quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Agradecimentos blogosféricos (10)

Desconhecia a existência deste selo do Nós por cá, com que o Rosamármore decidiu agraciar o Estado Sentido, o que muito nos honra.


"O regulamento:

Eis os parâmetros inerentes à condição:

1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que consideras serem bons,entende-se como bom os blogs que costumas visitar regularmente e onde deixas comentários.

2. Só e somente se recebeste o prémio “Diz que até não é um mau blog”, deves escrever um post:

- Indicando a pessoa que te deu o prémio com um link para o respectivo blog;
- A tag do prémio;
-as regras;
- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio.

3. Deves exibir orgulhosamente a tag do prémio no teu blog, de preferência com um link para o post em que falas dele."

A escolha do Estado Sentido:

Combustões (Um grande abraço ao Miguel Castelo-Branco)

O Andarilho

Portugal Contemporâneo

Politicopata

Corta-Fitas

O Insurgente

Marretas

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Estou a falar exactamente do que estou a falar

«Estou a falar exactamente do que estou a falar» diz Menezes. Bonito, mas ainda perde para o mítico «o senhor sabe, que eu sei, que o senhor sabe que eu sei».

Hasta la revolución...ou non...

Como o agenda setting (pelo menos da blogosfera) parece ter colocado a Venezuela no centro da agenda, e colocado em stand-by questões como o Irão ou o tímido regresso do discurso da guerra fria por parte de Moscovo, lá terei também que dizer alguma coisa. Porém devo assinalar que esta questão está cada vez mais a “encher-me o saco” como dizem por aqui, pois como devem imaginar, no Brasil não se fala de outra coisa, nos jornais, nas universidades, nos cafés.

Um professor da UnB há tempos dizia que achava que Chávez teria optado por sair da Comunidade Andina e aderir ao Mercosul para causar instabilidade tanto num bloco como no outro. Porém, analisando o discurso e tomadas de decisão de Chávez, os seus movimentos são erráticos e muitas vezes imprevisíveis, portanto até onde irá a sua inteligência para uma manobra política de tal envergadura?

Quanto à questão do referendo direi apenas que concordo com o Rodrigo Moita de Deus:

“Um chefe de estado com a tropa na rua, o aparelho eleitoral na mão e a fama de ditador só perde uma votação se for nabo ou se quiser.”

Esta questão deixa também no ar uma certa teoria da conspiração, que até seria bem possível, visto que ao “deixar” que o “Não” ganhasse, Chávez estaria a legitimar perante o mundo o sistema democrático que impera na Venezuela. E lá que é democrático é. É uma democracia eleitoral, tal como definida por Larry Diamond. Não é uma democracia liberal, sendo o liberal aqui na acepção teórica da defesa das liberdades, direitos e garantias individuais, tendo ainda em linha de conta a competição livre e justa entre líderes e facções políticas. Mas, mais uma vez, até onde irá a inteligência de Chávez para uma tal manobra política?

A Venezuela é um dos principais exportadores de petróleo do mundo, o que a torna extremamente importante. Porém, a liderança regional é exercida ao norte por Estados Unidos, e ao sul pelo Brasil, que apesar de alguns momentos de relações mais ténues, sempre foram grandes parceiros.

Sabendo que Brasil e Estados Unidos desde há muito são parceiros estratégicos quanto à América Latina, não será difícil imaginar que estarão muito atentos ao que se vai passando na Venezuela. E como dizia um Professor ainda ontem, o que é positivo em perspectivar estes regimes que seguem na onda reversa à terceira onda de democratização, é saber-se que um dia vão acabar, por vezes mais cedo do que se pensa.

Chávez é uma pedra nos sapatos do Brasil e Estados Unidos, que mais tarde ou mais cedo descalçarão o sapato para retirar a pedra incomodativa. Nem chega a ser uma pedra tão grande como Fidel.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A vontade do povo em Schumpeter

Tive a oportunidade de ler uma diminuta parte da obra de Joseph Schumpeter, “Capitalismo, Socialismo e Democracia”. Irei brevemente elaborar um pequeno ensaio sobre o que é a Democracia hoje, com base nas acepções de Schumpeter, Dahl, Rustow, Huntington, Larry Diamond. Para já deixo uma pequena passagem de Schumpeter que achei simplesmente genial, de uma obra que é classificada como brilhante:

"O cidadão típico, por conseguinte, desce para um nível inferior de rendimento mental logo que entra no campo político. Argumenta e analise de uma maneira que ele mesmo imediatamente reconheceria como infantil na sua esfera de interesses reais. Torna-se primitivo novamente. O seu pensamento assume o carácter puramente associativo e afectivo. E isto acarreta duas outras consequências de sombria significação.

Em primeiro lugar, mesmo que não houvesse grupos políticos tentando influenciá-lo, o cidadão típico tenderia na esfera política a ceder a preconceitos ou impulsos irracionais ou extra-racionais. A fraqueza do processo racional que ele aplica à política e a ausência real de controle lógico sobre os resultados seriam bastantes para explicar esse facto. Ademais, simplesmente porque não está interessado, ele relaxará também seus padrões morais habituais e, ocasionalmente, cederá à influência de impulsos obscuros, que as condições da sua vida privada ajudam a reprimir. Mas, no que tange à sabedoria e racionalidade de suas inferências e conclusões, seria igualmente mal se ele explodisse em manifestações de generosa indignação. Nesta última hipótese, tornar-se-á ainda mais difícil para ele ver as coisas nas suas proporções correctas ou mesmo ver mais de um único aspecto da questão de cada vez. Daí se deduz que, se emergir de sua incerteza habitual e revelar a vontade definida e postulada pela doutrina clássica da democracia, ele se tornará ainda mais obtuso e irresponsável do que habitualmente. Em certas circunstâncias, isto poderá ser fatal para a nação.

Em segundo, contudo, quanto mais débil o elemento lógico nos processos da mentalidade colectiva e mais completa a ausência de crítica racional e de influência racionalizadora da experiência e responsabilidade pessoal, maiores serão as oportunidades de um grupo que queira explorá-las. Tais grupos podem consistir de políticos profissionais, expoentes de interesses económicos, idealistas de um tipo ou outro, ou de pessoas simplesmente interessadas em montar e dirigir espectáculos políticos. A sociologia desses grupos não tem importância para o nosso argumento. I importante é que, sendo a natureza humana na política aquilo que sabemos, tais grupos podem modelar e, dentro de limites muito largos, até mesmo criar a vontade do povo.
Na análise dos processos políticos, por conseguinte, descobrimos não uma vontade genuína, mas artificialmente fabricada. E amiúde, esse produto é o que realmente corresponde à volonté générale da doutrina clássica. E, na medida que assim é, a vontade do povo é o resultado e não a causa primeira do processo político."

Assinalável

A criação do Instituto Democracia Portuguesa, o think tank monárquico Somos Portugueses, o Fórum da Democracia Real e o Causa Monárquica.

Afinal parece que ainda não está tudo perdido no que diz respeito à Causa Monárquica.

Agradeço ainda ao David Garcia a menção no Fórum da Democracia Real ao post "Uma monarquia para Portugal?".

Deve a Galp explorar petróleo na Venezuela?

O inquérito "Deve a Galp explorar petróleo na Venezuela?" contou com 20 votos que se distribuíram da seguinte forma:

Sim: 10
Sim, quero lá saber se o Chávez é ditador ou comuna: 5
Não: 2
Não, porque o Chávez é comuna: 1
Não, porque o Chávez é um ditador: 2

Na minha opinião, pese a argumentação de Chávez no que concerne à comunidade de portugueses na Venezuela, passível de instrumentalização no que diz respeito à capacidade de negociação, pelo que Portugal terá que agir sempre com muita cautela em relação a Chávez, será uma mais valia para a Galp e para Portugal que essa venha a explorar petróleo na Venezuela. Valorações como a adjectivação de "ditador" ou "comuna" não podem entrar num cálculo pragmático e realista neste tipo de matérias.

Obrigado a todos os que participaram da votação.

Agradecimentos blogosféricos (9)

Desta feita ao Claudio Téllez, que mantém um dos melhores blogs sobre Relações Internacionais na actual blogosfera.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Portugal e a Restauração

Outra forma de comemorar este 1º de Dezembro, um dia atrasado numa luta que afinal durou 28 anos, sem óculos de sol, motas e cavalinhos nos Restauradores.

O trono português havia sido ocupado por Filipe II de Espanha, em 1580, tendo Portugal estado sobre domínio Espanhol até 1640, o que levou a uma subalternização dos interesses externos portugueses face aos espanhóis. Para as questões relativas à política externa, Borges de Macedo considera três períodos distintos na evolução do domínio espanhol em Portugal: 1 – ilusão sobre as vantagens económicas da união ibérica; 2 – impossibilidade de interferência de Portugal na vida política espanhola; 3 – processo de preparação da independência.

Ainda segundo Borges de Macedo, na evolução para a reconquista da independência, primeiro foi preciso substituir a doutrina acerca da legitimidade do poder assente apenas na hereditariedade e substituí-la pelo conceito de realeza como um serviço nacional. Durante os séculos XVI e XVIII e particularmente durante a Guerra dos 30 anos, a Espanha levava a efeito uma política de intervenção generalizada, enquanto Portugal tinha interesses claramente sectoriais.

Com o desencadear da guerra aberta entre Espanha e França em 1635, o caso português passa a merecer especial atenção de Richelieu, que procurava enfraquecer a unidade hispânica, e é assim que, aquando da Restauração, D. João IV tem de procurar na França, o principal inimigo da Espanha, o apoio necessário para consolidar a sua realeza, pois a Inglaterra vivia o conflito entre realistas e parlamentaristas.

Se, no acto de assinatura do Tratado de Vestefália, Portugal foi oficialmente afastado para não se reconhecer a sua independência face à Espanha, Portugal logo tomou consciência que a melhor forma de lutar contra essa política de isolamento era aproveitar as virtualidades estratégicas do seu potencial geográfico e económico, tendo-se por isso procurado conjugar interesses com a Grã-Bretanha, procurando entrar em contacto com Cromwell mas sem qualquer quebra de dignidade política. De facto, se se procurou primeiro alcançar um liga formal com a França, as posições dúbias tomadas por Richelieu e Mazarino que culminaram em 1659 com a assinatura do Tratado dos Pirinéus entre a França e a Espanha, com a não inclusão de Portugal nas suas condições, vieram demonstrar a necessidade de exploração das possibilidades de apoio efectivo por parte da Grã-Bretanha, que foi habilmente conduzida pela diplomacia da Restauração e que se consubstanciou com o Tratado de Paz e Aliança com Inglaterra em 1661, já após a restauração dos Stuart, tendo como resultado prático o casamento de D. Catarina de Bragança com Carlos II e uma renovação da tradicional aliança entre os dois países.

Entretanto o conflito militar entre Portugal e Espanha foi-se desenrolando até à Batalha de Montes Claros, em Junho de 1665, em que o exército português esmagou o exército espanhol, estando-se por isso numa situação favorável às negociações de paz. Contudo, nesse mesmo ano, a França voltou a interessar-se pelos Países Baixos espanhóis, procurando de novo manobrar em Portugal com vista a enfraquecer a Espanha. Aproveitando as boas intenções manifestadas por Luís XIV, Castelo-Melhor conseguiu obter o casamento de D. Afonso VI com Maria Francisca Isabel de Sabóia. Entretanto, os embaixadores ingleses em Lisboa e Madrid procuravam promover a negociação de um tratado de paz entre os dois reinos ibéricos, o que levou Luís XIV a acenar aos portugueses com uma liga contra a Espanha, assinada em 1667. Após a demissão de Castelho-Melhor e a designação do infante D. Pedro como herdeiro da coroa e governante do reino, o tratado de aliança com a França foi conhecido, e ingleses e espanhóis concertaram-se para o destruir, mostrando-se estes últimos dispostos a reconhecer a independência portuguesa, o que levou, em 13 de Fevereiro de 1668, à assinatura do tratado de paz entre Portugal e Espanha, com o rei de Inglaterra como mediador, e que punha fim a uma guerra de 27 anos. Portugal, ignorando sem cerimónia o tratado de aliança com a França de 1667, vingava-se do procedimento francês com a Paz dos Pirinéus.

Esta disposição da Espanha em reconhecer Portugal resultou, em parte, de hábeis manobras de negociação da diplomacia britânica, mediadora no conflito ibérico, e que havia intervido simultaneamente na Guerra da Devolução em favor da Espanha para contrariar as ambições hegemónicas de Luís XIV face aos Países Baixos espanhóis. A Espanha viu, desta feita, o equilíbrio saído de Vestefália funcionar a seu favor, mas pagou o preço de ter de reconhecer a soberania portuguesa de forma a manter a Bélgica.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Viva el-rei D. João IV

Um dos poucos feriados nacionais de cariz político que vale a pena comemorar é este do 1.º de Dezembro de 1640.

A diplomacia tem destas coisas (2)

Um ministro dos negócios estrangeiros em visita ao Brasil dá uma palestra sobre a União Europeia na UnB, e a dada altura afirma que gostaria de ver o Kosovo como estado membro da União.

Só por azar estava presente o embaixador da Sérvia...

Agradecimentos blogosféricos (8)

Desta feita ao Tomás Vasques do Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos. Obrigado Tomás!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Contradições...

...Ou está tudo literalmente doido?

"Às vezes alguém chega a um ministério e começa a movimentar todo o mundo para trazer o partido quase todo para tornar-se proprietário desse ministério; isso não pode ser, não pode ser que algum partido pretenda que esse território seja seu. É preciso jogar tudo isso na lata do lixo. E como vamos fazer isso? Construindo o Grande Partido Socialista Bolivariano e Revolucionário, unido de verdade."

Hugo Chávez in Diplomacia Estratégia Política, nr. 6, Abril/Junho 2007

Ah já percebi, a diferença é que já não haverão facções e se eliminarão outros partidos que potencialmente poderiam vir a tomar o Poder. Agora será só um grande partido que se apropriará e não mais sairá do poder, vão ser todos unidos de verdade. Qualquer semelhança com o 1984 de Orwell é pura coincidência.

Governantes e governados na América Latina

"Há muito pouco tempo estive em Paris, reunida com os principais dirigentes políticos, tanto governistas quanto oposicionistas no Parlamento, no Poder Executivo, na oposição. E a pergunta recorrente era o que estava acontecendo na América Latina depois que em numerosos processos eleitorais surgem as figuras de Kirchner, Bachelet, Evo Morales, o Presidente Chávez, aqui no Equador o Presidente Correa. E eu respondia que pela primeira vez, na América Latina, os governantes se parecem com os governados."

Cristina Kirchner in Diplomacia Estratégia Política, nr 6, Abril/Junho 2007.

Pergunta: mas o que é que isso significa? e isso é bom ou mau?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

A diplomacia tem destas coisas

Mugabe diz que estará presente na Cimeira UE/África, em reacção Gordon Brown confirma a sua ausência. Porém outro Brown, o Ministro para os Assuntos Africanos, deverá representar o Reino Unido (vide aqui).

A ler isto.

Pergunto-me o que será que Madrid e Londres pensarão de Portugal por estes dias com a "simpatia" demonstrada por Chávez e Mugabe...

Nesta prática a teoria funciona mesmo

PS e PSD acordam revisão da lei eleitoral das autarquias para aplicar em 2009.

E preferem para já não divulgar o conteúdo do acordo. Nesta prática, a teoria dos partidos do centrão que se vão alternando e combinando nas mais diversas matérias está bem de acordo com a realidade.

Sugestões de leitura

"Kaplan diz como é" no Futuro Presente por Jaime Nogueira Pinto.

"Are We All Lockeans now?" por Edward Fesser.

A entrevista de Zbigniew Brzezinski à Foreign Policy.

A entrevista de Fadel Gheith, analista energético de Wall Street, à Foreign Policy, da qual destaco:

"That’s exactly what I’m focusing on. I truly believe that major investment banks and a large number of very high-risk-taking financial players have seized control of the oil markets, especially in the last six months. During that time, oil prices moved in one direction and market fundamentals really moved sideways or even lowered. Demand has slowed down significantly. We have seen all kinds of indications that we are reaching a breaking point here. We’ve seen what happened to gasoline margins on the West Coast; they’ve dropped to an almost 18-year low. All this is an indication that something is wrong with the system, that supply and demand fundamentals do not justify the current price. But if the current price is based on speculation, there is no limit to how high oil prices can go. Basically, as long as there is somebody willing to bid higher, the price of the commodity will move higher."

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Diz que é uma espécie de petição

Existe por uma petição pelo "Não ao Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa". Nem sequer é um não à Ratificação do mesmo.

A questão do Acordo Ortográfico, assinado há mais de década e meia, tem sido particularmente mal gerida, não só pelas Necessidades (basta lembrar que Portugal é depositário dos instrumentos de ratificação), mas também a nível interno, pelos governos portugueses, nao conseguindo aplacar as exigências dos agentes sociais e económicos envolvidos no processo. Aqui parece haver poucas dúvidas, e é uma questão que possivelmente irei desenvolver em breve.

A pressão internacional que tem vindo a ser exercida sobre Portugal para ratificar o II Protocolo Modificativo (sim, caros peticionários, há dois), principalmente por parte do Brasil, colocou definitivamente o AO na agenda do dia, com o surgimento de lóbis (olha uma palavra que foi alterada) pró e anti-AO.

Nada contra, até se costuma dizer que é um sinal de maturidade da sociedade civil.

Contudo, esta petição não passa de uma aberração. Se fosse apenas mais uma manifestação do que Castells apelida de autismo electrónico ficava-me por aqui. Mas o objectivo é apresentá-la ao MNE.

Ora atente-se na sintaxe e na retórica da mesma:

Exmo. Sr. Ministro Luís Amado, tivemos conhecimento que é suposto ser aprovado, até ao final do ano de 2007, o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nesse acordo será, alegadamente, alterado 1,6% do nosso vocabulário. Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua. Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado. Nós não queremos escrever palavras como 'Hoje', 'Húmido', 'Hilariante' sem 'h', não queremos escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo nem palavras como 'Baptismo' sem 'p' mudo. Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora. E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado.

E ainda em alguns comentários dos signatários, encontram-se pérolas como:

Mas somos portugueses e temos orgulho na nossa cultura ou somos bestas preguiçosas?

ridiculo (e o acento, caro purista da língua portuguesa?)

Li, e concordo... E muito menos em vez de escrever História, passar a escrever Estória... (tem graça, pensava que até era uma palavra que já existia...)

Ou a minha favorita: "nós somos a língua mãe, não eles!"

Haja paciência...

Boa noite e até amanhã

Por entre cenários de novela brasileira passei este fim-de-semana, longe de computadores, internet e televisão, visitando uma pitoresca cidade cuja fundação remonta ao Brasil colonial, recuperando energias para enfrentar o que falta da minha estadia aqui por Brasília, principalmente testes e trabalhos, enquanto pouco vai faltando para regressar a esse país que se encontra no centro do Mundo, pelo menos na visão Ocidental.

Engraçado como mesmo ao fim de tanto tempo, em Pirenópolis ainda se realizam festas e recriações das lutas entre Mouros e Cristãos, uma tradição cujo legado me parece implicitamente português.

De regresso a esta cidade expoente mundial do modernismo arquitectónico, fico a saber que Pulido Valente desancou Sousa Tavares, que a Ordem dos Advogados se insurge contra o vínculo dos magistrados à função pública, considerando que se trata de uma "descaracterização perigosa das funções judiciárias e judiciais", enquanto “O Caso do Advogado Contratado Duas Vezes” bem poderia ser o nome de um novo romance policial à la Agata Christie, que até poderia ter Pinto Monteiro interpretado pela personagem de Hercule Poirot.

Entretanto Menezes lá vai tentando fazer alguma oposição, declarando que o Governo não tem mão nos directores-gerais, em resposta ao Inspector-Geral da Administração Interna que “considerou também que há “muita ‘cowboyada’ de filme americano na mentalidade de alguns polícias”, “muito gosto na exibição da pistola”, e que os “problemas mais graves” verificam-se na área de intervenção da GNR, “com perseguições policiais iniciadas por motivos inadequados”.

Via Politicopata, e pelo Correio da Manhã fico a saber que Cavaco Silva se interroga sobre “Por que é que nascem tão poucas crianças? O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?” e declara que “Eu não acredito que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao Mundo”.

Portanto falta pouco menos de um mês para regressar ao faroeste português, com supostas escutas ilegais, disputas ridículas entre alguns considerados intelectuais, classes que não querem perder os privilégios em relação aos demais (e eu que julgava que a luta de classes marxista era coisa do século passado), polícias que vêem demasiados filmes de John Wayne e Steven Seagal, e um Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto pelo sexo, perdoem-me, parece que agora sexo está para a esquerda como fazer amor está para a direita, portanto rectifico: o Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto por fazer amor.

Porém interessante é o protesto dos alunos do Instituto Politécnico de Viseu, contra as alegadas ilegalidades cometidas pela direcção do IPV, a dar o exemplo a alguns que andam cá por baixo, nessa minha querida cidade que é Lisboa, onde hoje um professor foi chamado à inspecção por não se calar contra as supostas ilegalidades que alguém vai cometendo.

Enquanto a blogosfera se vai degladiando sobre qual o sentido da comemoração do dia 25 de Novembro, lá fora o Diplomata vai constatando que o discurso da Guerra Fria está timidamente a regressar, enquanto Musharraf se torna Presidente Civil mostrando como se aplica ao mais alto nível os ensinamentos de Nicolau Maquiavel, para poder contentar o amigo Bush, trazendo paulatinamente o Paquistão para essa tão apregoada Democracia.

E é assim que o vento passa e não deixa o tempo voltar atrás para nos dar toda a sanidade que vamos perdendo...

Boa noite e até amanhã.

Este fim de semana - Pirenópolis





Este fim de semana - a caminho de Pirenópolis


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Kadhafi em Oeiras e Mugabe com medo

Pelo DN fico a saber que Kadhafi ficará no Forte de São Julião da Barra e que Mugabe já requisitou uma viatura blindada para o transportar durante a cimeira.

Mas vão montar a tendo de Kadhafi no forte???

Com tanto motivo de preocupação parece que se espera realmente um atentado terrorista. Não se preocupem, enquanto tivermos praia, sol, campos de golfe e formos o recreio de Verão da Europa não há terrorista que decida explodir com alguma coisa em Portugal. Somos um país pacífico com um povo pacífico e acolhedor. Tão acolhedor que basta ver os exilados que por passaram e vão passando.

Sugestões de leitura

"Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?" no Sobre o Tempo que Passa, pelo Professor Maltez.

"Monarquia ou república: uma posição liberal" no Portugal Contemporâneo, por Rui A., de onde destaco:

"Do ponto de vista liberal, na minha opinião, a monarquia pode hoje revelar facetas de maior interesse do que no passado e do que o republicanismo actual. Na verdade, numa época em que as democracias se desvirtuam e tornam totalitarizantes, quando os actos de soberania obedecem cada vez mais a interesses de grupo, de todo em todo distintos dos verdadeiros interesses dos cidadãos, e quando os checks and balances dos sistemas políticos se tornam cada vez mais frágeis, a existência de um poder verdadeiramente moderador que refreie a soberania torna-se absolutamente necessário para a defesa da liberdade e dos direitos dos cidadãos. Essa é, ou pelo menos deverá ser, a principal preocupação do liberalismo: refrear a soberania. "

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Às vezes há coisas que são bem verdade

Man is the only animal that blushes. Or needs to.

Dá-se prémio a quem souber quem cito. Vá, e não vale ir ao Google. Nem a outros motores de busca, Samuel!!

Às vezes há coisas giras

Hoje houve aula aberta no ISCSP, mérito do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, com os Professores José Adelino Maltez, Saldanha Sanches e Rosado Fernandes (aquele que deu um murro num deputado em pleno Parlamento Europeu).

Valeu a pena.

E soube-se que há investidores privados espanhóis interessados em apostar em grande no mercado das universidades privadas portuguesas, e que estão previstas negociações directas com o Primeiro-Ministro. A verdade é que há mercado em Portugal para universidades privadas, desde que estas sejam de excelência. Veja-se apenas o número de alunos portugueses que vão fazer mestrados no Estrangeiro.

Já agora, alguém me arranja 60.000 dólares para eu ir para Columbia? Aproveitem agora, enquanto o Euro valoriza...

Carta aos Reitores das Universidades Europeias

Em 1925, o surrealista francês Antonin Artaud, escrevia uma Carta aos Reitores das Universidades Europeias, que, infelizmente, hoje bem se poderia intitular Carta a alguns Professores Universitários Portugueses:

Senhores Reitores,

Na estreita cisterna que os Srs. chamam de "Pensamento", os raios espirituais apodrecem como palha.

Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto. Além daquilo que a ciência jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre removidas, fora de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito se agita, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles com um caráter de revelação, essa ária vinda de longe, caída do céu.

Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das suas fábricas, dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 mais 2 fazem 4; a culpa é vossa, Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. fabricam engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios, cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de reconstituir o Espírito. O menor ato de criação espontânea e um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica. Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?

Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros. Em nome da vossa própria lógica, voz dizemos: a vida fede, Senhores. Olhem para seus rostos, considerem seus produtos. Pelo crivo dos vossos diplomas passa uma juventude abatida, perdida. Os Senhores são a chaga do mundo e tanto melhor para o mundo, mas que ele se acredite um pouco menos à frente da humanidade.

Visão estereotipada dos brasileiros entre portugueses

Para aqueles que porventura pudessem ter achado este post de há uns dias meio infundado, a Folha de São Paulo dá conta de um estudo realizado por uma investigadora brasileira na Universidade de Coimbra:

Para Benalva da Silva Vitório, autora da pesquisa, "a brasileira é vista como menina de programa". Segundo ela, essa imagem está relacionada às campanhas de turismo promovidas fora do Brasil.

"Os homens são vistos como malandros, que fazem muito barulho e não cumprem compromissos"

De acordo com o estudo, os brasileiros que emigram para o país não conhecem a cultura portuguesa e pensam que, devido à língua, Portugal é como o Brasil.

Para Benalva, a falta de conhecimento dos brasileiros sobre Portugal se deve, em parte, ao ensino das escolas brasileiras. "Na escola, estuda-se até a independência. Passou de 7 de setembro de 1822, acabou. Não ensinam a geografia ou a história dos dois países", afirmou a autora.

Questionário e imagem do topo

Para além da alteração da imagem do cabeçalho, que devido a um problema de definição ainda vou melhorar, colocamos até ao próximo dia 2 de Dezembro um questionário sobre se a Galp deve ou não explorar petróleo na Venezuela.

Comunista só houve um

Ao ler os seguintes comentários a esta notícia do Público:

JOAO ANDRE, paris
Eu vivi o25 DE ABRIL a fundo,sempre me considerei e fui socialista.Actualmente vivo numa cidade em França onde o"Maire",presidente da camara é comunista e meus amigos nao nos podemos iludir.Essas pessoas que se dizem democratas aproveitam-se daqueles que trabalham,ajudam aqueles que nao querem fazer nada afim deganhar votos.Isto nao é gente socialista porque so querem é o seu bem estar


Abel Guimarães, Porto
Os que apoiam Chavez, que até foi eleito, não são democratas. Os democratas são os que apoiam o Rei, que foi designado por Franco. Estes novos democratas são contra os sindicatos, contra os trabalhadores, contre tudo o que se manifeste. Sonham comnovos Salazares e fogem dos referendos como o Diabo da Cruz. Na minha juventude, vejam como os tempos mudam, tais gentes seriam consideradas fascistas.

Ocorre-me algo que o meu avô materno, pessoa de elevada cultura e sapiência, me costuma dizer: Verdadeiramente comunista só existiu uma pessoa: Emanuel Jesus Cristo.

Chávez aprende a usar gravata

Não sei se alguém reparou, mas parece-me que o ponto alto desta visita de Chávez a Lisboa foi a sua aprendizagem do uso desse acessório chamado gravata.


E com um bonito nó, sim senhor...

Galp na Venezuela

Depois de ler no Portugal Diário:

O ex-Presidente da República tem uma relação pessoal forte com o líder venezuelano e nos últimos meses fez vários contactos para aproximar a Galp da empresa estatal de petróleos da Venezuela.

E no DN:

O Presidente venezuelano chegou ao aeroporto de Lisboa - vindo de Paris - pelas 20.30, ou seja, quase com duas horas e meia de atraso. Tinha a aguardá-lo o secretário de Estado português das Comunidades, António Braga, o ex-Presidente Mário Soares ("pivot" nas negociações petrolíferas entre a Galp e o governo venezuelano) e ainda a administração da petrolífera portuguesa. Falando a jornalistas, voltou a exigir um pedido de desculpas do Rei de Espanha por causa do "por qué no te callas !" da cimeira ibero-americana.

Parece-me que talvez as más línguas que andam por aí a dizer que Chávez quer Portugal como interlocutor da Venezuela na União Europeia, enquanto planeia substituir a Repsol pela Galp até tenham alguma razão...