Desta feita ao Claudio Téllez, que mantém um dos melhores blogs sobre Relações Internacionais na actual blogosfera.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
domingo, 2 de dezembro de 2007
Portugal e a Restauração
Outra forma de comemorar este 1º de Dezembro, um dia atrasado numa luta que afinal durou 28 anos, sem óculos de sol, motas e cavalinhos nos Restauradores.
O trono português havia sido ocupado por Filipe II de Espanha, em 1580, tendo Portugal estado sobre domínio Espanhol até 1640, o que levou a uma subalternização dos interesses externos portugueses face aos espanhóis. Para as questões relativas à política externa, Borges de Macedo considera três períodos distintos na evolução do domínio espanhol em Portugal: 1 – ilusão sobre as vantagens económicas da união ibérica; 2 – impossibilidade de interferência de Portugal na vida política espanhola; 3 – processo de preparação da independência.
Ainda segundo Borges de Macedo, na evolução para a reconquista da independência, primeiro foi preciso substituir a doutrina acerca da legitimidade do poder assente apenas na hereditariedade e substituí-la pelo conceito de realeza como um serviço nacional. Durante os séculos XVI e XVIII e particularmente durante a Guerra dos 30 anos, a Espanha levava a efeito uma política de intervenção generalizada, enquanto Portugal tinha interesses claramente sectoriais.
Com o desencadear da guerra aberta entre Espanha e França em 1635, o caso português passa a merecer especial atenção de Richelieu, que procurava enfraquecer a unidade hispânica, e é assim que, aquando da Restauração, D. João IV tem de procurar na França, o principal inimigo da Espanha, o apoio necessário para consolidar a sua realeza, pois a Inglaterra vivia o conflito entre realistas e parlamentaristas.
Se, no acto de assinatura do Tratado de Vestefália, Portugal foi oficialmente afastado para não se reconhecer a sua independência face à Espanha, Portugal logo tomou consciência que a melhor forma de lutar contra essa política de isolamento era aproveitar as virtualidades estratégicas do seu potencial geográfico e económico, tendo-se por isso procurado conjugar interesses com a Grã-Bretanha, procurando entrar em contacto com Cromwell mas sem qualquer quebra de dignidade política. De facto, se se procurou primeiro alcançar um liga formal com a França, as posições dúbias tomadas por Richelieu e Mazarino que culminaram em 1659 com a assinatura do Tratado dos Pirinéus entre a França e a Espanha, com a não inclusão de Portugal nas suas condições, vieram demonstrar a necessidade de exploração das possibilidades de apoio efectivo por parte da Grã-Bretanha, que foi habilmente conduzida pela diplomacia da Restauração e que se consubstanciou com o Tratado de Paz e Aliança com Inglaterra em 1661, já após a restauração dos Stuart, tendo como resultado prático o casamento de D. Catarina de Bragança com Carlos II e uma renovação da tradicional aliança entre os dois países.
Entretanto o conflito militar entre Portugal e Espanha foi-se desenrolando até à Batalha de Montes Claros, em Junho de 1665, em que o exército português esmagou o exército espanhol, estando-se por isso numa situação favorável às negociações de paz. Contudo, nesse mesmo ano, a França voltou a interessar-se pelos Países Baixos espanhóis, procurando de novo manobrar em Portugal com vista a enfraquecer a Espanha. Aproveitando as boas intenções manifestadas por Luís XIV, Castelo-Melhor conseguiu obter o casamento de D. Afonso VI com Maria Francisca Isabel de Sabóia. Entretanto, os embaixadores ingleses em Lisboa e Madrid procuravam promover a negociação de um tratado de paz entre os dois reinos ibéricos, o que levou Luís XIV a acenar aos portugueses com uma liga contra a Espanha, assinada em 1667. Após a demissão de Castelho-Melhor e a designação do infante D. Pedro como herdeiro da coroa e governante do reino, o tratado de aliança com a França foi conhecido, e ingleses e espanhóis concertaram-se para o destruir, mostrando-se estes últimos dispostos a reconhecer a independência portuguesa, o que levou, em 13 de Fevereiro de 1668, à assinatura do tratado de paz entre Portugal e Espanha, com o rei de Inglaterra como mediador, e que punha fim a uma guerra de 27 anos. Portugal, ignorando sem cerimónia o tratado de aliança com a França de 1667, vingava-se do procedimento francês com a Paz dos Pirinéus.
Esta disposição da Espanha em reconhecer Portugal resultou, em parte, de hábeis manobras de negociação da diplomacia britânica, mediadora no conflito ibérico, e que havia intervido simultaneamente na Guerra da Devolução em favor da Espanha para contrariar as ambições hegemónicas de Luís XIV face aos Países Baixos espanhóis. A Espanha viu, desta feita, o equilíbrio saído de Vestefália funcionar a seu favor, mas pagou o preço de ter de reconhecer a soberania portuguesa de forma a manter a Bélgica.
O trono português havia sido ocupado por Filipe II de Espanha, em 1580, tendo Portugal estado sobre domínio Espanhol até 1640, o que levou a uma subalternização dos interesses externos portugueses face aos espanhóis. Para as questões relativas à política externa, Borges de Macedo considera três períodos distintos na evolução do domínio espanhol em Portugal: 1 – ilusão sobre as vantagens económicas da união ibérica; 2 – impossibilidade de interferência de Portugal na vida política espanhola; 3 – processo de preparação da independência.
Ainda segundo Borges de Macedo, na evolução para a reconquista da independência, primeiro foi preciso substituir a doutrina acerca da legitimidade do poder assente apenas na hereditariedade e substituí-la pelo conceito de realeza como um serviço nacional. Durante os séculos XVI e XVIII e particularmente durante a Guerra dos 30 anos, a Espanha levava a efeito uma política de intervenção generalizada, enquanto Portugal tinha interesses claramente sectoriais.
Com o desencadear da guerra aberta entre Espanha e França em 1635, o caso português passa a merecer especial atenção de Richelieu, que procurava enfraquecer a unidade hispânica, e é assim que, aquando da Restauração, D. João IV tem de procurar na França, o principal inimigo da Espanha, o apoio necessário para consolidar a sua realeza, pois a Inglaterra vivia o conflito entre realistas e parlamentaristas.
Se, no acto de assinatura do Tratado de Vestefália, Portugal foi oficialmente afastado para não se reconhecer a sua independência face à Espanha, Portugal logo tomou consciência que a melhor forma de lutar contra essa política de isolamento era aproveitar as virtualidades estratégicas do seu potencial geográfico e económico, tendo-se por isso procurado conjugar interesses com a Grã-Bretanha, procurando entrar em contacto com Cromwell mas sem qualquer quebra de dignidade política. De facto, se se procurou primeiro alcançar um liga formal com a França, as posições dúbias tomadas por Richelieu e Mazarino que culminaram em 1659 com a assinatura do Tratado dos Pirinéus entre a França e a Espanha, com a não inclusão de Portugal nas suas condições, vieram demonstrar a necessidade de exploração das possibilidades de apoio efectivo por parte da Grã-Bretanha, que foi habilmente conduzida pela diplomacia da Restauração e que se consubstanciou com o Tratado de Paz e Aliança com Inglaterra em 1661, já após a restauração dos Stuart, tendo como resultado prático o casamento de D. Catarina de Bragança com Carlos II e uma renovação da tradicional aliança entre os dois países.
Entretanto o conflito militar entre Portugal e Espanha foi-se desenrolando até à Batalha de Montes Claros, em Junho de 1665, em que o exército português esmagou o exército espanhol, estando-se por isso numa situação favorável às negociações de paz. Contudo, nesse mesmo ano, a França voltou a interessar-se pelos Países Baixos espanhóis, procurando de novo manobrar em Portugal com vista a enfraquecer a Espanha. Aproveitando as boas intenções manifestadas por Luís XIV, Castelo-Melhor conseguiu obter o casamento de D. Afonso VI com Maria Francisca Isabel de Sabóia. Entretanto, os embaixadores ingleses em Lisboa e Madrid procuravam promover a negociação de um tratado de paz entre os dois reinos ibéricos, o que levou Luís XIV a acenar aos portugueses com uma liga contra a Espanha, assinada em 1667. Após a demissão de Castelho-Melhor e a designação do infante D. Pedro como herdeiro da coroa e governante do reino, o tratado de aliança com a França foi conhecido, e ingleses e espanhóis concertaram-se para o destruir, mostrando-se estes últimos dispostos a reconhecer a independência portuguesa, o que levou, em 13 de Fevereiro de 1668, à assinatura do tratado de paz entre Portugal e Espanha, com o rei de Inglaterra como mediador, e que punha fim a uma guerra de 27 anos. Portugal, ignorando sem cerimónia o tratado de aliança com a França de 1667, vingava-se do procedimento francês com a Paz dos Pirinéus.
Esta disposição da Espanha em reconhecer Portugal resultou, em parte, de hábeis manobras de negociação da diplomacia britânica, mediadora no conflito ibérico, e que havia intervido simultaneamente na Guerra da Devolução em favor da Espanha para contrariar as ambições hegemónicas de Luís XIV face aos Países Baixos espanhóis. A Espanha viu, desta feita, o equilíbrio saído de Vestefália funcionar a seu favor, mas pagou o preço de ter de reconhecer a soberania portuguesa de forma a manter a Bélgica.
sábado, 1 de dezembro de 2007
A diplomacia tem destas coisas (2)
Um ministro dos negócios estrangeiros em visita ao Brasil dá uma palestra sobre a União Europeia na UnB, e a dada altura afirma que gostaria de ver o Kosovo como estado membro da União.
Só por azar estava presente o embaixador da Sérvia...
Só por azar estava presente o embaixador da Sérvia...
Agradecimentos blogosféricos (8)
Desta feita ao Tomás Vasques do Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos. Obrigado Tomás!
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Contradições...
...Ou está tudo literalmente doido?
"Às vezes alguém chega a um ministério e começa a movimentar todo o mundo para trazer o partido quase todo para tornar-se proprietário desse ministério; isso não pode ser, não pode ser que algum partido pretenda que esse território seja seu. É preciso jogar tudo isso na lata do lixo. E como vamos fazer isso? Construindo o Grande Partido Socialista Bolivariano e Revolucionário, unido de verdade."
Hugo Chávez in Diplomacia Estratégia Política, nr. 6, Abril/Junho 2007
Ah já percebi, a diferença é que já não haverão facções e se eliminarão outros partidos que potencialmente poderiam vir a tomar o Poder. Agora será só um grande partido que se apropriará e não mais sairá do poder, vão ser todos unidos de verdade. Qualquer semelhança com o 1984 de Orwell é pura coincidência.
"Às vezes alguém chega a um ministério e começa a movimentar todo o mundo para trazer o partido quase todo para tornar-se proprietário desse ministério; isso não pode ser, não pode ser que algum partido pretenda que esse território seja seu. É preciso jogar tudo isso na lata do lixo. E como vamos fazer isso? Construindo o Grande Partido Socialista Bolivariano e Revolucionário, unido de verdade."
Hugo Chávez in Diplomacia Estratégia Política, nr. 6, Abril/Junho 2007
Ah já percebi, a diferença é que já não haverão facções e se eliminarão outros partidos que potencialmente poderiam vir a tomar o Poder. Agora será só um grande partido que se apropriará e não mais sairá do poder, vão ser todos unidos de verdade. Qualquer semelhança com o 1984 de Orwell é pura coincidência.
Governantes e governados na América Latina
"Há muito pouco tempo estive em Paris, reunida com os principais dirigentes políticos, tanto governistas quanto oposicionistas no Parlamento, no Poder Executivo, na oposição. E a pergunta recorrente era o que estava acontecendo na América Latina depois que em numerosos processos eleitorais surgem as figuras de Kirchner, Bachelet, Evo Morales, o Presidente Chávez, aqui no Equador o Presidente Correa. E eu respondia que pela primeira vez, na América Latina, os governantes se parecem com os governados."
Cristina Kirchner in Diplomacia Estratégia Política, nr 6, Abril/Junho 2007.
Pergunta: mas o que é que isso significa? e isso é bom ou mau?
Cristina Kirchner in Diplomacia Estratégia Política, nr 6, Abril/Junho 2007.
Pergunta: mas o que é que isso significa? e isso é bom ou mau?
terça-feira, 27 de novembro de 2007
A diplomacia tem destas coisas
Mugabe diz que estará presente na Cimeira UE/África, em reacção Gordon Brown confirma a sua ausência. Porém outro Brown, o Ministro para os Assuntos Africanos, deverá representar o Reino Unido (vide aqui).
A ler isto.
Pergunto-me o que será que Madrid e Londres pensarão de Portugal por estes dias com a "simpatia" demonstrada por Chávez e Mugabe...
A ler isto.
Pergunto-me o que será que Madrid e Londres pensarão de Portugal por estes dias com a "simpatia" demonstrada por Chávez e Mugabe...
Nesta prática a teoria funciona mesmo
PS e PSD acordam revisão da lei eleitoral das autarquias para aplicar em 2009.
E preferem para já não divulgar o conteúdo do acordo. Nesta prática, a teoria dos partidos do centrão que se vão alternando e combinando nas mais diversas matérias está bem de acordo com a realidade.
E preferem para já não divulgar o conteúdo do acordo. Nesta prática, a teoria dos partidos do centrão que se vão alternando e combinando nas mais diversas matérias está bem de acordo com a realidade.
Sugestões de leitura
"Kaplan diz como é" no Futuro Presente por Jaime Nogueira Pinto.
"Are We All Lockeans now?" por Edward Fesser.
A entrevista de Zbigniew Brzezinski à Foreign Policy.
A entrevista de Fadel Gheith, analista energético de Wall Street, à Foreign Policy, da qual destaco:
"That’s exactly what I’m focusing on. I truly believe that major investment banks and a large number of very high-risk-taking financial players have seized control of the oil markets, especially in the last six months. During that time, oil prices moved in one direction and market fundamentals really moved sideways or even lowered. Demand has slowed down significantly. We have seen all kinds of indications that we are reaching a breaking point here. We’ve seen what happened to gasoline margins on the West Coast; they’ve dropped to an almost 18-year low. All this is an indication that something is wrong with the system, that supply and demand fundamentals do not justify the current price. But if the current price is based on speculation, there is no limit to how high oil prices can go. Basically, as long as there is somebody willing to bid higher, the price of the commodity will move higher."
"Are We All Lockeans now?" por Edward Fesser.
A entrevista de Zbigniew Brzezinski à Foreign Policy.
A entrevista de Fadel Gheith, analista energético de Wall Street, à Foreign Policy, da qual destaco:
"That’s exactly what I’m focusing on. I truly believe that major investment banks and a large number of very high-risk-taking financial players have seized control of the oil markets, especially in the last six months. During that time, oil prices moved in one direction and market fundamentals really moved sideways or even lowered. Demand has slowed down significantly. We have seen all kinds of indications that we are reaching a breaking point here. We’ve seen what happened to gasoline margins on the West Coast; they’ve dropped to an almost 18-year low. All this is an indication that something is wrong with the system, that supply and demand fundamentals do not justify the current price. But if the current price is based on speculation, there is no limit to how high oil prices can go. Basically, as long as there is somebody willing to bid higher, the price of the commodity will move higher."
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Diz que é uma espécie de petição
Existe por aí uma petição pelo "Não ao Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa". Nem sequer é um não à Ratificação do mesmo.
A questão do Acordo Ortográfico, assinado há mais de década e meia, tem sido particularmente mal gerida, não só pelas Necessidades (basta lembrar que Portugal é depositário dos instrumentos de ratificação), mas também a nível interno, pelos governos portugueses, nao conseguindo aplacar as exigências dos agentes sociais e económicos envolvidos no processo. Aqui parece haver poucas dúvidas, e é uma questão que possivelmente irei desenvolver em breve.
A pressão internacional que tem vindo a ser exercida sobre Portugal para ratificar o II Protocolo Modificativo (sim, caros peticionários, há dois), principalmente por parte do Brasil, colocou definitivamente o AO na agenda do dia, com o surgimento de lóbis (olha uma palavra que foi alterada) pró e anti-AO.
Nada contra, até se costuma dizer que é um sinal de maturidade da sociedade civil.
Contudo, esta petição não passa de uma aberração. Se fosse apenas mais uma manifestação do que Castells apelida de autismo electrónico ficava-me por aqui. Mas o objectivo é apresentá-la ao MNE.
Ora atente-se na sintaxe e na retórica da mesma:
Exmo. Sr. Ministro Luís Amado, tivemos conhecimento que é suposto ser aprovado, até ao final do ano de 2007, o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nesse acordo será, alegadamente, alterado 1,6% do nosso vocabulário. Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua. Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado. Nós não queremos escrever palavras como 'Hoje', 'Húmido', 'Hilariante' sem 'h', não queremos escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo nem palavras como 'Baptismo' sem 'p' mudo. Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora. E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado.
E ainda em alguns comentários dos signatários, encontram-se pérolas como:
Mas somos portugueses e temos orgulho na nossa cultura ou somos bestas preguiçosas?
ridiculo (e o acento, caro purista da língua portuguesa?)
Li, e concordo... E muito menos em vez de escrever História, passar a escrever Estória... (tem graça, pensava que até era uma palavra que já existia...)
Ou a minha favorita: "nós somos a língua mãe, não eles!"
Haja paciência...
A questão do Acordo Ortográfico, assinado há mais de década e meia, tem sido particularmente mal gerida, não só pelas Necessidades (basta lembrar que Portugal é depositário dos instrumentos de ratificação), mas também a nível interno, pelos governos portugueses, nao conseguindo aplacar as exigências dos agentes sociais e económicos envolvidos no processo. Aqui parece haver poucas dúvidas, e é uma questão que possivelmente irei desenvolver em breve.
A pressão internacional que tem vindo a ser exercida sobre Portugal para ratificar o II Protocolo Modificativo (sim, caros peticionários, há dois), principalmente por parte do Brasil, colocou definitivamente o AO na agenda do dia, com o surgimento de lóbis (olha uma palavra que foi alterada) pró e anti-AO.
Nada contra, até se costuma dizer que é um sinal de maturidade da sociedade civil.
Contudo, esta petição não passa de uma aberração. Se fosse apenas mais uma manifestação do que Castells apelida de autismo electrónico ficava-me por aqui. Mas o objectivo é apresentá-la ao MNE.
Ora atente-se na sintaxe e na retórica da mesma:
Exmo. Sr. Ministro Luís Amado, tivemos conhecimento que é suposto ser aprovado, até ao final do ano de 2007, o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nesse acordo será, alegadamente, alterado 1,6% do nosso vocabulário. Os signatários desta petição não concordam com a aprovação desse Protocolo, não querem que a Língua Portuguesa, tal como os portugueses a conhecem, seja alterada, exigimos que seja preservada a nossa Língua. Não faz qualquer sentido que este protocolo seja aprovado. Nós não queremos escrever palavras como 'Hoje', 'Húmido', 'Hilariante' sem 'h', não queremos escrever palavras como 'Acção' sem 'c' mudo nem palavras como 'Baptismo' sem 'p' mudo. Queremos continuar a escrever em Português tal como o conhecemos agora. E, tendo em conta o supra exposto, esperamos que o Exmo. Sr. Ministro faça com que este Protocolo não seja aprovado.
E ainda em alguns comentários dos signatários, encontram-se pérolas como:
Mas somos portugueses e temos orgulho na nossa cultura ou somos bestas preguiçosas?
ridiculo (e o acento, caro purista da língua portuguesa?)
Li, e concordo... E muito menos em vez de escrever História, passar a escrever Estória... (tem graça, pensava que até era uma palavra que já existia...)
Ou a minha favorita: "nós somos a língua mãe, não eles!"
Haja paciência...
Boa noite e até amanhã
Por entre cenários de novela brasileira passei este fim-de-semana, longe de computadores, internet e televisão, visitando uma pitoresca cidade cuja fundação remonta ao Brasil colonial, recuperando energias para enfrentar o que falta da minha estadia aqui por Brasília, principalmente testes e trabalhos, enquanto pouco vai faltando para regressar a esse país que se encontra no centro do Mundo, pelo menos na visão Ocidental.
Engraçado como mesmo ao fim de tanto tempo, em Pirenópolis ainda se realizam festas e recriações das lutas entre Mouros e Cristãos, uma tradição cujo legado me parece implicitamente português.
De regresso a esta cidade expoente mundial do modernismo arquitectónico, fico a saber que Pulido Valente desancou Sousa Tavares, que a Ordem dos Advogados se insurge contra o vínculo dos magistrados à função pública, considerando que se trata de uma "descaracterização perigosa das funções judiciárias e judiciais", enquanto “O Caso do Advogado Contratado Duas Vezes” bem poderia ser o nome de um novo romance policial à la Agata Christie, que até poderia ter Pinto Monteiro interpretado pela personagem de Hercule Poirot.
Entretanto Menezes lá vai tentando fazer alguma oposição, declarando que o Governo não tem mão nos directores-gerais, em resposta ao Inspector-Geral da Administração Interna que “considerou também que há “muita ‘cowboyada’ de filme americano na mentalidade de alguns polícias”, “muito gosto na exibição da pistola”, e que os “problemas mais graves” verificam-se na área de intervenção da GNR, “com perseguições policiais iniciadas por motivos inadequados”.
Via Politicopata, e pelo Correio da Manhã fico a saber que Cavaco Silva se interroga sobre “Por que é que nascem tão poucas crianças? O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?” e declara que “Eu não acredito que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao Mundo”.
Portanto falta pouco menos de um mês para regressar ao faroeste português, com supostas escutas ilegais, disputas ridículas entre alguns considerados intelectuais, classes que não querem perder os privilégios em relação aos demais (e eu que julgava que a luta de classes marxista era coisa do século passado), polícias que vêem demasiados filmes de John Wayne e Steven Seagal, e um Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto pelo sexo, perdoem-me, parece que agora sexo está para a esquerda como fazer amor está para a direita, portanto rectifico: o Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto por fazer amor.
Porém interessante é o protesto dos alunos do Instituto Politécnico de Viseu, contra as alegadas ilegalidades cometidas pela direcção do IPV, a dar o exemplo a alguns que andam cá por baixo, nessa minha querida cidade que é Lisboa, onde hoje um professor foi chamado à inspecção por não se calar contra as supostas ilegalidades que alguém vai cometendo.
Enquanto a blogosfera se vai degladiando sobre qual o sentido da comemoração do dia 25 de Novembro, lá fora o Diplomata vai constatando que o discurso da Guerra Fria está timidamente a regressar, enquanto Musharraf se torna Presidente Civil mostrando como se aplica ao mais alto nível os ensinamentos de Nicolau Maquiavel, para poder contentar o amigo Bush, trazendo paulatinamente o Paquistão para essa tão apregoada Democracia.
E é assim que o vento passa e não deixa o tempo voltar atrás para nos dar toda a sanidade que vamos perdendo...
Boa noite e até amanhã.
Engraçado como mesmo ao fim de tanto tempo, em Pirenópolis ainda se realizam festas e recriações das lutas entre Mouros e Cristãos, uma tradição cujo legado me parece implicitamente português.
De regresso a esta cidade expoente mundial do modernismo arquitectónico, fico a saber que Pulido Valente desancou Sousa Tavares, que a Ordem dos Advogados se insurge contra o vínculo dos magistrados à função pública, considerando que se trata de uma "descaracterização perigosa das funções judiciárias e judiciais", enquanto “O Caso do Advogado Contratado Duas Vezes” bem poderia ser o nome de um novo romance policial à la Agata Christie, que até poderia ter Pinto Monteiro interpretado pela personagem de Hercule Poirot.
Entretanto Menezes lá vai tentando fazer alguma oposição, declarando que o Governo não tem mão nos directores-gerais, em resposta ao Inspector-Geral da Administração Interna que “considerou também que há “muita ‘cowboyada’ de filme americano na mentalidade de alguns polícias”, “muito gosto na exibição da pistola”, e que os “problemas mais graves” verificam-se na área de intervenção da GNR, “com perseguições policiais iniciadas por motivos inadequados”.
Via Politicopata, e pelo Correio da Manhã fico a saber que Cavaco Silva se interroga sobre “Por que é que nascem tão poucas crianças? O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?” e declara que “Eu não acredito que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao Mundo”.
Portanto falta pouco menos de um mês para regressar ao faroeste português, com supostas escutas ilegais, disputas ridículas entre alguns considerados intelectuais, classes que não querem perder os privilégios em relação aos demais (e eu que julgava que a luta de classes marxista era coisa do século passado), polícias que vêem demasiados filmes de John Wayne e Steven Seagal, e um Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto pelo sexo, perdoem-me, parece que agora sexo está para a esquerda como fazer amor está para a direita, portanto rectifico: o Presidente da República que não acredita que os portugueses tenham perdido o gosto por fazer amor.
Porém interessante é o protesto dos alunos do Instituto Politécnico de Viseu, contra as alegadas ilegalidades cometidas pela direcção do IPV, a dar o exemplo a alguns que andam cá por baixo, nessa minha querida cidade que é Lisboa, onde hoje um professor foi chamado à inspecção por não se calar contra as supostas ilegalidades que alguém vai cometendo.
Enquanto a blogosfera se vai degladiando sobre qual o sentido da comemoração do dia 25 de Novembro, lá fora o Diplomata vai constatando que o discurso da Guerra Fria está timidamente a regressar, enquanto Musharraf se torna Presidente Civil mostrando como se aplica ao mais alto nível os ensinamentos de Nicolau Maquiavel, para poder contentar o amigo Bush, trazendo paulatinamente o Paquistão para essa tão apregoada Democracia.
E é assim que o vento passa e não deixa o tempo voltar atrás para nos dar toda a sanidade que vamos perdendo...
Boa noite e até amanhã.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Kadhafi em Oeiras e Mugabe com medo
Pelo DN fico a saber que Kadhafi ficará no Forte de São Julião da Barra e que Mugabe já requisitou uma viatura blindada para o transportar durante a cimeira.
Mas vão montar a tendo de Kadhafi no forte???
Com tanto motivo de preocupação parece que se espera realmente um atentado terrorista. Não se preocupem, enquanto tivermos praia, sol, campos de golfe e formos o recreio de Verão da Europa não há terrorista que decida explodir com alguma coisa em Portugal. Somos um país pacífico com um povo pacífico e acolhedor. Tão acolhedor que basta ver os exilados que por cá passaram e vão passando.
Mas vão montar a tendo de Kadhafi no forte???
Com tanto motivo de preocupação parece que se espera realmente um atentado terrorista. Não se preocupem, enquanto tivermos praia, sol, campos de golfe e formos o recreio de Verão da Europa não há terrorista que decida explodir com alguma coisa em Portugal. Somos um país pacífico com um povo pacífico e acolhedor. Tão acolhedor que basta ver os exilados que por cá passaram e vão passando.
Sugestões de leitura
"Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?" no Sobre o Tempo que Passa, pelo Professor Maltez.
"Monarquia ou república: uma posição liberal" no Portugal Contemporâneo, por Rui A., de onde destaco:
"Do ponto de vista liberal, na minha opinião, a monarquia pode hoje revelar facetas de maior interesse do que no passado e do que o republicanismo actual. Na verdade, numa época em que as democracias se desvirtuam e tornam totalitarizantes, quando os actos de soberania obedecem cada vez mais a interesses de grupo, de todo em todo distintos dos verdadeiros interesses dos cidadãos, e quando os checks and balances dos sistemas políticos se tornam cada vez mais frágeis, a existência de um poder verdadeiramente moderador que refreie a soberania torna-se absolutamente necessário para a defesa da liberdade e dos direitos dos cidadãos. Essa é, ou pelo menos deverá ser, a principal preocupação do liberalismo: refrear a soberania. "
"Monarquia ou república: uma posição liberal" no Portugal Contemporâneo, por Rui A., de onde destaco:
"Do ponto de vista liberal, na minha opinião, a monarquia pode hoje revelar facetas de maior interesse do que no passado e do que o republicanismo actual. Na verdade, numa época em que as democracias se desvirtuam e tornam totalitarizantes, quando os actos de soberania obedecem cada vez mais a interesses de grupo, de todo em todo distintos dos verdadeiros interesses dos cidadãos, e quando os checks and balances dos sistemas políticos se tornam cada vez mais frágeis, a existência de um poder verdadeiramente moderador que refreie a soberania torna-se absolutamente necessário para a defesa da liberdade e dos direitos dos cidadãos. Essa é, ou pelo menos deverá ser, a principal preocupação do liberalismo: refrear a soberania. "
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Às vezes há coisas que são bem verdade
Man is the only animal that blushes. Or needs to.
Dá-se prémio a quem souber quem cito. Vá, e não vale ir ao Google. Nem a outros motores de busca, Samuel!!
Dá-se prémio a quem souber quem cito. Vá, e não vale ir ao Google. Nem a outros motores de busca, Samuel!!
Às vezes há coisas giras
Hoje houve aula aberta no ISCSP, mérito do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, com os Professores José Adelino Maltez, Saldanha Sanches e Rosado Fernandes (aquele que deu um murro num deputado em pleno Parlamento Europeu).
Valeu a pena.
E soube-se que há investidores privados espanhóis interessados em apostar em grande no mercado das universidades privadas portuguesas, e que estão previstas negociações directas com o Primeiro-Ministro. A verdade é que há mercado em Portugal para universidades privadas, desde que estas sejam de excelência. Veja-se apenas o número de alunos portugueses que vão fazer mestrados no Estrangeiro.
Já agora, alguém me arranja 60.000 dólares para eu ir para Columbia? Aproveitem agora, enquanto o Euro valoriza...
Valeu a pena.
E soube-se que há investidores privados espanhóis interessados em apostar em grande no mercado das universidades privadas portuguesas, e que estão previstas negociações directas com o Primeiro-Ministro. A verdade é que há mercado em Portugal para universidades privadas, desde que estas sejam de excelência. Veja-se apenas o número de alunos portugueses que vão fazer mestrados no Estrangeiro.
Já agora, alguém me arranja 60.000 dólares para eu ir para Columbia? Aproveitem agora, enquanto o Euro valoriza...
Carta aos Reitores das Universidades Europeias
Em 1925, o surrealista francês Antonin Artaud, escrevia uma Carta aos Reitores das Universidades Europeias, que, infelizmente, hoje bem se poderia intitular Carta a alguns Professores Universitários Portugueses:
Senhores Reitores,
Na estreita cisterna que os Srs. chamam de "Pensamento", os raios espirituais apodrecem como palha.
Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto. Além daquilo que a ciência jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre removidas, fora de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito se agita, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles com um caráter de revelação, essa ária vinda de longe, caída do céu.
Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das suas fábricas, dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 mais 2 fazem 4; a culpa é vossa, Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. fabricam engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios, cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de reconstituir o Espírito. O menor ato de criação espontânea e um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica. Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?
Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros. Em nome da vossa própria lógica, voz dizemos: a vida fede, Senhores. Olhem para seus rostos, considerem seus produtos. Pelo crivo dos vossos diplomas passa uma juventude abatida, perdida. Os Senhores são a chaga do mundo e tanto melhor para o mundo, mas que ele se acredite um pouco menos à frente da humanidade.
Senhores Reitores,
Na estreita cisterna que os Srs. chamam de "Pensamento", os raios espirituais apodrecem como palha.
Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto. Além daquilo que a ciência jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre removidas, fora de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito se agita, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles com um caráter de revelação, essa ária vinda de longe, caída do céu.
Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das suas fábricas, dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 mais 2 fazem 4; a culpa é vossa, Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. fabricam engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios, cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de reconstituir o Espírito. O menor ato de criação espontânea e um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica. Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?
Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros. Em nome da vossa própria lógica, voz dizemos: a vida fede, Senhores. Olhem para seus rostos, considerem seus produtos. Pelo crivo dos vossos diplomas passa uma juventude abatida, perdida. Os Senhores são a chaga do mundo e tanto melhor para o mundo, mas que ele se acredite um pouco menos à frente da humanidade.
Visão estereotipada dos brasileiros entre portugueses
Para aqueles que porventura pudessem ter achado este post de há uns dias meio infundado, a Folha de São Paulo dá conta de um estudo realizado por uma investigadora brasileira na Universidade de Coimbra:
Para Benalva da Silva Vitório, autora da pesquisa, "a brasileira é vista como menina de programa". Segundo ela, essa imagem está relacionada às campanhas de turismo promovidas fora do Brasil.
"Os homens são vistos como malandros, que fazem muito barulho e não cumprem compromissos"
De acordo com o estudo, os brasileiros que emigram para o país não conhecem a cultura portuguesa e pensam que, devido à língua, Portugal é como o Brasil.
Para Benalva, a falta de conhecimento dos brasileiros sobre Portugal se deve, em parte, ao ensino das escolas brasileiras. "Na escola, estuda-se até a independência. Passou de 7 de setembro de 1822, acabou. Não ensinam a geografia ou a história dos dois países", afirmou a autora.
Para Benalva da Silva Vitório, autora da pesquisa, "a brasileira é vista como menina de programa". Segundo ela, essa imagem está relacionada às campanhas de turismo promovidas fora do Brasil.
"Os homens são vistos como malandros, que fazem muito barulho e não cumprem compromissos"
De acordo com o estudo, os brasileiros que emigram para o país não conhecem a cultura portuguesa e pensam que, devido à língua, Portugal é como o Brasil.
Para Benalva, a falta de conhecimento dos brasileiros sobre Portugal se deve, em parte, ao ensino das escolas brasileiras. "Na escola, estuda-se até a independência. Passou de 7 de setembro de 1822, acabou. Não ensinam a geografia ou a história dos dois países", afirmou a autora.
Questionário e imagem do topo
Para além da alteração da imagem do cabeçalho, que devido a um problema de definição ainda vou melhorar, colocamos até ao próximo dia 2 de Dezembro um questionário sobre se a Galp deve ou não explorar petróleo na Venezuela.
Comunista só houve um
Ao ler os seguintes comentários a esta notícia do Público:
JOAO ANDRE, paris
Eu vivi o25 DE ABRIL a fundo,sempre me considerei e fui socialista.Actualmente vivo numa cidade em França onde o"Maire",presidente da camara é comunista e meus amigos nao nos podemos iludir.Essas pessoas que se dizem democratas aproveitam-se daqueles que trabalham,ajudam aqueles que nao querem fazer nada afim deganhar votos.Isto nao é gente socialista porque so querem é o seu bem estar
Abel Guimarães, Porto
Os que apoiam Chavez, que até foi eleito, não são democratas. Os democratas são os que apoiam o Rei, que foi designado por Franco. Estes novos democratas são contra os sindicatos, contra os trabalhadores, contre tudo o que se manifeste. Sonham comnovos Salazares e fogem dos referendos como o Diabo da Cruz. Na minha juventude, vejam como os tempos mudam, tais gentes seriam consideradas fascistas.
Ocorre-me algo que o meu avô materno, pessoa de elevada cultura e sapiência, me costuma dizer: Verdadeiramente comunista só existiu uma pessoa: Emanuel Jesus Cristo.
JOAO ANDRE, paris
Eu vivi o25 DE ABRIL a fundo,sempre me considerei e fui socialista.Actualmente vivo numa cidade em França onde o"Maire",presidente da camara é comunista e meus amigos nao nos podemos iludir.Essas pessoas que se dizem democratas aproveitam-se daqueles que trabalham,ajudam aqueles que nao querem fazer nada afim deganhar votos.Isto nao é gente socialista porque so querem é o seu bem estar
Abel Guimarães, Porto
Os que apoiam Chavez, que até foi eleito, não são democratas. Os democratas são os que apoiam o Rei, que foi designado por Franco. Estes novos democratas são contra os sindicatos, contra os trabalhadores, contre tudo o que se manifeste. Sonham comnovos Salazares e fogem dos referendos como o Diabo da Cruz. Na minha juventude, vejam como os tempos mudam, tais gentes seriam consideradas fascistas.
Ocorre-me algo que o meu avô materno, pessoa de elevada cultura e sapiência, me costuma dizer: Verdadeiramente comunista só existiu uma pessoa: Emanuel Jesus Cristo.
Chávez aprende a usar gravata
Não sei se alguém reparou, mas parece-me que o ponto alto desta visita de Chávez a Lisboa foi a sua aprendizagem do uso desse acessório chamado gravata.

E com um bonito nó, sim senhor...
Galp na Venezuela
Depois de ler no Portugal Diário:
O ex-Presidente da República tem uma relação pessoal forte com o líder venezuelano e nos últimos meses fez vários contactos para aproximar a Galp da empresa estatal de petróleos da Venezuela.
E no DN:
O Presidente venezuelano chegou ao aeroporto de Lisboa - vindo de Paris - pelas 20.30, ou seja, quase com duas horas e meia de atraso. Tinha a aguardá-lo o secretário de Estado português das Comunidades, António Braga, o ex-Presidente Mário Soares ("pivot" nas negociações petrolíferas entre a Galp e o governo venezuelano) e ainda a administração da petrolífera portuguesa. Falando a jornalistas, voltou a exigir um pedido de desculpas do Rei de Espanha por causa do "por qué no te callas !" da cimeira ibero-americana.
Parece-me que talvez as más línguas que andam por aí a dizer que Chávez quer Portugal como interlocutor da Venezuela na União Europeia, enquanto planeia substituir a Repsol pela Galp até tenham alguma razão...
O ex-Presidente da República tem uma relação pessoal forte com o líder venezuelano e nos últimos meses fez vários contactos para aproximar a Galp da empresa estatal de petróleos da Venezuela.
E no DN:
O Presidente venezuelano chegou ao aeroporto de Lisboa - vindo de Paris - pelas 20.30, ou seja, quase com duas horas e meia de atraso. Tinha a aguardá-lo o secretário de Estado português das Comunidades, António Braga, o ex-Presidente Mário Soares ("pivot" nas negociações petrolíferas entre a Galp e o governo venezuelano) e ainda a administração da petrolífera portuguesa. Falando a jornalistas, voltou a exigir um pedido de desculpas do Rei de Espanha por causa do "por qué no te callas !" da cimeira ibero-americana.
Parece-me que talvez as más línguas que andam por aí a dizer que Chávez quer Portugal como interlocutor da Venezuela na União Europeia, enquanto planeia substituir a Repsol pela Galp até tenham alguma razão...
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Sugestões de Leitura
Aqui, Vasco Pulido Valente, qual Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, leva-nos numa aventura com Mário Soares.
Até há gémeos e tudo!
Até há gémeos e tudo!
Coincidência
O iníco dos anos 70 presentou o mundo com uma das crises mais marcantes na definição do sistema financeiro mundial no pós-guerra. Em 1973 o preço do petróleo aumentava exponencialmente, à medida que o Dólar se vinha desvalorizando em relação ao ouro, pelo que ainda na senda dos pilares de Bretton Woods, especialmente o da livre convertibilidade entre dólar e ouro, países como a Alemanha optavam por trocar as suas reservas de dólares por ouro do tesouro norte-americano, até que os Estados Unidos se desobrigaram dessa cláusula. O dólar continuava a desvalorizar provocando um aumento da inflação e do desemprego na área de influência norte-americana.
Qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência.
Qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência.
Estado mau pagador
Anda por aí uma petição, iniciada pelo CDS/PP, que dá pelo nome de "Estado mau pagador".
Ao contrário de muitos outros, não vou aqui fazer propaganda em favor dessa petição, até porque apesar da minha inclinação política ser para a direita, sendo um liberal adepto da monarquia, não tenho nenhum vínculo partidário (há quem vá tentando recorrentemente incutir-me um...).
Concordo de facto com os seguintes pontos:
5. O Estado é recorrentemente devedor a particulares e empresas, de quantias vencidas, certas, líquidas e exigíveis, para além de todos os prazos estipulados e até de todos os prazos minimamente razoáveis.
6. Em razão da mora do Estado, muitos particulares e empresas sentem todos os dias dificuldades financeiras, sendo incapazes de solverem compromissos assumidos, sofrendo graves perdas de competitividade, e nos casos das empresas, sendo por vezes obrigadas ao próprio encerramento.
Mas quando leio que:
13. Quem não deve não teme. E um Estado que não se assuma e mostre como pessoa de bem, não pode exigir dos demais, aquilo que não é capaz de cumprir.
Não posso deixar de achar que essa valoração do Estado é algo perigosa. O Estado não deve, e de forma ideal não pode, ser uma pessoa de bem. Essa coisa de gente de bem e pessoas de bem não se pode adequar ao Estado, não se pode imbutir esse tipo de valorações numa entidade que se presume imparcial e agente regulador do euzein (bem viver Aristotélico) dos cidadãos, até porque para todos os efeitos, a Revolução Francesa veio dizer-nos que o Estado somos nós. E nem todos somos pessoas de bem.
Ora se o Estado enquanto entidade abastracta somos nós, embora seja empiricamente verificável que o Estado é mau pagador, concordo que se tornem públicas as dívidas dos maus pagadores, porque apesar da cultura nacional da fuga ao fisco, pelo facto de nem todos sermos pessoas de bem, os que não são têm que ser compelidos a cumprir as suas obrigações, contribuindo para o bem comum, para o bem estar geral de todos nós (de forma ideal, independentemente das valorações que se possam atribuir aos critérios dos gastos efectuados em termos de despesa pública).
Logo, parece-me que o motivo aparente para a criação desta petição está de certa forma desmontado. Portanto pergunto-me, qual o motivo latente para tal? O que quer quem a fez? Será alguém que se sente irritado por o Estado ter publicado as suas dívidas? Ou que tem amigos que assim se sentem?
Não deixam de ter razão quanto ao facto do Estado ser mau pagador, mas o motivo e a forma assumida, nos quais muito poucos devem ter atentado, parecem-me algo descarados, disfarçados sob uma subtil forma de chantagem.
Mas como adepto do maquiavelismo, considero que não deixa de ser uma boa jogada política.
Ao contrário de muitos outros, não vou aqui fazer propaganda em favor dessa petição, até porque apesar da minha inclinação política ser para a direita, sendo um liberal adepto da monarquia, não tenho nenhum vínculo partidário (há quem vá tentando recorrentemente incutir-me um...).
Concordo de facto com os seguintes pontos:
5. O Estado é recorrentemente devedor a particulares e empresas, de quantias vencidas, certas, líquidas e exigíveis, para além de todos os prazos estipulados e até de todos os prazos minimamente razoáveis.
6. Em razão da mora do Estado, muitos particulares e empresas sentem todos os dias dificuldades financeiras, sendo incapazes de solverem compromissos assumidos, sofrendo graves perdas de competitividade, e nos casos das empresas, sendo por vezes obrigadas ao próprio encerramento.
Mas quando leio que:
13. Quem não deve não teme. E um Estado que não se assuma e mostre como pessoa de bem, não pode exigir dos demais, aquilo que não é capaz de cumprir.
Não posso deixar de achar que essa valoração do Estado é algo perigosa. O Estado não deve, e de forma ideal não pode, ser uma pessoa de bem. Essa coisa de gente de bem e pessoas de bem não se pode adequar ao Estado, não se pode imbutir esse tipo de valorações numa entidade que se presume imparcial e agente regulador do euzein (bem viver Aristotélico) dos cidadãos, até porque para todos os efeitos, a Revolução Francesa veio dizer-nos que o Estado somos nós. E nem todos somos pessoas de bem.
Ora se o Estado enquanto entidade abastracta somos nós, embora seja empiricamente verificável que o Estado é mau pagador, concordo que se tornem públicas as dívidas dos maus pagadores, porque apesar da cultura nacional da fuga ao fisco, pelo facto de nem todos sermos pessoas de bem, os que não são têm que ser compelidos a cumprir as suas obrigações, contribuindo para o bem comum, para o bem estar geral de todos nós (de forma ideal, independentemente das valorações que se possam atribuir aos critérios dos gastos efectuados em termos de despesa pública).
Logo, parece-me que o motivo aparente para a criação desta petição está de certa forma desmontado. Portanto pergunto-me, qual o motivo latente para tal? O que quer quem a fez? Será alguém que se sente irritado por o Estado ter publicado as suas dívidas? Ou que tem amigos que assim se sentem?
Não deixam de ter razão quanto ao facto do Estado ser mau pagador, mas o motivo e a forma assumida, nos quais muito poucos devem ter atentado, parecem-me algo descarados, disfarçados sob uma subtil forma de chantagem.
Mas como adepto do maquiavelismo, considero que não deixa de ser uma boa jogada política.
Raio do maçarico
Ó Hugo parece que o LNEC encontrou um problemazito quanto à alternativa de Alcochete para o novo aeroporto, um tal maçarico-de-bico-direito. Agora é que te podias tornar um ambientalista ferrenho e defender com unhas e dentes o maçarico, para que não venhas a ter os teus fins-de-semana de descanso interrompidos...
Juventude
O Observador alerta no post "A Ordem e a Advocacia":
"Numa altura em que o país (e o mundo ocidental) se preocupa com o envelhecimento da população, dei-me conta que os advogados se afligem com o excesso de novos advogados. O excesso de juventude."
Parece-me que não é só na advocacia. Todo o aparelho estatal português padece do mesmo mal. Salvo raras excepções, em Portugal os jovens não são aproveitados e são, na maioria das vezes, menosprezados. É gritante essa característica sobretudo se comparada com o Brasil, especialmente aqui em Brasília que é conhecida como a cidade dos concursos.
Praticamente todos os dias, ou pelo menos todas as semanas, existem concursos para centenas de empregos no Estado, extremamente bem remunerados. Muitos dos meus colegas na Universidade fazem estágios remunerados ou já têm emprego. E quanto aos que já têm emprego é difícil encontrar algum que receba menos de 4 ou 5 mil reais (1600 a 2000 Euros), valores atingidos em Portugal apenas por profissionais no topo e geralmente em fim de carreira. Estes colegas têm 20, 21, 22, 23, 24, 25 anos de idade. Trabalham no Banco do Brasil, na Caixa Económica, na Embraer, no Congresso, na Petrobras, no Itamaraty e muitas outras empresas e organismos estatais. Um jovem diplomata que acaba de entrar no Itamaraty, ainda cursando no Instituto Rio Branco, recebe tanto quanto um embaixador português quando está em Lisboa. Nós continuamos com uma administração e função pública decrépita, pouco actualizada em termos de novas tecnologias, e que raramente abre concursos.
"Numa altura em que o país (e o mundo ocidental) se preocupa com o envelhecimento da população, dei-me conta que os advogados se afligem com o excesso de novos advogados. O excesso de juventude."
Parece-me que não é só na advocacia. Todo o aparelho estatal português padece do mesmo mal. Salvo raras excepções, em Portugal os jovens não são aproveitados e são, na maioria das vezes, menosprezados. É gritante essa característica sobretudo se comparada com o Brasil, especialmente aqui em Brasília que é conhecida como a cidade dos concursos.
Praticamente todos os dias, ou pelo menos todas as semanas, existem concursos para centenas de empregos no Estado, extremamente bem remunerados. Muitos dos meus colegas na Universidade fazem estágios remunerados ou já têm emprego. E quanto aos que já têm emprego é difícil encontrar algum que receba menos de 4 ou 5 mil reais (1600 a 2000 Euros), valores atingidos em Portugal apenas por profissionais no topo e geralmente em fim de carreira. Estes colegas têm 20, 21, 22, 23, 24, 25 anos de idade. Trabalham no Banco do Brasil, na Caixa Económica, na Embraer, no Congresso, na Petrobras, no Itamaraty e muitas outras empresas e organismos estatais. Um jovem diplomata que acaba de entrar no Itamaraty, ainda cursando no Instituto Rio Branco, recebe tanto quanto um embaixador português quando está em Lisboa. Nós continuamos com uma administração e função pública decrépita, pouco actualizada em termos de novas tecnologias, e que raramente abre concursos.
Para quem não saiba existem acordos que permitem a portugueses fazer concurso para a função pública brasileira...
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