quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Benvenuti

Fomos ao mercado de inverno e contratámos a custo zero duas aquisições de peso. O Jorge Girão, esse grande internacionalista que se torna o membro mais velho deste Estado, embora seja o que tem menos juízo, e o Paulo Soska, que está em breve para nos deixar, partindo em direcção à Eslováquia, e de quem esperamos vir a saber muitas e interessantes histórias sobre o leste europeu.

Contamos agora no nosso departamento de Relações Internacionais com 4 membros, enquanto a Ciência Política continua representada apenas pelo Paulo Cardoso, o "Fabuloso", o que nem por isso joga em desfavor dessa, muito pelo contrário.

Nesta época atarefada para alguns, com frequências e exames à porta, obviamente não poderemos ser tão profícuos, mas como fundador deste Estado cá continuarei sempre em forma.

Pensamentos do dia

Naquele que é o período de definhamento intelectual, vulgo tempo laboral, foram estas as interrogações existencialistas que me foram assombrando o ego:

  • Será que agora Augusto Santos Silva se vai queixar da ingerência do PS no BCP?
  • Será que alguém vai investigar a Licenciatura de Armando Vara de forma tão ávida como a Licenciatura em Engenharia do "nosso 1.º"?
  • Será que os membros do governo vão deixar de nos presentear com pérolas agora que sabem que até nos bares os podemos ouvir?
  • Será que se pode criar uma espécie de ASAE que fiscalize o governo? (e o Diogo Feio?)

Giro giro...

...é estar num bar em Lisboa numa mesa ao lado da do Secretário de Estado da Educação e mais uns quantos excelsos deputados e ouvir "Este Professor Adelino Maltez... não sei o que é que ele tem na cabeça!" e ainda "tem a mania que não dá notas e que a cadeira dele é difícil!"

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Allchupeta

Acabo de assistir ao Prós e contras. Mário Lino ganhou, não meteu água e também não foram muitas as críticas a si dirigidas. A única nota digna de destaque foi a afirmação jocosa do Presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Fernando Costa de que "tal como o ministro da Economia promoveu o Allgarve, também o aeroporto se poderia chamar de Alltreta ou Allchupeta". Que lindo. Até já pode começar a escrever uns textos para o Gato Fedorento.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Mais uma para o anedotário xuxialista

Ora está uma pessoa muito descansada a jantar, ainda à espera do Prós e Contras com Mário Lino, quando aparece o Ministro Augusto Santos Silva a afirmar que o PSD anda a fazer campanha por uma das listas candidatas à liderança do BCP, a de Miguel Cadilhe, que conta com Bagão Félix.

Como é que um ministro de um governo PS tem a coragem de proferir tais afirmações quando na outra lista estão os arautos do xuxialismo Santos Ferreira e o magnífico Armando Vara, esse licenciado em Relações Internacionais pela Independente, também de forma muito duvidosa segundo as más línguas que por aí andam?

O incoformismo para com estas palhaçadas assola-me a alma e só contribui para um crescente sentimento que me há-de levar a fugir deste país.

Inédita foi a reacção de Bagão Félix, respondendo que já não está para aturar estes palhaços, que isto não é política, que política é a procura do bem comum.

Algo vai realmente muito mal quando até um "homem do sistema" já não está para aturar estas coisas.

E lá vamos nós alegremente por esta república em decadência anunciada cuja classe política é composta por homens medíocres pois os aristos já não estão para se chatear e queimar.

domingo, 13 de janeiro de 2008

I was elected to lead, not to read!

Pelo João Miranda do Blasfémias fico a saber que Mário Lino, a respeito da decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, em entrevista ao Expresso declarou que:

Expresso: Já conhecia o estudo há mais tempo. Uma decisão desta importância não se toma de um dia para o outro.

Mário Lino:
A decisão foi tomada no Conselho de Ministros, na quinta-feira. Eu recebi a versão final do estudo na 4ªfeira, pus-me a analisá-la nessa noite e preparei a resolução para levar a Conselho de Ministros no dia seguinte, que a aprovou. Só tive de ler o sumário executivo e está lá clarinho.

Faz-me lembrar o filme dos Simpsons, quando o Presidente dos EUA, que por acaso é Arnold Schwarzenegger, escolhe uma das 5 alternativas que o director da Environmental Protection Agency lhe propõe, sem sequer ler nenhum dos dossiers e ainda afirma: I was elected to lead, not to read!

Mortimer, we're back in business!

Os dias passaram e finalmente já tenho a net completamente funcional!

Alguns factos importantes a assinalar no entretanto, de resto já muito comentados por todos os blogs que por aí andam, nomeadamente, a decisão do governo quanto ao novo aeroporto de Lisboa, que será construído em Alcochete, no campo de tiro que nem é em Alcochete, cujos terrenos se encontram distribuídos entre os concelhos de Benavente e Montijo se não me engano, na zona do Infantado, do depósito militar do exército se a memória não me falha, a uns escassos km do Freeport e bem perto daquele empreendimento turístico que até está ou esteve no centro de um processo judicial, o Ribagolfe. Agora só falta saber onde é que se vai construir o novo campo de tiro, talvez para os lados de Serpa não é Hugo?

Foi bonito assistir à humilhação que Sócrates impôs a Mário Lino, (que por ora ainda se vai paulatinamente mantendo no governo pois isto de provar do poder é inebriante e até perdemos a dignidade e a vergonha na cara mas o que interessa é mantermo-nos no poder como Maquiavel ensinou, não há cá demissões para ninguém, bem na linha dos povos latinos cujos valores de honra e sentido de estado são constantemente deturpados), mostrando-lhe quem manda, colocando-o mesmo ao seu lado durante a conferência de imprensa em que ainda revelou a construção de uma terceira travessia sobre o Tejo (já agora, será que as pontes de Vila Franca e Santarém contam como travessias sobre o Tejo? Não é por nada, mas nestas contas só entram as travessias sobre a foz do Tejo), desta feita uma travessia rodoferroviária entre Chelas e o Barreiro.

Bom em nome da honestidade e sinceridade devo dizer que a imagem que me veio logo à cabeça é a possibilidade de trocas interculturais bastante interessantes entre os "mitras ou chungas" do Barreiro e de Chelas, que vão ainda ver surgir mais uma pista para os seus Fiats Puntos Gts tunados, embora não esteja aqui a emitir nenhum comentário depreciativo acerca dessas duas zonas.

Fiquei a saber pelo meu caríssimo amigo e colega de blog, Paulo Cardoso, que algumas pessoas de Canha, uma freguesia do concelho do Montijo, que até conheço bastante bem pois residi durante 3 anos a escassos 8km dessa, quando entrevistadas sobre a questão da construção do aeroporto em Alcochete, no ínicio desta semana, se prontificaram a afirmar "Acho muito bem que isto aqui não há nada". Ora obviamente isto levanta uma questão interessante: Afinal há ou não há alguma coisa na margem sul? É ou não é um deserto? E será que Mário Lino tinha razão? E outra questão ainda, será que a assessoria de imprensa do senhor ministro anda tão ocupada que não deu por isto? É que foi uma oportunidade de ouro para Mário Lino mostrar que vai na volta até tinha razão.

Enfim, dúvidas existenciais que ficam para outra altura.

Noutra linha, o Dakar foi cancelado. Logo neste ano em que não tenho nada para fazer, enquanto procuro um part-time, não tenho frequências nem exames pois já completei o 1.º semestre durante a minha estada no Brasil, e portanto só regresso às aulas em Março, é que tinham que cancelar o Lisboa-Dakar, cuja partida até é ali bem pertinho do ISCSP, e à qual me preparava para assistir.

Noto apenas que deve ter sido de facto uma razão fortíssima a que levou o governo francês a recomendar o cancelamento da prova, o que não deve ter sido nada fácil para o orgulho e arrogância típica dos franceses.

No BCP e CGD lá se vão sucedendo as trapalhadas, enquanto a nova lei anti-tabaco se tornou numa espécie de caça às bruxas, cujos inquisidores agora até andam a receber treino militar do SIS e de norte-americanos.

De resto, business as usual, enquanto vou passeando pelo ISCSP com o meu caro amigo Paulo, onde vamos voltando à carga como aqueles dois senhores de um filme com Eddie Murphy de que agora não me recordo do título: Mortimer, we're back in business!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Força Portugal

Fiquei a conhecer pelo meu caro amigo e colega de blog Paulo Cardoso o Galeria dos Horrores. Entre os vários horrores encontrei este fantástico:

Ética da responsabilidade

O primeiro-ministro decidiu avançar com a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar. Pessoalmente, concordo com a decisão, não apoio a solução de referendar o Tratado e concordo em absoluto com o Rui A.

O que acho engraçado é o cabeçalho do Público segundo o qual "Sócrates afirma que teria vantagens com referendo mas recusou-o por “ética da responsabilidade”" .

É mais ou menos aquela ética dos déspotas... Porém é de assinalar que parece que o PM anda a ler umas coisinhas de teoria política.

Ainda à espera

Aproveito esta janela de oportunidade em que consegui aceder à rede wireless do ISCSP para dizer que estou ainda à espera da activação final do Zapp, pelo que a partir dessa altura voltarei aos posts com mais frequência.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Chef Isaltino

Ao que parece, Isaltino Morais é assaz conhecido pelos seus dotes culinários (para além das afamadas 'Torres de Miraflores' e de ter um sobrinho taxista na Suiça, que por acaso também é milionário). E de facto o que o torna tão ardiloso e bem sucedido na cozinha, é uma espécie de molho secreto... Nada de surpreendente para aqueles que já se habituaram às mil e uma maravilhas do oculto que de vez em quando se congeminam no caldeirão do autarca...

Porém, depois no passado Fevereiro terem sido os jardineiros os felizes contemplados, agora "foi a vez dos cantoneiros da autarquia saborearem a famosa feijoada à transmontana cozinhada pelo edil", e convém salientar que nem a chuva o demoveu de levar a cabo esta grandiosa empresa.

Quando ouvi esta notícia pelo meu caríssimo Samuel, fiquei confuso, e ingenuamente perguntei-lhe se Isaltino já tinha começado o trabalho comunitário... às vezes posso andar distraído e não me ter apercebido disso, com as frequências à porta...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Ferro de volta

Ferro Rodrigues aconselhou o governo socialista a ter «menos arrogância e mais humildade» ao pedir sacrifícios aos portugueses. É interessante ler uma coisa destas saída da boca de alguém que já demonstrou ter um magnífico dom da palavra, e que tem concomitantemente uma ideia muito particular acerca do Segredo de Justiça.

Estou longe de ser socialista, mas entre arrogantes e personagens de terminologia pouco polida, ainda prefiro os primeiros.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A respeito das presidenciais norte-americanas...

...só tenho pena que Schwarzenegger não esteja na corrida! Mas como esta já é dos Democratas, fica para a próxima amigo exterminador. Asta la vista baby!

E quando isto está mesmo a chegar ao ridículo...

...vamos jogar Medieval II: Kingdoms, que nos transporta para essa época quando os absolutistas, liberais, comunistas, nacionalistas e afins ainda não tinham aparecido e os Santos, Agostinho e Tomás de Aquino, dominavam a doutrina política.


Lembrei-me agora...

Há uns dias li algures um entediante post sobre a febre consumista que se assoma dos portugueses na época natalícia.

Parece-me que se vai tornando cliché falar mal deste espírito consumista, desde o universitário pseudo-intelectual, à adolescente/pré-adulta deprimida e em crise existencial, até aos mais diversos intelectuais e colunistas da nossa praça, tantos são os que se dedicam a criticar nos mesmos moldes esta questão.

O que eu me pergunto é, será que todos os que criticam essa febre consumista não se deixam atingir pela mesma? É que a ver pelos recordes de compras que todos os anos são atingidos por esta altura...Deixem-se de falsos moralismos e hipocrisias.

Parece que já estou a ver...

...a ASAE a correr aí atrás do pessoal e a encerrar cafés, restaurantes e bares porque ou não têm os dísticos ou os equipamentos de extracção de fumo não são os adequados, embora também ninguém saiba muito bem quais são os equipamentos adequados.

No meio disto tudo, obviamente concordo com esta lei. De facto, algo que notei em Brasília foi que muito pouca gente fumava em restaurantes, bares e discotecas. O ar era agradável. O mesmo não se podia dizer dos espaços da capital portuguesa.

Concordo na medida em que não sou obrigado a levar com o fumo de outros quando ainda estou a apreciar o meu repasto. Não sou obrigado a levar com o fumo dos outros quando estou a dançar numa discoteca, com a agravante de nessa situação os pulmões se tornarem mais permeáveis à inalação de fumo de tabaco.

Como tal, parece-me que não são os não fumadores que têm que se adaptar aos fumadores, de acordo com o bom senso.

Não sou é fundamentalista. Portanto se os espaços podem ser adaptados a fumadores e não fumadores, com equipamentos para extracção de fumo, assim seja.

No Foxtrot também se pode fumar

Decidi aqui fazer uma pequena publicidade a um dos melhores, senão mesmo o melhor, bar da noite lisboeta, na minha humilde opinião, como é óbvio, ao qual acorri logo na primeira noite que passei em Lisboa após o regresso de Brasília.

Trata-se de um dos marcos da capital, um dos mais antigos espaços nocturnos lisboetas, o Foxtrot do simpático Sr. Joaquim.

Embora não seja fumador, serve este post para informar que também no Foxtrot foi criada uma salinha para fumadores.

On-line

Hoje é um dia tão bom como qualquer outro. Mas hoje é um dia especial. No meu pequeno e aconchegador quarto em Lisboa, estou agora finalmente em pleno contacto com todo o mundo.

Aqui tenho todos os meus livros e papelada, cds e dvds, televisão, tv cabo, o desktop, o portátil, a mesa de mistura e os headphones, em suma, tudo aquilo que me ocupa o tempo quando estou em casa.

Mas a partir de hoje, finalmente, tenho agora também uma ligação à internet. Assim me torno noutro exemplo paradigmático destes novos tempos da globalização em que o contacto virtual vai substituindo o contacto real, com a benesse de a partir de qualquer ponto do globo podermos estar sempre a par do que se passa do outro lado do mundo.

Não sei se ria, não sei se chore (2)

Retomamos a actividade bloggeira neste novo ano, com um post que já havia escrito em 28/12/2007, embora só agora tenha tido oportunidade de o colocar no blog:

Depois de ter constatado que “É irónico e hilariante ver comunistas e nacionalistas de extrema-direita a protestar contra um suposto centro-esquerda, que eventualmente até poderia ser o centro-direita, reclamando por liberdade”, eis que se nos apresenta outra situação digna de riso...ou choro.

Em pleno descalabro do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira sai da Caixa Geral de Depósitos para ir formar uma nova equipa na direcção do BCP, que até parece contar com o apoio dos maiores accionistas, como Joe Berardo, Fernando Ulrich ou os grupos de holandeses e espanhóis.

Ora, logo começaram a surgir nomes para assumir o cargo deixado vago por Carlos Santos Ferreira na CGD, e aqui começa o descalabro. Depois de Menezes se ter manifestado em prol da nomeação de uma pessoa ligada ao PSD para a administração do banco estatal, logo o vice-presidente do PSD, Rui Gomes da Silva, se envolveu numa disputa verbal com o Ministro Pedro Silva Pereira, numa demonstração daquilo que os partidos do centrão não devem fazer, isto é, lavar a roupa suja na praça pública, quebrando o pacto tácito estabelecido entre os dois, para se irem alternando nos cargos mais importantes do Estado sem grandes sobressaltos.

Para além de ridículo, só se prejudicam, descredibilizando-se mutuamente aos olhos da nação, pelas acusações de cada qual andar a meter cunhas em público ou em privado.

É que nem interessa o mérito, ou se alguém possui as capacidades para liderar a CGD, o que é realmente importante é a filiação partidária, neste Portugal dos pequeninos com a mania das grandezas.

PS e PSD assomaram-se do sistema estatal, partidarizando o que não deve ser partidarizado, julgando-se donos do poder, de tal forma, que já nem têm vergonha na cara, prestando-se a humilhações públicas que se tornam ainda mais humilhantes quando a nação já nem com isso se importa, essa que vai perdendo a esperança neste regime chamado de abrilista.

É quando estas atitudes infantis e ridículas se começam a tornar cada vez mais frequentes que sabemos que o regime está a precisar de um abanão. Já chegámos ao fundo do poço. Agora alguns decidiram começar a escavar...

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Balanço de 2007

Como todos os blogs, temos também que efectuar um balanço do que foi este ano para o Estado Sentido.


Tendo sido fundado em Outubro de 2007, tivemos até agora cerca de 1700 visitas e 3000 page views, embora se devam considerar as visitas dos autores do blog.

Não vou entrar em nomeações quanto aos “melhores blogs”, até porque já há demasiadas confusões por aí quanto a isso. “Melhor” pode ser muita coisa, sendo algo extremamente subjectivo, pelo que são por demais infantis certas atitudes que se vêem por aí de indivíduos que se chateiam e insurgem contra esta ou aquela nomeação ou premiação.

Quero apenas agradecer a todos os leitores e bloggers o seu reconhecimento, na esperança de que nos continuem a visitar, e que o Estado Sentido se mantenha do vosso agrado.

Deixando aos mesmos votos de um Feliz Natal e um óptimo Ano Novo, quero mandar um abraço especial a todos os que de alguma forma a nós se referiram: A Arte da Fuga, Claudio Téllez, Combustões, Corta Fitas, Hoje há Conquilhas, Memória Virtual, O Andarilho, O Diplomata, O Insurgente, Oeiras Local, Politicopata, Portugal Contemporâneo, Rosa Mármore, Sobre o Tempo que Passa, Fórum Democracia Real, e ainda de forma mais especial, aos amigos Coliseu (que brevemente actualizaremos), Nostrum Tempus, Fragmentada, O Governo dos Satirocratas, Aqui entre Nós e Ego Confession.

Expresso um sentido agradecimento a todos. Que possamos prosseguir, na esteira de saber que nada sabemos, que muito mais há para aprendermos, pelo que assim nos comprometemos a continuar e a melhorar.

E agora regressado dessa estada temporária por Brasília, deixo aqui algumas fotografias tiradas com o Bruno, ainda na madrugada do dia 23, dessa magnífica obra de Niemeyer, em especial a Esplanada dos Ministérios, a Catedral e a Praça dos Três Poderes:

Torre da TV

Catedral

Esplanada dos Ministérios

Praça dos Três Poderes e Anexo do Congresso

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Bom Natal

Já em Portugal, deixo aqui o desejo de um Bom Natal a todos os leitores e bloggers que por aí andam.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A 29 horas de Portugal

Faltam sensivelmente 20 horas para o meu vôo, e 29 para chegar a Portugal. Este será um dos últimos posts a partir de Brasília, senão mesmo o último.

Finalmente acabou o semestre, consegui até fazer o trabalho de Política Comparada, tendo passado a noite de quarta para quinta-feira em claro, com 3 mulheres brasileiras...a fazer o trabalho é claro.

Arrumo o gabinete, despeço-me das pessoas, vou até casa acabar de fazer as malas. Hoje ainda irei com o Bruno tirar fotografias à esplanada dos Ministérios, lindíssima com a iluminação de Natal.

Nesta contagem decrescente vou-me mentalizando para enfrentar o frio que por aí paira...Domingo ou Segunda-feira voltarei a escrever. Foi bom. Pena que tudo o que é bom sempre acaba.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Direitos Humanos na Nova Ordem Mundial

A ONU aprovou uma resolução que apela a uma moratória quanto à aplicação da pena de morte, que "não é legalmente vinculativa mas tem peso moral e reflecte a maioria dos pontos de vista à escala mundial, declara que o recurso à pena de morte «atinge a dignidade humana», enquanto uma moratória «contribui para o engrandecimento e desenvolvimento progressivo dos direitos humanos».

Na tradição tripartida de análise das Relações Internacionais da Escola Inglesa é de salientar o carácter fortemente solidarista, grociano e tendencialmente kantiano, que uma tal resolução implica, mas também mais uma vez o carácter realista da política internacional ao verificar-se que "A votação registou o facto insólito de os Estados Unidos aparecerem alinhados com países como o Irão, a China ou Síria na oposição à resolução - e contra os seus habituais aliados europeus."

Por mim, prefiro continuar a socorrer-me dos ensinamentos de Barry Buzan, professor da LSE, ao estabelecer como ameaçadora da ordem no sistema internacional a questão dos direitos humanos, cuja explicação se centra em dois argumentos: a falta de concordância entre os Estados quanto ao que são direitos humanos, i. e., não há acordo quanto ao que é passível de constituir direitos humanos universalmente reconhecidos, defendidos e protegidos (o que está relacionado com uma questão eminentemente cultural que mais abaixo explicarei); e se levada a um extremo, pode-se constituir uma grave ameaça à ordem internacional, na medida em que se eventualmente algum dia se estabelecer um acordo entre todos os Estados quanto ao que são direitos humanos, isso legitimará violações ao princípio da não-intervenção nos assuntos domésticos dos Estados, ou seja, uma violação de qualquer princípio de tal acordo é passível de constituir uma intervenção por parte da chamada comunidade internacional.

Alguns poderão arguir que isso não será problemático. Neste campo, prefiro dar razão a Huntington e ao seu Choque de Civilizações assente na questão da unidade/disparidade cultural.

Os países do Ocidente possuem algum grau de unidade quanto ao que definem como direitos humanos, o que se reflecte nas adopções de tais prerrogativas pelos seus sistemas jurídicos. Porém, que legitimidade tem o Ocidente de intervir em casos que à luz dos seus valores são violações aos direitos humanos, mas para sociedades como a islâmica e a muçulmana, são parte da sua própria cultura?

Além do mais, se algum dia se chegasse a um ponto tal de acordo, efectivamente regulado pelo Direito Internacional Público, seria legítimo para qualquer país poder intervir noutro que considere ter desrespeitado os princípios de tal acordo.

Recordam-se das invasões do Afeganistão e Iraque, hoje consideradas como tendo uma grave falta de legitimidade? De acordo com tais princípios, a bullshit norte-americana quanto à libertação das populações do jugo de um qualquer ditador que promove atentados aos seus direitos humanos (aprenderam com Napoleão que um invasor tem que afirmar sempre que vai libertar), seria mais do que suficiente para legitimar acções do género.

Estamos a forçar demasiado a barra. Falta bom senso, menos radicalismo, e um equilíbro que permita um progresso e evolução tácita onde valores das diversas culturas e civilizações possam, de uma forma bem em consonância com a corrente construtivista, co-construir-se e adaptar-se.

Inteligência Mínima Nacional para exercer política

Ainda no seguimento das declarações da JP, fico a saber pelo Tomás Vasques, que o Irmão Lúcia considera que deveria ocorrer "a implementação de uma inteligência mínima nacional para exercer política".

Pese o tom humorístico que o Irmão Lúcia confere a esta consideração, devo dizer que estou totalmente de acordo. Aliás, penso até que nunca estive tão de acordo com qualquer outra ideia.

A civilização grega funcionava exactamente sob esse pressuposto. É das poucas coisas em que sou realmente platónico, considerando a ideal distinção entre almas de ouro, prata e bronze, e o sistema de mobilidade social assente na verdadeira meritocracia, onde só os detentores da ciência da polis possuem virtudes e capacidades para exercer cargos públicos e governar, que lhes são inegavelmente reconhecidas pelo povo.

Elitista? Talvez. Realista? Mais ainda! Fazem falta políticos dignos dessa adjectivação, e não é só em Portugal, como alerta o Miguel Castello-Branco: "Onde estão na Europa verdadeiros ministros e grandes senhores como Disraeli, Gladstone, Salisbury, Churchill, Briand, Schuman, Chaban-Delmas, Cavour, Orlando, De Gasperi, Aldo Moro, Cánovas del Castillo, Sagasta e Romanones, esses verdadeiros profissionais da política com biblioteca montada em casa ?"

JP e o Salário Minímo Nacional

Neste marasmo desértico de ideias que Portugal vai atravessando, aplaudo a Juventude Popular ao considerar que o Salário Minímo Nacional atrasa a Economia.

Atenção, não quero com isto dizer que estou de acordo. Mas aplaudo pelo facto de serem atitudes como esta que fomentam debates realmente interessantes para o futuro do país. E ressalvo ainda a atitude, tendo em conta o trabalho a que se deram para fundamentar teoricamente esta posição.

Para os que se querem degladiar sobre se o estabelecimento de um SMN realmente atrasa a economia, deixo à consideração os argumentos do Daniel Oliveira, do João Miranda (destacando-se o post "Desafios fáceis"), do AMN, e do Insurgente.

Sim, os três últimos são considerados liberais e/ou de direita. Obviamente calculo que os leitores percebem qual a minha inclinação em relação a este assunto.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

The top 10 stories you missed in 2007

Na Foreign Policy, The top 10 stories you missed in 2007, desde o mentor de Bin Laden que denunciou a Al-Qaeda, passando pelos robots norte-americanos que tomaram o teatro de operações no Iraque, aos 77000 cubanos que atravessaram a fronteira para os Estados Unidos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Hoje tive uma epifania

Estava eu, após 3 horas de sono, a finalizar um ensaio teórico sobre a noção da unidade cultural na expansão da sociedade internacional, na perspectiva da Escola Inglesa de Teoria das Relações Internacionais, quando de repente me surgiu de forma clarividente, quase que como uma revelação divina, o propósito escondido quanto à elaboração desse mesmo ensaio.

Sendo a minha ideia inicial confrontar as perspectivas da Escola Inglesa com as de Huntington e Fukuyama, acabei por me aperceber que teria que colocar de lado essa contraposição, quando ao analisar o foco e conjunto do ensaio, decidi partir para a elaboração de um modelo teórico de análise quanto ao peso relativo do elemento cultural e do elemento funcional/contratual, no surgimento e evolução de diversos tipos de sistemas de estados.

A seu tempo aqui deixarei ou o ensaio, ou o essencial a reter, até porque partindo da ideia de que "só sei que nada sei", resta agora saber o que a Professora achará desse arrojo.

Falta apenas um trabalho, em que à minha pessoa compete descrever os processos de transição democrática em Portugal e Espanha.

Peço desculpa pela pouca actividade do blog nos últimos dias, fruto deste final de semestre atribulado.

Razões da dificuldade de integração na América do Sul

(Este breve ensaio foi realizado para a disciplina de Tópicos de Política Internacional da Universidade de Brasília, e encontra-se também publicado em Nostrum Symposium)

Este breve ensaio, fruto de uma reflexão pessoal e percepção que poderá até não ser a mais correcta, tem como mote aferir sobre as dificuldades de integração na América do Sul, especialmente quanto ao Mercosul. Procurar-se-á explicar o porquê das dificuldades do Mercosul tendo como referência o processo de integração europeu, partindo de uma razão ou hipótese central, embora se considerem outras determinantes que dessa decorrem.

Antes de mais importa fazer uma breve introdução e contextualização da origem e virtudes do Mercosul. Sendo um processo que tem como principais actores o Brasil e a Argentina, que souberam ultrapassar as rivalidades típicas entre os dois países, especialmente a partir do meio dos anos 80, em virtude dos problemas comuns em relação à questão da crise da dívida externa, o Mercosul foi criado em 1991, e até 1994 tornou-se uma união aduaneira, embora imperfeita, devido às excepções que os países colocam quanto à importação e exportação de determinados produtos, tendo ainda adoptado a Tarifa Externa Comum (TEC).

O seu apogeu ocorreu entre 1994/95 e 1998/99, período marcado por uma crescente interdependência entre os membros do bloco, e pela conformação de um crescente poder de barganha desses, passando o Mercosul a actuar como bloco em diversos momentos e instâncias, o que constitui o seu principal propósito à epóca da sua formação, isto é, o capacitar os países envolvidos para o jogo da globalização, conferindo-lhes em bloco uma maior capacidade de influência no sistema internacional.

No plano bilateral, durante este período Argentina e Brasil passaram a conhecer-se, a consultar-se, vivendo-se um momento extraordinário de convergência política, marcada ainda por intercâmbios estudantis, académicos, culturais e científicos, sendo ainda extremamente importante salientar, no plano económico, a manutenção de políticas cambiais fixas entre os dois países.

Porém, a partir de 1999, o processo de integração padeceu de um aumento dos conflitos comerciais, em virtude das assimetrias entre os países, pelo que passou a imperar um clima de desconfiança entre os membros. Com a desvalorização do Real o processo entrou num declínio acentuado, o que impôs uma conjuntura desfarovável em que problemas essencialmente estruturais e institucionais, conjugados com a ausência de resultados mais concretos, começaram a evidenciar a natureza problemática do processo de integração.

Embora a acção externa do Brasil tenha como um dos eixos prioritários o aprofundar do processo de integração mercosulino, como se pode aferir pelo discurso de tomada de posse do Presidente Lula em 2003, ao tentar relançar o processo através de um discurso de prioritização da acção na região da América do Sul, essa visão foi atenuada a partir de 2004, com o surgimento de governantes como Morales na Bolívia, Correa no Equador, e Chávez na Venezuela, para com os quais o Brasil teve que se tornar algo indulgente e generoso, embora a visão de integração regional desses governantes seja calcada no ideal bolivariano, o que obviamente não acontece no caso do Brasil.

Desta forma o processo entrou numa espécie de “congelamento”, que muitos discutem se poderá, ou não, ser relançado com a institucionalização do Parlamento do Mercosul, em que a questão da adesão da Venezuela ao Mercosul se tornou o principal ponto da agenda nos últimos anos.

A razão central deste pequeno ensaio tem como referência o processo de integração europeu, pelo que sendo dois projectos de integração com uma natureza extremamente diferente, não são passíveis de comparação, como muitos políticos da América do Sul tentam fazer, mas sem dúvida que se podem retirar lições colocando ambos em perspectiva.

O processo de integração europeu surge num contexto de pós-guerra, com uma visão ideal de criação de uma zona europeia de paz, cuja grande virtude foi a despolitização do processo, assentando essencialmente em questões técnicas, de carácter económico e produtivo, que foi desenvolvendo gradualmente uma maior aproximação entre os povos, através de intercâmbios culturais e académicos, mas especialmente com a livre circulação de pessoas, capitais e bens, e ainda com a adopção de uma moeda única.

Aliás, se há algo que serve de lição são os últimos anos em que a questão da Constituição Europeia se tornou tema central da agenda europeia, mostrando como os povos europeus não estão ainda preparados para aprofundar a integração no que diz respeito a assuntos de carácter essencialmente político, ao contrário do que Valérie Giscard d’Éstaing pensava, sendo ainda de particular importância actualmente a questão do défice de legitimidade democrática, agravada recentemente com a questão da aprovação do Tratado de Lisboa, baseado no anterior Tratado Constitucional, por via parlamentar ou referendária.

A lição a retirar é essencialmente a de que num processo inédito de integração entre países, o mais aperfeiçoado até hoje, questões de carácter político são passíveis de gerar crises e conflitos, seja entre países, seja entre governantes e governados, pelo que não se deverá tentar forçar de cima para baixo o processo de integração em questões de carácter político, até porque grandes questões do processo de integração euopeu, especialmente relacionadas com a área económica, de índole produtiva, comercial e de desenvolvimento, ou a área académica e científica, e até a área de segurança e defesa, possuem ainda demasiadas variáveis que têm de ser acauteladas, padecendo de um processo de aprofundamento.

Do acima exposto retiro o argumento que me parece ser central na explicação do declinío do Mercosul, o facto de a integração ser efectuada com um carácter extremamente politizado, como demonstra a questão da adesão da Venezuela, em que a Chávez e ao partido do Presidente Lula (Partido dos Trabalhadores) pouco importava que no final de Outubro deste ano (2007), 169 das 783 normas do cronograma de adesão ao Mercosul padecessem de uma indicação de prazo previsto para adopção, o que é particularmente grave se tivermos em conta a recente aprovação da adesão da Venezuela.

Desta forma parece-me que um processo de integração deve ser realizado de forma essencialmente despolitizada, com rigor economicista e técnico, o que não tem sido o caso do Mercosul nos últimos anos, e que no caso da União Europeia tem contribuído para um aproximar entre os povos que, embora para os que residem na Europa não seja assim tão evidente, torna-se claro quando no exterior, quando se defendem os interesses europeus em bloco, ou mesmo a nível do indíviduo, quando fora da Europa, como foi o meu caso durante este intercâmbio, se define por oposição ao “outro”, dando mais relevo à questão da pertença à Europa, da cidadania europeia, da identidade partilhada com outros europeus com quem se tem contacto no exterior, do que daria normalmente enquanto residente em Portugal.

Decorrente deste argumento, encontram-se outras questões que contribuem para entender o tema em análise.

Em primeiro lugar, pese a concretização da união aduaneira do Mercosul, embora de forma imperfeita como já referido, e a adopção da TEC, as economias de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai são pouco complementares. De facto, Uruguai e Paraguai pagam um altíssimo preço pela sua inserção no Mercosul, já que a economia paraguaia se baseia em grande parte em sectores ilegais, como produção de droga ou contrabando de produtos como álcool, enquanto o Uruguai por seu lado possui uma economia altamente especializada em produtos agrícolas, cujas ambições são geralmente frustradas por Brasil e Argentina, demonstrando que não ocorreu um processo de integração do sistema produtivo, como vem acontecendo no caso europeu, mas sim apenas de índole comercial.

Em segundo lugar, como decorre dessa questão, o peso relativo de cada país no processo de integração é extremamente díspar, o que causa problemas no processo decisório, se tivermos em conta que o Paraguai e Uruguai não têm como competir com Argentina e Brasil, e até mesmo a Argentina possui pouco peso em relação ao Brasil, se considerarmos, a título de exemplo, que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino corresponde aproximadamente ao de São Paulo, que constitui cerca de um terço do PIB brasileiro.

Desta forma surge um claro entrave ao processo de aprofundamento do Mercosul, fruto de visões díspares desse, que é o facto de o Brasil, na minha percepção, ter dificuldade em delegar competências para instâncias supranacionais, até porque verá reduzido o seu campo de manobra, influência e autonomia em termos de política externa, o que é naturalmente justificável pela sua dimensão em termos geográficos, económicos e políticos, que lhe permite ter uma posição de influência considerável na política internacional.

Como conclusão resta constatar que, curiosamente, este argumento central possui uma base teórica marxista, mostrando como a infraestrutura económica condiciona a superestrutura política, ou como diria a poetisa e ex-deputada portuguesa, Natália Correia, “A verba comanda o verbo”, o que não deixa de ser irónico se tivermos em conta que, principalmente os países da União Europeia a 15, foram contra a expansão do comunismo, enquanto na América Latina e do Sul ainda hoje grande parte dos governantes, tal como no caso do Brasil, possuem um discurso de índole marxista.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Raio dos putos

Depois dos apupos no Parlamento Europeu, dos quais o PM saiu, digamos assim, "airosamente", até porque isto de ser contra o a aprovação do tratado por via parlamentar parece que é ser anti-europeísta, então não é que agora vem aquela guerrilha dos meninos demagogos que se tentam disfarçar de esquerda chic, e que acham que Mário Soares é o maior politólogo português, contrariar as orientações da magnificente cartilha de dirigentes socialistas?

Os dirigentes socialistas por esta hora deverão andar a questionar-se sobre o que é feito da disciplina de voto e do respeito à hierarquia! Mau mau, que isto assim não é porreiro pá!

Lembro-me agora, que já o meu grande amigo e colega de blog, Paulo Cardoso, me havia dito há uns tempos que a JS é em muito diferente do PS, constituindo muitas vezes uma oposição interna às directivas das altas instâncias do PS. Resta saber se neste caso isso é mesmo verdade ou se é só para serem falados nos jornais e televisões.

Estado Sentido em Memória Virtual

Um abraço ao Leonel Vicente que passou em revista a Blogosfera em 2007, onde incluiu o Estado Sentido.