segunda-feira, 26 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Kadhafi em Oeiras e Mugabe com medo
Pelo DN fico a saber que Kadhafi ficará no Forte de São Julião da Barra e que Mugabe já requisitou uma viatura blindada para o transportar durante a cimeira.
Mas vão montar a tendo de Kadhafi no forte???
Com tanto motivo de preocupação parece que se espera realmente um atentado terrorista. Não se preocupem, enquanto tivermos praia, sol, campos de golfe e formos o recreio de Verão da Europa não há terrorista que decida explodir com alguma coisa em Portugal. Somos um país pacífico com um povo pacífico e acolhedor. Tão acolhedor que basta ver os exilados que por cá passaram e vão passando.
Mas vão montar a tendo de Kadhafi no forte???
Com tanto motivo de preocupação parece que se espera realmente um atentado terrorista. Não se preocupem, enquanto tivermos praia, sol, campos de golfe e formos o recreio de Verão da Europa não há terrorista que decida explodir com alguma coisa em Portugal. Somos um país pacífico com um povo pacífico e acolhedor. Tão acolhedor que basta ver os exilados que por cá passaram e vão passando.
Sugestões de leitura
"Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?" no Sobre o Tempo que Passa, pelo Professor Maltez.
"Monarquia ou república: uma posição liberal" no Portugal Contemporâneo, por Rui A., de onde destaco:
"Do ponto de vista liberal, na minha opinião, a monarquia pode hoje revelar facetas de maior interesse do que no passado e do que o republicanismo actual. Na verdade, numa época em que as democracias se desvirtuam e tornam totalitarizantes, quando os actos de soberania obedecem cada vez mais a interesses de grupo, de todo em todo distintos dos verdadeiros interesses dos cidadãos, e quando os checks and balances dos sistemas políticos se tornam cada vez mais frágeis, a existência de um poder verdadeiramente moderador que refreie a soberania torna-se absolutamente necessário para a defesa da liberdade e dos direitos dos cidadãos. Essa é, ou pelo menos deverá ser, a principal preocupação do liberalismo: refrear a soberania. "
"Monarquia ou república: uma posição liberal" no Portugal Contemporâneo, por Rui A., de onde destaco:
"Do ponto de vista liberal, na minha opinião, a monarquia pode hoje revelar facetas de maior interesse do que no passado e do que o republicanismo actual. Na verdade, numa época em que as democracias se desvirtuam e tornam totalitarizantes, quando os actos de soberania obedecem cada vez mais a interesses de grupo, de todo em todo distintos dos verdadeiros interesses dos cidadãos, e quando os checks and balances dos sistemas políticos se tornam cada vez mais frágeis, a existência de um poder verdadeiramente moderador que refreie a soberania torna-se absolutamente necessário para a defesa da liberdade e dos direitos dos cidadãos. Essa é, ou pelo menos deverá ser, a principal preocupação do liberalismo: refrear a soberania. "
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Às vezes há coisas que são bem verdade
Man is the only animal that blushes. Or needs to.
Dá-se prémio a quem souber quem cito. Vá, e não vale ir ao Google. Nem a outros motores de busca, Samuel!!
Dá-se prémio a quem souber quem cito. Vá, e não vale ir ao Google. Nem a outros motores de busca, Samuel!!
Às vezes há coisas giras
Hoje houve aula aberta no ISCSP, mérito do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, com os Professores José Adelino Maltez, Saldanha Sanches e Rosado Fernandes (aquele que deu um murro num deputado em pleno Parlamento Europeu).
Valeu a pena.
E soube-se que há investidores privados espanhóis interessados em apostar em grande no mercado das universidades privadas portuguesas, e que estão previstas negociações directas com o Primeiro-Ministro. A verdade é que há mercado em Portugal para universidades privadas, desde que estas sejam de excelência. Veja-se apenas o número de alunos portugueses que vão fazer mestrados no Estrangeiro.
Já agora, alguém me arranja 60.000 dólares para eu ir para Columbia? Aproveitem agora, enquanto o Euro valoriza...
Valeu a pena.
E soube-se que há investidores privados espanhóis interessados em apostar em grande no mercado das universidades privadas portuguesas, e que estão previstas negociações directas com o Primeiro-Ministro. A verdade é que há mercado em Portugal para universidades privadas, desde que estas sejam de excelência. Veja-se apenas o número de alunos portugueses que vão fazer mestrados no Estrangeiro.
Já agora, alguém me arranja 60.000 dólares para eu ir para Columbia? Aproveitem agora, enquanto o Euro valoriza...
Carta aos Reitores das Universidades Europeias
Em 1925, o surrealista francês Antonin Artaud, escrevia uma Carta aos Reitores das Universidades Europeias, que, infelizmente, hoje bem se poderia intitular Carta a alguns Professores Universitários Portugueses:
Senhores Reitores,
Na estreita cisterna que os Srs. chamam de "Pensamento", os raios espirituais apodrecem como palha.
Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto. Além daquilo que a ciência jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre removidas, fora de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito se agita, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles com um caráter de revelação, essa ária vinda de longe, caída do céu.
Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das suas fábricas, dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 mais 2 fazem 4; a culpa é vossa, Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. fabricam engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios, cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de reconstituir o Espírito. O menor ato de criação espontânea e um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica. Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?
Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros. Em nome da vossa própria lógica, voz dizemos: a vida fede, Senhores. Olhem para seus rostos, considerem seus produtos. Pelo crivo dos vossos diplomas passa uma juventude abatida, perdida. Os Senhores são a chaga do mundo e tanto melhor para o mundo, mas que ele se acredite um pouco menos à frente da humanidade.
Senhores Reitores,
Na estreita cisterna que os Srs. chamam de "Pensamento", os raios espirituais apodrecem como palha.
Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto. Além daquilo que a ciência jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre removidas, fora de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito se agita, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles com um caráter de revelação, essa ária vinda de longe, caída do céu.
Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das suas fábricas, dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 mais 2 fazem 4; a culpa é vossa, Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. fabricam engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios, cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de reconstituir o Espírito. O menor ato de criação espontânea e um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica. Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?
Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros. Em nome da vossa própria lógica, voz dizemos: a vida fede, Senhores. Olhem para seus rostos, considerem seus produtos. Pelo crivo dos vossos diplomas passa uma juventude abatida, perdida. Os Senhores são a chaga do mundo e tanto melhor para o mundo, mas que ele se acredite um pouco menos à frente da humanidade.
Visão estereotipada dos brasileiros entre portugueses
Para aqueles que porventura pudessem ter achado este post de há uns dias meio infundado, a Folha de São Paulo dá conta de um estudo realizado por uma investigadora brasileira na Universidade de Coimbra:
Para Benalva da Silva Vitório, autora da pesquisa, "a brasileira é vista como menina de programa". Segundo ela, essa imagem está relacionada às campanhas de turismo promovidas fora do Brasil.
"Os homens são vistos como malandros, que fazem muito barulho e não cumprem compromissos"
De acordo com o estudo, os brasileiros que emigram para o país não conhecem a cultura portuguesa e pensam que, devido à língua, Portugal é como o Brasil.
Para Benalva, a falta de conhecimento dos brasileiros sobre Portugal se deve, em parte, ao ensino das escolas brasileiras. "Na escola, estuda-se até a independência. Passou de 7 de setembro de 1822, acabou. Não ensinam a geografia ou a história dos dois países", afirmou a autora.
Para Benalva da Silva Vitório, autora da pesquisa, "a brasileira é vista como menina de programa". Segundo ela, essa imagem está relacionada às campanhas de turismo promovidas fora do Brasil.
"Os homens são vistos como malandros, que fazem muito barulho e não cumprem compromissos"
De acordo com o estudo, os brasileiros que emigram para o país não conhecem a cultura portuguesa e pensam que, devido à língua, Portugal é como o Brasil.
Para Benalva, a falta de conhecimento dos brasileiros sobre Portugal se deve, em parte, ao ensino das escolas brasileiras. "Na escola, estuda-se até a independência. Passou de 7 de setembro de 1822, acabou. Não ensinam a geografia ou a história dos dois países", afirmou a autora.
Questionário e imagem do topo
Para além da alteração da imagem do cabeçalho, que devido a um problema de definição ainda vou melhorar, colocamos até ao próximo dia 2 de Dezembro um questionário sobre se a Galp deve ou não explorar petróleo na Venezuela.
Comunista só houve um
Ao ler os seguintes comentários a esta notícia do Público:
JOAO ANDRE, paris
Eu vivi o25 DE ABRIL a fundo,sempre me considerei e fui socialista.Actualmente vivo numa cidade em França onde o"Maire",presidente da camara é comunista e meus amigos nao nos podemos iludir.Essas pessoas que se dizem democratas aproveitam-se daqueles que trabalham,ajudam aqueles que nao querem fazer nada afim deganhar votos.Isto nao é gente socialista porque so querem é o seu bem estar
Abel Guimarães, Porto
Os que apoiam Chavez, que até foi eleito, não são democratas. Os democratas são os que apoiam o Rei, que foi designado por Franco. Estes novos democratas são contra os sindicatos, contra os trabalhadores, contre tudo o que se manifeste. Sonham comnovos Salazares e fogem dos referendos como o Diabo da Cruz. Na minha juventude, vejam como os tempos mudam, tais gentes seriam consideradas fascistas.
Ocorre-me algo que o meu avô materno, pessoa de elevada cultura e sapiência, me costuma dizer: Verdadeiramente comunista só existiu uma pessoa: Emanuel Jesus Cristo.
JOAO ANDRE, paris
Eu vivi o25 DE ABRIL a fundo,sempre me considerei e fui socialista.Actualmente vivo numa cidade em França onde o"Maire",presidente da camara é comunista e meus amigos nao nos podemos iludir.Essas pessoas que se dizem democratas aproveitam-se daqueles que trabalham,ajudam aqueles que nao querem fazer nada afim deganhar votos.Isto nao é gente socialista porque so querem é o seu bem estar
Abel Guimarães, Porto
Os que apoiam Chavez, que até foi eleito, não são democratas. Os democratas são os que apoiam o Rei, que foi designado por Franco. Estes novos democratas são contra os sindicatos, contra os trabalhadores, contre tudo o que se manifeste. Sonham comnovos Salazares e fogem dos referendos como o Diabo da Cruz. Na minha juventude, vejam como os tempos mudam, tais gentes seriam consideradas fascistas.
Ocorre-me algo que o meu avô materno, pessoa de elevada cultura e sapiência, me costuma dizer: Verdadeiramente comunista só existiu uma pessoa: Emanuel Jesus Cristo.
Chávez aprende a usar gravata
Não sei se alguém reparou, mas parece-me que o ponto alto desta visita de Chávez a Lisboa foi a sua aprendizagem do uso desse acessório chamado gravata.

E com um bonito nó, sim senhor...
Galp na Venezuela
Depois de ler no Portugal Diário:
O ex-Presidente da República tem uma relação pessoal forte com o líder venezuelano e nos últimos meses fez vários contactos para aproximar a Galp da empresa estatal de petróleos da Venezuela.
E no DN:
O Presidente venezuelano chegou ao aeroporto de Lisboa - vindo de Paris - pelas 20.30, ou seja, quase com duas horas e meia de atraso. Tinha a aguardá-lo o secretário de Estado português das Comunidades, António Braga, o ex-Presidente Mário Soares ("pivot" nas negociações petrolíferas entre a Galp e o governo venezuelano) e ainda a administração da petrolífera portuguesa. Falando a jornalistas, voltou a exigir um pedido de desculpas do Rei de Espanha por causa do "por qué no te callas !" da cimeira ibero-americana.
Parece-me que talvez as más línguas que andam por aí a dizer que Chávez quer Portugal como interlocutor da Venezuela na União Europeia, enquanto planeia substituir a Repsol pela Galp até tenham alguma razão...
O ex-Presidente da República tem uma relação pessoal forte com o líder venezuelano e nos últimos meses fez vários contactos para aproximar a Galp da empresa estatal de petróleos da Venezuela.
E no DN:
O Presidente venezuelano chegou ao aeroporto de Lisboa - vindo de Paris - pelas 20.30, ou seja, quase com duas horas e meia de atraso. Tinha a aguardá-lo o secretário de Estado português das Comunidades, António Braga, o ex-Presidente Mário Soares ("pivot" nas negociações petrolíferas entre a Galp e o governo venezuelano) e ainda a administração da petrolífera portuguesa. Falando a jornalistas, voltou a exigir um pedido de desculpas do Rei de Espanha por causa do "por qué no te callas !" da cimeira ibero-americana.
Parece-me que talvez as más línguas que andam por aí a dizer que Chávez quer Portugal como interlocutor da Venezuela na União Europeia, enquanto planeia substituir a Repsol pela Galp até tenham alguma razão...
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Sugestões de Leitura
Aqui, Vasco Pulido Valente, qual Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, leva-nos numa aventura com Mário Soares.
Até há gémeos e tudo!
Até há gémeos e tudo!
Coincidência
O iníco dos anos 70 presentou o mundo com uma das crises mais marcantes na definição do sistema financeiro mundial no pós-guerra. Em 1973 o preço do petróleo aumentava exponencialmente, à medida que o Dólar se vinha desvalorizando em relação ao ouro, pelo que ainda na senda dos pilares de Bretton Woods, especialmente o da livre convertibilidade entre dólar e ouro, países como a Alemanha optavam por trocar as suas reservas de dólares por ouro do tesouro norte-americano, até que os Estados Unidos se desobrigaram dessa cláusula. O dólar continuava a desvalorizar provocando um aumento da inflação e do desemprego na área de influência norte-americana.
Qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência.
Qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência.
Estado mau pagador
Anda por aí uma petição, iniciada pelo CDS/PP, que dá pelo nome de "Estado mau pagador".
Ao contrário de muitos outros, não vou aqui fazer propaganda em favor dessa petição, até porque apesar da minha inclinação política ser para a direita, sendo um liberal adepto da monarquia, não tenho nenhum vínculo partidário (há quem vá tentando recorrentemente incutir-me um...).
Concordo de facto com os seguintes pontos:
5. O Estado é recorrentemente devedor a particulares e empresas, de quantias vencidas, certas, líquidas e exigíveis, para além de todos os prazos estipulados e até de todos os prazos minimamente razoáveis.
6. Em razão da mora do Estado, muitos particulares e empresas sentem todos os dias dificuldades financeiras, sendo incapazes de solverem compromissos assumidos, sofrendo graves perdas de competitividade, e nos casos das empresas, sendo por vezes obrigadas ao próprio encerramento.
Mas quando leio que:
13. Quem não deve não teme. E um Estado que não se assuma e mostre como pessoa de bem, não pode exigir dos demais, aquilo que não é capaz de cumprir.
Não posso deixar de achar que essa valoração do Estado é algo perigosa. O Estado não deve, e de forma ideal não pode, ser uma pessoa de bem. Essa coisa de gente de bem e pessoas de bem não se pode adequar ao Estado, não se pode imbutir esse tipo de valorações numa entidade que se presume imparcial e agente regulador do euzein (bem viver Aristotélico) dos cidadãos, até porque para todos os efeitos, a Revolução Francesa veio dizer-nos que o Estado somos nós. E nem todos somos pessoas de bem.
Ora se o Estado enquanto entidade abastracta somos nós, embora seja empiricamente verificável que o Estado é mau pagador, concordo que se tornem públicas as dívidas dos maus pagadores, porque apesar da cultura nacional da fuga ao fisco, pelo facto de nem todos sermos pessoas de bem, os que não são têm que ser compelidos a cumprir as suas obrigações, contribuindo para o bem comum, para o bem estar geral de todos nós (de forma ideal, independentemente das valorações que se possam atribuir aos critérios dos gastos efectuados em termos de despesa pública).
Logo, parece-me que o motivo aparente para a criação desta petição está de certa forma desmontado. Portanto pergunto-me, qual o motivo latente para tal? O que quer quem a fez? Será alguém que se sente irritado por o Estado ter publicado as suas dívidas? Ou que tem amigos que assim se sentem?
Não deixam de ter razão quanto ao facto do Estado ser mau pagador, mas o motivo e a forma assumida, nos quais muito poucos devem ter atentado, parecem-me algo descarados, disfarçados sob uma subtil forma de chantagem.
Mas como adepto do maquiavelismo, considero que não deixa de ser uma boa jogada política.
Ao contrário de muitos outros, não vou aqui fazer propaganda em favor dessa petição, até porque apesar da minha inclinação política ser para a direita, sendo um liberal adepto da monarquia, não tenho nenhum vínculo partidário (há quem vá tentando recorrentemente incutir-me um...).
Concordo de facto com os seguintes pontos:
5. O Estado é recorrentemente devedor a particulares e empresas, de quantias vencidas, certas, líquidas e exigíveis, para além de todos os prazos estipulados e até de todos os prazos minimamente razoáveis.
6. Em razão da mora do Estado, muitos particulares e empresas sentem todos os dias dificuldades financeiras, sendo incapazes de solverem compromissos assumidos, sofrendo graves perdas de competitividade, e nos casos das empresas, sendo por vezes obrigadas ao próprio encerramento.
Mas quando leio que:
13. Quem não deve não teme. E um Estado que não se assuma e mostre como pessoa de bem, não pode exigir dos demais, aquilo que não é capaz de cumprir.
Não posso deixar de achar que essa valoração do Estado é algo perigosa. O Estado não deve, e de forma ideal não pode, ser uma pessoa de bem. Essa coisa de gente de bem e pessoas de bem não se pode adequar ao Estado, não se pode imbutir esse tipo de valorações numa entidade que se presume imparcial e agente regulador do euzein (bem viver Aristotélico) dos cidadãos, até porque para todos os efeitos, a Revolução Francesa veio dizer-nos que o Estado somos nós. E nem todos somos pessoas de bem.
Ora se o Estado enquanto entidade abastracta somos nós, embora seja empiricamente verificável que o Estado é mau pagador, concordo que se tornem públicas as dívidas dos maus pagadores, porque apesar da cultura nacional da fuga ao fisco, pelo facto de nem todos sermos pessoas de bem, os que não são têm que ser compelidos a cumprir as suas obrigações, contribuindo para o bem comum, para o bem estar geral de todos nós (de forma ideal, independentemente das valorações que se possam atribuir aos critérios dos gastos efectuados em termos de despesa pública).
Logo, parece-me que o motivo aparente para a criação desta petição está de certa forma desmontado. Portanto pergunto-me, qual o motivo latente para tal? O que quer quem a fez? Será alguém que se sente irritado por o Estado ter publicado as suas dívidas? Ou que tem amigos que assim se sentem?
Não deixam de ter razão quanto ao facto do Estado ser mau pagador, mas o motivo e a forma assumida, nos quais muito poucos devem ter atentado, parecem-me algo descarados, disfarçados sob uma subtil forma de chantagem.
Mas como adepto do maquiavelismo, considero que não deixa de ser uma boa jogada política.
Raio do maçarico
Ó Hugo parece que o LNEC encontrou um problemazito quanto à alternativa de Alcochete para o novo aeroporto, um tal maçarico-de-bico-direito. Agora é que te podias tornar um ambientalista ferrenho e defender com unhas e dentes o maçarico, para que não venhas a ter os teus fins-de-semana de descanso interrompidos...
Juventude
O Observador alerta no post "A Ordem e a Advocacia":
"Numa altura em que o país (e o mundo ocidental) se preocupa com o envelhecimento da população, dei-me conta que os advogados se afligem com o excesso de novos advogados. O excesso de juventude."
Parece-me que não é só na advocacia. Todo o aparelho estatal português padece do mesmo mal. Salvo raras excepções, em Portugal os jovens não são aproveitados e são, na maioria das vezes, menosprezados. É gritante essa característica sobretudo se comparada com o Brasil, especialmente aqui em Brasília que é conhecida como a cidade dos concursos.
Praticamente todos os dias, ou pelo menos todas as semanas, existem concursos para centenas de empregos no Estado, extremamente bem remunerados. Muitos dos meus colegas na Universidade fazem estágios remunerados ou já têm emprego. E quanto aos que já têm emprego é difícil encontrar algum que receba menos de 4 ou 5 mil reais (1600 a 2000 Euros), valores atingidos em Portugal apenas por profissionais no topo e geralmente em fim de carreira. Estes colegas têm 20, 21, 22, 23, 24, 25 anos de idade. Trabalham no Banco do Brasil, na Caixa Económica, na Embraer, no Congresso, na Petrobras, no Itamaraty e muitas outras empresas e organismos estatais. Um jovem diplomata que acaba de entrar no Itamaraty, ainda cursando no Instituto Rio Branco, recebe tanto quanto um embaixador português quando está em Lisboa. Nós continuamos com uma administração e função pública decrépita, pouco actualizada em termos de novas tecnologias, e que raramente abre concursos.
"Numa altura em que o país (e o mundo ocidental) se preocupa com o envelhecimento da população, dei-me conta que os advogados se afligem com o excesso de novos advogados. O excesso de juventude."
Parece-me que não é só na advocacia. Todo o aparelho estatal português padece do mesmo mal. Salvo raras excepções, em Portugal os jovens não são aproveitados e são, na maioria das vezes, menosprezados. É gritante essa característica sobretudo se comparada com o Brasil, especialmente aqui em Brasília que é conhecida como a cidade dos concursos.
Praticamente todos os dias, ou pelo menos todas as semanas, existem concursos para centenas de empregos no Estado, extremamente bem remunerados. Muitos dos meus colegas na Universidade fazem estágios remunerados ou já têm emprego. E quanto aos que já têm emprego é difícil encontrar algum que receba menos de 4 ou 5 mil reais (1600 a 2000 Euros), valores atingidos em Portugal apenas por profissionais no topo e geralmente em fim de carreira. Estes colegas têm 20, 21, 22, 23, 24, 25 anos de idade. Trabalham no Banco do Brasil, na Caixa Económica, na Embraer, no Congresso, na Petrobras, no Itamaraty e muitas outras empresas e organismos estatais. Um jovem diplomata que acaba de entrar no Itamaraty, ainda cursando no Instituto Rio Branco, recebe tanto quanto um embaixador português quando está em Lisboa. Nós continuamos com uma administração e função pública decrépita, pouco actualizada em termos de novas tecnologias, e que raramente abre concursos.
Para quem não saiba existem acordos que permitem a portugueses fazer concurso para a função pública brasileira...
Sugestões de leitura
A entrevista de Vasco Pulido Valente ao Expresso, transcrita na Atlântico.
"O Testamento de Sartre" no Triunfo dos Porcos.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
C'est un lapin de bois! Quoi? C'est un rabbit!!
Qu'est-ce que c'est? C'est un lapin de bois! Quoi? C'est un rabbit!!
Valeu bem a pena, e parece que está a ser traduzido para português pelo Nuno Markl.
Nem a ginginha perdoam
Numa altura em que a ASAE parece realmente decidida a trabalhar exaustivamente em todas as frentes, deixo aqui o post intitulado "Bota Abaixo" de João Villalobos no Corta-Fitas:
"Lendo o Tomás Vasques, descubro que a ASAE apreendeu na Ginjinha do Rossio umas 18 garrafas de ginja «com elas». A ASAE não quer saber da qualidade dos shots servidos às crianças no Garage ou dos efeitos de misturas publicitadas à «malta jovem» em cartazes, como o do Martini com cerveja. Preocupa-se é com o fígado dos frequentadores daquele castiço estabelecimento. Devem ser malta nova, estes ninjas. Tivessem eles barba e um bocadinho de vida e saberiam que o prazo de validade não se aplica uma garrafa de ginjinha e, em acréscimo, que o fígado de quem por lá pára já passou há muito a fase dos paternalismos. Rapazes da ASAE: Ainda vocês comiam mioleira com ovos mexidos ofertada pela vossa mamã e já aqueles senhores trabalhavam de Sol a Sol sem outra razão de viver que não o 13 no Totobola e o copito de ginjinha ao fim do dia. O que é que vocês querem afinal, hã? Tornar-nos a todos uma cambada de suiços? Bebam mas é as 18 garrafitas e ganhem juízo. "
"Lendo o Tomás Vasques, descubro que a ASAE apreendeu na Ginjinha do Rossio umas 18 garrafas de ginja «com elas». A ASAE não quer saber da qualidade dos shots servidos às crianças no Garage ou dos efeitos de misturas publicitadas à «malta jovem» em cartazes, como o do Martini com cerveja. Preocupa-se é com o fígado dos frequentadores daquele castiço estabelecimento. Devem ser malta nova, estes ninjas. Tivessem eles barba e um bocadinho de vida e saberiam que o prazo de validade não se aplica uma garrafa de ginjinha e, em acréscimo, que o fígado de quem por lá pára já passou há muito a fase dos paternalismos. Rapazes da ASAE: Ainda vocês comiam mioleira com ovos mexidos ofertada pela vossa mamã e já aqueles senhores trabalhavam de Sol a Sol sem outra razão de viver que não o 13 no Totobola e o copito de ginjinha ao fim do dia. O que é que vocês querem afinal, hã? Tornar-nos a todos uma cambada de suiços? Bebam mas é as 18 garrafitas e ganhem juízo. "
E camelos não?
Dúvida que assaltou a minha mente inquieta enquanto tentava adormecer: será que Kadhafi, que não confia na segurança portuguesa, tal como não confiou nos Belgas e Moçambicanos, e tendo em conta que os carros com escolta policial talvez não lhe agradem, também irá exigir camelos para se deslocar até ao Pavilhão Atlântico? Talvez assim ainda se sinta mais em casa.
Enquanto as autoridades andam a determinar onde colocar a sua tenda, eu já tive uma ideia. Lembram-se da margem sul? Esse tal deserto de Mário Lino? Talvez Kadhafi até possa fazer campanha por Alcochete...
Enquanto as autoridades andam a determinar onde colocar a sua tenda, eu já tive uma ideia. Lembram-se da margem sul? Esse tal deserto de Mário Lino? Talvez Kadhafi até possa fazer campanha por Alcochete...
Agradecimentos blogosféricos (5)
Ao José Pacheco Pereira por ter publicado no Abrupto a mesma fotografia que aqui deixo, Brasília vista da Torre da Tv, em pormenor, a Esplanada dos Ministérios, datada do passado dia 17/11, num tour realizado com os amigos Bruno Amorim e Cris Alcântara.

Agradecimentos blogosféricos (4)
Ao Politicopata pelas suas simpáticas palavras, e quanto à Maddie, é coisa que por aqui não nos interessa falar, esse mediatismo digno de novela brasileira já ultrapassou as marcas do ridículo.
Um grande abraço e que continue com os seus posts deliciosos!
sábado, 17 de novembro de 2007
Campo de Tiro em Serpa - de fait-divers a notíca séria
Notícia do dia, pelo menos para mim: se o novo aeroporto internacional de Lisboa for construído no que é hoje o Campo de Tiro de Alcochete, a Força Aéra poderá começar a usar como campo de tiro um "espaço deserto, com solos pobres, e onde as poucas actividades são a pastorícia e a cinegética" (sic SIC, a do Balsemão).
Ora aqui há uns tempos, tive oportunidade de abordar este assunto com alguém, diga-se, muito bem colocado para discutir o assunto, que dizia não haver possibilidade de outra zona do país poder ser utilizada como campo de tiro, devido à natureza dos solos muito própria que se exige para tal finalidade, e outro pormenores técnicos, que estou longe de dominar.
De referir ainda que o Campo de Tiro de Alcochete não é utilizado apenas pela FA Portuguesa, mas também pela de outros aliados, nomeadamente da NATO.
Se esta notícia tem ponta de credibilidade, não sei. O que sei é que Natureza não se confunde com deserto, nem a caça é uma actividade económica pouco lucrativa, mas dos jornalistas portugueses, já pouco se há de esperar.
O que sei também, é que não quero passar os meus fins-de-semana no Alentejo a ouvir o zumbido dos planadores da FA e estalinhos de carnaval. Apesar de tudo, o que "o Alentejo precisa é de emprego e desenvolvimento, e não de bombas"...
Termino, em favor da honestidade intelectual, admitindo que sou natural do concelho de Serpa, exilado em Lisboa.
Kadhafi quer ficar em tenda
Muamar al-Kadhafi não quer ficar em nenhum hotel. E o MNE anda às voltas para encontrar algum local onde ele possa colocar a sua tenda. De salientar que já fez o mesmo na Bélgica e Moçambique.
No me callo e te digo más...
Chávez não se cala e até resolveu tentar espantar o mundo com novas afirmações, daquelas que vêm do fundo de um ser cada vez mais desorientado, conforme noticiado aqui.
Chávez que estará de visita ao Irão nos próximos dias, afirma-se confiante no desenvolvimento do programa nuclear iraniano com fins exclusivamente pacíficos, e revela ao mundo que também a Venezuela irá iniciar um programa de desenvolvimento de energia atómica.
A Folha de São Paulo ainda revela que "Ele defendeu a energia nuclear como uma solução para a crise energética mundial, causada pelo aumento do preço do petróleo e pela redução das reservas, além da mudança climática e da poluição atmosférica."
Tão altruísta que ele é...Nem Bolívar chegaria a tanto...
Chávez que estará de visita ao Irão nos próximos dias, afirma-se confiante no desenvolvimento do programa nuclear iraniano com fins exclusivamente pacíficos, e revela ao mundo que também a Venezuela irá iniciar um programa de desenvolvimento de energia atómica.
A Folha de São Paulo ainda revela que "Ele defendeu a energia nuclear como uma solução para a crise energética mundial, causada pelo aumento do preço do petróleo e pela redução das reservas, além da mudança climática e da poluição atmosférica."
Tão altruísta que ele é...Nem Bolívar chegaria a tanto...
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
A natureza da segunda câmara
No seguimento do post "Dois projectos políticos para Portugal" onde a dada altura dizia:
"Poder-se-á ainda arguir pelo cruzamento entre os dois, algo como uma monarquia constitucional e federada, em que a natureza da segunda câmara seria algo a discutir, e sobre o qual não me quero debruçar agora, até porque ao longo da última semana, enquanto pensava nisto, não consegui encontrar uma saída para o dilema de ter que representar equitativamente os estados federados, mas ter também que instituir uma câmara dos Lordes que garanta a prática do poder fiscalizador da instituição monárquica."
Eis que a resposta para esta minha inquietação é até bem simples. Basta ver algumas das discussões em Espanha ou no Reino Unido acerca da natureza da segunda câmara. Em Espanha já se pensou federalizar o sistema e tornar a segunda câmara mista entre os eleitos directamente e os nomeados pelos estados federados. No Reino Unido foi rejeitada uma proposta para que a House of the Lords fosse composta por membros eleitos e membros nomeados pelo Rei (em proporção a definir).
Portanto, quer Portugal se tornasse um Estado Federal, ou se apenas se voltasse a instituir o elemento Monárquico, essencial seria voltar a ter o Senado, cuja natureza seria porventura técnica, composto por comissões que emitiriam pareceres especializados (à semelhança dos Britânicos) e parece-me que a melhor solução seria um misto entre membros eleitos e membros nomeados pelo Rei.
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