domingo, 20 de abril de 2008
A Liga do Norte em Itália: é o vale tudo!
Dias de chuva
Um dia para não sair de casa, acender a lareira, ler um livro (qual há-de ser?) e ouvir uns fados de Coimbra, ou a sempre boa música que a Luísa põe no Nocturno. Ao meu lado, o gato dorme, enroscado, o sono dos justos.
Esperemos que no próximo fim-de-semana esteja um tempo que nos permita ver como tudo ficou mais bonito depois desta chuva. Afinal, está quase no fim o mês das águas mil, se bem que em Maio come a velha as cerejas ao borralho...
sábado, 19 de abril de 2008
Pedaços do Minho
Pode estar quarenta dias,
Eu sem ti nem uma hora,
Quanto mais annos e dias.
Amar e saber amar,
Amar e saber a quem,
Eu só amo a ti menina,
Não amo a mais ninguém.
Annel de sete pedrinhas
Foi feito na pedraria,
Eu não te posso deixar,
Parece feitiçaria.
(in «O Minho Pittoresco»)
Encontro com Trindade Coelho.
A primeira paragem , porém´será na cidade do Porto, onde o escritor estudou- " Parti, não havia remédio; e nunca me há-de esquecer aquela viagem de barco pelo Douro abaixo, uns poucos de dias, desde a foz do Sabor até ao Porto"-, e começou a escrever- " um dia pus-me a fazer um romance".
É no Mogadouro, porém, onde passa as férias escolares, que começa por escrever artigos curtos, para jornais locais, seguidos de contos, feitos a partir da tradição oral que ia buscar junto do povo.
Passamos depois a Coimbra, onde cursou Direito, tendo encontrado aí um ambiente que exacerbou o seu natural pendor literário, e, posteriormente, a Lisboa, para onde fora transferido em 1889, depois de ter exercido no Sabugal e em Portalegre o cargo de Procurador Régio.
Os seus escritos denunciam então claramente a nostalgia do seu Mogadouro - " Mas o que são os meus contos?! Não sei. Talvez saudades, e tenho a certeza de que se vivesse na minha terra não os teria feito".
É pois dentro deste espírito que, em 1891, publica aquele que seria o seu livro mais difundido: «Os Meus Amores», em que o contista mergulha na" alma do povo", e dá conta da vida pacata que se desenrola na sua terra natal- "Eram as sete. Àquela hora é que os "figuros" da terra, quase todos funcionários públicos, vinham para o largo, à fresca.(...) Nas escadas do pelourinho, sentados, outros do mesmo feitio, cavaqueavam".
Como diz a um amigo, tudo na sua escrita era emoção: " Eu escrevo do pescoço para baixo, do pescoço para cima não sei escrever".
É costume dizer-se que o ar livre abre o apetite. A mim, esta viagem deu-me vontade de conhecer a obra deste transmontano.
No nosso universo político...
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Coisas realmente importantes da América
Para já, atentem nesta definição que tem tudo para agradar a anti-americanistas, britânicos, canadianos e homossexuais:
The United States also known as the USA (Moar like U S Gay, amirite?) The Fatass Nation, Obesity Central, Redneckistan, The Ulcered Sphincter of Asserica, Dumbfuckistan, Canada's Ass and the dumbest country in North America, began as a colony originally created by the king of England to house the British Empire's most mentally disturbed and insane pedophiles. Obesity is, in fact, America's number-one killer, as people are too dumb to realize that binging on McDonalds 12 times a day isn't good for one's health.
New York City is there, on the Atlantic Ocean side, while Los Angeles (the place where Anti-Americanism was invented) is on the Pacific Ocean side. Chicago is stuck in the middle of East Coast stupidity and West Coast homosexuality, meaning all chicagoans are both equally gay and stupid.Many people believe North Korea, Europe, Massachusetts and California are the US's next targets as they are all violating the US's strict "don't be a fucking homo" policy.

* Freeing Afghanistan from Terrorists (and Opium)
* Freeing Iraq from Terrorists (and Oil)
* Freeing The Whoal World!! from Miloševič
* Freeing the UK from British pop music
On tap:
* Freeing Syria from Terrorists (and Oil)
* Freeing Iran from Terrorists (and Oil)
In the works:
* Freeing Venezuela from duly elected President Hugo Chavez, or whomever the CIA decides to install after the coup. (also Oil)
* Freeing the world from North Korea - a crafty ploy, as it was the US that brokered that missile technology to them through 3rd parties. A simple plan and a great excuse to go barging in.
America is very good at bombing the shit out of poor Middle Eastern countries that have about three rusty missiles from 30 years ago and a crate of AK-47s with which to defend themselves. Fighting a country such as North Korea, which might well have weapons of mass destruction, is a little bit riskier. As a result, America probably won't invade unless they have the support of The Coalition of The Willing (Britain, Australia.. Turkey? Other suck-ups..) and are certain China won't nuke the shit out of them in retribution, even if they wanted to.
America single-handedly defeated Fascism, Communism and Socialism!!!1!11. They're currently engaged in the long hard battle against Democracy and freedom of thought which America is subsequently causing them to lose. We should all thank the American army. Thank you American army! Because we as foreigners are humouring American pussies that think they can do everything!!
You're welcome.
Sobre a saída de Menezes e a sucessão no PSD
Pedaços do Minho
Tornemos, amor tornemos,
Tornemos ao que era d'antes,
Seremos amantes firmes,
Seremos firmes amantes.
Eu sou sol e tu és sombra
Qual de nós será mais firme?
Eu, como o sol a adorar-te,
Tu, como a sombra a fugir-me.
Hei-de atar o junco verde
À raiz da amendoeira,
Se não lograr os teus olhos
Prefiro ficar solteira.
Ó luar da meia-noite,
Ó luar da claridade,
Ó luar que tens prendido
Toda a minha liberdade.
(in«O Minho Pittoresco»)
A luta faz-se é na tasca a beber minis pá!
Eu nem sou contra manifestações, o direito à greve e à livre manifestação são elementares factores da democracia liberal ocidental, e como tal não podem ser reprimidos, sob o risco de ameaça à própria democracia (embora José Sócrates não pareça pensar o mesmo quando as manifestações são contrárias aos seus intentos e, vejam só, parece que tal personagem até é de esquerda...), mas não sou obrigado a gostar desse género de fenómeno de massas.
No entanto, e carregado do meu habitual sentido de humor sarcástico, não me podia excusar a beber um pouco do sentimento que fluía naturalmente dos manifestantes. Ainda para mais com um cachecol do Sporting ao pescoço, o que já me tinha garantido uns elogios de umas anónimas desconhecidas logo pela manhã na Baixa, armei-me em Neto, gritei "dá-lhe Falâncio" (para os que desconhecem, vejam o Vai Tudo Abaixo Tv no Youtube), e enquanto a Ana agitava uma bandeira da CGTP (muito material de campanha desperdiçado encontrava-se no chão), eu ia por ali com o punho levantado disparando alto e bom som argumentos em nome da defesa dos direitos dos trabalhadores, contra este governo pá, que isto é uma vergonha pá, e que temos que fazer outra revolução pá!
O que mais me impressionou foi a quantidade de pessoas que em vez de estar na manifestação andava por ali, uns a fumar ganzas, a maioria nas tascas, pelo que à passagem por tais estabelecimentos de lazer não pude conter o meu manifesto sorriso enquanto disparava "A luta faz-se é na tasca a beber minis pá!"
Depois dos risos de algumas pessoas que não tinham nada a ver com o que por ali se passava, da exclamação de um trolha de bandeira da CGTP em punho que gritou qualquer coisa meio disforme do género "Granda Sporting pá", cuspindo-se todo (afinal não é só gente de bem que tem o Sporting como clube do coração), e de uma senhora, aparentemente revoltada com o facto de eu envergar um tal símbolo me gritar "Oh tu tira esse cachecol", o que obviamente nem retorqui pelo simples facto de não a conhecer de lado algum para me tratar por tu, ainda bem que o carro estava por perto. Mal por mal sempre podia gravar alguma agressão com o telemóvel, mas fica para a próxima. No fundo, o que há a reter, é que a luta faz-se é na tasca a beber minis pá!
Muito mais do que um lugar-comum.
Ontem, como doutras vezes, veio à baila o tema da insegurança, concretamente no que aos perigos a que estão sujeitas as crianças respeita. E então lembrei-me da despreocupação que marcou a minha infância : quando tinha dez anos, saía de casa para as aulas ainda escuro como breu, e percorria, sozinha, um quilómetro de monte, sem que encontrasse vivalma, para apanhar a camioneta que me levaria à cidade. Nunca tive medo, nem os meus pais se preocupavam, como acontece nos dias de hoje...
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Ampliem a imagem e vejam o que está escrito
Duas visitas à casa de S. Miguel de Seide (2)
É verdade- respondeu o conde-Todos amigos velhos e d'aquelles de quem se não receberam nem esperam senão bellos officios".
«Herança de Lágrimas», de Ana Plácido.
Voltei há alguns meses a casa de Camilo, mas agora marcara encontro com Ana Plácido.
Tinha adquirido, havia pouco tempo, os dois romances que publicara com o seu nome- por vezes terá recorrido a pseudónimos-, este e «Luz Cada por Ferros»- e fiquei curiosa por saber mais.
Foi assim que fiquei a saber, primeiro pela guia, depois procurando noutros lugares, tratar-se de uma senhora de razoável cultura literária, cimentada no conhecimento efectivo de autores clássicos, mas também românticos, que traduziu vários romances franceses, e manteve colaboração regular em vários jornais e revistas.
Terá, ainda, sido o braço direito de Camilo, ao prestar-lhe vários serviços na feitura dos seus livros, como a revisão dos textos. Isto para além de lhe ter emprestado os olhos, quando os do escritor começaram a ceder...
Cartas, entrevistas e testemunhos do PREC e da "descolonização"
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Chove...
"As tentativas do sol no céu cinzento de chuva lembram um tímido sorriso em rosto molhado de lágrimas"
João Bigotte Chorão
Duas visitas à casa de S. Miguel de Seide (1)
Era muito pequena ainda quando meu pai me levou a casa de Camilo. Dessa visita guardo uma memória muito esbatida, tendo-me ficado na retina aquela cadeira de baloiço, muito provavelmente porque fiquei impressionada quando o guia disse que terá sido aí que o escritor se suicidou.
Cresci ouvindo falar nele com uma grande admiração: o seu busto estava num lugar de destaque, na estante que continha a camiliana.
Quando, timidamente, e com relativa desconfiança sobre o acerto de tal veneração, me aventurei na sua obra- creio que o primeiro livro que li foi «A Brasileira de Prazins», o qual só mais tarde abarquei no seu justo valor-, confesso que não fiquei logo cativada. Foi fora do tempo.
O encantamento viria mais tarde, com «A Queda dum Anjo», seguido de »Eusébio Macário» e «A Corja»: a escrita escorreita, a riqueza do vocabulário e a fina ironia, iriam fazer com que , de quando em quando, volte a eles, nem que seja para ler um trecho ou outro...
Relembrar Orwell (5)
Esta é a pièce de résistance desta curta série. Não precisa de grandes explicações. É irónico notar como autores tidos como idealistas e que servem de base a grande parte da esquerda, como Platão (não estou a dizer que Platão era de esquerda, atenção, Platão pode ser tanto de extrema-esquerda como extrema-direita), ou Rousseau, que falaram de educação das massas e igualdade entre todos, foram eles próprios os desmontadores de tais falácias, que Orwell tão bem sumariza neste trecho.
Tudo isto se apresenta tão clarividente que chega a ser absurdo como a maioria das pessoas teima em não o entender.
Relembrar Orwell (4)
Isto nem precisa de muita explicação. A explosão ocasional de bombas é utilizada em guerras em nome da religião, da etnia, da raça ou da cultura, fenómeno intrinsecamente relacionado com o terrorismo enquanto forma de manter uma nova ordem mundial (como aqui mostrei).
Por outro lado, os bens de consumo constituem o elemento central do mercado mundial, entre os quais poderemos incluir desde o petróleo e matérias-primas até aos produtos finais, constituindo-se principalmente os recursos naturais como fonte primária de futuros conflitos de grande escala. A guerra económica é feita pelas multinacionais, transnacionais e Estados como forma de demonstrar o seu poderio, na lógica do enriquecimento e da conquista de poder nos diversos paralelogramas de forças de geometria variável que complexificaram as Relações Internacionais no fim do século XX, o que Keohane e Nye previram nos anos 70 com a teorização acerca da interdependência complexa, concretizada a partir da Queda do Muro de Berlim, através da desmilitarização da questão securitária, com o alargar do conceito de segurança a inúmeras outras áreas, e com a centralização do combate na lógica liberal da competição económica, onde até os alemães sabem que o actual Reich não pode ser baseado no conflito armado, ao contrário do que Kissinger tem previsto, mas sim na portentosa demonstração do seu poderio económico enquanto potência destinada a influenciar de forma determinante o sistema internacional.
Relembrar Orwell (3)
A incapacidade dos contendores para se aniquilarem é sem dúvida uma previsão concretizada pela coexistência pacífica baseada na doutrina da Mutual Assured Destruction, o tal pacto tácito entre EUA e URSS para manter a ordem durante a Guerra-Fria, apenas desestabilizada quando os EUA decidiram montar um sistema de defesa anti-míssil.
Porém, se durante esse conflito, a divergência ideológica era premente e reflectia-se nas organizações militares respectivas de cada bloco, Pacto de Varsóvia e NATO, certo é que a ideologia do comunismo foi diminuída ao seu indispensável, e até os chineses procuram demonstrar como é necessário o capitalismo para o desenvolvimento de uma alegada sociedade igualitária (trata-se de mais um excelente instrumento de propaganda). De tal forma, a nova ordem económica mundial baseada no liberalismo condiciona de forma determinante a superestrutura política, tal como Marx havia previsto, que os conflitos há muito deixaram de ser entre ideologias (pode-se é arguir como Huntington faz, por uma lógica de Choque de Civilizações, onde a cultura, civilização e religião são os elementos determinantes do conflito, mas isso são contas de outro rosário).
E até numa analogia doméstica em termos da Teoria das Relações Internacionais, pode-se verificar que deixaram de existir verdadeiros conflitos ideológicos no seio das sociedades democráticas liberais ocidentais. Mais ainda nos países do norte da Europa, onde a política aperfeiçoou-se de tal forma que perdeu a sua carga ideológica e passou a estar ao mais directo serviço dos cidadãos, numa lógica de funcionamento pela e para a causa pública, quase remetida ao nível da gestão e administração (talvez nem seja assim tão mau voltar à oikos como alguns julgam, quando na polis não nos conseguimos entender).
Relembrar Orwell (2)
Desesperadamente pragmático, é uma constatação de uma realidade imutável ao longo dos séculos, que já Rousseau havia demonstrado (como aqui mostrei). Até os comunistas sabem que é impossível mudar isto, por mais que se considere a consciência de classe, por mais que se considere a revolução socialista na lógica evolucionista linear da sociedade, é e, profeticamente arrisco, sempre será assim. A vida em sociedade pressupõe a desigualdade. Mais do que pressupor, fomenta-a, pois essa é o seu motor de desenvolvimento e estabilidade.







