que era considerado como luminosa inteligência resgatadora da Nação. Foi o segundo presidente da república.
Do cimo do Monte da Guia
«Mulher de Porto Pim», de António Tabucchi
Fazia muito vento, mas talvez por isso o encanto fosse maior ainda, porque as ondas mais se agitavam.
Croniquetas republicanas (4): ódios e fraternidades!
Um dos aspectos mais relevantes do regime saído do golpe de 3-5 de Outubro de 1910, consistiu na mais estrénue guerrilha inter-partidária jamais vista em Portugal. O embuste ganhou forma como forma de governo e o arrivismo, prepotência e boçalidade dos novos senhores, tornaram-se de imediato patentes aos olhos da atónita opinião pública citadina, que via cair a máscara dos auto-proclamados púdicos. O melhor recurso de que hoje dispomos para o julgamento, mesmo que epidérmico, do carácter daquela gente, consiste nos milhares de folhas escritas em diários, cartas a terceiros e artigos de opinião. Os "republicanos" cultivaram fraternos ódios de clube bairrista, atacaram-se violentamente, disputaram primazias, cargos e prebendas, fazendo empalidecer tudo aquilo que anteriormente diziam acerca dos derrubados rivais do tempo da "ominosa" Monarquia. A realidade da política caseira e internacional, fê-los descobrir a sua total inépcia para a gestão de simples assuntos correntes do Estado e um dos argumentos finais para o seu fracasso, consistiu na acusação de "a república não soube fazer-se porque não expulsou o funcionalismo dos tempos monárquicos". Como se tal coisa fosse possível, isto é, a demissão compulsiva de todos os detentores de cargos relevantes ou não, do aparelho do Estado. Secretários, chefes de serviço, pessoal diplomático e de todos os departamentos públicos, professorado, enfim, toda uma rede que viabilizava Portugal como país soberano e organizado politicamente. Delírios, ilusões e decepções logicamente decorrentes. Foi este o resultado obtido pelos conspiradores dos cafés e tascas da capital.
José Relvas e as suas Memórias Políticas, fornece-nos um precioso manancial informativo, com uma precisão e perspicácia de julgamento dos seus pares que assombra pela absoluta frontalidade e desprezo. Desta forma, utilizaremos as suas palavras para a caracterização do estado de coisas criado pelo regime dos senhores dos Banhos de S. Paulo.
Acerca de Afonso Costa e de Bernardino Machado, dizia ..."aqueles dois homens fizeram uma obra de divisão (...) e foram assim os maiores agentes da obra liberticida que veio a ser a característica da República, na sua pior fase!" De Teófilo Braga, afirmava que ..."o partido republicano teve acerca deste homem as mais funestas ilusões, funestas para a Nação e para a República (...) causa nobre e bela, daquela beleza que em rigor só existe na obra irrealizada"... Desta forma o regime transformou-se ..."num mercado ululante de ridículas ambições e pueris vaidades (...), um estado que perdeu toda a autoridade e todo o prestígio, dirigido por insensatos, anarquizado por doidos e abandonado ao seu destino por egoístas e pusilânimes (Diário de João Chagas, vol. IV, Janeiro de 1919 e vol. II, Paris, Janeiro de 1915). Já no período de desesperada desilusão e referindo-se à manhã da proclamação na Câmara Municipal de Lisboa, desabafava para a posteridade ..."Quem diria então que soma imensa de desenganos viria, não da ideia republicana, mas de outros abusos cometidos pelos republicanos!"
José Relvas, como todos aqueles abastados descontentes profissionais, não percebeu que Portugal era de facto uma república, enfim, aquilo a que Lafayette chamava "a melhor das repúblicas". A incomensurável superioridade do rei D. Carlos, a grande visão de um futuro aberto à ciência que era apanágio da rainha D. Amélia e o arreigado patriotismo das camadas populares, foram totalmente obliterados pela simples sanha destruidora, pelos ódios e desejos de ajustamento de contas velhas e pessoais. Foi o triunfo da mediocridade.
No âmbito do centenário do Regicídio e da "república", continuaremos a abordar este tema de geral interesse, a república vista pelos republicanos.
Assim ao correr da pena...
... a Cristina nem sabe os problemas que me vai arranjar :p)

Ora eu até acho piada à astrologia, pelo que decidi recorrer a algumas caracterizações gerais do sagitariano, que normalmente até estão bem de acordo comigo, pelo que logicamente serve a imagem acima para o ilustrar.
Portanto como meio homem meio animal, logo, meio racional meio irracional, sou amante da liberdade, optimista, líder, aventureiro, bem humorado (às vezes demasiado para o gosto dos demais...), extrovertido, extremamente confiante, simultaneamente idealista e realista (é a natureza dúplice do sagitário, sempre em luta interior consigo mesmo), e podia continuar por aí fora, mas como nem tudo são qualidades, em nome da honestidade (ah sim, outra característica, honestidade sob a forma de franqueza, por vezes também em demasia para o gosto dos outros...), dois defeitos, a arrogância e, em segundo lugar, o desprezo para com os menos dotados intelectualmente (parece que já extravasei a regra das 6 palavras...). Há que admitir o que somos, seja bom ou mau, para ter noção do que devemos melhorar.
Respondo a esta corrente por cortesia para com a nossa Cristina, mas por mim não desafio por ora ninguém, até porque ando com pouco tempo e não sei quem se dignaria a responder-me :p).
Já agora, amanhã no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, duas conferências a não perder, de manhã destaque para a presença de Maria José Morgado que falará sobre o fenómeno da corrupção, e à tarde, José Adelino Maltez, António de Sousa Lara, e António Marques Bessa falarão sobre "A melhor forma de governo". Convido todos os bloggers e leitores que se interessem por estas matérias, a estar presentes.
E diziam que não havia gente nas ruas...
Uma das lendas propaladas pelos "republicanos", consistiu na mentira da ausência de populares nas ruas de Lisboa no dia do funeral de D. Carlos e de D. Luís Filipe. As fotografias começam a surgir, assim como raros filmes. A verdade já não pode ser escondida.
Post Scriptum
Disse que ia quebrar algumas regras, mas não quero que me acusem de quebrá-las todas: tenho de desafiar cinco bloggers - falta-me um. Desafio a definir-se em seis palavras José M. Barbosa do blogue Rosamármore.
O Brasil pretende entrar para a OPEP
Numa organização formada essencialmente por países com regimes pelo menos duvidosos, é uma boa notícia o possível ingresso do Brasil na OPEP. A descoberta de grandes jazidas de crude em áreas sob a soberania brasileira, equilibram grandemente a situação do fornecimento daquela matéria prima, prevendo-se um futuro em que o país irmão ultrapassará a já imprevisível Venezuela de Chávez. Apesar de todos os problemas internos, o Brasil não é um Estado pária nem se encontra ameaçado por qualquer ditador de oportunidade. Boas notícias para o mundo e uma pequena sugestão para o nosso primeiro-ministro: não será uma excelente oportunidade para a diversificação da nossa economia?
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Porque o acho contraditório, também...
A Júlia e o Paulo desafiam-me a escolher seis palavras que me definam, podendo postar uma imagem representativa daquilo que mais ou menos me define. Vou quebrar um bocadinho as regras, para melhor tentar fazê-lo.
Contemplativa, mas ao mesmo tempo agitada(sabem, aquela imagem das águas calmas mas, no interior muito revoltas ? ).
Comunicativa, mas não desde logo.
Persistente (os meus dizem-me teimosa):
Tímida (mas só até confiar)
Curiosa(quando algo me desperta o interesse, só não vou até ao fim se não puder)
Impulsiva (mas quando vejo que o impulso deu maus resultados, volto logo para trás)
Entusiasta mas ao mesmo tempo muito pessimista)
Passo agora o testemunho aos meus colegas de blogue, Nuno , Samuel e, se o chamado chegar ao outro lado do mar, Chris, assim como ao Mike,do blogue Desconversa.
Contemplativa, mas ao mesmo tempo agitada(sabem, aquela imagem das águas calmas mas, no interior muito revoltas ? ).
Comunicativa, mas não desde logo.
Persistente (os meus dizem-me teimosa):
Tímida (mas só até confiar)
Curiosa(quando algo me desperta o interesse, só não vou até ao fim se não puder)
Impulsiva (mas quando vejo que o impulso deu maus resultados, volto logo para trás)
Entusiasta mas ao mesmo tempo muito pessimista)
Passo agora o testemunho aos meus colegas de blogue, Nuno , Samuel e, se o chamado chegar ao outro lado do mar, Chris, assim como ao Mike,do blogue Desconversa.
Como é óbvio!
A bisneta de Dias Ferreira, antigo primeiro-ministro do rei D. Carlos I, veio a terreiro recusar--se a responder, à simples pergunta posta por um jornalista:
- "Nas últimas eleições votou em Pedro Santana Lopes?"
- "Obviamente não lhe respondo a essa pergunta!"
Ficámos a saber que obviamente não votou no seu próprio partido. Dá que pensar.
A Tormes de Eça e de Jacinto
Seria este lugar imortalizado no romance «A Cidade e as Serras», como a Quinta de Tormes, aonde Jacinto "regressa", depois de sempre ter vivido no nº 202 dos Campos Elísios, em Paris, a fim de assistir à trasladação dos ossos dos antepassados para a Capela de Família.
Uma vez chegado à estação de caminho de ferro que servia o local, o dono da Quinta teve de subir a serra numa égua, seguido pelo amigo José Fernandes, montado num jumento, por um caminho "íngreme e alpestre"; mas em breve os seus males "esqueceram ante a incomparável beleza daquela serra bendita", onde "para os vales, poderosamente cavados, desciam bandos de arvoredos, tão copados e redondos, de um verde tão moço";
"Jacinto, adiante, na sua égua ruça, murmurava: - Que beleza!" e José Fernandes, " atrás, no burro de Sancho,murmurava: - que beleza!".
De tal forma que o "Príncipe da Civilização" irá trocar definitivamente a Cidade Cosmopolita pelo "Castelo da Grã-Ventura", que é afinal a Serra do Douro, depois de uma primeira impressão negativa, quando encontrou um casarão "inabitável", o que faz com que logo manifeste vontade de partir para Lisboa no primeiro comboio.
É esta mesma impressão que Eça faz chegar a sua mulher, numa carta endereçada da Quinta de Vila Nova, aquando de uma segunda visita, em 1898, após lá ter ido com a cunhada Benedita, seis anos antes, e ter afirmado o quão maravilhoso era o caminho percorrido a cavalo: achava agora a serra " um pouco banal e mesquinha", mas tratava-se, também aqui, de "impressão pouco duradoura", tendo bastado dois ou três passeios para o fazer experimentar"l'ancien charme".
E diremos o que Camilo pensava acerca dos republicanos...
"O meu ódio, grande, entranhado e único na minha vida, ao Marquês de Pombal não procede do afecto ao padre nem do desagravo da religião: é por amor ao homem. Reconhece que a realidade dos factos foi sacrificada a uma bandeira que lhe emprestaram, porque a Democracia... repele o meu livro da sua estante de história, e não lhe dará sequer a importância de o ler. Quanto a refutá-lo, a Democracia não gosta de ilaquear as suas teorias abstractas na rede da pequena história, feita das malhas dos argumentos sediços. Ela tem uma ideia, um simbolismo a que chamou – Marquês de Pombal, adulterando-o até às condições fabulosas do mito... se os ultra-liberais de 1882 estão com o Marquês de Pombal, quem nos afirma que as confederações republicanas e ateístas de 1982 não hão-de estar com os jesuítas? As situações parecem-me equivalentes nas paralelas do absurdo" (Camilo Castelo Branco, ao fazer o Perfil do Marquês de Pombal). 1882
O vaticínio de Eça
O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (…) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas.No Drama Pessoal
A inteligência, por vezes, só pode responder à farsa no mesmo registo. O nosso dia começou na Antena 2, a ouvir Vitorino Magalhães Godinho comentando, com uma tristeza leve, o que viu nos programas (diz-se novos) de Português e História.
Vi coisas… diz. Pedem-lhe que diga que género de coisas. Escolhe:
Olhe. Por exemplo. Vi uma coisa, no programa de Português, que era Estratégias de Audição. Mas que estratégias são estas? O que haverá em estratégias de audição? Eu julguei que só havia duas, que era ouvir às portas, e ouvir debaixo das mesas.
Vi coisas… diz. Pedem-lhe que diga que género de coisas. Escolhe:
Olhe. Por exemplo. Vi uma coisa, no programa de Português, que era Estratégias de Audição. Mas que estratégias são estas? O que haverá em estratégias de audição? Eu julguei que só havia duas, que era ouvir às portas, e ouvir debaixo das mesas.
Pensamento
"O meu espírito luta em batalhas tremendas, esperançado numa vitória brilhante e numa resistência heróica"
(Amadeo de Souza Cardoso, em carta à mãe, escrita em Paris em 1914, nas vésperas do começo da Primeira Guerra Mundial)
(Amadeo de Souza Cardoso, em carta à mãe, escrita em Paris em 1914, nas vésperas do começo da Primeira Guerra Mundial)
domingo, 11 de maio de 2008
Dos filhos teus
"Ó Guimarães, teu progresso, a tua vida,
É toda a nossa aspiração,
Terra bendita, ó Pátria querida,
Tens um altar dos filhos teus no coração"
Fins-de-semana
Também são isto: o "Dolce Fare Niente" de quem se pode dar ao luxo de encostar, ouvir Rodrigo Leão, pôr de lado o que se estava a ler, entrar no mundo encantado de Beatrix, para logo se encontrar o coelho de Lewis Carroll
Os PRECS de todo o mundo
Portugal também teve a sua revolução e é hoje elemento de toda a evidência que tal PREC nos impossibilitou de aderir à Europa, de construir uma nova ordem política liberal e democrática, de libertar os portugueses e restituir-lhes o direito a voz, consciência e autonomia.
Miguel Castelo-Branco in Combustões.
Miguel Castelo-Branco in Combustões.
sábado, 10 de maio de 2008
60 anos de Estado de Israel
O Diário de Notícias de ontem, sexta-feira, incluía um belo e emotivo artigo assinado pela jornalista Fernanda Câncio, alusivo aos sessenta anos de existência - ou fundação - do Estado de Israel.
Peça essencial no xadrês geopolítico nascido do desastre da II Guerra Mundial, Israel tem sobrevivido devido a factores endógenos e exógenos. Da sua persistência na afirmação de Um Povo, Um Território, conseguiu o respeito e generalizado reconhecimento internacional como um parceiro a considerar. Micro-Estado sob o ponto de vista territorial, tem pelo engenho das suas gentes e pela diáspora na Europa e Américas, uma especial importância que não pode ser negada. Durante quarenta anos, fez parte daquilo a comummente se chamava Mundo Livre e a sua segurança era tão essencial ao Ocidente, como a segurança da Suécia, Grécia ou Noruega. Os europeus sempre consideraram os israelitas como "uns dos nossos" e qualquer guerra desencadeada contra o Estado, era seguida com interesse e evidente simpatia para com a causa de Telavive e isto mesmo quando as opções israelitas nem sempre coincidiam com aquilo que se considera ser o Direito Internacional.
A direita liberal sempre foi entusiástica ou moderadamente aliada de Israel, enquanto a esquerda sofreu sempre uma inconciliável clivagem derivada do posicionamento relativo dos partidos quanto à Guerra Fria. Os social-democratas mostraram uma disponibilidade de contemporização - quando não de total apoio - para com os israelitas, enquanto os comunistas subjugados pela tutela da URSS, faziam abertamente o jogo tradicional do antisemitismo herdado da praxis social nos países do Leste europeu e do seu antagonismo perante o claro aliado dos EUA.
Israel é um país de contrastes. É um Estado de direito, onde a liberdade de expressão e de publicação é garantida. Existe a igualdade de sexos perante a Lei e o ordenamento jurídico impõe as normais garantias e liberdades facilmente reconhecíveis em qualquer país da Europa ocidental. Existe também um tremendo problema de consolidação de fronteiras, onde uma população pouco homogénea e dispersa em núcleos irredutíveis entre si, disputam há décadas a primazia. Israel nasceu do Grande Desastre e esse tem sido o principal e basilar cabouco da construção e fortalecimento do país. Sendo claramente um dos grandes vencedores da Guerra Fria, deverá iniciar um novo caminho, difícil e pleno de contradições e esperada violência, mas capaz de finalmente obter o reconhecimento dos seus vizinhos. Israel tem feito o serviço que a Europa não pode ou não quer executar: Osirak, a liquidação das fantasias nucleares de Damasco ou o previsível ajuste de contas com o atom-Ahmadinedjad, fazem o Ocidente respirar de alívio. Temos que retribuir e esse justo prémio é a amizade. Tão difícil para os bem conhecidos e turvos interesses da economia global e tão fácil para a simples consciência de homens livres do mundo livre.
No momento em que os portugueses tomam conhecimento das veleidades expansionistas propaladas pela al-Qaeda, há que olhar o mapa do Médio Oriente tal como hoje existe. Quando Zawahiri declara que a península ibérica é território islâmico ocupado por cruzados, isto equivale a uma declaração de guerra. Não podemos fingir alheamentos e sobretudo, não podemos ceder. E Israel é um bom exemplo para todos.
Sugestões de leitura
É tempo de falarmos de política, Pedro Marques Lopes, convidado de honra, in Corta-fitas.
O Cunha Vaz da Dra Ferreira Leite, Pedro Marques Lopes, in 31 da Armada.
Rui Pedro, o parente pobre, Ana Vidal in Porta do Vento.
Tibete, Arnaldo Gonçalves in Exílio de Andarilho.
Neoliberalismo, socialismo e outros, António de Almeida in Direito de Opinião.
Uma gaivota voava, voava, Luís Novaes Tito in Barbearia do Senhor Luís.
Maio, maduro Maio [2], Tomás Vasques in Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos.
Em Lisboa "o Zé não faz falta", Eduardo Saraiva in O Andarilho.
Pour Épater Le Bourgeois, Filipe Nunes Vicente in Mar Salgado.
Contra-intuitivo, Joaquim Sá Couto in Portugal Contemporâneo.
O Cunha Vaz da Dra Ferreira Leite, Pedro Marques Lopes, in 31 da Armada.
Rui Pedro, o parente pobre, Ana Vidal in Porta do Vento.
Tibete, Arnaldo Gonçalves in Exílio de Andarilho.
Neoliberalismo, socialismo e outros, António de Almeida in Direito de Opinião.
Uma gaivota voava, voava, Luís Novaes Tito in Barbearia do Senhor Luís.
Maio, maduro Maio [2], Tomás Vasques in Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos.
Em Lisboa "o Zé não faz falta", Eduardo Saraiva in O Andarilho.
Pour Épater Le Bourgeois, Filipe Nunes Vicente in Mar Salgado.
Contra-intuitivo, Joaquim Sá Couto in Portugal Contemporâneo.
Fins-de-semana
Detive-me no episódio protagonizado por Nelson, o gato de Winston Churchill: parece que , sempre que havia ataques aéreos sobre Londres, durante a guerra, o animal corria em busca do seu abrigo, por causa do ruído provocado pelo fogo antiaéreo, debaixo de uma cómoda.
Numa dessas ocasiões, quando o secretário do primeiro-ministro foi, mais uma vez tentar convencer Churchill a refugiar-se no abrigo, deparou com este, de gatas, a espreitar para debaixo da cómoda, enquanto dizia: - Devias ter vergonha. Com um nome como o teu, a esconderes-te aí debaixo enquanto todos aqueles jovens valentes da RAF lutam tão corajosamente para salvar o país.
Sorri ao lembrar um episódio muito mais prosaico, quando tentei convencer o Klaus a sair debaixo da cama, quando se assustou com a música barulhenta que uma minha irmã pôs a tocar.
Beatrix
Identifiquei-me com o muito que gostava daquelas paragens, palpável nos seus escritos e ilustrações.
Lá comprei aquele que foi a sua grande criação, o coelho Pedro, para a sobrinha que iria nascer daí a poucos meses, e, há dois anos, quando aprendeu a ler ofereci-lhe vários daqueles livrinhos, profusamente ilustrados, que relatam as aventuras de Peter Rabbit e seus amigos; mas antes de lhos dar, não resisti, e comprazi-me com a sua leitura encantatória. É bom sentirmos que ainda temos capacidade para sermos crianças nestas alturas...
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Sem muito refletir: Naif e Arte contemporânea
Eu adoro a palavra naïf, acho que talvez tudo que ela exprima não seja somente o que significa em português: ingênuo. Ser ingênuo é não usar nem uma parte de inteligência. O naif é ver o mundo de uma forma infantil, inocente, de encantamento, feito as crianças diante de tudo. Somente esta visão consegue recuperar uma tonelada de coisas que estão sufocadas pela contemporaneidade. Exemplo: a paisagem urbana. Neste momento ouço uma das canções da banda brasileira Los hermanos, indico aos meus amigos lusos, vão gostar. "A gente se deixa guiar pelo afeto. Estamos só querendo fazer música bonita, que seja agradável pra gente tocar", diz Marcelo Camelo. Essa é uma das frases dele que li em uma qualquer entrevista que achei aqui na net. E das críticas que li me lembrei sempre do embate que há atualmente entre arte contemporânea (entenda-se arte conceitual) e pintura. Dias atrás, numa palestra que fui (aliás, palestra perfeita) do pintor Geraldo Souza Dias, ele falava sobre a atitude das pessoas (artistas) diante do fato dele trabalhar com pintura. Ele contou que muitos artistas perguntam a ele "e você? ainda está pintando?" Tipo: "Ainda, não aprendeu a fazer outra coisa?"
É que ele, como pintor que é, não constrói mega instalações de papel de lixo com bolinhas de gude envoltas numa bula complexa escrita pra explicar a obra.
Enfim, esse embate entre pintura e arte contemporânea é bem parecido com o que li sobre as letras do último CD de Los hermanos. Essa frase do Camelo diz tudo, e é bem naif, "fazer música bonita, que seja agradável pra gente tocar". É bem o que eu penso da arte, e que também falou Geraldo Souza Dias. Se ele tem vontade de pintar uma marinha, ele pinta. Pinta o que lhe apetece. Sem complexos conceitos "duchampinianos", e é aí que a crítica, me referindo agora à crítica de artes visuais, se irrita. Do que eles falarão ao ver uma marinha pintada? Não há o que inventar, a marinha não produz palavras complexas, conceitos relativos do nada pro nada. É apenas marinha: a cor, o azul, a pincelada.
É que ele, como pintor que é, não constrói mega instalações de papel de lixo com bolinhas de gude envoltas numa bula complexa escrita pra explicar a obra.
Enfim, esse embate entre pintura e arte contemporânea é bem parecido com o que li sobre as letras do último CD de Los hermanos. Essa frase do Camelo diz tudo, e é bem naif, "fazer música bonita, que seja agradável pra gente tocar". É bem o que eu penso da arte, e que também falou Geraldo Souza Dias. Se ele tem vontade de pintar uma marinha, ele pinta. Pinta o que lhe apetece. Sem complexos conceitos "duchampinianos", e é aí que a crítica, me referindo agora à crítica de artes visuais, se irrita. Do que eles falarão ao ver uma marinha pintada? Não há o que inventar, a marinha não produz palavras complexas, conceitos relativos do nada pro nada. É apenas marinha: a cor, o azul, a pincelada.
Fernando Pessoa e a "bandeirola" da república
(...) “contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se”.
João Távora in Corta-fitas
João Távora in Corta-fitas
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