sexta-feira, 11 de abril de 2008

O "meu" Paul

Este, muito provavelmente um terreno alagadiço em tempos muito remotos, era o lugar das brincadeiras. A cada dia, mal acabavam as aulas na Escola Primária, era para aqui que nos dirigíamos: os rapazes, para jogar ao botão, antecessor do berlinde, com que brincam os sobrinhos, as raparigas entretínhamo-nos a fazer o nosso "flower power", enfeitando-nos com grinaldas de heras, que pendiam dos muros da quinta ao lado, pertença de uns senhores de Lisboa.
Era também aí que, uma vez por mês, parava a carrinha Biblioteca Itinerante da Gulbenkian: era uma festa- cada uma de nós a chamar as amigas, aos berros, literalmente, porque tínhamos encontro marcado com as personagens de Enid Blyton, o Noddy, primeiro, os Cinco e os Sete, depois...
Hoje, o Paul continua lá, mas já não é o mesmo: os muros da quinta (tão linda! ), já não têm aquele arvoredo todo, que fazia as nossas delícias; as crianças da Escola deram lugar aos reformados, que aí vão jogar às cartas.
Hoje resolvi ir tirar algumas fotografias, antes que o "meu" Paul desapareça por completo...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pedaços do Minho

"Ainda que o lume se apague
Na cinza fica o calor,
Ainda que o amor se ausente
No coração fica a dor.

Adoro-te tanto, tanto
Como o sol adora a terra,
Mas tu tens outros amores,
Não te quero causar guerra.

Quem do meu peito sahiu
Grande delicto causou,
Não venhas com piedade,
Quem sahiu já mais entrou.

Quando os campos verdes choram
As aves de mim têm dor
Só por ver a falsidade
Com que me tratas, amor."




(in «O Minho Pittoresco» )

O sonho de Afonso Costa... na Tailândia




Este texto do Combustões não se refere ao período da 1.ª república do Afonso Costa, embora tais episódios fossem frequentes no Portugal pós-5 de Outubro

A rua Conde de Redondo: fechada ao tráfego

Traseira do "Pirata" às duas da tarde

Frente do "Pirata das Caraíbas" às duas da tarde

A derrocada do "Pirata das Caraíbas" e o caos em Lisboa



No post anterior oferecemos uma imagem do edifício abandonado. Às duas da tarde de hoje, decidi fazer umas fotos daquilo que se passa numa enorme área da cidade, transformada num autêntico buraco negro para o tráfego rodoviário. Tudo isto devido à iminente derrocada do prédio.

A zona compreendida pelo Saldanha, Marquês de Pombal, av. da Liberdade, Estefânia e Campo de Santana, encontra-se gravemente afectada pelo caso "Pirata das Caraíbas". As ruas do Conde de Redondo, Luciano Cordeiro, Duque de Loulé e de S. José, com todas as suas transversais, entopem desde as oito da manhã às nove da noite. Todos os dias, desde segunda-feira passada. O serviço de ambulâncias dos hospitais de S. José, Capuchos e D. Estefânia, não conseguem superar as dificuldades de circulação e nem as sirenes são solução paliativa. A zona enlouqueceu devido ao tráfego, barulho, desordenamento generalizado nos estacionamentos e acessos. Um escândalo. É o preço da ganância, incompetência, dos conhecidos compadrios corruptores e da criminosa complacência das "autoridades". Esperemos que este caso seja exemplificativo e que se imponham medidas para remediar o mal que vem destruindo há décadas a nossa capital. Apelamos ao Sr. primeiro-ministro José Sócrates - aproveite pelo menos o período de pré-campanha em que entrámos - para que actue de forma célere e radical, doa a quem doer.

A Câmara Municipal de Lisboa não pode nem tem qualquer tipo de idoneidade para actuar de forma eficaz, porque como entidade zeladora do interesse público, possui tremendas responsabilidades naquilo a que quotidianamente assistimos. A CML é proprietária de centenas de grandes prédios em Lisboa, muitos deles votados ao abandono, como aquele no início da rua de S. Lázaro - um magnífico exemplar ao gosto parisiense - que ameaça ruir a qualquer momento. Não deixaremos de publicar fotos dentro de poucos dias.

Imagens: frente e traseira do Pirata das Caraíbas às duas da tarde de hoje (reparem na periclitante situação na zona do telhado, nas barreiras de protecção e nas ruas cortadas ao trânsito); a rua Conde de Redondo deserta e finalmente, o caos na Duque de Loulé e Luciano Cordeiro.

O Pirata das Caraíbas em derrocada!!!!!


Já aqui tínhamos colocado um post referente ao calamitoso estado este magnífico prédio situado na avenida da Liberdade/Alexandre Herculano. Há três dias começou a ameaçar derrocada e pedaços de alvenaria e madeiras espalharam-se pela rua e passeio.  O caos no tráfego é absolutamente indescritível na área da Duque de Loulé, Luciano Cordeiro, Conde Redondo, Alexandre Herculano, Fontes P. Melo, etc. Uma vergonha para a CML que sabe bem da situação em que se encontram os dois edifícios há muitos anos abandonados e com andaimes "para obras". Se não existe legislação em conformidade, faça-se! Estes edifícios e outros de interesse público, colectivo ou nacional - escolham o termo que mais convém - devem ser imediatamente retirados aos proprietários e reconstruídos pela autarquia ou entidade governamental.  Serão preciosos para o mercado da habitação e revitalização de toda a zona histórica. As nacionalizações Por Bem não metem medo seja a quem for. Não há Lei? Faça-se!

Futebolada em Kuala Lumpur


A minha namorada, que está de momento na Malásia, teve o condão de me fazer chegar a seguinte fotografia:


Não deixa de ser interessante ;)

"Ele não está"

De outra vez, pusemo-nos a caminho de Vila Real de Trás-os-Montes: o objectivo da excursão familiar era visitar a casa onde Camilo vivera com sua irmã e cunhado, e onde recebera sólida educação literária, ministrada pelo irmão deste- o Padre António de Azevedo, a quem sempre acarinhou como o Mestre-, em Vilarinho de Samardã, lugar de romagem obrigatória para um tão grande admirador da obra camiliana, como o meu pai é.
Por circunstâncias várias, nomeadamente a dificuldade em achar a casa, chegámos a hora tardia, num momento em que os mais pequenos barafustavam, com fome: havia muito já que passara a hora do almoço...
Foi assim que um deles, vendo a porta fechada (a chave tinha-a uma vizinha) , se saiu com esta: -"Podemos ir almoçar, porque ele não está em casa."...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Pedaços do Minho (Concelho de Guimarães)

Érico Veríssimo (2)

"Três meses depois, quando o exército dos Sete Povos já havia sido completamente desbaratado numa batalha campal, e os habitantes do povo de Alonzo, desesperados, prendiam fogo à catedral e às casas, para que elas não caíssem inatas nas mãos do inimigo vitorioso que se aproximava, Pedro montou num cavalo baio e, levando consigo apenas a roupa do corpo e o punhal de prata, fugiu a todo o galope na direcção do grande rio".

Passo do segundo livro, «O Continente», da Trilogia «O Tempo e o Vento», de Érico Veríssimo- os outros dois são «O Retrato» e «O Arquipélago»-, da qual escreveu José Aderaldo Castelo, Professor da Universidade de S. Paulo: "Obra cíclica sobre a formação social do Rio Grande do Sul, (...) monumental, de grande força épica , beleza lírica e intensidade dramática, inicia uma nova fase do romancista do Modernismo", ele que nos seus primeiros romances:«Clarissa», «Olhai os Lírios do Campo» e «O Resto é Silêncio» tivera "a preocupação de discutir aspectos da crise moral e espiritual do homem ou da sociedade contemporânea, guiado por uma certa maneira de ver os factos, já identificada como expressão do cristianismo primitivo do Autor".

terça-feira, 8 de abril de 2008

Campo

Zimbabué, Moçambique, Zaire, Angola... a velha história!

A farsa das eleições no Zimbabué parece ter saído muito cara ao regime de Mugabe.  Desta vez nem a coacção moral ou física surtiram efeito e o eleitorado, mesmo temendo pelas consequências da sua decisão, decidiu terminar com o ciclo de violência e escabrosa incompetência que caracteriza o actual regime. Legitimado pelas primeiras eleições após a independência, Mugabe assenhorou-se do país como se este fosse propriedade exclusiva. Modificou a Constituição, rasgou os acordos celebrados com o Reino Unido e na clássica fuga em frente de um exacerbado populismo, aniquilou a presença "colonial" branca no território, com o pretexto da distribuição equitativa de terras roubadas.  Assistimos há anos a deploráveis cenas de violência, onde a depredação de bens é acompanhada pela mais infame carnificina diante dos operadores de televisão, num ajuste de contas que tem como único fim a manutenção do ditador no poder. Não é novidade porque os portugueses testemunharam há três décadas, cenas em tudo semelhantes que a coberto dos "ventos da história", devastaram países outrora prósperos e com um futuro promissor, relegando-os à condição de meras caricaturas de Estados onde, se o tribalismo não é assumido como tal, conseguiu transfigurar--se no chamado Partido. 
Em 1974-75, Samora Machel fez sorridentemente, exactamente aquilo que Mugabe hoje nos apresenta de face carrancuda. Não nos podemos esquecer dos morticínios e purgas mesmo durante o período de transição e sob soberania portuguesa, quando elementos exteriores à Frelimo - Joana Simeão e Urias Simango, entre milhares de outros -, foram massacrados sem qualquer simulacro de legalidade. O poder total e tentacular, os ódios antigos e a escandalosa incompetência dos novos senhores, condenaram Moçambique a descer à categoria de um dos países mais miseráveis do mundo, onde a guerra civil lavrou durante décadas. Desembaraçando-se da presença branca colonizadora, o país caiu no caos, sem serviços públicos, sem professores e escolas, com infraestruturas abandonadas, desastres agravados ainda pela  voracidade dos novos amigos internacionalistas - alemães, búlgaros, russos ou cubanos - que exploraram até à exaustão os recursos do moçambicanos. Como se tornou evidente, alguns dos nossos actuais  parceiros da U.E., os dinamarqueses, holandeses e suecos, obtiveram o precioso quinhão nos despojos, recebendo a recompensa por tudo tem feito para expulsar a presença portuguesa. 
Tudo isto era previsível, porque a Tanzânia do iluminado Nyerere já há anos trilhara o caminho do denominado socialismo africano, mero sofisma que escondia a inépcia e o despotismo mais descarado e sangrento. Samora Machel era um rancoroso e um incapaz. Era e não vale a pena negá-lo porque até os seus próximos hoje o reconhecem. O seu regime mergulhou os moçambicanos na penúria mais extrema, onde cidades inteiras e os hospitais não possuiam água corrente e electricidade, as pontes tombavam por falta de manutenção, os grandes hotéis se tornaram viveiros de ratos ou pocilgas. Um povo abandonado sem serviços de saúde mínimos, devastado pela fome e pela guerra civil, sem escolas e escravizado por desdenhosos senhores eslavos ou nórdicos que habilmente o saquearam até à exaustão. É esta a verdade. Contudo, o regime de Samora teve cúmplices nos tutores do leste europeu ansiosos pela conquista de mais uma peça no "dominó imperialista" e mesmo em Portugal, sabemos bem que os piores colaboradores são facilmente identificáveis, vivendo alguns bem perto de todos nós. De nada se arrependeram e ufanamente dizem que tudo repetiriam, confiantes no hegemónico, contingente e convencionado princípio do politicamente correcto. O regime estabelecido na ex-Lourenço Marques teve a seu favor a impunidade consequente da ausência de informação durante o período de máximo expansionismo soviético no mundo e das claríssimas cumplicidades compradas em Lisboa, onde turvas negociatas e camaradagens nascidas de lutas de outrora, silenciaram a verdade dos factos. Mugabe não é diferente de Samora, nem sequer de Agostinho Neto, Nyerere, Mobutu, Bokassa, Touré ou Idi Amin, para citar apenas alguns magnicidas do nosso tempo. O zimbabueano tem hoje contra si o simples factor informação que quase tudo revela e pouco deixa encoberto. Mugabe será dentro de pouco tempo, uma triste recordação num continente que merece melhores dias.
É que nem todos beneficiaram da sorte de  ter como Chefe de Estado, um Mandela ou um Senghor. Infelizmente.

Erico Veríssimo (1)

"Sem sono, Clarissa debruça-se à janela. A noite está clara. Refrescou. Uma lua enorme, cheia, muito clara. Os quintais estão raiados de sombra e de luz, parece que o disco da lua se enredou entre a ramagem folhuda do plátano grande no quintal onde D. Tatá morava. O relógio na sala bate onze horas."

Foi no primeiro ano do Secundário que pela primeira vez contactei com a escrita deste escritor, num texto que se intitularia- é essa a lembrança que tenho-"Clarissa e o raio de sol", e que me levou a adquirir o que, soube depois, foi o primeiro romance desse escritor brasileiro.
Era uma prosa poética e de um enredo atraente, que me fez devorá-lo num ápice...
Mais tarde viriam outros livros seus...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

"Verdes são os campos" (3)

"Verdes são os campos!" (2)

"Verdes são os campos!"



...e agora ainda estão mais verdes, com a chuva que por cá caiu!

Deu lugar a um sol de fim-de-tarde , que atravessa as árvores como se fora um arco-íris com uma cor só.

O Portugal profundo de Sousa Tavares



Eis um retrato do Portugal profundo: todos têm direitos inesgotáveis, sem deveres alguns. Nem ao menos o de aproveitarem as oportunidades que lhes caiem do céu. Menezes, como está na oposição, chama a isto “empreendedorismo”. Eu chamo-lhe a atitude de estar sentado no café à espera do subsídio e a dizer mal de tudo.» Miguel Sousa Tavares, no Expresso

Os últimos meses têm sido pródigos em públicos testemunhos recriminatórios em relação à situação em que o país se encontra. Generais, empresários e antigos governantes - desde p.r's a ministros - manifestam-se contra o  actual estado de coisas, sem que consigamos discernir a causa de tantos males. É hábito da classe política o alijar de responsabilidades, o criticar de atitudes de outrem e uma recorrente auto-desculpabilização. Desde os debates parlamentares aos chamados artigos de opinião nos jornais, a enxurrada viscosa de corrupções, incompetências, latrocínios, favoritismos indevidos e ilegalidades, são apontadas à generalidade dos detentores de cargos do Estado, sem que qualquer consequência punitiva, ou sejamos condescendentes, regeneradora, pareça advir no sentido de uma maior transparência daquilo a que normalmente se denomina de coisa pública. O sistema está a ferro e fogo e paradoxalmente, os seus inimigos são os seus próprios usufrutuários, aqueles que numa situação de perfeita normalidade seriam os mais estrénues defensores do mesmo. 

O texto de M.S.T. é mais um apontar do dedo inquisidor à generalidade dos cidadãos e tem como pretexto final, as declarações do actual presidente do PSD. Compreendemos a revolta até porque quem não beneficia de lugares cativos no aparelho, é o principal e involuntário financiador de uma situação insustentável. 

Ao fim de três décadas do regime saído da Constituição de 76, verifica-se a fragilidade do mesmo, quando a simples longevidade, renovação da classe política e progresso económico ditado pela recuperação após o ingresso na UE, pressupunham a sua consolidação e normalização como acontece em Espanha, para citar apenas o vizinho mais próximo.

Hoje alguns denunciam a sede de direitos e a recusa de deveres por parte de quem não detém o poder e serve de agente passivo - isto é, de simples contribuinte -, querendo decerto acusar um povo desinteressado, ignorante, gastador e inepto. Decorreram trinta anos e quem chega agora aos degraus do poder foi educado e preparado por quem dele se assenhorou em 74. O chamado povo é criatura saída do laboratório da Situação.

 Organizaram o aparelho do Estado, formaram partidos, destruíram a velha escola e impuseram uma maneira de viver em sociedade que passou a confundir-se com aquilo a que se convencionou apodar de "democracia". De facto, o sistema funciona nos seus aspectos formais e não assistimos a períodos de grave tensão ou violência política nas ruas. Mas isto não é suficiente, porque sabemos que a democracia deverá ser muito mais que a simples obediência e conformidade para com a Lei emanada pela vontade dos cidadãos da res publica. Nas democracias consolidadas os povos participam normalmente na vida política, frequentam ou criam clubes - que não apenas os de futebol -, organizam demonstrações de índole cultural identificativa das gentes, resolvem problemas locais. É a verdadeira participação a que se dá o nome de civismo.  Em Portugal verifica-se exactamente o oposto e de uma forma verdadeiramente bizarra, a população foi artificiosamente convencida a tudo esperar de uma etérea entidade designada como "O Estado". Um simples buraco na rua carece do atento olho do responsável autárquico. Um paralelepípedo saído do seu devido lugar na calçada de Lisboa, permanecerá na sarjeta sem que alguém se digne a com um simples gesto, recolocá-lo de onde saíra. Automóveis abandonados apodrecem durante anos nas ruas, sem que os moradores tomem qualquer iniciativa para a sua conveniente remoção e nem a EMEL, empresa interessada na rentabilização de espaços de estacionamento, providencia remédio para estas situações. Poderíamos continuar indefinidamente, tais são os casos a exemplificar. Estamos todos à espera de alguém, ou melhor de algo. De quem ou do quê, não se sabe. "Eles" deverão encontrar as respostas para tudo, por mais ínfimos que sejam os problemas. Quem são "eles" e quem criou e fomentou este estado de coisas?

Sabemos qual é a resposta e é com estupefacção que deparamos hoje com o sórdido espectáculo de autocomiseração daqueles que publicamente dão a entender ter vergonha de pertencer a tal nação. Nação que foram os próprios a conformar - as duas últimas gerações são obra sua - e que agora nos obrigam a identificá-los com as ratazanas que abandonam o navio em perigo de fatalmente ser destruído por uma tempestade em pleno cais. 

Se o texto de MST parece curial e na linha do esperado bom senso de um comentador político com credibilidade para assim ser considerado, peca por insuficiência. Esta debilidade reside apenas na fatal e já esperada acusação ao anónimo, isto é, a todos. Os "outros" que somos nós e que jamais fomos informados e chamados a participar em qualquer debate que interesse ao futuro deste país. Recordo-me sempre da infeliz frase de Cavaco Silva, quando admoestado acerca da possibilidade de um referendo ao tratado de Maastricht, seráficamente respondia que ..."o povo português não está informado para decidir acerca de um assunto destes" . Grosso modo, foram as suas palavras. Quando a uma atrocidade deste jaez se soma o ..."desapareça da minha vista, ó senhor guarda"... berrado por Mário Soares num desvairado momento populista, podemos finalmente ser nós, o rebotalho, a apontar o dedo. Quem tem a culpa? "Eles"!

Igreja de Santa Cristina de Longos

"O sino da minha aldeia"

"Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma"

domingo, 6 de abril de 2008

Adenda a "Tomáz de Figueiredo"

Volto a ele, porque encontrei, adormecido na estante, um livro de António Manuel Couto Viana que se debruça sobre vários escritores, entre os quais Figueiredo: «Coração Arquivista».
Lido há alguns anos já, mas mal lido, passou-me despercebido este pedaço: "Ao lê-lo («A Toca do Lobo»), senti que tinha encontrado o romancista que melhor se identificava com a minha sensibilidade; esse que eu gostaria de ser, se tivesse qualidades de ficcionista. Aliás, aqueles climas, aquelas personagens, conhecia-os eu de sempre; encontrara-os por toda a Ribeira-Lima, em minha casa, ou nas que frequentava, nas ruas e nas feiras ou quintas de lavoura e recreio- exactos, vivos, com a nobreza e o pitoresco que o Tomaz poderosamente retratava.(...) Também não escapava à lupa bem focada do discípulo de Camilo o português de certos discursos de eminências políticas."

Ainda a repressão no Tibete...

No Corta-fitas, João Villalobos refere a mensagem enviada pelo Dalai Lama a todos os defensores da causa tibetana.

Presente do Brasil

A loucura da guerra

Tenho-o por cima da lareira.
Debaixo de um céu muito azul, uma menina de cabelo castanho-dourado, contempla a paisagem que alcança da janela, no fim de um rio de águas calmas. Aparentemente, tudo é paz e há uma grande harmonia no conjunto...
Paz aparente, porque no céu surge um avião torpedeiro a lançar bombas, nesse cenário idílico...
O Nuno deu-lhe o título «Momento de Civilização»...

Viva a Bulgária! 2ª prenda...

sábado, 5 de abril de 2008

Bom fim-de-semana. Divirtam-se!

Fins-de -Semana (2)

Hoje, na Feira do Livro, de Braga, encontrei, num alfarrabista, um Livro de Leitura da 3ª Classe, igual ao que um dos meus irmãos tinha. Foi com alegria que nele encontrei uma lengalenga que, fiquei agora a saber, é a adaptação de um Romance popular, e que o ouvi declamar muitas vezes:
- À guerra, à guerra, mourinhos!
Quero uma cristã cativa!

Uns vão pelo mar abaixo
Outros pela terra acima.


- Venha uma cristã cativa
Que é para a nossa rainha.

Uns vão pelo mar abaixo,
Outros pela terra acima.
Os que foram mar abaixo
Não encontraram cativa;
Tiveram melhor fortuna
Os que foram terra acima:
Deram com o conde Flores
Que vinha da romaria
Vinha lá de Santiago,
Santiago da Galiza
Mataram o conde Flores,
A condessa foi cativa
A rainha mal que o soube,
Ao caminho lhe saía:

-Em boa hora venha a escrava,
Boa seja a sua vinda!
Aqui lhe entrego estas chaves
Da despensa e da cozinha,
Que me não fio de mouras
Não me dêem feitiçaria.

-Aceito suas chaves, senhora
Por grande desdita minha...
Ontem condessa jurada,
Hoje moça de cozinha
Duas irmãs que nós éramos.
Ambas de mouros cativas!

-Dize-me tu, minha escrava.
Tua irmã que nome tinha?

-Chamava-se Branca Rosa
Branca Flor de Alexandria
Foi cativada de mouros
Dia de Páscoa Florida
Andava apanhando rosas
Num rosal que meu pai tinha

-Ai triste de mim, coitada
Ai triste de mim, mofina
Mandei buscar uma escrava,
E trazem-me uma irmã minha!

Deram beijos e abraços,
E uma à outra dizia:

Quem se vira em Portugal
Terra que Deus bendizia!

Juntaram muita riqueza
De ouro e pedraria;
Uma noite abençoada
Fugiram da Mouraria
Foram ter à sua terra
Terra de Santa Maria
Meteram-se num mosteiro,
Ambas professaram num dia.

Câmara de Comuns e os licenciados no desemprego

Um novo e interessante blog, que reúne gente da esquerda à direita, muitos deles já bloggers, outros deputados, que vale a pena visitar, o Câmara de Comuns. Deixo aqui um post de Zé Pedro Amaral sobre as declarações de Mariano Gago, segundo o qual, quase não existirem licenciados no desemprego.

Mariano Gago assevera, em forma de auto-elogio despudorado, que 'quase não há desemprego entre licenciados'.

‘Quase não há’ é exactamente o quê? Há dois? Três? Dez? Vinte? Cem?

Que número tão ridiculamente pequeno leva um Ministro a usar a expressão ‘quase não há’?

Uma visita rápida ao sítio do INE mostra que, no 4º trimestre de 2007, havia 65.600 desempregados com curso superior.

Mas está a descer estrondosamente?

Não, não, não… Em 2006, havia 48.400 desempregados com licenciatura. Está a aumentar… Mas ‘quase não há’.

Assim, e segundo a Cartilha Gago, 65.600 é ‘quase não há’. Mohammad Said al-Sahhaf, esse douto da exactidão, dificilmente faria melhor.

Lisboa Arruinada (27) o Pavilhão dos Desportos