sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Algo está podre nesta república



A notícia conclusiva da semana, foi sem dúvida, a recusa do indigitado director da PJ do Porto, em assumir o cargo que previamente aceitara. É mais um exemplo entre muitos, de recusa do exercício de funções de grande visibilidade pública e responsabilidade política. Não se tratando de qualquer auto-reconhecimento de incapacidade para o cargo, o putativo resignatário - antes da efectiva tomada de posse -, corajosamente alertou a opinião pública, acerca de um dos grandes males que, paulatina mas irreversivelmente, vai corroendo o nosso tecido social: a calúnia e a baixa intriga de contornos difusos e perigosos, porque destrói reputações e ameaça pela coacção moral.

Os portugueses amam a crendice nas teorias da conspiração, nascidas em casas sombrias, onde as senhas, códigos de contacto e juras de segredo, compõem o cenário supersticioso e aterrorizante. Inventam-se sempre cumplicidades inter familiares, intentonas de círculos alegadamente abastados - o ouro alheio é matéria ofuscante das razões - e no pior dos casos, cumplicidades decorrentes dos chamados vícios privados, sem que em contrapartida, se demonstrem minimamente hipotéticas virtudes.

Afastando a mera fé estúpida e a intriga onde em qualquer tasca se arrasta pelo lodo a reputação de quem, pelo seu mérito ou por outra circunstância, sobressai da massa anónima, cremos ser evidente, a existência de grupos interessados na manipulação daquela, sempre permeável a descarregar nos "bem aventurados", as frustrações quotidianas, os complexos de inferioridade e a simples mas mortífera inveja.

Se o ataque se dirige geralmente, à "integridade moral" do alvo a abater - enfim, a tudo aquilo que é precisamente mais discutível e na maioria das vezes, completamente irrelevante -, a ameaça assume por vezes contornos ferozes de violência. Violência esta que em conformidade com o carácter do meliante ou denunciante, atingirá preferencialmente quem mais perto está da vítima, isto é, a família. Nada disto é estranho, nem é exclusivo da comunidade portuguesa, porque existe em qualquer parte do mundo. O que se torna revoltante, é a dimensão que atinge no nosso tempo, propagando-se como fogo em palha seca, através de quem mais devia zelar pela liberdade individual e colectiva, ou seja, a comunicação social. Não há dia em que aspectos absolutamente irrisórios da vida deste ou daquele famoso, seja espiolhada sumariamente em letras garrafais, sem que o conteúdo da notícia, corresponda minimamente ao alerta social. A falta de vergonha, a total insensibilidade, a malvada mesquinhez, deveriam apenas merecer como resposta, o nojo. Aquele nojo propiciador de um acesso de vómitos que nos limpe de vez, de toda a porcaria curiosa, indigente e ácida com que copiosamente somos alimentados no dia a dia.
A baixeza de carácter é uma praga que alastra incontrolavelmente e é uma pena verificarmos que os exemplos venham exactamente de onde sempre são esperados: de cima. Que vergonha, meus senhores!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Do Combustões

Croniquetas Republicanas (3)


A Camioneta Fantasma

Caía a noite a 1 de Fevereiro de 1908, quando um exultante Machado Santos, procurava secundar o Regicídio, sublevando a guarnição do quartel de Campo de Ourique. O assassinato de D. Carlos e do príncipe Luís Filipe, era uma oportunidade para os republicanos que embora tivessem a cidade coagida pelo medo, não conseguiram derrubar o regime.

Naquela noite de 19 de Outubro de 1921, Machado Santos não terá porventura, recordado esse já longínquo final de dia de há catorze anos. No entanto, tal como o rei que odiara, caiu varado por balas assassinas, mas bem consciente do fim que se avizinhava. Junto ao chafariz de Arroios - ainda existe e foi recentemente restaurado -, foi fuzilado sumariamente, às mãos de um bando de marinheiros sublevados e de homens da guarda pretoriana do regime, a GNR.

Sob o comando do famigerado rufia radical Abel Olímpio - o Dente de Ouro -, e procedendo a uma recolha sistematica daqueles que haviam apoiado ou nutrido simpatias pelo sidonismo, a Camioneta Fantasma percorreu as ruas de Lisboa, num trajecto que teve como terminal o Arsenal da Marinha, ao Terreiro do Paço. Aí, após insultos e agressões físicas, caíram crivados de balas, Carlos da Maia, o ex-primeiro ministro António Granjo, o comandante Freitas da Silva e o coronel Botelho de Vasconcelos.

Este Portugal alegadamente de "brandos costumes" que a auto complacência nacional propagandeia como virtude singular, estava desde os anos 80 do século XIX, habituado à violência verbal, às correrias, distúrbios e algazarras sediciosas. A conspiração, a manufactura de bombas e a eliminação de partidários da ordem Constitucional, eram actividades naturalmente consideradas pelos responsáveis do prp, como acções necessárias à instauração do novo regime. Ao longo de três conturbadas décadas, criou-se o estado de espírito tendente a aceitar todo o tipo de violências, depredações e a recusa reflexiva de qualquer poder constituído. Não tinham os chefes republicanos ido em constantes romagens, homenagear o Buíça e o Costa ao coval do Alto de S. João?

Na fase final da Grande Guerra, o chamado Sidonismo tinha ensaiado uma reformulação do regime, num sentido presidencial e autoritário, e enfrentou de imediato, a férrea oposição do partido de Afonso Costa e dos sectores jacobinos mais radicais. A GNR era muito diferente daquela que hoje conhecemos e na região de Lisboa - o centro político onde tudo se decidia -, contava com mais de 14.000 soldados, poderosamente armados com metralhadoras e artilharia, surgindo como uma garantia da república contra sublevações populares ou do exército.

Com a colaboração de jornalistas - detalhe interessante e elucidativo do clima subversivo que os media inculcaram na sociedade -, foram assim eliminados, alguns dos vultos mais proeminentes do 5 de Outubro de 1910.

O regime que dentro de alguns meses esta 3ª república pretenderá comemorar, assentou palafitas num lago de sangue, onde soprou desde a sua turbulenta génese, o vendaval da violência, livre arbítrio, coacção física e moral.

A situação de então, é eloquentemente justificada pelo republicano Cunha Leal que diria ..." o sangue correu pela inconsciência da turba, a fera que todos nós, e eu, açulámos, que anda à solta, matando por que é preciso matar (...) é esta maldita política que nos envergonha e me salpica de lama"... Jaime Cortesão acrescentaria: "sim, diga-se a verdade toda. Os crimes que se praticaram, não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa".

Lendo os jornais diários e escutando os actuais chefes políticos, questiono--me acerca do futuro. Portugal vive um momento propiciador de uma erupção violenta que irrompendo inesperadamente, mais catastrófica poderá ser. Quantos Dentes de Ouro andarão por aí?

Numa democracia...

...digna desse nome, com uma monarquia liberal e uma religião de estado, mas onde vivem imensas pessoas com variadíssimos credos (tal como mostra a foto abaixo, pois parece-me que há ali uns senhores que de anglicanos terão muito pouco), e onde encontramos aquele arcaísmo antidemocrático que é a Câmara dos Lordes, segundo Vital Moreira, a quem a Helena Matos respondeu num dos melhores posts da blogosfera nos últimos tempos, acontece isto:

Ministers have been accused of "rank hypocrisy" after it emerged that a third of Gordon Brown's Cabinet are campaigning against Government plans to axe post offices in their own constituencies. The Government said the proposals to close 2,500 branches in Britain were necessary to preserve the Post Office network's £150 million-a-year subsidy, and cut its estimated losses of £4 million a week. However, the move has caused widespread public opposition and The Daily Telegraph can disclose that seven Cabinet members oppose the plans in their constituencies. Some have organised petitions to spare their post offices from closure. The group includes some of Mr Brown's most senior colleagues - Jack Straw, the Justice Secretary; Jacqui Smith, the Home Secretary; and Geoff Hoon, the Chief Whip. Andy Burnham, the Culture Secretary; Tessa Jowell, the Olympics minister; John Denham, the Secretary of State for Innovation, Universities and Skills, and Paul Murphy, the Welsh Secretary, are also campaigning, or have campaigned, to save their local post offices.

(Jack Straw numa manifestação para salvar o posto de correios da sua constituency)

Ainda que Smith, Jowell e Straw sejam acusados de hipocrisia visto terem previamente aprovado a redução dos postos de correio, estando agora a tentar salvar os das suas constituencies, pode-se arguir como tantas vezes se faz no nosso país que as circunstâncias mudam e as opiniões mudam também, ou não tenhamos nós na memória de curto prazo o caso do Aeroporto OTA/Alcochete.

Mas o que realmente nos interessa é que neste Portugal onde a matriz política da alma lusitana é tendencialmente absolutista e repressora das opiniões divergentes, seria impossível algo como isto acontecer. É a diferença entre uma pseudo-democracia e uma verdadeira democracia evoluída onde os partidos não agrilhoam os seus miliantes à disciplina de voto e ao pensamento único, entre uma jovem envelhecida democracia da obediência ao chefe e uma velha jovial democracia que cultiva a rebeldia e a divergência como forma de intervenção política e cívica, entre um verdadeiro país politicamente desenvolvido e um verdadeiro país de políticos desenvolvidamente atrasados e ignorantes na arte de governar.

Ainda haverá por aí alguém a querer dar lições de democracia aos britânicos?

Numa democracia...

...republicana e laica, acontece isto:

Um departamento de uma escola pública obrigou um professor a fechar dois jornais humorísticos, onde se satirizava a Igreja e alguns políticos, porque o conteúdo era "desprestigiante" para a escola. O Conselho de Departamento (…) deliberou, numa reunião, que estes meus projectos na blogosfera tinham que ser encerrados. Segundo argumentam, desprestigiam a minha própria imagem, a imagem do departamento e, acima de tudo, a imagem da universidade. Além disso, (…) dizem que eu faço lá coisas que não têm nada a ver com a minha profissão e que um docente universitário não pode ser escritor criativo nem humorista. Portanto, proibiram-me também de participar em eventos ligados ao humor.(...). O visado diz que não recorreu a outros órgãos da Universidade porque essa foi uma decisão tomada em família. Sou casado, a minha mulher não tem emprego, tenho um filho pequeno para criar e preciso do ordenado para pagar a dívida da casa, para pagar o carro e por aí fora.


José Adelino Maltez, in Sobre o Tempo que Passa - ver aqui a notícia relativa ao professor Daniel Luís

Quando o Conselho de Segurança se porta como deve

A Rússia está pronta a apoiar o projecto da nova resolução da ONU contra o Irão, se Teerão não suspender, nos próximos dias, o enriquecimento de urânio, disse hoje à imprensa o embaixador russo junto da ONU, Vitali Tchurkin.

Eu que tento sempre analisar os dois lados de qualquer questão tentando partir de um abstracto ponto neutro, não me posso imiscuir de pensar que, se por um lado o Irão está no seu direito soberano de desenvolver armas nucleares, bem de acordo com as premissas realistas, por outro lado a comunidade internacional, esse ente invisível mas omnipotente, também está no seu direito de não permitir a difusão de armas nucleares. E neste campo, o chamado Ocidente e todos os restantes países devem (aqui, estou normativamente a emitir um juízo de valor que confere um carácter subjectivo à análise anterior) realmente conjugar esforços para impedir que o Irão venha a desenvolver armas nucleares, um condicionante estratégico que ameaça de sobremaneira a estabilidade do sistema internacional, e de forma mais grave pode destabilizar ainda mais uma zona do globo que muitos apontam como eventual região onde surgirá o próximo conflito de grande escala.

Quando o orçamento não chega...

...ou não é bem gerido como em muitos casos:

Por via das dificuldades económicas de muitas instituições, ou de iminentes alterações às carreiras do sector, é já um dado adquirido que as universidades públicas vão reduzir os seus corpos docentes. Se serão cortes da ordem das dezenas, centenas ou até milhares é a dúvida que neste momento deixa angustiados muitos profissionais da área.

Ainda vamos ver professores universitários na rua a juntarem-se aos do básico e secundário. Quando para se garantir um lugar como professor universitário é necessário ser doutorado, deixa de haver espaço para os restantes. E é que para chegar a professor doutor são necessários uns quantos anos, e entretanto as contas não se pagam do ar. E nem todos têm bolsas da FCT.

Parece que já estou a ver certos professores doutores decrépitos ou que de professores têm muito pouco, a recostarem-se nos seus cadeirões, enquanto os promissores jovens académicos não têm alternativa a não ser desistir da carreira académica.

E não me parece realmente muito viável esta bolonhesa de fazer 3+2 + não sei quantos anos, para se chegar a professor doutor e poder ser docente universitário com lugar garantido. Isto sou só eu a pensar, mas quantos pais estão dispostos a pagar 7 ou 8 ou 9 anos para o filho ser professor doutor?

Ainda por cima, a haver despedimentos em massa serão os mais novos e que menos estejam ligados às redes de caciques das universidades onde leccionam que serão os primeiros a ser despedidos. Mais uma vez vamos assistir à velha rábula de "eu estou cá há mais tempo que tu", ou "eu tenho uma licenciatura desta universidade e tu não", a mostrar como a antiguidade é um posto neste Portugal decrépito onde a meritocracia nunca se fará realmente sentir, não sendo por isso de admirar o crescente brain drain que se vem paulatinamente instalando, esse mesmo síndrome de país terceiro mundista.

Há dias alguém me dizia que me via mais como professor/político do que como militar ou diplomata. Entende porque é cada vez mais difícil viver neste país, especialmente para os jovens, mesmo sendo a carreira académica a que mais me atrai?

Mistérios da governação

Lino não lançou o desafio de gestão por parte de privados do Aeroporto Sá Carneiro, mas prefiro acreditar na palavra de Belmiro. É que ao contrário da classe politiqueira capitaleira o Eng.º Belmiro não é conhecido por andar aí a inventar coisas.

O presidente do Conselho de Administração da Sonae, Belmiro de Azevedo, afirmou na terça-feira estar a estudar a possibilidade de criar uma entidade que faça a gestão moderna do aeroporto, respondendo a um desafio do governo.

O ministro das Obras Públicas disse desconhecer esse "desafio" e garantiu não o ter feito.

Visitem o blog Nocturno

Nem tudo é tristeza ou prostração. Se quiserem deleitar-se com as melhores fotografias de uma Lisboa que passa quase despercebida diante dos nossos preguiçosos olhos, vão ao blog Nocturno. É esta a cidade que almejamos e talvez um dia, a Luísa possa divulgar imagens de prédios que hoje arruinados, ressurgirão rejuvenescidos e aptos para enfrentar mais uns séculos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Do Combustões

Viva a insurgência!

O aparentemente "okupado" O Insurgente está de volta, precisamente no dia em que celebra três anos na blogosfera. Parabéns e um grande abraço a todos os insurgentes, em especial porque foram os primeiros linkar o Estado Sentido, quando ainda estava na sua fase inicial.

Sapateados, Zapateros e espanholadas noche fuera

Hoje sinto-me belicoso. Tal não se deve a qualquer notícia do telejornal, conta para pagar ou birra. Na verdade, ontem organizei um pequeno jantar para uma amiga de Madrid que, de férias em Lisboa, trouxe consigo dois "chicos" como acompanhantes. De tchicos* (escreverei tal como eles pronunciam as palavras) tinham muito pouco, pois tratava-se de dois exemplares acabados do marmanjão muito senhor de si, organizado e aquilo a que eu costumo chamar "betus ibéricus", uma subespécie que abunda para cá dos Pirenéus.

O jantar estava bom, confesso, e a conversa iniciou-se de forma aprazível, como convém. Zapateristas ferrenhos, passaram longos momentos a tecer loas à transcendência da sua gubérnáción*, ao diálogo, abertura, enfim, o recorrente discurso a que por cá também nos habituámos. Estes dois espanhóis - um catalão e outro castelhano -, não são propriamente uns pobres diabos das claques do Barça ou do Real Madrid. Enquanto um é professor no liceu, o outro desempenha funções na diplomacia do país vizinho. Apresentados os currículos, a conversa parecia prometer e ajudar-me a aliviar certos preconceitos - pelo menos considerava-os como tal - que quase todos os portugueses enraizaram a respeito destes primos um tanto distantes no tempo e na história.

O verdadeiro problema teve início, quando se começaram a fazer sentir os efeitos do bom vinho. Copiosamente regados, os dois convivas - digo dois, porque só eles falaram à mesa -, iniciaram o famoso discurso de apresentação das vantagens da união ibérica. O mais curioso, é que as vantagens se resumiam apenas ao lado Êpanhol*, porque no que a Portugal diz respeito, nada de proveitoso foi dito. Colocando algumas questões, manifestei uma certa curiosidade acerca da forma como eles encarariam um tal processo de unificação e não fui surpreendido, quando se tornou evidente de que se trata de uma pura e simples anexação sem condições! A todos os argumentos colocados, encontram resposta pronta. A língua portuguesa, logicamente seria marginalizada e de forma muito simples, dada a facilidade que temos para aprender outros idiomas. As nossas leis e ordenamento territorial, submeter-se-iam ao esquema delineado pela Constituição espanhola e nem sequer Portugal existiria como entidade, pois seria dividido em quatro regiões autónomas continentais e duas insulares. A depredação do nosso património é um dado não negligenciável, uma vez que a África Lusófona, terá para eles, o mero interesse comercial que lhes dita a conveniência das suas empresas. Nada mais.

Pensei que as rivalidades entre castelhanos e catalães, pudessem de qualquer forma, mitigar ímpetos que outrora bem conhecemos. Uns copos de tinto, afogam num ápice, todas as querelas - que verifiquei serem de simples disputa tributária - e ameaças de secessão. A agressividade, o espalhafato intrínseco, a certeza absoluta de certas convicções - para as quais Cervantes bem alertou -, pairam acima dos eflúvios vinhosos, como nuvem ameaçadora. É que aqueles senhores, um dos quais é diplomata, pouco ou nada conhecem do mundo e menos ainda, do seu vizinho mais próximo. A ignorância é espantosa, roçando o achincalhamento daquilo que pensávamos ser o ensino em Êpanha*. Esgravatando ao de leve o passado de conflitos de interesses que fizeram eclodir constantes guerras entre os dois países, podemos facilmente concluir que a visão maniqueísta e desdenhosa que do nosso país têm, atinge dimensões verdadeiramente assombrosas. O simples exemplo da Guerra da Restauração, é por eles explicado como uma total ausência da presença portuguesa nos campos de batalha, infestados, isso sim, de ingleses, franceses e holandeses. E não se ficam por aqui. Com o ar mais sério deste mundo, foram grunhindo enormidades acerca do poderio do reino, desde a sua inigualável e poderosa frota, até ao verdadeiro peso que tem nos destinos mundiais. Pareciam dois russos pré-Perestroika e a verdadeira trovoada de arrotos de postas de pescada, não cessava. Tudo é por lá inacreditavelmente superior, desde a Pintura, até à Música, debitando, claro está, créditos aos senhores Gaudi, Calatrava e Bofil. A mão êpanhola*, conduz a humanidade à perfeição. Incrível, só visto! Nem as suas antigas colónias, vistas como países sem razão histórica e política de existir, são poupadas ao vendaval de desprezo avassalador: os índios da América do Sul, não passam de chinchetas (alfinetes de escritório), cujas caras achatadas denunciam de imediato a impossibilidade de organização como nações. Os mexicanos, eses gorditos , servem apenas para garantir a preponderância da língua espanhola, nuns Estados Unidos em acelerado processo de hispanización*.

E poderia continuar a descrever este pretenso jantar-comício, durante horas. Os homens não se calavam e nós, pobres portugueses mudos de espanto, ouvimos com curiosidade redobrada. Na verdade, o pior foi o entremear do discurso, com a habitual gritaria da sua musica précioça*, que finalmente nos fez render à evidência: a língua é cavernosa e roça bastante aquilo que designamos como pirosa. O ruído canoro, com os ay ay ay ay ayyyyy, acompanhado pelo infernal clapaclapaclap das palmas, nada tem de comum connosco. Aquela pose de mão na anca e queixo erguido, entre o toureiro e um goyesco retrato de Fernando VII, espelha bem o que lhes vai na alma. Ficámos todos elucidados. São incorrigíveis. Vivem convencidos da sua incomparável grandeza e entretanto, não compreenderam que o mundo mudou.

Embora a chamada classe empresarial teça os habituais e interesseiros elogios a uma tal "União Ibérica", os políticos - porventura tentados a uma saga de tamanho jaez -, poderão ir contanto com uma inevitável jacquerie lusitana. E não digo mais, porque concedo o benefício da dúvida: seriam apenas dois parvos?

* A foto foi feita ontem, pouco depois da penosa retirada dos dois toros e da bastante atónita acompanhante.

Secularização e laicismo na Irlanda

Ou a secularização e laicismo na Irlanda estão a caminho, ou qualquer dia ainda vamos ver uns quantos quantos missionários a caminho da Irlanda para espalhar a fé anglicana, ou o Vaticano arranja forma de não perder um dos grandes bastiões da fé católica. Parece que até já estou a ver Vital Moreira aos pulos de contentamento quando souber disto:

Ireland, a country that used to export its Catholic clergy around the world, is running out of priests at such a rate that their numbers will have dropped by two thirds in the next 20 years, leaving parishes up and down the land vacant.

A falta de qualidade dos políticos

Como nos diz o Miguel:

Os velhos políticos, de vista gasta nas noitadas de leitura, nas provas académicas, na barra dos tribunais, nos escritórios da banca, viram-se despidos, ridículos e incapazes de compreenderem o que se passava. Um a um, foram desaparecendo. Hoje, desses catões já não há um só no Parlamento.

E é por isso que acontecem umas palhaçadas para entreter o povo, como esta de Paulo Portas querer processar Jaime Silva por alegadas insinuações ou coisa que o valha. Triste fado o deste país. Será que esta nação merece mesmo estes "líderes"?

Reforço de peso

Uma das vozes mais influentes na academia e no mundo dos negócios norte-americano, Alvin Toffler, o sociólogo que popularizou o conceito de adocracia, que o nosso Paulo Cardoso tanto aprecia, veio a público revelar que votará em Obama.

E não é que há mesmo apitos de ouro no Apito Dourado?

Pontapés na gramática portuguesa

A propósito disto lembrei-me de um episódio que aconteceu há uns dias. Estava eu a conversar com uma licenciada em Língua Portuguesa que me dizia que a a palavra "inverdade" não existe, não é correcta. Logo de seguida diz-me que "gordurosa" é um arcaísmo que também não está correcto segundo o português moderno, revelando-me que deveria dizer "gordurenta". Passado uns segundos estávamos a falar já nem sei de quê e diz-me ela "Ele fê-ze-as".

A maioria das pessoas normalmente conjuga mal os verbos quando devem dizer por exemplo "fê-las". Mas uma licenciada em Língua Portuguesa armada em sabichona e a seguir para além dos "bués", que ainda se leva como normal hoje em dia, diz-me "fê-ze-as" ou "fêze-as" que eu nem sei como isto se escreve, porque aliás não se escreve nem se diz, porque isso sim não existe, e "o burro sou eu?". Correndo o risco de plagiar Vital Moreira, só dá vontade de dizer "um pouco mais de rigor s.f.f".

O que distingue a esquerda da direita

Recordo-me de uma personagem que não sei se ainda anda pelos corredores lá da faculdade, um ilustre arregimentador ao serviço da xuxaria, que para levar os caloiros a filiarem-se na JS atingia-os logo nos primeiros dias, antes que aprendessem alguma coisa com os poucos bons professores que por lá andam, com a seguinte pergunta: "Preocupas-te mais com o económico ou com o social?". Se o visado respondesse que se preocupava mais com "o económico" era veementemente repudiado. Se, pelo contrário, se mostrasse mais preocupado com "o social", era logo elogiado e convidado a fazer parte da JS. Alguns dos melhores argumentos de que me recordo eram ainda os fantásticos "vem para a JS pelo convívio" ou "vem para a JS fazer amigos".

Amigos, pois está bem. Não sei se é pelo meu ar de poucos amigos ou se transpiro que sou de direita, mas pelo menos a mim nunca me interpelaram com tais argumentos ou convites para me filiar. E a pena que eu tenho, que eu gostava mesmo era de ir abanar bandeiras com os velhotes de Cabeceiras de Basto trazidos até Lisboa por altura das eleições que António Costa venceu para a Câmara Municipal de Lisboa..

Mas continuando, o episódio que relato demonstra a precariedade de uma distinção primitiva entre esquerda e direita que de forma demagógica vai servindo os propósitos da arregimentação. Porém o que nos interessa é que depois da chamada "bomba" de Vargas Llosa, símbolo da direita em Espanha, que o El País reporta:

"Me considero liberal, me siento cercano al Partido Popular desde el punto de vista económico" y de su “defensa de la unidad española", pero "no me siento en absoluto representado por las actitudes conservadoras, opuestas por ejemplo al laicismo, la separación de Iglesia y Estado y de la creación de una sociedad laica", escribe Vargas Llosa.

El novelista, de 71, considera que "el matrimonio homsexual, el derecho a adoptar de las parejas homsexuales son medidas progresistas que aumentan la libertad y los derechos humanos". Es en nombre de la defensa de la laicidad que se ha unido a UPD (Unión, Progreso y Democracia), un partido fundado por la exeurodiputada socialista Rosa Díez, y un filósofo, Fernando Savater. Vargas Llosa apoyó la fundación del partido en septiembre de 2007.

Acontece que um ou uma tal jornalista de nome Cadi Fernandes escreveu um daqueles artigos que só dão razão a muitos dos que dizem que alguns jornalistas são muito ignorantes. Prima é pela originalidade pois distingue que quem apoia o matrimónio de homossexuais é de esquerda, quem não apoia é de direita. Ficamos esclarecidos.

Sem mais, limito-me, tal como o AMN, a citar o Pedro Marques Lopes:

Para a jornalista ou jornalista Cadi Fernandes o facto de se apoiar a adopção por homossexuais ou casamentos entre pessoas do mesmo sexo, quer dizer que se é de esquerda. Pronto. Cadi descobriu a pólvora. A partir de agora basta perguntar se se é a favor dos casamentos entre homossexuais para se ficar a conhecer todo o pensamento político de um indivíduo. Vem isto a propósito de uma tomada de posição de Mário Vargas Llosa acerca destes dois temas. Cadi não hesita: Llosa é de esquerda. As posições do escritor sobre o papel do Estado na educação, cultura, saúde, segurança social, as liberdades individuais, o papel do indivíduo, os impostos, a segurança, questões das migrações, para só ditar algumas, não interessam nada. O que conta são os casamentos dos homossexuais e as adopções. O facto do autor peruano dizer que, segundo a sua opinião, são medidas que aumentam a liberdade e os direitos humanos faz Cadi reforçar a sua ideia: Liberdade e direitos humanos, logo esquerda. Sim senhor, estou esclarecido.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Entendam-se pá!

Vai na volta o pessoal da especialização de Segurança e Informações da licenciatura de Relações Internacionais do ISCSP ainda arranja emprego. É que com a crescente falta de qualidade dos serviços de informações por esse mundo fora, algumas cabeças vão ter que rolar:

The U.N. nuclear monitoring agency presented documents Monday that diplomats said indicate Iran may have focused on a nuclear weapons program after 2003 — the year that a U.S. intelligence report says such work stopped.

Durão prepara-se para segundo mandato

E já com o apoio dos espanhóis, para além de Portugal, obviamente. Descansem que Durão ainda vem a tempo de ser Presidente da República depois do segundo mandato de Cavaco. Ah, ainda há Guterres pelo meio. E também há altos cargos da ONU para distribuir. Eles lá se decidirão entretanto.

Olha que surpresa

Castro sucede a Castro. Vamos aguardar para ver o que acontece daqui para a frente. Como nota especial deve-se seguir com atenção as decisões e posições que aí virão por parte de Brasil e Estados Unidos da América. Já cheira a transição democrática, seja lá o que isso for.

Terrorismo é uma coisa, estupidez é outra

Acabo de receber um e-mail com um texto do Ricardo Araújo Pereira, que embora publicado na Visão há quase um mês atrás, não deixa de ter a sua piada:

Os serviços secretos de Espanha andam a brincar connosco. Há uns séculos, os espanhóis levaram uns bofetões de uma profissional da indústria da panificação, e não deve passar um dia em que não pensem na vingança. Na semana passada comunicaram-nos que a Al Qaeda ameaça praticar actos terroristas em Portugal. E nós, parvos, acreditámos. Até onde chega a credulidade dos portugueses… Primeiro acreditámos no Sócrates, e agora nos espanhóis. Há que aprender a lição.

Como é evidente, só um terrorista muito estúpido é que vem exercer a profissão para cá. Com a vigilância que existe, hoje em dia, nos aeroportos, os terroristas só podem entrar no País de carro. E vir andar de carro para as nossas estradas
é das decisões mais obtusas que uma pessoa pode tomar. É verdade
que eles são suicidas, mas não exageremos. Vai uma grande diferença entre ser suicida e ser burro.

Por outro lado, os terroristas que tiverem a infeliz ideia de entrar no País terão de construir a bomba cá. Não se faz uma viagem Paquistão-Portugal com um engenho explosivo debaixo do braço. Há que ir a uma loja comprar peças. E é aqui que as chatices começam. «Esta peça, só mandando vir do estrangeiro, chefe. Daqui a duas semanas mete-se o Carnaval, por isso agora só em Março.»

Se o explosivo levar combustível, pior ainda. Eles que vejam o preço a que está a nossa gasolina, a ver se continua a apetecer-lhes rebentar coisas. É muito fácil apanhar terroristas em Portugal. São os tipos de turbante que estão nas bombas da Galp a chorar. Os que lá andam a chorar sem turbante somos nós.

E depois temos as contingências inerentes a uma actividade tão perigosa como é o fabrico de um engenho explosivo. O terrorista corre inúmeros riscos, o maior dos quais é ir parar a um hospital português. Basicamente, o sistema de saúde português oferece-lhe três hipóteses: pode morrer no caminho, pode morrer na sala de espera e pode morrer já dentro do hospital. É certo que o esperam 71 virgens no Paraíso, mas aposto que, para morrer num hospital português, o terrorista fica em lista de espera até as virgens serem septuagenárias, altura em que a virgindade perde muito do seu encanto.

Quando, finalmente, os terroristas conseguem reunir condições para construir a bomba, o prédio que tinham planeado mandar pelos ares já explodiu há dois meses, ou por mau funcionamento da canalização do gás, ou porque o esquentador de quatro ou cinco condóminos está instalado na casa de banho. Portugal pode ser um bom destino turístico, mas para fazer terrorismo não tem condições nenhumas.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Something white, something blue: Kao outra vez

Canal História exibe programa sobre D. Manuel II

Hoje, segunda-feira, é exibido pelo Canal de História, um documentário sobre a vida de D. Manuel II, o Rei Traído.
Contando com a colaboração de D. Duarte, duque de Bragança e dos historiadores Rui Ramos e Mendo de Castro Henriques, tivemos a agradável surpresa de visualizar um trabalho descomplexado e imparcial, talvez uma verdadeira novidade neste Canal por cabo. A não perder.
Canal de História, segunda-feira às 21.00H e terça-feira, durante a manhã e início da tarde.

Ribeiro Telles e a real importância das coisas

Passada uma semana sem qualquer notícia de verdadeiro interesse para o nosso presente e futuro próximo, pensei que não havia notícia verdadeiramente digna de comentário. Habituados à costumeira feira de vulgaridades ou ao omnipresente cheirete da ETAR mediática que desagua à hora do jantar nos telejornais, deverá ter passado quase despercebida, a entrevista de Gonçalo Ribeiro Telles à revista do Notícias (sábado). Muitas vezes discordei do Arquitecto, a maior parte das quais, confesso, por incompreensão e até preconceito. Numa época em que a agricultura e outras formas "tradicionais de viver eram e são consideradas como coisa do passado, o seu discurso soava a quimera votada ao esquecimento. No entanto, décadas passadas, é-me bastante fácil reconhecer o erro crasso, e a tremenda injustiça que para com este homem o país inteiro cometeu.

Primeiramente, há que dizê-lo, G.R.T. será decerto, um dos poucos homens públicos acima de qualquer suspeita, daí o espesso véu de silêncio que sempre o acompanhou ao longo de toda a sua vida política. Telles não interessou a qualquer uma das Situações que viveu. O seu inegável patriotismo e moderníssima visão do porvir a conquistar, tornaram-no incómodo aos Donos do país. Não pactuou jamais com interesses mesquinhos. Denunciou cumplicidades e malfeitorias várias. Não cedeu à simples ambição, desejo de notoriedade e prebendismo fácil que caracteriza a generalidade de quem nos comanda. É um teimoso nas suas certezas e isto é raro, numa época de constante cedência ao interesse do momento. Decerto poderia ter obtido uma audiência muito vasta, mas carregou sempre uma colossal pedra de Sísifo: é monárquico e disso está tão seguro e certo, como da inevitabilidade do reconhecimento da sua posição de salvaguarda do nosso ambiente e património monumental. E nunca cedeu, crime tremendo em Portugal. Nunca cedeu, nem cederá.

Esta entrevista, deveu-se à momentânea ansiedade nacional decorrente do verdadeiro dilúvio, que caindo como praga do Egipto na área da grande Lisboa, fez os rios galgarem margens, transformou insignificantes regatos em poderosas torrentes de lama e, como sempre acontece, arruinou a vida e os parcos haveres de gente pobre e sem esperança.

Telles não se mostra surpreendido e alerta para a constante repetição de fenómenos idênticos e até, de um inevitável agravamento do desastre. Mais do que a mera crítica, explica e propõe as soluções que rapidamente corrigiriam os erros de quase quarenta anos de especulação e caos urbanístico. Já em 1971, dizia na RTP, que as cheias deviam-se "à falta de planeamento, inépcia, ignorância e incompetência". E decorridos tantos anos, a situação piorou terrivelmente.

A Reserva Ecológica Nacional e a Reserva Agrícola Nacional são pelo Arquitecto consideradas, como de uma importância fundamental para a comunidade, preservando o território e a paisagem. Ao mesmo tempo que alerta para o facilitismo do lucro a curto prazo - a especulação, agiotagem, etc -, Telles vinca a necessidade de urgente protecção do litoral e de outras zonas sensíveis.

Num país onde o betonismo se tornou quase em ideologia oficial do regime, a oposição dos autarcas, sempre dependentes das suas clientelas e dos interesses mais escusos das grandes construtoras e empresas afins, levou-o ao longo dos anos, à denúncia de uma situação espúria e que pode ser considerada de crime contra o interesse geral. A construção de muralhas de betão à volta dos antigos centros urbanos, descaracterizou a paisagem, liquidou qualquer resquício de qualidade de vida e ameaçou irremediavelmente a sobrevivência de Portugal, como entidade com características próprias e sui generis. Desta forma, os chamados "interesses inconfessáveis" que tentacularmente tomaram posse de quase todos os organismos vivos do Estado, erigiram G.R.T. como um inimigo a abater.

Acusa em várias direcções, desde a agricultura intensiva explorada por estrangeiros com contornos alegadamente mafiosos, à desastrosa situação de caos que a construção desenfreada e sem valor, trouxe até mesmo ao centro das grandes cidades. Esta entrevista não é parca em denúncias e citação de nomes bem conhecidos da cúpula do sistema e só por isso, valeria a pena lê-la com redobrada atenção, uma vez que facilmente se adivinham os jogos de poder, as cumplicidades nas negociatas que transversalmente atingem todo o espectro político que há décadas - mesmo antes de 1974, diga-se, - controla o país.

Ribeiro Telles é aquilo a que os americanos apodam de bad news para o gangsterismo imperante e todo poderoso. Implícitas nas suas palavras, podemos entender até onde consegue ir o poder que não tendo qualquer necessidade de se ocultar, às claras e diante da sociedade nos vai condenando a uma inglória ruína.

Embora tenha atitudes por vezes incompreensíveis - como o empréstimo do seu prestígio a um partido rémora como é o clube BE -, Telles jamais cedeu, nem cederá no essencial. É que para garantir o futuro, ele vai até ao impossível: propõe um Portugal novo, saudável, limpo e consequentemente, a instauração da Monarquia. A Monarquia de todos nós.

Política na cama

(foto picada daqui)

Discutia eu com uma amiga sobre coisas da vida, relações, namoros e afins, quando argumentei com algo que o meu avô materno me dizia há dias, "que até na cama temos política". Respondeu-me ela que se assim é então existe também muito egoísmo.

Gostei da resposta. Isto pode é ser interpretado de duas formas, i.e., se tudo é política e em tudo há política, então somos todos uma cambada de egoístas; ou, Aristóteles tem razão quando diz que na casa (oikos) não há política, há administração, e portanto não haveria política na cama.

Ainda assim alguns discordam e preferem acreditar que a administração é também uma forma de política, algo em que tenho vindo a pensar com cada vez mais concordância. É porque senão apenas se pode entender a política em pleno estado de democracia, e tal não acontece numa casa, onde quer se queira ou não, há sempre uma dominação, por parte dos pais em relação aos filhos, e de uma das partes em relação à outra (não sendo machista, pois casos não faltam de mulheres que dominam os homens) e ainda assim um casal tem que se entender pois as relações são contratos entre duas pessoas que prosseguem o seu bem estar, tal como os grupos que se organizam na polis para idealmente prosseguir o bem estar colectivo.

Por mim, continuo a achar que as duas interpretações são igualmente válidas, mas prefiro reiterar por um cruzamento entre as duas, em que há política em tudo, até na administração, política como forma de nos relacionarmos percepcionando os outros, de acordo com as nossas crenças, personalidades e feitios, e se assim é, até na cama há política.

Alguns serão egoístas, outros gostarão mais de se esmerar pela cara metade, alguns estarão na cama de alma e coração puros, outros estarão a pensar na(s) ou no(s) amante(s), outros estarão a fazer as pazes (o chamado make up sex), outros há que se servem da cama para obter ou pagar favores políticos, muitos há que frequentemente se servem da cama com segundas intenções, e todo o acto sexual está impregnado de política, de investidas neste ou naquele sentido, de expectativas e desejos de experimentar isto ou aquilo, de conseguir fazer isto ou aquilo, e, em última instância, alcançar o pleno bem estar primário que só o orgasmo pode dar ao ser humano.

Afinal o homem é um animal político por natureza sendo o sexo provavelmente o que mais nos aproxima dos animais, e é como dizia o outro "até as baratas gostam e é só casca"!

Design de casa de banho

Bruno vê lá se gostas. Achas que teria sucesso aí por Brasília?

Choque tecnológico em 2019

Recebido por e-mail.

Cruzamento de dados em 2019:

- Telefonista: Pizza Hot, boa noite!

- Cliente: Boa noite, quero encomendar Pizzas...

- Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?

- Cliente: Sim, o meu Número de Identificação Nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.

- Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. O seu endereço é na Avenida Paes de Barros, 19, Apartamento 11, e o número do seu telefone é o 21 549 42 36, certo? O telefone do seu escritório na Lincoln Seguros, é o 21 574 52 30 e o seu telemóvel é o 96 266 25 66, correcto?

- Cliente: Como é que conseguiu todas essas informações?

- Telefonista: Porque estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.

- Cliente: Ah, sim, é verdade! Quero encomendar duas Pizzas: uma Quatro Queijos e outra Calabresa...

- Telefonista: Talvez não seja boa ideia...

- Cliente: O quê...?

- Telefonista: Consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.

- Cliente: Claro! Tem razão! O que é que sugere?

- Telefonista: Por que é que não experimenta a nossa Pizza Superlight, com Tofu e Rabanetes? O senhor vai adorar!

- Cliente: Como é que sabe que vou adorar?

- Telefonista: O senhor consultou a página "Receitas Gulosas com Soja" da Biblioteca Municipal, no dia 15 de Janeiro, às 14:27 e permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...

- Cliente: Okay, está bem! Mande-me então duas Pizzas tamanho familiar!

- Telefonista: É a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos quatro filhos, pode ter a certeza.

- Cliente: Quanto é?

- Telefonista: São 49,99.

- Cliente: Quer o número do meu Cartão de Crédito?

- Telefonista: Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu Cartão de Crédito foi ultrapassado.

- Cliente: Tudo bem. Posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que chegue a Pizza.

- Telefonista: Duvido que consiga. A sua Conta de Depósito à Ordem está com o saldo negativo.

- Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as Pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?

- Telefonista: Estamos um pouco atrasados. Serão entregues em 45 minutos. Se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas Pizzas na moto, não é lá muito aconselhável. Além de ser perigoso...

- Cliente: Mas que história é essa? Como é que sabe que eu vou de moto?

- Telefonista: Peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga e então, pensei que fosse utilizá-la.

- Cliente: Foooddddddd.......!!!!!!!!!

- Telefonista: Gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado... Não se esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional.

- Cliente: (Silêncio).

- Telefonista: Mais alguma coisa?

- Cliente: Não. É só isso... Não. Espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.

- Telefonista: O regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...

- Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou atirar-me pela janela!!!!!

- Telefonista: E torcer um pé? O senhor mora no rés-do-chão...!

O amor-ódio da alma lusitana

A ler

Israel e os Presidentes Americanos, por Paulo Porto in Fiel Inimigo, sem dúvida um dos melhores e mais lúcidos blogs que andam por aí.