quarta-feira, 7 de maio de 2008

Manifesta possibilidade de vir a organizar uma petição...

... em consequência disto, se algum dia tiver que aturar com verborreias em directo na RTP por parte de personagens como Francisco Louçã, Fernando Rosas ou Bernardino Soares e afins do mesmo calibre. Como se já não bastasse o tempo de antena, agora ainda querem intrometer-se na televisão pública com os seus "comentadores". Devem ser os mesmo que realizaram o guião para o filme dos "Sá Fernandes Brothers - Anti-corruption campaigners" para a Al-Jazeera...

Das duas uma, ou se acaba com o serviço público de televisão, que de público tem muito pouco, até porque o único verdadeiro serviço público é prestado pela RTP2, ou se acaba com os comentadores e intromissões de partidos (exceptuando o que está no governo, que obviamente tem sempre controlo directo sobre a estação, quanto mais não seja em termos administrativos e orçamentais).

Eu acho simplesmente fantástico é isto:

Reiterando que a situação é "redutora" face às ideologias políticas em Portugal, o deputado (Pedro Mota Soares) questionou o director perguntando-lhe sobre as intenções de "alargar o espaço ideológico de comentário".

Posição que foi reforçada pelo deputado bloquista Fernando Rosas, para quem é necessário "ter um leque diverso" de comentadores com "mundividências distintas".


Porque raio é que o dinheiro dos contribuintes deveria servir para este tipo de personagens andar a pavonear os seus dislates pseudo-ideológicos na RTP? Desde quando é que a RTP se deve prestar a ser um expositor de propaganda? Ainda para mais das "mundividências" desta gente...

Por lugares nunca dantes frequentados...

...., mas dos quais já tenho saudades.

Que belo vídeo!!!

Já viram o vídeo que a Júlia tem n'O Privilégio dos Caminhos, sobre o rei exilado?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Flores para D. Manuel II

Centenário da Aclamação 6 de Maio de 1908

                                                                       D. Manuel II


6 de Maio de 1908 - 100 anos do juramento e aclamação de D. Manuel II, Palácio de S. Bento, Lisboa

A sala é a mesma. O mobiliário é o mesmo. Existem as insígnias. O sucessor legítimo aguarda apenas a reposição da legalidade usurpada pelos dois golpes: o terrorista de 1 de Fevereiro de 1908 e o de Estado, de 5 de Outubro de 1910. (cliquem para ampliar todas as fotografias. São bonitas).

Para ler o texto, clicar nas imagens





Sai mais uma bolonhesa...

O Governo aprovou hoje medidas de simplificação do acesso ao ensino superior, criando o regime legal de estudante a tempo parcial e permitindo que estudantes e não estudantes frequentem disciplinas avulsas nas diversas instituições.

O diploma hoje aprovado em Conselho de Ministros pretende aprofundar o Processo de Bolonha ao criar "o regime legal de estudante a tempo parcial, permitindo a frequência de disciplinas avulsas por estudantes e não estudantes, apoiando os diplomados estagiários e simplificando no processo de comprovação da titularidade dos graus e diplomas".

Sendo ainda de ressalvar que também os não estudantes podem frequentar disciplinas avulsas em instituições superiores, com a garantia de que lhe serão creditadas caso ingressem num curso superior com essas cadeiras e "em caso de aprovação, de certificação, e ainda de creditação".

O ensino superior deveria ser elitista. Elitista no sentido de criar uma elite culta, informada, estudiosa, que se dedique à academia, pelo menos durante uma pequena parte da sua vida. Os que preferem a profissionalização também têm os politécnicos. A partir de agora vai ser como ir à mercearia: Ora dê-me aí uma cadeira de introdução à gestão de campos de golfe, junte-lhe uma cadeira de introdução à prática desportiva de kayak, ah e já agora introdução a violino, que eu para o ano venho cá fazer a continuação. Se não maçar muito, qualquer coisa sobre direito também seria interessante. E também gosto muito de genética, se houver por aí qualquer coisinha. E inglês técnico que isto hoje em dia quem não sabe inglês é analfabeto. Já agora, qualquer coisa sobre criminalidade forense e também sobre expressão dramática que eu gostava muito de entrar no CSI. E tenho que pagar propinas ou coisa assim? Ah e não tenho faltas pois não? É que essa coisa de assistir a aulas é muito chato. Quando é que me passa o tal do diploma mesmo? É que eu quero muito que me chamem "sôtor" e que os meus cheques do banco tenham o "Dr." antes do nome.

Já agora, nota à parte, estou para ver como é que se pagam propinas fazendo disciplinas avulsas sem se ser estudante. Será que se pode fazer disciplinas avulsas das mais variadas áreas, desde que perfaçam os X créditos necessários para a obtenção do diploma? Nem será necessário alguém matricular-se, basta comprovar, junto de uma qualquer universidade, que já fez os X créditos para lhe passarem o diploma, não sei bem em quê? Espero estar enganado.

Ah como eu gosto de pagar novecentos e tal euros de propinas anualmente e queimar pestanas....

Hábitos de leitura dos portugueses

Se os portugueses são conhecidos pelos seus parcos hábitos de leitura, no que a livros concerne, sendo certo e sabido que quanto a jornais, os desportivos lideram nas preferências dos leitores, fica-se agora a saber quanto aos cibernautas:

Maisfutebol voltou a ficar em terceiro lugar entre os jornais online mais vistos a partir de casa, de acordo com os dados do estudo «Netpanel», da Marktest, referentes ao mês de Março.

Segundo estes dados, Maisfutebol mostrou mais de dez milhões de páginas em Março. Na segunda posição continuou o «Record» (um pouco menos de onze milhões). A liderança pertence a «A Bola» (cera de 15 milhões de page views).

No quarto e quinto lugares aparecem os primeiros títulos generalistas («Público», cinco milhões; «Expresso», quatro milhões).

Nuno, deixa lá o "Petróleo a 200 USD o barril, crise alimentar, alterações climatéricas, Ahmadinedjad, Chávez...". A Oeste nada de novo, desde que haja futebol para entreter o país.

É por isso que alguns dizem que não precisamos de um símbolo unificador da nação como seria o Rei. Temos a selecção e o Cristiano Ronaldo! Ainda há dias ouvia numa conferência o presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros, Henrique de Freitas, revelar que numa recente visita a um país qualquer para os lados das arábias, de que não me recordo, foi o mais solicitado pelos anfitriões que ansiavam por novidades quanto ao "Génio da bola"!

Isto em ano de Europeu, era Portugal ganhar o torneio que a crise passava-nos a todos num instante!

Quem diria...

Contra o desacordo ortográfico

Corre por aí uma petição.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Petróleo, comida e tempestades

Petróleo a 200 USD o barril, crise alimentar, alterações climatéricas, Ahmadinedjad, Chávez... Isto vai!

Queremos uma república como esta!

Chegaram hoje a Portugal, Carlos XVI e Sílvia, reis da Suécia. Representam o tipo de república que apreciamos. Sejam bem-vindos e que sirvam de exemplo aos nossos governantes.

Homenagem àquele que fez tudo quanto lhe era possível para que Portugal não chegasse ao estado pantanoso em que se encontra

Aclamado no dia 6 de Maio de 1908, no Palácio das Cortes, o jovem D. Manuel II, que não fora educado para reinar, por ser filho segundo, mas que nem por isso descurara a sua instrução, como ficou bem patente na sua grande cultura, tudo fez para tornar um facto a preparação para melhor prosseguir o que considerava ser o dever de um monarca: o bem do País. Sem olhar a sacrifícios pessoais: tivera nisso o maior dos exemplos- o de sua mãe!

Pensando ser esse o caminho para apaziguar os espíritos, propôs-se encetar uma política de acalmação, respeitando estritamente os limites do poder moderador, não intervindo nas lutas entre políticos; mas estes, tal como agora, sempre puseram os interesses pessoais à frente de tudo, coisa que D. Manuel nem concebia sequer...

Escreveu a José Luciano, chefe dos Progressistas: "Tenho trabalhado com a máxima sinceridade e dedicação para o bem do meu Paíz e das Instituições que me cumpre defender", e quando ascendeu ao trono disse aos portugueses: "(...) Nesta desventurada conjuntura sou chamado, pela Constituição da monarquia, a presidir aos destinos do reino: na sua conformidade e no desempenho dessa elevada missão empenharei todos os meus esforços pelo bem da Pátria, e por merecer a afeição do povo português".

Quando viu o caminho por que enveredavam esses políticos, o mesmo que , cem anos depois, Portugal viria a conhecer, alertou-os para a tempestade que se avizinhava.
Também «O Desventurado» previu que "faltava cumprir Portugal"!

Em jeito de agradecimento a estas ilhas encantadas

Sábado: Bom tempo no canal (2)

"Só aqueles que viram os Açores do convés de um barco conhecem a beleza da imagem no meio do Oceano" Joshua Slocum in « Navegador Solitário»
Depois de uma travessia, num mar anormalmente calmo, segundo os que a ele estão acostumados, e num dia cheio de sol, até à Ilha de S. Jorge, terminei o dia em beleza, no bar da marina a ver as difíceis manobras de atracagem de um luxuoso paquete de grandes dimensões...

Domingo: pela Ilha Azul adentro

Vulcão dos Capelinhos, Capelo, Varadouro, Praia do Norte, Feiteira...; uma beleza só, numa tarde radiosa de um dia que começara nublado, o que me permitira acabar as poucas páginas do « A Mulher de Porto Pim», de António Tabucchi, uma praia táo luminosa...

E penso: "´não poderia ter-me oferecido melhor presente de aniversário..."

domingo, 4 de maio de 2008

Robalo com couscous

É simplesmente fantástico quando se chega a este ponto de que o Francisco Almeida Leite nos dá conta:

A novela à volta do "caso Maddie", que devia ser, antes de mais, um caso de polícia, levou a que nos últimos dias voltassem as reportagens no local (a Praia da Luz), as projecções de computador das televisões inglesas de como o "rapto" terá acontecido e, claro, as asneiras do costume. Peças noticiosas onde até as cozinheiras são entrevistadas. Numa das ditas notícias, uma cozinheira do "Tapas Bar", o restaurante onde os pais da rapariga se divertiam com amigos enquanto a criança desaparecia, revela aos telespectadores (com a cara devidamente ocultada) que Gerry e Kate McCann comeram "robalo com couscous" na misteriosa noite... Desculpe? Robalo com couscous? É este jornalismo que queremos? Quando chegamos a este ponto é porque alguém já não sabe onde está a fronteira (nada ténue) entre informação e entretenimento.

A religião é o ópio do povo - ou o raio que parta o caso Maddie Mccan

Se no tempo de Hegel a religião era o ópio do povo, estou em crer que hoje será a televisão, a internet, em suma, a comunicação e o efeito mediático. Só assim se justifica o que se passa em torno dos Mccann. Já não posso ver nem ouvir falar da Maddie. Coitada da miúda nem sabia que se ia tornar num negócio, ou numa espécie de religião com um batalhão de gente que não se cansa de pensar e falar nela. Com tantas crianças que desaparecem todos os dias, ainda estou para tentar perceber o que é que provocou todo este efeito em volta deste caso...

A liberdade de expressão é para usar com juizinho

No Centenário da entronização de D. Manuel II

D. Manuel II chega ao Palácio de S. Bento, para jurar a Constituição como rei de Portugal.

Uma personagem da História: a rainha D. Amélia

A rainha D. Amélia de Orleães teve um papel decisivo nos meses que se seguiram ao assassinato de D. Carlos I e do Príncipe Real Luís Filipe. Influenciou o novo rei D. Manuel II, procurando organizar o chamado governo da "Acalmação". Hoje parece consensual reconhecer ter-se tratado de uma opção funesta, porque para todos se tornou óbvio que a negação da política de regeneração prosseguida por D. Carlos e pelo Presidente do Conselho João Franco, pressupunha uma capitulação diante das minoritárias mas activas forças republicanas. A ausência de sólidos defensores do trono e das instituições constitucionais, impeliu a soberana para uma tentativa conciliatória, que afinal acicatou o ânimo subversivo dos autores morais e materiais do regicídio.
Mulher de elevada estatura moral e intelectual, D. Amélia foi pioneira em Portugal, incentivando a criação de instituições científicas, criando e protegendo museus e agindo de forma persistente no campo da assistência social. Mulher muito avançada para o seu tempo, apenas podemos imaginar o papel fundamental que teria desempenhado na modernização do país. O regicídio e o injusto exílio, goraram as expectativas. Regressando a Portugal em 1945, viu-se recompensada pelas multidões que a ovacionaram durante toda a visita ao país que deixara há 35 anos. O seu funeral foi o mais imponente e participado de que há memória, sendo hoje considerada esta grande rainha, como uma excepcional e exemplar figura da nossa história.

*Retrato de Corcus, em exposição no Museu dos Coches, em Lisboa. Mulher muito alta (1.84 m), bela e imponentemente majestosa, D. Amélia surge como perfeito exemplar de elegância feminina da belle époque.


A carruagem da Coroa

Fabricada na Inglaterra, foi encomendada por D. João VI após o seu regresso a Portugal . A última vez que Lisboa a viu desfilar, foi durante a visita da rainha Isabel II a Portugal (1957). Em exposição no Museu dos Coches (Lisboa), encontra-se em perfeitas condições para circular, talvez na próxima cerimónia de investidura. 

O manto de D. João VI


Manto da investidura de D. João VI ( Rio de Janeiro,1816), como rei de Portugal, Brasil e Algarves.  Ostenta as armas reais portuguesas (castelos e quinas) e a esfera armilar do reino do Brasil. Não foi o manto utilizado na cerimónia de 6 de Maio de 1908, mas escolhemo-lo pela sua beleza e simbologia que une Portugal e o Brasil.

O crucifixo, o ceptro e o trono



O crucifixo era utilizado na cerimónia de juramento da Constituição, sobre um missal do século XVI. O Ceptro foi executado no Rio de Janeiro, para a cerimónia de entronização de D. João VI, como rei de Portugal, Brasil e Algarves. No seu topo ostenta a esfera armilar, símbolo do então reino do Brasil. Este trono encontra-se no palácio real da Ajuda, embora na cerimónia da investidura de D. Manuel II, tivesse sido usado outro, hoje em exposição no museu do parlamento.

No Centenário da Aclamação de D. Manuel II - a Coroa


No dia 6 de Maio de 1908, era formalmente investido no Parlamento o rei D. Manuel II. Decorridos cem anos sobre a data, publicaremos alguns posts relativos ao evento, onde a simbologia real e as personagens históricas envolvidas, transportar-nos-ão a um período difícil da nossa história. Assassinados devido a conjura urdida pelo partido republicano o rei D. Carlos e o príncipe real D. Luís Filipe, sobe ao trono o infante D. Manuel, um jovem de apenas 18 anos de idade que noutras circunstâncias, teria servido o país de uma forma mais consentânea com a sua formação erudita de bibliófilo de renome. Prestamos assim, uma modesta homenagem àquele que sempre soube colocar acima de tudo, o interesse de Portugal.


A Coroa
Executada no Rio de Janeiro em 1816, para a aclamação de D. João VI como rei de Portugal, Brasil e Algarves. Tornou-se no símbolo máximo da realeza até ao 5 de Outubro de 1910.